De ex-governadores e um governador escolhido em eleição indireta a um ex-candidato à Presidência, uma empresária do setor educacional, um líder indígena e um professor sindicalista, a eleição amazonense reúne trajetórias bastante distintas. Reportagem especial apresenta biografia, mandatos, filiações partidárias, patrimônio, desempenho nas urnas e as principais propostas dos sete candidatos.
Atualizada em 7 de setembro de 2026
A disputa pelo Governo do Amazonas está oficialmente definida. Dados do Tribunal Superior Eleitoral extraídos na manhã deste domingo, 7 de setembro de 2026, apontam sete candidaturas deferidas: Cabo Daciolo, David Almeida, Gilberto Vasconcelos, Isael Munduruku, Omar Aziz, Professora Maria do Carmo e Roberto Cidade. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, caso nenhum candidato obtenha a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. O Amazonas tem aproximadamente 2,8 milhões de eleitores.
É uma eleição marcada também por uma situação institucional incomum. O atual governador, Roberto Cidade, chegou ao Palácio Rio Negro em 2026 depois das renúncias de Wilson Lima e do então vice Tadeu de Souza. Cidade, que presidia a Assembleia Legislativa, assumiu inicialmente de forma interina e depois foi escolhido governador em eleição indireta realizada pela Aleam. Agora procura legitimar nas urnas um mandato iniciado sem eleição popular direta.
Do outro lado estão dois políticos que já governaram o Amazonas — Omar Aziz e David Almeida, este último interinamente em 2017 —, além de candidaturas que procuram se apresentar como alternativas às forças tradicionais. Zona Franca de Manaus, saúde no interior, logística, BR-319, segurança, geração de emprego, proteção ambiental, povos indígenas e redução da enorme distância entre Manaus e os municípios interioranos aparecem como temas transversais da campanha.
O mapa da disputa
| Candidato | Nº | Partido | Vice | Nascimento | Patrimônio declarado em 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Cabo Daciolo | 33 | Mobiliza | Professor Igor Oliveira | 30/03/1976 – Florianópolis/SC | R$ 190.750,00 |
| David Almeida | 70 | Avante | Dra. Shádia | 08/02/1969 – Manaus/AM | R$ 1.432.848,40 |
| Gilberto Vasconcelos | 16 | PSTU | Juliana Frota | 15/04/1967 – Manaus/AM | R$ 0,00 |
| Isael Munduruku | 18 | Rede | Leo Balbi | 05/03/1978 – Manaus/AM | R$ 1.657.000,00 |
| Omar Aziz | 55 | PSD | Alessandra Campelo | 13/08/1958 – Garça/SP | R$ 2.070.608,00 |
| Professora Maria do Carmo | 22 | PL | Coronel Anibal | 26/11/1959 – Manaus/AM | R$ 118.473.769,48 |
| Roberto Cidade | 44 | União Brasil | Serafim | 02/10/1986 – Manaus/AM | R$ 4.285.400,80 |
As chapas e números acima constavam como deferidos no levantamento do TSE atualizado às 9h de 7 de setembro. Os patrimônios são valores declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral: não equivalem necessariamente ao valor de mercado atual dos bens nem representam auditoria independente.
1. CABO DACIOLO — MOBILIZA 33
Do Corpo de Bombeiros e da disputa presidencial ao Amazonas
Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos nasceu em Florianópolis, Santa Catarina, em 30 de março de 1976. Bombeiro militar reformado e pastor evangélico, ganhou projeção nacional inicialmente pela atuação ligada aos movimentos reivindicatórios de bombeiros no Rio de Janeiro e, depois, pela carreira política.
Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 2015 e 2019 e tornou-se nacionalmente conhecido na eleição presidencial de 2018. Em 2026, chegou a anunciar intenção de voltar a disputar a Presidência, mas acabou transferindo o projeto político para o Amazonas e registrando candidatura ao governo pelo Mobiliza.
Patrimônio em 2026: R$ 190.750,00, distribuídos em 15 bens declarados. A maior parte da declaração é formada por cavalos, além de participações empresariais.
Histórico partidário documentado
A trajetória de Daciolo é uma das mais marcadas por mudanças de legenda entre os sete candidatos. Considerando candidaturas registradas e filiações publicamente documentadas, passou por PRTB → PRB → PSOL → PTdoB, atual Avante → Patriota → Podemos → PL → PMB, atual Democrata → PDT → Republicanos → Mobiliza. A filiação ao Mobiliza ocorreu em abril de 2026.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2006 | Deputado estadual/RJ | PRTB | 2.976 | Suplente |
| 2008 | Vereador/Rio de Janeiro | PRB | 2.097 | Suplente |
| 2014 | Deputado federal/RJ | PSOL | 49.831 | Eleito |
| 2018 | Presidente da República | Patriota | 1.348.323 – 1,26% | 6º lugar |
| 2022 | Senador/RJ | PDT | 285.037 – 3,49% | Não eleito |
| 2026 | Governador/AM | Mobiliza | — | Em disputa |
A passagem pela Câmara dos Deputados continua sendo, até agora, seu único mandato eletivo.
O que propõe
O programa de Daciolo coloca forte ênfase na interiorização do Estado. Entre os compromissos estão expansão da educação em tempo integral, regionalização da saúde, criação de hospital voltado aos servidores públicos, recomposição dos efetivos de segurança, fortalecimento da atuação policial nos rios e criação de estruturas governamentais regionais.
Na economia, defende o Agro Forte, com agricultura, pesca e bioeconomia, e políticas de ciência e tecnologia. Também menciona estudos para melhorar a conexão rodoviária entre a região de Manacapuru/Manaquiri e a BR-319 e propõe ampliar o monitoramento ambiental por satélites e drones.
2. DAVID ALMEIDA — AVANTE 70
Um político formado na Assembleia que chegou à Prefeitura de Manaus
David Antônio Abisai Pereira de Almeida nasceu em Manaus em 8 de fevereiro de 1969. Bacharel em Direito, construiu praticamente toda a carreira política no Amazonas.
Foi deputado estadual por três mandatos consecutivos, de 2007 a 2019, e presidiu a Assembleia Legislativa. Em maio de 2017, após a cassação do governador José Melo e de seu vice, assumiu interinamente o Governo do Amazonas durante aproximadamente cinco meses. Em 2020 foi eleito prefeito de Manaus e, em 2024, conquistou a reeleição. Renunciou à prefeitura em 2026 para disputar novamente o governo.
Patrimônio em 2026: R$ 1.432.848,40, em seis bens, incluindo apartamento, terreno, imóvel residencial, veículo, dinheiro em espécie e aplicação financeira.
Histórico partidário
A sequência eleitoral documentada é:
PSL → PAN → PMN → PSD → PSB → Avante.
David disputou a Câmara Municipal pelo PSL, chegou à Assembleia pelo PAN, reelegeu-se pelo PMN e pelo PSD, concorreu ao governo pelo PSB em 2018 e está no Avante desde 2019.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2004 | Vereador de Manaus | PSL | 2.920 | Suplente |
| 2006 | Deputado estadual | PAN | 7.569 | Eleito |
| 2010 | Deputado estadual | PMN | 24.479 | Eleito |
| 2014 | Deputado estadual | PSD | 24.189 | Eleito |
| 2018 | Governador | PSB | 417.203 – 23,59% | 3º lugar |
| 2020 – 1º turno | Prefeito de Manaus | Avante | 218.929 – 22,74% | Foi ao 2º turno |
| 2020 – 2º turno | Prefeito | Avante | 466.970 – 51,27% | Eleito |
| 2024 – 1º turno | Prefeito | Avante | 354.596 – 32,16% | Foi ao 2º turno |
| 2024 – 2º turno | Prefeito | Avante | 576.171 – 54,59% | Reeleito |
| 2026 | Governador | Avante | — | Em disputa |
O que propõe
O plano “Pra Cima, Amazonas” reúne cerca de 170 propostas. A saúde ocupa posição central: David promete enfrentar a fila do SisReg, regionalizar atendimentos especializados e estruturar polos de saúde no interior.
Também propõe elevar o Auxílio Estadual de R$ 150 para R$ 300, programas de primeiro emprego e qualificação profissional, políticas habitacionais, reforço das forças de segurança e combate ao narcotráfico nos rios. Na economia, defende a Zona Franca de Manaus, novas atividades ligadas à bioeconomia e maior geração de oportunidades fora da capital.
3. GILBERTO VASCONCELOS — PSTU 16
O professor que representa a esquerda socialista
Gilberto Vasconcelos da Silva, nascido em Manaus em 15 de abril de 1967, é professor da rede municipal e formado em Letras pela Universidade Federal do Amazonas. Tem trajetória ligada ao sindicalismo e à CSP-Conlutas.
Ao contrário de seus principais adversários, nunca exerceu mandato eletivo. É candidato recorrente do PSTU e apresenta sua candidatura como oposição tanto aos grupos tradicionais da política amazonense quanto ao modelo econômico predominante no estado.
Patrimônio em 2026: R$ 0,00. Vasconcelos informou à Justiça Eleitoral não possuir bens declarados.
Histórico partidário
É o candidato de maior estabilidade partidária entre os sete: sua trajetória pública está vinculada ao PSTU, partido ao qual está ligado desde a década de 1990 e pelo qual realizou todas as candidaturas localizadas nas bases eleitorais modernas.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2000 | Vereador de Manaus | dado nominal não localizado na base digital consultada | Não eleito |
| 2004 | Vereador | 373 | Não eleito |
| 2006 | 1º suplente de senador | chapa: 1.848 | Não eleita |
| 2008 | Vice-prefeito de Manaus | chapa: 1.730 | Não eleita |
| 2010 | Deputado federal | 877 | Não eleito |
| 2012 | Vereador | 263 | Não eleito |
| 2014 | Vice-governador | chapa: 4.897 | Não eleita |
| 2020 | Prefeito de Manaus | 742 | Não eleito |
| 2024 | Prefeito de Manaus | 1.064 | Não eleito |
| 2026 | Governador | — | Em disputa |
Nos cargos de vice e suplente, os votos pertencem à chapa, não havendo votação nominal separada para o candidato a vice ou suplente. A base do TSE registra oito participações anteriores a partir de 2004; registros partidários também apontam a disputa municipal de 2000.
O que propõe
O programa do PSTU é o mais claramente identificado com uma plataforma socialista e sindical. Defende redução da jornada para 36 horas semanais sem redução salarial, fim da escala 6×1, fortalecimento dos serviços públicos e substituição de terceirizações e organizações sociais na saúde por gestão estatal direta.
Na educação, propõe ampliar investimentos públicos e encerrar o modelo de escolas cívico-militares. Defende ainda tarifa zero como horizonte para o transporte público, programas populares de habitação, reforma da segurança pública, combate ao garimpo ilegal e ao desmatamento e maior controle público de setores estratégicos da economia.
4. ISAEL MUNDURUKU — REDE 18
A candidatura indígena e a tentativa de colocar os territórios no centro do governo
Isael Franklin Gonçalves, o Isael Munduruku, nasceu em Manaus em 5 de março de 1978. Advogado, indígena do povo Munduruku, é cacique-geral do Parque das Tribos, comunidade indígena urbana de Manaus, e atua na defesa dos direitos dos povos originários.
A candidatura da Rede, dentro da federação com o PSOL, é sua segunda experiência eleitoral conhecida e a primeira disputa majoritária.
Patrimônio em 2026: R$ 1.657.000,00, correspondentes a uma casa avaliada em R$ 1,5 milhão e dois automóveis, de R$ 95 mil e R$ 62 mil.
Histórico partidário
As candidaturas registradas mostram a passagem:
PCdoB → Rede Sustentabilidade.
Não foram encontradas outras candidaturas eleitorais em siglas intermediárias na base histórica consultada.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2010 | Deputado estadual | PCdoB | 650 votos | Não eleito/suplência |
| 2026 | Governador | Rede | — | Em disputa |
O que propõe
Munduruku estrutura o programa sobre descentralização, sustentabilidade e direitos territoriais. Propõe rede de saúde adaptada às distâncias amazônicas, com transporte fluvial, aéreo e terrestre e expansão da telemedicina; educação em tempo integral e ampliação da internet no interior; fortalecimento da agricultura familiar, pesca, cooperativismo e economia da floresta.
Defende políticas específicas para indígenas e comunidades tradicionais, consulta às populações afetadas por grandes obras e a criação de uma Secretaria Estadual dos Povos Indígenas. Também defende a Zona Franca, melhorias na BR-319 com governança ambiental e uma ligação entre Iranduba e Manaquiri para melhorar o acesso à rodovia.
5. OMAR AZIZ — PSD 55
O candidato com a mais longa trajetória eleitoral
Omar José Abdel Aziz nasceu em 13 de agosto de 1958, em Garça, interior de São Paulo — embora algumas publicações eleitorais simplifiquem a naturalidade como “São Paulo”. O dado oficial do Senado registra Garça (SP). Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Amazonas, construiu praticamente toda a vida política no Amazonas.
Sua trajetória passa pela Câmara Municipal de Manaus, Assembleia Legislativa, vice-prefeitura, vice-governadoria, Governo do Estado e Senado. Atualmente exerce o segundo mandato de senador. Também alcançou projeção nacional como presidente da CPI da Covid no Senado.
O perfil oficial do Senado registra mandatos como deputado estadual, duas passagens como vice-prefeito, dois mandatos de vice-governador, governo estadual e dois períodos senatoriais. Há divergências em bases institucionais sobre a cronologia inicial: o memorial da Câmara de Manaus documenta que ele assumiu como vereador em 1989, foi novamente eleito em 1992 e deixou a Câmara em 1995 após sua eleição para deputado estadual.
Patrimônio em 2026: R$ 2.070.608,00, composto por imóvel residencial, terrenos e aplicações financeiras.
Histórico partidário
Na juventude, Omar teve militância documentada no PCdoB. Nas candidaturas e mandatos posteriores aparecem PPR → PPB → PFL → PMN → PSD, legenda à qual está vinculado atualmente.
Linha do tempo política e eleitoral
| Ano | Disputa | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1988 | Vereador de Manaus | registro histórico sem total nominal consolidado na fonte institucional consultada | Passou a exercer mandato em 1989 |
| 1992 | Vereador de Manaus | 5.098 | Eleito |
| 1994 | Deputado estadual – PPR | 18.536 – 3,00% | Eleito |
| 1996 | Vice-prefeito | chapa: 160.163 no 1º / 235.508 no 2º | Eleito |
| 2000 | Vice-prefeito | chapa: 287.754 no 1º / 319.987 no 2º | Reeleito |
| 2002 | Vice-governador | chapa: 568.111 | Eleito |
| 2006 | Vice-governador | chapa: 687.912 | Reeleito |
| 2008 | Prefeito de Manaus | 153.071 – 17,56% | Não eleito |
| 2010 | Governador | 943.955 – 63,87% | Eleito no 1º turno |
| 2014 | Senador | 933.996 – 58,51% | Eleito |
| 2018 | Governador | 142.804 – 8,07% | Não eleito |
| 2022 | Senador | 784.007 | Reeleito |
| 2026 | Governador | — | Em disputa |
Nos pleitos em que Aziz concorreu a vice, a votação indicada corresponde à chapa majoritária.
O que propõe
O plano de Aziz combina experiência administrativa, interiorização e ajuste das contas públicas. A candidatura apresenta diagnóstico da evolução da dívida estadual e propõe redução de despesas de custeio e revisão da estrutura de cargos comissionados.
Na educação, defende um Plano Estadual de Educação com horizonte de dez anos, valorização dos professores, alfabetização, ensino técnico, ampliação do tempo integral e incorporação de conectividade e inteligência artificial. Na infraestrutura, promete ampliar aeroportos, maternidades e hospitais regionais.
A agenda ambiental inclui política climática estadual, monitoramento por satélite e drones, instrumentos de pagamento por serviços ambientais e desenvolvimento de cadeias econômicas ligadas à floresta, além de proteção dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
6. PROFESSORA MARIA DO CARMO — PL 22
Do ensino superior privado para a principal disputa política do estado
Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque nasceu em Manaus em 26 de novembro de 1959. Empresária do setor educacional, é formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Amazonas e em Direito, além de possuir formação acadêmica de pós-graduação na área jurídica.
Construiu sua projeção pública principalmente na iniciativa privada e no ensino superior. Sua entrada nas disputas eleitorais é recente: participou da chapa ao Senado em 2022 e, dois anos depois, foi candidata a vice-prefeita de Manaus. Em 2026 disputa pela primeira vez um cargo como cabeça de chapa majoritária.
Patrimônio em 2026: R$ 118.473.769,48, o maior entre os sete candidatos. São 27 bens declarados. Aproximadamente R$ 92 milhões estão classificados como créditos e poupanças vinculados, além de participações societárias, imóveis, fundos e aplicações financeiras. Em 2022, sua declaração somava cerca de R$ 14,8 milhões.
Histórico partidário
Nas três eleições das quais participou, aparece a seguinte sequência:
PSDB → Novo → PL.
Em 2022 foi primeira suplente de senador pelo PSDB; em 2024 concorreu a vice-prefeita pelo Novo; e em 2026 disputa o governo pelo PL.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2022 | 1ª suplente ao Senado | PSDB | chapa de Arthur Neto: 179.886 | Não eleita |
| 2024 – 1º turno | Vice-prefeita de Manaus | Novo | chapa: 275.063 – 24,94% | Foi ao 2º turno |
| 2024 – 2º turno | Vice-prefeita | Novo | chapa: 479.297 – 45,41% | Não eleita |
| 2026 | Governadora | PL | — | Em disputa |
Como suplente de senador ou candidata a vice, Maria do Carmo não recebeu votação nominal própria; os números correspondem às chapas.
O que propõe
A candidata aposta fortemente no argumento da gestão privada aplicada ao setor público e na descentralização administrativa.
Entre as propostas está a criação ou estruturação de seis polos hospitalares regionais, com referências em municípios como São Gabriel da Cachoeira, Tefé, Tabatinga, Humaitá, Itacoatiara e Eirunepé. Defende ainda elevar o Auxílio Estadual para R$ 300, ampliar o ensino técnico no nível médio, saneamento, regularização fundiária, telemedicina e delegacias com funcionamento permanente.
Na infraestrutura, coloca a BR-319 entre suas prioridades, juntamente com dragagem e melhoria da logística hidroviária. Na economia, aposta em crédito rural, agropecuária e novas oportunidades no interior. A chapa PL-Novo tem apoio declarado de lideranças nacionais ligadas ao bolsonarismo.
7. ROBERTO CIDADE — UNIÃO BRASIL 44
O governador que chegou ao cargo pela Assembleia e agora busca o voto popular
Roberto Maia Cidade Filho nasceu em Manaus em 2 de outubro de 1986. É bacharel em Administração e Gestão Pública.
Tentou entrar na política institucional em 2016, quando concorreu à Câmara Municipal. Dois anos depois conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa e, em 2022, foi reeleito com uma votação expressiva. Tornou-se presidente da Aleam por sucessivos biênios.
Em abril de 2026, após as renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza, assumiu interinamente o Governo do Amazonas na condição de presidente da Assembleia. Em 4 de maio, foi escolhido governador por eleição indireta da Aleam. Agora disputa pela primeira vez uma eleição direta para o Palácio Rio Negro.
Patrimônio em 2026: R$ 4.285.400,80, em 12 bens declarados, com forte participação de terrenos, imóveis e aplicações financeiras.
Histórico partidário
Sua carreira eleitoral registra:
PTN → PV → União Brasil.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2016 | Vereador de Manaus | PTN | 6.285 – 0,61% | Suplente |
| 2018 | Deputado estadual | PV | 33.239 | Eleito |
| 2022 | Deputado estadual | União | 105.510 | Reeleito |
| 2024 | Prefeito de Manaus | União | 187.566 – 17,01% | 4º lugar |
| maio/2026 | Governador – eleição indireta na Aleam | União | 24 votos parlamentares | Eleito |
| outubro/2026 | Governador – eleição popular | União | — | Em disputa |
A eleição indireta de maio não é comparável aos demais resultados: foram votos de deputados estaduais, não do eleitorado amazonense.
O que propõe
O plano apresentado pela chapa reúne 44 compromissos. Na saúde, Cidade promete seis embarcações-hospital, reforço dos hospitais regionais e um hospital universitário ligado à UEA.
Na educação, pretende ampliar a Universidade do Estado do Amazonas no interior. Para economia e emprego, defende a preservação da Zona Franca e novas matrizes baseadas em tecnologia, inteligência artificial, semicondutores, biotecnologia, gás natural, minerais e bioeconomia.
No campo social, propõe aumentar o Auxílio Estadual de R$ 150 para R$ 250 a partir de 2027 e criar benefício de R$ 500 para famílias de pessoas com autismo, além de um Centro TEA estadual.
PATRIMÔNIO | A diferença entre os sete candidatos
O contraste patrimonial é um dos mais expressivos da eleição amazonense:
| Posição | Candidato | Patrimônio declarado |
|---|---|---|
| 1º | Professora Maria do Carmo | R$ 118.473.769,48 |
| 2º | Roberto Cidade | R$ 4.285.400,80 |
| 3º | Omar Aziz | R$ 2.070.608,00 |
| 4º | Isael Munduruku | R$ 1.657.000,00 |
| 5º | David Almeida | R$ 1.432.848,40 |
| 6º | Cabo Daciolo | R$ 190.750,00 |
| 7º | Gilberto Vasconcelos | R$ 0,00 |
A declaração de Maria do Carmo corresponde, sozinha, a mais de quatro vezes a soma do patrimônio declarado pelos outros seis candidatos juntos. Isso é apenas uma comparação matemática das informações fornecidas ao TSE e não representa avaliação sobre origem, liquidez ou regularidade dos bens.
QUADRO COMPARATIVO | O que cada candidato promete
| Tema | Daciolo | David Almeida | Gilberto | Isael Munduruku | Omar Aziz | Maria do Carmo | Roberto Cidade |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Saúde | Regionalização e hospital do servidor | Zerar SisReg e criar polos regionais | Gestão pública direta e fim de terceirizações | Rede territorial, telemedicina e transporte fluvial/aéreo | Hospitais, maternidades e atendimento regional | Seis polos hospitalares e telemedicina | Seis barcos-hospital e hospital universitário |
| Educação | Mais tempo integral | Ampliação de oportunidades e transporte estudantil | Mais investimento e fim das escolas cívico-militares | Tempo integral e conectividade | Plano decenal, ensino técnico, conectividade e IA | Ensino médio técnico | Expansão da UEA e tecnologia |
| Economia/emprego | Agro Forte, pesca e bioeconomia | Primeiro Emprego, Zona Franca e bioeconomia | Maior controle estatal e condicionantes aos incentivos da ZFM | Economia da floresta, cooperativas e agricultura familiar | Zona Franca, economia verde e desenvolvimento regional | Crédito rural e fortalecimento agropecuário | ZFM, tecnologia, semicondutores, gás e bioeconomia |
| Interior | 12 polos de governo | Serviços e qualificação regionalizados | Serviços públicos e transporte | Forte descentralização | Interiorização de serviços e infraestrutura | Seis subsedes regionais | Saúde, UEA e investimentos regionais |
| Segurança | Recomposição dos efetivos e policiamento fluvial | Mais forças policiais e combate ao narcotráfico nos rios | Reforma do modelo e maior controle da atividade policial | Inteligência e prevenção | Reforço da segurança e estrutura regional | Delegacias 24 horas e mais efetivo | Ampliação do efetivo e ações fluviais |
| Meio ambiente | Monitoramento com drones e satélites | Plano climático e bioeconomia | Combate ao desmatamento, garimpo e exploração predatória | Proteção territorial e protagonismo indígena | Política climática, PSA, REDD+ e monitoramento | Desenvolvimento com infraestrutura e regularização | Bioeconomia e exploração sustentável de novas matrizes |
| Política social | CNH Jovem | Auxílio de R$ 300 e habitação | Moradia popular e direitos trabalhistas | Participação social e redução das desigualdades territoriais | Educação, saúde e políticas regionais | Auxílio de R$ 300 | Auxílio de R$ 250 e R$ 500 para famílias atípicas |
| BR-319/logística | Conexões rodoviárias e corredor regional | Melhoria da integração estadual | Ênfase maior no transporte público | Pavimentação com governança ambiental | Aeroportos, hidrovias e logística | Defesa explícita da BR-319 e dragagem | Expansão da infraestrutura e novas matrizes econômicas |
O quadro é uma síntese jornalística, não uma transcrição integral dos programas. Ele reúne compromissos apresentados nos planos registrados e nas propostas públicas de campanha até o início de setembro.
O QUE ESTÁ EM JOGO
A eleição de 2026 no Amazonas não confronta apenas sete nomes. Ela coloca frente a frente sete concepções diferentes sobre como administrar um estado de dimensões continentais, com 62 municípios, enormes distâncias fluviais, concentração econômica e populacional em Manaus e uma das áreas ambientalmente mais estratégicas do planeta.
Omar Aziz procura transformar experiência e extensa trajetória eleitoral em argumento de retorno ao governo. Roberto Cidade tenta converter em votos o poder político que o levou, primeiro pela linha sucessória e depois pela Assembleia Legislativa, ao comando do Estado. David Almeida apresenta a experiência acumulada na Assembleia, no governo interino e em dois mandatos à frente da Prefeitura de Manaus.
Maria do Carmo aposta na experiência empresarial e numa agenda de centro-direita/direita associada ao PL. Cabo Daciolo tenta transferir para o Amazonas a projeção nacional conquistada em 2018. Isael Munduruku coloca representação indígena, sustentabilidade e interiorização no centro do debate. Gilberto Vasconcelos oferece a plataforma mais ideologicamente à esquerda, com críticas estruturais ao atual modelo de desenvolvimento e às relações entre Estado e iniciativa privada.
Há, porém, pontos de encontro. Quase todas as candidaturas reconhecem que a distância entre Manaus e o interior é um dos problemas centrais do Amazonas. Saúde regionalizada, transporte e logística, geração de empregos fora da capital e fortalecimento da conectividade aparecem, com formatos diferentes, em praticamente todos os programas.
A divergência está em como chegar lá. Enquanto candidatos como Maria do Carmo enfatizam instrumentos de gestão privada, infraestrutura e expansão das atividades produtivas, Gilberto Vasconcelos propõe maior presença direta do Estado. Isael Munduruku vincula desenvolvimento à proteção territorial e socioambiental. Omar Aziz, David Almeida e Roberto Cidade apostam principalmente na experiência administrativa acumulada; Daciolo procura construir uma terceira via baseada em descentralização e forte presença estatal no interior.
É esse conjunto de experiências, biografias e projetos que os cerca de 2,8 milhões de eleitores amazonenses terão diante da urna em 4 de outubro.
Nota: para o histórico eleitoral foram considerados registros do TSE e bases que reproduzem seus dados, além de fontes institucionais para eleições anteriores à digitalização mais completa do sistema. Nas candidaturas a vice e suplente, a votação informada é a da chapa, pois esses cargos não recebem votos nominais separados. No caso das filiações, foram incluídas as siglas encontradas em candidaturas e filiações publicamente documentadas; mudanças partidárias antigas sem documentação suficientemente segura não foram presumidas.