O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou, nesta quinta-feira (30), em São Paulo (SP), no Sesc Santo Amaro, o terceiro de três lançamentos regionais do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua. A iniciativa representa um marco histórico ao estabelecer, pela primeira vez, um levantamento estatístico nacional dedicado exclusivamente a esse segmento da população.
Desenvolvido pelo IBGE em parceria com instituições públicas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais, o Censo destina-se à contagem e à caracterização demográfica e socioeconômica da população em situação de rua do País, constituindo-se como instrumento essencial para o fortalecimento das políticas públicas voltadas a esse grupo populacional, ao fornecer uma base estatística robusta, padronizada e comparável em âmbito nacional.
A pesquisa permitirá identificar, com rigor metodológico, a distribuição territorial, o perfil sociodemográfico e as condições de vida da população em situação de rua, suprindo lacunas históricas decorrentes da fragmentação e heterogeneidade das fontes existentes.
A abertura do evento contou com a fala de Flávia Carvalho, Gerente de Programas Sociais do Sesc São Paulo, que destacou que sediar o encontro reforça o compromisso da instituição com a articulação de ações voltadas à inclusão social. “Este é um espaço de escuta e compartilhamento de saberes. A partir do lançamento do Programa Cidadania PopRua e do Primeiro Censo da População em Situação de Rua, a expectativa é fortalecer parcerias e ampliar iniciativas que contribuam para a convivência comunitária e para a transformação social”, afirmou.
Na primeira mesa, dedicada ao tema “O papel dos direitos humanos no território”, foi apresentado o programa Cidadania PopRua, coordenado pelo Governo Federal. A iniciativa prevê a implementação de unidades de atendimento com equipes multidisciplinares, que integram serviços especializados em direitos humanos a uma estrutura de acolhimento, incluindo oferta de higiene, hidratação e guarda de pertences.
Durante o debate, a diretora de Políticas para a População em Situação de Rua do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Malu Gama, destacou a abrangência do programa. “Estamos inaugurando 47 unidades do Cidadania PopRua em todo o país, sendo São Paulo o município com maior número de equipamentos. São sete por aqui. Trata-se de uma resposta do Estado ao aumento da violência contra essa população, com investimento de R$ 70 milhões, partindo do entendimento de que os direitos humanos são base para o acesso a outras políticas públicas”, afirmou.

A coordenadora de projetos da Associação Rede Rua, Andreza do Carmo, ressaltou a importância da produção de dados para o desenvolvimento de políticas públicas. “Os movimentos sociais reivindicam há anos a realização de uma contagem nacional dessa população. Ter informações detalhadas e qualificadas é fundamental para orientar ações que não se baseiem apenas em estimativas ou percepções locais. Há grande expectativa em relação ao trabalho do IBGE, que pode fortalecer esse processo”, destacou.
Após a primeira mesa, o evento contou com apresentação cultural da banda Chá do Padre, com repertório de música popular brasileira.
Anderson Lopes Miranda, coordenador-geral do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua (CIAMP-Rua), destacou o processo de construção coletiva da iniciativa. “Foram anos de mobilização e debate até chegarmos à realização de um Censo nacional da população em situação de rua. Participamos de workshops metodológicos para contribuir com a pesquisa e apresentar nossa perspectiva sobre como esse levantamento deve ser conduzido”.