Reajuste fica abaixo dos níveis oficiais, porque há desconto da produtividade das empresas e o peso dos custos que foi fator zero, avalia economista
Os medicamentos ficarão mais caros a partir da próxima quarta-feira, 1º de abril, mas de acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a alta será abaixo da inflação. O reajuste médio oficial do preço dos medicamentos em termos reais fica abaixo dos níveis oficiais do IPCA, devido ao desconto da produtividade das empresas e o peso dos custos, que foi fator zero.
A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) definiu os parâmetros do reajuste anual dos preços de medicamentos. Pela lei, esse reajuste ocorre uma vez por ano e leva em conta a inflação oficial (IPCA), ajustada por fatores técnicos.
Para este ano, o IPCA acumulado em 12 meses foi de 3,81%, segundo o IBGE. Sobre esse índice, a CMED aplicou um fator de produtividade (Fator X) de 2,683%, enquanto o fator- Y ficou em 0%, o que reduz o reajuste final autorizado. O fator Z — que faz a diferença dos níveis 1, 2 e 3 — variou.
De acordo com Ítalo Spinelli, analista de estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o reajuste segue a regra da CMED baseada no IPCA, porém com ajuste por fatores técnicos. “Os fatores técnicos são produtividade, custos e concorrência no segmento da indústria farmacêutica. Então, o IPCA acumulado de 2025 foi de 4,26%, mas com o reajuste da CMED, ele fica abaixo disso, porque a fórmula desconta o fator produtividade”, explica Spinelli.
“O fator produtividade foi da ordem de 2,68%. E o fator custo não exerceu nenhum efeito, ele teve uma mensuração técnica de valor zero. Mesmo com o fator que avalia o nível de concorrência do produto, que é o terceiro, o nível concorrencial, que é medido, esse reajuste médio real foi negativo, ou seja, os os medicamentos sobem menos do que a inflação”, complementa o economista da FIEMG.
Reajuste médio de 2,2%: impactos no bolso do consumidor
Os aumentos máximos variam conforme o nível de concorrência dos produtos. A CMED divide os medicamentos em três níveis de concorrência para equilibrar o mercado. Produtos com muitos genéricos têm mais espaço para reajuste, enquanto medicamentos sem concorrência direta sofrem aumentos menores:
- Medicamentos com alta concorrência (nível 1) podem ter reajuste de até 4,6%;
- Concorrência intermediária (nível 2), cerca de 3,25%;
- Baixa concorrência ou produtos exclusivos (nível 3), até 1,9%.
Esses percentuais são tetos, não aumentos obrigatórios. Cada laboratório decide se aplica ou não o reajuste e em qual percentual, respeitando o preço máximo permitido. Em 2025, por exemplo, embora o teto fosse de 5,06%, poucos medicamentos chegaram a esse limite. Para o setor, a projeção é de um reajuste médio de aproximadamente 2,2%. Às vezes, o índice de aumento não é aplicado na sua integralidade. Este ajuste depende da avaliação de mercado de cada empresa, tendo como base o posicionamento de seus produtos.
O reajuste passa a valer a partir de primeiro de abril, mas não é automático nem uniforme. “Os tetos de aumento refletem o fator que avalia o nível de concorrência intersetorial. Quanto maior a concorrência do segmento do produto da indústria farmacêutica, maior é o teto de ajuste permitido. Então, nos mercados regulados, há uma restrição aos segmentos, emque existe uma forte concentração de mercado em poucas empresas”, salienta o economista da FIEMG.