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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 NO AMAPÁ – Cinco trajetórias e a disputa pelo Palácio do Setentrião: quem são, de onde vêm e o que propõem os candidatos ao Governo do Amapá

De um governador que busca permanecer no cargo a um ex-prefeito que deixou a administração da capital para tentar chegar ao Palácio do Setentrião, passando por um ex-deputado federal, um dirigente sindical e um militante de movimentos sociais, a eleição amapaense reúne cinco trajetórias políticas bastante diferentes. Reportagem especial apresenta biografia, mandatos, filiações partidárias, patrimônio declarado, desempenho em todas as eleições anteriores e as principais propostas dos candidatos para 2027–2030.

Atualizado em 7 de setembro de 2026


O eleitorado do Amapá terá cinco candidatos ao Governo do Estado nas eleições de 2026. Estão na disputa Carlos Cley (PSTU), Clécio (União Brasil), Delegado Marcos (DC), Dr. Furlan (PSD) e Jairo Palheta (PCO). O estado tem aproximadamente 577,5 mil eleitores, distribuídos pelos 16 municípios. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

É uma eleição marcada por um confronto de trajetórias. De um lado está Clécio Luís, governador desde 2023 e candidato à reeleição, com uma carreira que inclui dois mandatos de vereador e dois de prefeito de Macapá. Do outro aparece Dr. Furlan, médico, ex-deputado estadual e prefeito reeleito da capital em 2024, que deixou o Executivo municipal em 2026 para entrar na disputa estadual.

Completam o quadro Delegado Marcos, ex-deputado federal e integrante da Polícia Federal; Carlos Cley, motorista e sindicalista que chega à quinta participação eleitoral; e Jairo Palheta, agricultor e militante de movimentos sociais, em sua segunda tentativa de chegar ao Governo do Amapá.

RAIO-X DOS CINCO CANDIDATOS

CandidatoPartidoNascimentoNaturalidadePrincipal experiência políticaPatrimônio declarado em 2026
Carlos CleyPSTU08/07/1972Belém (PA)sindicalista; cinco candidaturas eleitoraisR$ 49.166,00
ClécioUnião Brasil08/04/1972Belém (PA)vereador, prefeito de Macapá e governadorR$ 497.990,00
Delegado MarcosDC06/10/1960Macapá (AP)delegado da PF, procurador-geral e deputado federalsem bens declarados/R$ 0,00 na base consultada
Dr. FurlanPSD09/07/1973San José, Costa Ricadeputado estadual e prefeito de MacapáR$ 1.168.464,77
Jairo PalhetaPCO05/12/1978Macapá (AP)agricultor e militante de movimentos sociaissem bens declarados/R$ 0,00 na base consultada

Nota: patrimônio declarado à Justiça Eleitoral é informação fornecida pelo próprio candidato no registro de candidatura. Os valores não correspondem necessariamente ao preço atual de mercado dos bens. Da mesma forma, “não declarar bens” não permite concluir, isoladamente, que uma pessoa não possua patrimônio.


CARLOS CLEY (PSTU)

Do movimento sindical à primeira candidatura ao governo

Carlos Cley Ramos Paiva, 54 anos, nasceu em Belém, no Pará, em 8 de julho de 1972. Casado, declara-se pardo, possui ensino médio completo e informou à Justiça Eleitoral a ocupação de motorista particular. Também trabalha como motorista de aplicativo e tem longa atuação ligada aos trabalhadores rodoviários.

Sua trajetória política está fortemente vinculada ao movimento sindical. Cley integrou a direção do Sindicato dos Rodoviários do Amapá e participou de mobilizações e greves da categoria. Também é ligado à CSP-Conlutas. A militância partidária consolidou-se no PSTU, legenda pela qual participou de todas as disputas eleitorais desde 2004.

Em 2026, concorre ao governo com Ana Paula Pinheiro de Araújo, também do PSTU, como candidata a vice.

Histórico partidário

PSTU — Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado: é a legenda de toda a trajetória eleitoral conhecida de Carlos Cley. Registros sobre sua militância indicam vínculo com o partido desde o início dos anos 2000.

Linha do tempo eleitoral de Carlos Cley

AnoCargoPartidoVotação/resultado
2004Vereador de MacapáPSTU442 votos — não eleito
2006Vice-governador do AmapáPSTUchapa de Clécio Luís recebeu 9.008 votos (3,02%) — não eleita
20102º suplente ao SenadoPSTUsuplente não recebe votação nominal própria; chapa não obteve votação válida contabilizada
2024Vice-prefeito de MacapáPSTUchapa de Gianfranco obteve 560 votos (0,23%) — não eleita
2026Governador do AmapáPSTUem disputa

Em 2004, Carlos Cley recebeu 442 votos para vereador. Dois anos depois, foi o vice de Clécio Luís na chapa PSOL/PSTU/PCB que recebeu 9.008 votos na disputa pelo governo. Em 2024, acompanhou Gianfranco na eleição municipal de Macapá, quando a chapa do PSTU terminou com 560 votos.

Patrimônio declarado

Carlos Cley declarou R$ 49.166,00 em bens:

  • Fiat Argo, ano 2018 — R$ 48.416,00;
  • bicicleta — R$ 750,00.

O que propõe

O programa apresentado pelo PSTU tem 12 páginas e assume explicitamente uma orientação socialista. A proposta central é a formação de um “Governo dos Trabalhadores”, com participação de conselhos populares na gestão pública. O documento parte de uma crítica ao modelo econômico capitalista e à concentração de renda.

Entre os temas abordados aparecem defesa dos direitos trabalhistas, valorização dos servidores públicos, serviços públicos, transporte, saúde, educação, emprego, meio ambiente e políticas sociais. Em comparação com as candidaturas de Clécio e Furlan, trata-se de um programa mais ideológico e voltado à mudança do modelo político-econômico do que à apresentação de uma extensa carteira de obras.


CLÉCIO (UNIÃO BRASIL)

Do movimento de esquerda à prefeitura e ao Governo do Estado

Clécio Luís Vilhena Vieira, 54 anos, nasceu em Belém, em 8 de abril de 1972. Graduado em Geografia pela Universidade Federal do Amapá (Unifap), trabalhou como policial civil antes de seguir a carreira de professor. Possui também formação voltada à área de desenvolvimento sustentável e gestão ambiental.

É o candidato com a trajetória eleitoral mais extensa entre os cinco concorrentes de 2026.

Foi eleito vereador de Macapá pela primeira vez em 2004. Em 2006, ainda vereador, ensaiou a primeira tentativa de chegar ao governo estadual. Voltou à Câmara Municipal em 2008 e, em 2012, venceu uma apertada disputa pela Prefeitura de Macapá.

Reeleito prefeito em 2016, permaneceu no Executivo municipal até o final de 2020. Dois anos depois, conquistou o Governo do Amapá já no primeiro turno, recebendo 222.168 votos, ou 53,69% dos válidos. Assumiu o Palácio do Setentrião em 1º de janeiro de 2023.

Em 2026, busca a reeleição tendo Teles Júnior (PDT) como candidato a vice.

Histórico partidário

A trajetória de Clécio registra passagens por cinco legendas:

PT → PSOL → Rede Sustentabilidade → Solidariedade → União Brasil

Foi eleito vereador pelo PT em 2004. Migrou para o PSOL, legenda pela qual disputou o governo em 2006, reelegeu-se vereador em 2008 e conquistou a Prefeitura de Macapá em 2012. Em 2016, reelegeu-se prefeito pela Rede. Em 2022, tornou-se governador pelo Solidariedade. Em 2026, disputa a reeleição pelo União Brasil.

Linha do tempo eleitoral de Clécio

AnoCargoPartidoVotação/resultado
2004Vereador de MacapáPT2.124 votos — eleito
2006GovernadorPSOL9.008 votos (3,02%) — não eleito
2008Vereador de MacapáPSOL4.069 votos — eleito
2010Deputado federalPSOLcandidatura registrada e posteriormente cancelada
20101º suplente ao SenadoPSOLchapa de Randolfe Rodrigues recebeu 203.259 votos — eleita
2012 – 1º turnoPrefeito de MacapáPSOL56.947 votos
2012 – 2º turnoPrefeito de MacapáPSOL101.261 votos (50,59%) — eleito
2016 – 1º turnoPrefeito de MacapáRede95.129 votos
2016 – 2º turnoPrefeito de MacapáRede123.808 votos (60,50%) — reeleito
2022GovernadorSolidariedade222.168 votos (53,69%) — eleito no 1º turno
2026GovernadorUnião Brasilcandidato à reeleição

Na eleição de 2010, como primeiro suplente de Randolfe Rodrigues, Clécio não teve votação nominal própria: os 203.259 votos pertencem à chapa para o Senado.

Patrimônio declarado

Em 2026, Clécio declarou R$ 497.990,00, distribuídos entre:

  • Honda HR-V Advance — R$ 184.990,00;
  • lote urbano — R$ 105.000,00;
  • lote urbano — R$ 104.000,00;
  • lote urbano — R$ 104.000,00.

Em 2022, quando concorreu pela primeira vez e venceu o governo, havia declarado R$ 88.520,23. O aumento nominal do patrimônio declarado entre os dois registros eleitorais é, portanto, expressivo, embora a comparação não permita por si só inferir origem, valorização patrimonial ou irregularidade.

O que propõe

O programa para 2027–2030 tem como eixo político a continuidade da atual administração, mas acrescenta novos projetos de desenvolvimento econômico, infraestrutura e interiorização.

Na economia, a candidatura defende atração de investimentos, ampliação de parcerias e concessões, fortalecimento da bioeconomia, industrialização de produtos da biodiversidade amazônica, Zona Franca Verde e desenvolvimento da Zona de Processamento de Exportação.

Outro eixo de grande peso é a eventual exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, associada à qualificação da mão de obra amapaense e à criação de uma cadeia local de fornecedores.

O plano também prevê fortalecimento do açaí e de cadeias produtivas sustentáveis, mercado de carbono e pagamento por serviços ambientais, além da expansão do turismo e da economia criativa.

Na saúde, aparecem propostas de ampliação da telemedicina, digitalização dos serviços, redução de filas e continuidade de programas especializados. Em infraestrutura, estão projetos de integração rodoviária, pavimentação, saneamento, mobilidade e equipamentos públicos. Na gestão, o programa aposta na digitalização do atendimento e uso de dados para acompanhamento das políticas estaduais.


DELEGADO MARCOS (DC)

Segurança pública e experiência jurídica como principais credenciais

Marcos José Reátegui de Souza, conhecido eleitoralmente como Delegado Marcos, nasceu em Macapá em 6 de outubro de 1960. Tem 65 anos durante a campanha e completará 66 no dia 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno.

É casado, possui ensino superior completo e declarou ao TSE a ocupação de servidor público federal. Sua trajetória profissional inclui atuação como delegado da Polícia Federal e procurador-geral do Estado do Amapá.

Na política eleitoral, sua carreira é mais curta do que a de Clécio e Furlan. Estreou nas urnas em 2014, quando foi eleito deputado federal. Tentou permanecer na Câmara em 2018, mas ficou na suplência.

Histórico partidário

As candidaturas registradas mostram passagem por três partidos:

PSC → PSD → DC

Em 2014, foi eleito deputado federal pelo PSC. Em 2018, disputou a reeleição pelo PSD. Agora, em 2026, concorre ao Governo do Amapá pela Democracia Cristã.

Linha do tempo eleitoral de Delegado Marcos

AnoCargoPartidoVotação/resultado
2014Deputado federalPSC12.485 votos — eleito pelo quociente partidário
2018Deputado federalPSD3.759 votos — suplente
2026GovernadorDCem disputa

Delegado Marcos exerceu mandato de deputado federal entre 2015 e 2019. A candidatura de 2026 representa sua primeira tentativa de comandar o Executivo estadual.

Sua vice é Cristina Araújo, também da Democracia Cristã.

Patrimônio declarado

Nas bases eleitorais consultadas, Delegado Marcos aparece sem bens declarados, com registro patrimonial equivalente a R$ 0,00 em espelhos da base do TSE. Outro extrator do DivulgaCand informa que o detalhamento patrimonial não estava disponível para divulgação na carga consultada. Por essa razão, a formulação jornalisticamente mais segura é registrar que não há bens patrimoniais individualizados disponíveis na declaração de 2026 consultada.

O que propõe

O plano registrado tem 32 páginas. A candidatura explora especialmente a experiência profissional de Marcos Reátegui na Polícia Federal e no campo jurídico, colocando segurança pública, combate ao crime organizado e melhoria da administração estadual entre seus principais argumentos eleitorais.

O documento também aborda áreas como saúde, educação, infraestrutura, economia, assistência social e gestão, mas, diferentemente dos programas de Clécio e Dr. Furlan, apresenta uma estrutura menos baseada em extensa enumeração de obras e metas individualizadas nos textos públicos indexados até esta atualização.

A marca programática mais evidente da candidatura é, portanto, a proposta de um governo com forte peso para segurança, autoridade estatal, controle administrativo e combate à criminalidade.


DR. FURLAN (PSD)

O médico que transformou a votação em Macapá em plataforma para disputar o Estado

Antonio Paulo de Oliveira Furlan, o Dr. Furlan, nasceu em 9 de julho de 1973, em San José, na Costa Rica, enquanto seus pais brasileiros estavam naquele país. Ainda criança mudou-se para Belém.

Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Pará e especializou-se na área de cirurgia cardiovascular. Posteriormente radicou-se no Amapá, onde desenvolveu atividades profissionais no setor de saúde.

Sua entrada na política ocorreu em 2010, como candidato a deputado estadual pelo PTB. Obteve 5.135 votos e tornou-se primeiro suplente da coligação. Em 2013, após a morte do deputado Ocivaldo Gato, foi convocado para assumir a cadeira na Assembleia Legislativa. O próprio TRE-AP confirmou à época que a vaga pertencia a Furlan.

Em 2014 conquistou mandato próprio, com 8.947 votos, e foi reeleito em 2018, com 7.512.

A grande mudança em sua trajetória aconteceu em 2020, quando trocou a Assembleia Legislativa pela disputa da Prefeitura de Macapá. Depois de receber 32.369 votos no primeiro turno, venceu o segundo com 101.091 votos.

Quatro anos depois, alcançou uma votação muito superior: 204.291 votos, equivalentes a 85,08% dos votos válidos, garantindo a reeleição já no primeiro turno.

Em 2026, deixou a prefeitura e entrou na disputa pelo governo tendo Luciana Gurgel (PL) como vice.

Histórico partidário

A trajetória eleitoral de Furlan registra:

PTB → Cidadania → MDB → PSD

O PTB marcou sua carreira parlamentar. Pelo Cidadania, conquistou a Prefeitura de Macapá em 2020. Pelo MDB, reelegeu-se prefeito em 2024. Em março de 2026, filiou-se ao PSD para disputar o Governo do Amapá.

Linha do tempo eleitoral de Dr. Furlan

AnoCargoPartidoVotação/resultado
2010Deputado estadualPTB5.135 votos — 1º suplente
2013PTBassume vaga na Assembleia após falecimento de Ocivaldo Gato
2014Deputado estadualPTB8.947 votos — eleito
2018Deputado estadualPTB7.512 votos — reeleito
2020 – 1º turnoPrefeito de MacapáCidadania32.369 votos
2020 – 2º turnoPrefeito de MacapáCidadania101.091 votos — eleito
2024Prefeito de MacapáMDB204.291 votos (85,08%) — reeleito no 1º turno
2026GovernadorPSDem disputa

Patrimônio declarado

Dr. Furlan possui o maior patrimônio declarado entre os cinco candidatos: R$ 1.168.464,77.

A relação apresentada à Justiça Eleitoral contém seis itens:

BemValor
Apartamento residencialR$ 530.000,00
Imóvel residencial em MacapáR$ 300.000,00
Imóvel residencial em MacapáR$ 180.250,00
Capital do Instituto de Medicina do Coração Ltda.R$ 100.000,00
Construção em imóvel urbanoR$ 43.214,77
Participação de 20% no Instituto de Terapia Intensiva do Amapá Ltda.R$ 15.000,00
TOTALR$ 1.168.464,77

O que propõe

O plano de Furlan é um dos documentos mais detalhados apresentados na disputa e está estruturado em grandes áreas como segurança, saúde, educação, infraestrutura, economia e emprego, bioeconomia, petróleo e energia, assistência social, cultura, turismo, esporte e gestão pública.

Na saúde, promete regionalizar serviços, ampliar média e alta complexidade, telemedicina, saúde digital e atendimento especializado. Entre propostas específicas estão serviço de hemodiálise em Laranjal do Jari, Centro Estadual de Referência em Doenças Raras, programa estadual de transplantes e ampliação da rede hospitalar.

Na educação, aparecem propostas de escolas de tempo integral, educação profissional, fortalecimento da educação indígena, conectividade, iniciação científica, inteligência artificial e ensino de idiomas. O documento prevê ainda Centro Estadual de Línguas Estrangeiras, programa Amapá sem Fronteiras, expansão dos centros de educação profissional e criação ou fortalecimento de cursos estratégicos na Universidade do Estado do Amapá.

No capítulo de infraestrutura, o programa inclui substituição e melhoria de pontes, rodovias, saneamento, mobilidade, escolas, unidades de saúde e equipamentos públicos. Também prevê energia solar e um programa de “governo inteligente”.

Na segurança, propõe integração de inteligência, videomonitoramento, análise de dados e uso de inteligência artificial, além de reforço de estruturas policiais e de combate ao crime organizado.

O plano estabelece ainda ações para os 100 primeiros dias de eventual governo, associando as propostas a metas de planejamento e gestão por resultados.


JAIRO PALHETA (PCO)

Militância social, moradia e direitos dos trabalhadores

Jairo Palheta da Silva Marques, 47 anos, nasceu em Macapá em 5 de dezembro de 1978. É casado, autodeclara-se pardo, informou ensino superior incompleto e registrou como ocupação agricultor.

Sua atuação política está ligada a movimentos sociais e à pauta de acesso à terra e à moradia. Participou da Frente Nacional de Lutas (FNL) e do movimento Morada Legal, além de desenvolver militância partidária em legendas de esquerda.

Esta será sua segunda tentativa de disputar o Governo do Amapá.

A candidata a vice é Iraciely — Iracelia Barbosa Rodrigues —, também do PCO.

Histórico partidário

A trajetória eleitoral registra três partidos:

PP → PSTU → PCO

Jairo estreou como candidato a deputado estadual pelo PP em 2010. Em 2018 e 2020 concorreu pelo PSTU. A partir de 2022 passou a disputar eleições pelo PCO.

Linha do tempo eleitoral de Jairo Palheta

AnoCargoPartidoVotação/resultado
2010Deputado estadualPP42 votos — suplente
2018Deputado federalPSTU378 votos — não eleito
2020Vice-prefeito de MacapáPSTUchapa recebeu 1.243 votos — não eleita
2022GovernadorPCOcandidatura considerada não apta; houve 634 votos registrados, sem aproveitamento como votação válida
2024Prefeito de MacapáPCO199 votos — não eleito
2026GovernadorPCOem disputa

A observação sobre 2022 é importante: o número de 634 aparece nas bases de votação, mas a candidatura estava classificada como não apta, motivo pelo qual a votação não deve ser tratada da mesma maneira que votos válidos de candidatos regularmente contabilizados.

Patrimônio declarado

A ficha eleitoral de 2026 consultada registra R$ 0,00 em bens declarados, sem itens patrimoniais individualizados.

O que propõe

O programa apresentado pelo PCO tem uma característica diferente dos principais concorrentes: trata-se de um documento nacional de caráter partidário, praticamente idêntico ao entregue por candidatos do partido em outros estados e também na disputa presidencial.

Em vez de um catálogo predominantemente estadual de obras e metas, o texto funciona como um manifesto político e econômico.

A campanha de Jairo enfatiza principalmente direitos dos trabalhadores, moradia, acesso à terra, políticas sociais e crítica ao modelo econômico e às administrações anteriores.

A pauta combina reivindicações locais ligadas a habitação e regularização fundiária com a plataforma nacional do PCO.


QUADRO COMPARATIVO — O QUE PROPÕEM OS CINCO CANDIDATOS

TemaCarlos Cley — PSTUClécio — UniãoDelegado Marcos — DCDr. Furlan — PSDJairo Palheta — PCO
Modelo de governoGoverno dos trabalhadores e conselhos popularesContinuidade da gestão com modernização e investimentosGestão baseada em autoridade, segurança e eficiência administrativaGestão por resultados, planejamento e metasPrograma de caráter partidário e mobilização popular
Economia e empregoDefesa do emprego, salários e direitos trabalhistasInvestimentos, bioeconomia, petróleo e gás, ZPE e cadeias produtivasDesenvolvimento econômico associado a organização e eficiência estatalDiversificação econômica, petróleo, bioeconomia, infraestrutura e empregosDireitos trabalhistas, intervenção estatal e crítica ao modelo econômico
SaúdeFortalecimento do sistema públicoTelemedicina, redução de filas, hospitais e especialidadesSaúde aparece entre os eixos gerais do planoRegionalização, alta complexidade, transplantes, hemodiálise, telemedicina e novos equipamentosDefesa e ampliação da saúde pública
EducaçãoEscola pública e valorização dos trabalhadores da educaçãoInfraestrutura, tecnologia, formação e ensino profissionalEducação integra os eixos estruturantesTempo integral, educação profissional, idiomas, ciência, IA, educação indígena e expansão da UEAPDefesa da educação pública e acesso universal
Segurança públicaPerspectiva social de combate às causas da violênciaIntegração, inteligência e modernizaçãoPrincipal bandeira: combate ao crime e fortalecimento das forças de segurançaInteligência, monitoramento, tecnologia e enfrentamento ao crime organizadoPolíticas sociais e fortalecimento do poder público
InfraestruturaServiços e investimentos públicosRodovias, mobilidade, saneamento e integração territorialInfraestrutura aparece no programa como área estratégicaGrande carteira de rodovias, pontes, hospitais, escolas, saneamento e equipamentosInvestimentos públicos associados às demandas populares
Meio ambienteProteção ambiental sob crítica ao modelo de exploração econômicaBioeconomia, açaí, floresta, carbono e exploração econômica sustentávelTema incluído no planoBioeconomia, energia, sustentabilidade e infraestrutura ambientalProteção dos recursos e crítica à exploração privada
Petróleo/Margem Equatorialabordagem crítica à exploração subordinada aos grandes grupos econômicosvê petróleo e gás como oportunidade de desenvolvimento com mão de obra e fornecedores locaisinserido no debate econômico e energético mais amploexploração associada a emprego, energia, fornecedores e desenvolvimento regionalposição vinculada à plataforma econômica nacional do PCO
Tecnologia e digitalizaçãonão aparece como eixo centralgoverno digital, dados e modernização dos serviçosmodernização administrativagoverno inteligente, IA, monitoramento, educação tecnológica e conectividadenão constitui eixo central do programa
Marca principalruptura socialistacontinuidade + desenvolvimentosegurança e autoridadeobras + saúde + gestãotrabalhadores + moradia + mobilização social

A leitura comparativa evidencia três formatos bastante diferentes de programa. Clécio e Furlan apresentam documentos mais extensos e territorializados, com projetos associados a setores e equipamentos específicos. Delegado Marcos estrutura sua candidatura fortemente em torno da segurança pública e da gestão, embora seu documento percorra outras áreas. Já Carlos Cley e Jairo Palheta apresentam programas mais ideológicos, ligados aos projetos nacionais de PSTU e PCO.


CINCO TRAJETÓRIAS, TRÊS PERFIS DE DISPUTA

O desenho da eleição amapaense de 2026 pode ser compreendido a partir de três grupos políticos distintos.

O primeiro reúne os candidatos com experiência recente no comando do Executivo: Clécio e Dr. Furlan. Um administra — e tenta continuar administrando — o Estado; o outro construiu sua plataforma eleitoral a partir da Prefeitura de Macapá. São também os dois candidatos com maior acúmulo de mandatos eletivos.

O segundo espaço é ocupado por Delegado Marcos, que tenta converter a experiência na Polícia Federal, no campo jurídico e na Câmara dos Deputados em uma alternativa centrada principalmente na segurança e na administração pública.

No terceiro estão Carlos Cley e Jairo Palheta, candidaturas de partidos da esquerda socialista que chegam ao pleito com estruturas partidárias menores e discursos de ruptura mais acentuados. Em comum, ambos têm histórico de participação em movimentos sociais ou sindicais e não exerceram mandatos eletivos.


O CONFRONTO DE EXPERIÊNCIAS

A comparação do histórico eleitoral mostra a diferença de envergadura política acumulada pelos concorrentes.

Clécio chega a 2026 tendo vencido cinco eleições: duas para vereador, duas para prefeito e uma para governador.

Dr. Furlan obteve mandato após assumir como suplente em 2013, venceu duas eleições consecutivas para deputado estadual e duas para prefeito de Macapá.

Delegado Marcos venceu uma eleição para deputado federal.

Carlos Cley e Jairo Palheta ainda não conquistaram mandato eletivo titular.

Isso não determina o resultado da eleição, mas ajuda a explicar as estratégias de campanha. Para Clécio, a eleição é principalmente um julgamento de continuidade da administração estadual. Para Furlan, representa a tentativa de transformar sua votação obtida na capital em base eleitoral estadual. Para Marcos, é a oportunidade de retornar a um mandato eletivo por uma via majoritária. Para Carlos e Jairo, a campanha também funciona como espaço para apresentação de projetos políticos mais ideológicos.


PATRIMÔNIO: DE R$ 0 A R$ 1,16 MILHÃO

As declarações apresentadas à Justiça Eleitoral revelam diferenças consideráveis entre os candidatos.

PosiçãoCandidatoPatrimônio declarado
Dr. FurlanR$ 1.168.464,77
ClécioR$ 497.990,00
Carlos CleyR$ 49.166,00
Delegado MarcosR$ 0,00/sem bens individualizados na base consultada
Jairo PalhetaR$ 0,00/sem bens declarados na base consultada

Furlan concentra seu patrimônio principalmente em imóveis e participações empresariais na área de saúde. Clécio declarou um automóvel e três terrenos. Praticamente todo o patrimônio de Carlos Cley corresponde ao automóvel utilizado em sua declaração patrimonial.

Os valores são os informados pelos candidatos à Justiça Eleitoral e não devem ser interpretados automaticamente como avaliação atual de mercado ou como medida exata da riqueza pessoal.


UMA ELEIÇÃO ENTRE CONTINUIDADE, ALTERNÂNCIA E RUPTURA

A disputa pelo Palácio do Setentrião coloca diante do eleitor amapaense escolhas que ultrapassam nomes e partidos.

Clécio pede mais quatro anos e apresenta sua candidatura como continuidade de um projeto iniciado em 2023.

Dr. Furlan tenta transferir para o plano estadual a força eleitoral construída em Macapá e oferece uma agenda ampla de obras, saúde, infraestrutura e gestão.

Delegado Marcos aposta na segurança pública, no combate ao crime e em sua experiência institucional.

Carlos Cley defende uma mudança estrutural, com um governo orientado pelos trabalhadores e por conselhos populares.

Jairo Palheta apresenta um projeto vinculado às pautas históricas do PCO, com ênfase nos direitos dos trabalhadores, moradia e mobilização popular.

Em 4 de outubro de 2026, caberá aos eleitores decidir qual dessas trajetórias chegará ao segundo turno — ou se uma delas reunirá força suficiente para resolver a disputa ainda na primeira votação.


NOTA

Esta reportagem foi elaborada a partir dos registros de candidaturas e das bases históricas da Justiça Eleitoral/TSE, dados do TRE do Amapá, resultados oficiais de eleições anteriores, programas de governo registrados para o pleito de 2026 e informações biográficas confrontadas com fontes jornalísticas. A base de dados abertos do TSE mantém conjuntos específicos de candidaturas, bens declarados e propostas de governo para as Eleições 2026.

Para candidatos a vice-prefeito, vice-governador e suplente de senador, a votação indicada corresponde à chapa, pois esses cargos não recebem voto nominal independente.

Também foram preservadas situações históricas excepcionais — como a candidatura não apta de Jairo Palheta em 2022 e o registro de Clécio como suplente ao Senado em 2010 — para evitar que votos de chapa sejam apresentados indevidamente como votação pessoal.

Como registros de candidatura, prestações de contas e decisões judiciais podem sofrer atualização até o pleito, as informações deste especial têm como data de corte 7 de setembro de 2026.

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