Governadora em exercício, ex-prefeito, ex-deputada estadual, sindicalistas e militantes de movimentos sociais compõem uma das disputas mais heterogêneas da eleição de 2026. Reportagem especial apresenta a trajetória pessoal e política dos seis candidatos que permanecem na corrida pelo Palácio dos Despachos, seus patrimônios declarados, histórico partidário, desempenho nas urnas e as principais propostas apresentadas ao eleitor paraense.
Atualizado em 7 de setembro de 2026
PARÁ CHEGA À ELEIÇÃO COM SEIS CANDIDATURAS ATIVAS
O Pará chega à reta decisiva da eleição estadual de 2026 com 6.265.355 eleitores aptos a votar. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, caso nenhum candidato obtenha a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro de 2026.
A disputa pelo Governo do Estado reúne, neste momento, seis candidaturas ativas: Araceli Lemos (PSOL), Dr. Daniel Santos (Podemos), Gal Leite (UP), Hana Ghassan (MDB), Ruth Reis (Democrata) e Well Macêdo (PSTU).
A fotografia jurídica das candidaturas, entretanto, exige uma ressalva. Na consulta ao DivulgaCandContas atualizada às 9 horas de 7 de setembro, Araceli, Dr. Daniel, Gal Leite e Hana Ghassan apareciam com os registros deferidos. Ruth Reis e Well Macêdo ainda constavam como “aguardando julgamento”, em decorrência das recentes substituições realizadas pelos seus partidos.
| Candidato | Nº | Partido | Vice | Situação em 7/9 | Patrimônio declarado |
|---|---|---|---|---|---|
| Araceli Lemos | 50 | PSOL | Fátima Santana (PSOL) | Deferido | R$ 534.231,19 |
| Dr. Daniel Santos | 20 | Podemos | Ellayne D’Almeida (PL) | Deferido | R$ 4.753.760,80 |
| Gal Leite | 80 | UP | Karen Suellen (UP) | Deferido | R$ 0,00 |
| Hana Ghassan | 15 | MDB | Dirceu Ten Caten (PT) | Deferido | R$ 1.670.461,00 |
| Ruth Reis | 35 | Democrata | Márcia Carvalho | Aguardando julgamento | R$ 1.324.017,48 |
| Well Macêdo | 16 | PSTU | Seu Alex | Aguardando julgamento | R$ 0,00 |
Os valores patrimoniais correspondem às declarações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e não equivalem a uma avaliação independente de mercado.
UMA ELEIÇÃO QUE JÁ MUDOU DUAS VEZES
Antes mesmo da votação, a composição da disputa paraense sofreu alterações importantes.
O PSTU havia registrado Cleber Rabelo como candidato ao governo e Well Macêdo como vice. Em agosto, o partido decidiu substituir Rabelo por Well Macêdo, que passou para a cabeça da chapa, enquanto Seu Alex assumiu como candidato a vice. A mudança ocorreu depois de questionamentos relacionados às condições necessárias ao registro eleitoral de Rabelo.
Situação semelhante ocorreu no Democrata. Inicialmente, José Moita foi apresentado como candidato ao governo, tendo Ruth Reis como vice. Com a saída de Moita, anunciada no final de agosto, Ruth passou a encabeçar a chapa, com Márcia Carvalho como candidata a vice. O Democrata manteve para Ruth o programa de governo originalmente registrado pela legenda.
Assim, a relação atual precisa ser distinguida de levantamentos, pesquisas ou materiais eleitorais produzidos antes dessas substituições.
ARACELI LEMOS (PSOL)
Da sala de aula à Assembleia Legislativa e novamente às urnas
Araceli Maria Pereira Lemos, candidata do PSOL, nasceu em 29 de maio de 1958, em Inhangapi, no Pará. Aos 68 anos, apresenta uma das trajetórias políticas mais longas entre os nomes que disputam o governo em 2026.
Professora de História, formada pela Universidade Federal do Pará, com especialização em Metodologia e Pesquisa Histórica na Amazônia, Araceli trabalhou por mais de três décadas na rede estadual de ensino. A atuação sindical antecedeu sua carreira parlamentar: entre 1996 e 1998, presidiu o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará — Sintepp.
Foi eleita deputada estadual em 1998, pelo PT, e conquistou novo mandato em 2002. Também disputou a Prefeitura de Castanhal e posteriormente eleições para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa.
Em meio às divergências internas que marcaram a esquerda brasileira na primeira metade dos anos 2000, deixou o PT e ingressou no PSOL em 2005, legenda à qual permanece vinculada. Mais recentemente, exerceu funções na administração municipal de Belém e assumiu, em março de 2023, a Secretaria Municipal de Educação.
Linha do tempo de Araceli
1958 — nasce em Inhangapi
1996–1998 — preside o Sintepp
1998 — eleita deputada estadual pelo PT
2000 — candidata à Prefeitura de Castanhal
2002 — reeleita deputada estadual
2004 — volta a disputar a Prefeitura de Castanhal
2005 — deixa o PT e ingressa no PSOL
2006 — candidata a deputada federal
2010 — candidata a deputada estadual
2018 — participa da eleição ao Senado como primeira suplente
2023 — assume a Secretaria Municipal de Educação de Belém
2026 — candidata ao Governo do Pará pelo PSOL
Histórico partidário
PT → PSOL
Araceli disputou suas primeiras eleições pelo Partido dos Trabalhadores. Deixou a legenda em 2005 e passou ao PSOL, partido no qual construiu toda a fase seguinte de sua trajetória política.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1998 | Deputada estadual | PT | 10.336 | Eleita |
| 2000 | Prefeita de Castanhal | PT | cerca de 9,8 mil | Não eleita |
| 2002 | Deputada estadual | PT | 36.825 | Eleita |
| 2004 | Prefeita de Castanhal | PT | 22.883 | Não eleita |
| 2006 | Deputada federal | PSOL | 31.986 | Não eleita |
| 2010 | Deputada estadual | PSOL | 4.840 | Não eleita |
| 2018 | 1ª suplente ao Senado | PSOL | 585.344* | Chapa não eleita |
| 2026 | Governadora | PSOL | — | Eleição em andamento |
* Em eleições para suplente de senador, a votação pertence à chapa do candidato ao Senado, e não individualmente ao suplente. A base histórica consultada apresenta pequena divergência interna para Castanhal em 2000 — 9.784 votos em uma tabela e 9.874 no texto — razão pela qual a reportagem registra o resultado de forma aproximada.
Patrimônio declarado
Araceli declarou à Justiça Eleitoral R$ 534.231,19 em bens. O maior item é um terreno urbano avaliado em R$ 380 mil. Também aparecem participação em apartamento, aplicações financeiras e saldos bancários.
O que propõe
O programa do PSOL apresenta aproximadamente 50 propostas e coloca no centro da campanha a ampliação da presença do poder público na prestação de serviços essenciais.
Entre as medidas estão a revisão da privatização da Cosanpa e a criação de uma nova estrutura pública estadual para água e saneamento; estabelecimento de prazo máximo de 60 dias para determinados exames e procedimentos de saúde; interiorização do atendimento oncológico; orçamento participativo; criação de uma Secretaria de Mudanças Climáticas; políticas de justiça climática e transição ecológica.
Araceli também defende a implantação de um salário mínimo regional de R$ 2.200, além da ampliação de políticas públicas de mobilidade e proteção social.
DR. DANIEL SANTOS (PODEMOS)
Do consultório à política: ascensão eleitoral construída em Ananindeua
Daniel Barbosa Santos, conhecido politicamente como Dr. Daniel, nasceu em 25 de agosto de 1986, em Açailândia, no Maranhão. Médico, chegou aos 40 anos em 2026 como um dos candidatos com maior experiência recente em cargos eletivos.
Sua trajetória eleitoral começou em Ananindeua. Em 2012, foi eleito vereador pelo PSDB com 4.445 votos. Quatro anos depois, conquistou a reeleição com 12.675 votos, tornando-se o vereador mais votado do município naquele pleito.
Em 2018, deu um salto para a política estadual: recebeu 113.588 votos para deputado estadual, alcançando a maior votação para o cargo no Pará naquele ano. Posteriormente, assumiu a Presidência da Assembleia Legislativa.
Em 2020, já pelo MDB, venceu a eleição para prefeito de Ananindeua no primeiro turno. Em 2024, filiado ao PSB, conseguiu uma votação ainda mais expressiva e foi reeleito.
Em 2026, deixou a prefeitura antes do fim do segundo mandato para disputar o governo. Filiou-se ao Podemos, que passou a liderar sua candidatura estadual.
Linha do tempo de Dr. Daniel
1986 — nasce em Açailândia, Maranhão
2012 — eleito vereador de Ananindeua
2016 — reeleito vereador
2018 — eleito deputado estadual com a maior votação do Pará para o cargo
2019–2020 — preside a Assembleia Legislativa
2020 — eleito prefeito de Ananindeua
2024 — reeleito prefeito
março de 2026 — ingressa no Podemos
abril de 2026 — deixa a Prefeitura de Ananindeua
2026 — candidato ao Governo do Pará
Histórico partidário eleitoral
PSDB → MDB → PSB → Podemos
É o candidato da atual disputa com a sequência mais ampla de mudanças partidárias documentadas em candidaturas: concorreu pelo PSDB entre 2012 e 2018, pelo MDB em 2020, pelo PSB em 2024 e chegou ao Podemos em 2026.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2012 | Vereador de Ananindeua | PSDB | 4.445 – 2,03% | Eleito |
| 2016 | Vereador de Ananindeua | PSDB | 12.675 – 5,38% | Eleito |
| 2018 | Deputado estadual | PSDB | 113.588 – 2,83% | Eleito |
| 2020 | Prefeito de Ananindeua | MDB | 152.352 – 67,70% | Eleito |
| 2024 | Prefeito de Ananindeua | PSB | 229.930 – 83,48% | Reeleito |
| 2026 | Governador | Podemos | — | Eleição em andamento |
Patrimônio declarado
Dr. Daniel declarou R$ 4.753.760,80, o maior patrimônio entre os seis candidatos.
A relação reúne dez bens, entre eles propriedades rurais avaliadas em R$ 1,8 milhão, R$ 1 milhão e R$ 350 mil, uma residência de aproximadamente R$ 692 mil, veículos, terrenos, dinheiro em espécie e participação empresarial.
O que propõe
O programa está organizado em oito grandes eixos e enfatiza infraestrutura, regionalização dos serviços, atração de investimentos e modernização da administração estadual.
Na saúde, propõe um plano emergencial para reduzir filas de consultas, exames e cirurgias. Na educação, prevê ampliação gradual do ensino em tempo integral e maior articulação do ensino profissional com as vocações econômicas de cada região.
Na economia, a candidatura promete estruturar uma política de atração de empresas e geração de empregos, com atenção à bioeconomia, inovação e desenvolvimento sustentável.
Também propõe um Plano Estadual de Infraestrutura e Logística, digitalização dos serviços estaduais em plataforma integrada e reforço das políticas de inteligência e integração das forças de segurança.
GAL LEITE (UP)
Sindicalismo, serviço público e movimentos sociais levam Gal pela primeira vez à disputa estadual
Gualdina Maria Menezes Leite, a Gal Leite, nasceu em 4 de julho de 1964, em Belém. Tem 62 anos, é pedagoga formada pela Universidade Federal do Pará e servidora pública aposentada.
Sua trajetória foi construída sobretudo no movimento sindical. Servidora da Fundação Papa João XXIII — Funpapa — atuou durante mais de três décadas na organização de trabalhadores e chegou à presidência do SINTSUAS, sindicato que representa trabalhadores do sistema socioassistencial.
Também integra movimentos sociais ligados à Unidade Popular, ao Movimento Luta de Classes e ao Movimento de Mulheres Olga Benario.
Ao contrário de Araceli, Daniel e Hana, Gal nunca exerceu mandato eletivo.
Linha do tempo de Gal Leite
1964 — nasce em Belém
Décadas seguintes — atuação no serviço público municipal e no sindicalismo
Preside o SINTSUAS — consolida atuação no movimento de trabalhadores
2024 — candidata a vice-prefeita de Belém
2026 — candidata ao Governo do Pará pela UP
Histórico partidário eleitoral
Unidade Popular — UP
Nas candidaturas registradas encontradas pela reportagem, Gal aparece vinculada exclusivamente à Unidade Popular.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2024 | Vice-prefeita de Belém, na chapa de Raquel Brício | UP | 3.450 – 0,43%* | Não eleita |
| 2026 | Governadora | UP | — | Eleição em andamento |
* A votação de vice-prefeito corresponde à chapa majoritária e não constitui voto nominal separado para o vice.
Patrimônio declarado
Gal Leite informou à Justiça Eleitoral não possuir bens a declarar, fazendo constar patrimônio eleitoral de R$ 0,00.
O que propõe
O plano da Unidade Popular defende uma transformação mais profunda do papel econômico do Estado.
Gal propõe a reestatização da Cosanpa e da antiga Celpa, criação de frentes emergenciais de trabalho e obras públicas e fortalecimento de empresas e serviços estatais.
Na mobilidade, defende uma empresa pública estadual de transportes, expansão da integração fluvial e avanço em direção à tarifa zero.
Na área ambiental, o programa prevê brigadas para combate a queimadas e incêndios, fortalecimento das unidades de conservação e maior atuação do Estado na proteção da Amazônia.
Na educação superior, a candidata defende a destinação de 5% do orçamento estadual à Universidade do Estado do Pará — UEPA.
HANA GHASSAN (MDB)
Da carreira técnica na Fazenda à condição de governadora e candidata
Hana Ghassan Tuma nasceu em 16 de janeiro de 1968, em Belém, e tem 58 anos. Formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Pará, construiu grande parte da trajetória profissional na administração pública antes de ingressar em uma chapa eleitoral.
Servidora de carreira da Secretaria de Estado da Fazenda, atuou como auditora fiscal e acumulou experiência em áreas de finanças, planejamento e gestão. Antes de chegar à administração estadual, passou pelas prefeituras de Belém e Ananindeua, ocupando cargos nas áreas de finanças e planejamento.
Em 2019, no primeiro governo de Helder Barbalho, assumiu a Secretaria de Administração e Planejamento do Pará.
Na eleição de 2022, foi escolhida para compor como vice a chapa de Helder Barbalho. A aliança venceu no primeiro turno com 3.117.276 votos — 70,41% dos votos válidos.
Em 2 de abril de 2026, com a renúncia de Helder Barbalho ao governo, Hana assumiu definitivamente o cargo de governadora do Pará. Chega, portanto, à eleição de outubro no exercício do Palácio dos Despachos e busca conquistar nas urnas um mandato próprio à frente do Executivo estadual.
Linha do tempo de Hana Ghassan
1968 — nasce em Belém
Carreira pública — torna-se auditora fiscal da Secretaria da Fazenda
Administrações municipais — ocupa cargos de finanças e planejamento em Belém e Ananindeua
2019 — assume a Secretaria de Administração e Planejamento do Pará
2022 — eleita vice-governadora na chapa de Helder Barbalho
2025 — volta a comandar a área estadual de planejamento e administração
2 de abril de 2026 — assume o Governo do Pará
2026 — candidata ao governo pelo MDB
Histórico partidário eleitoral
MDB
Em seu histórico de candidaturas registradas, Hana aparece vinculada ao MDB: vice-governadora em 2022 e candidata ao governo em 2026. Sua trajetória anterior foi predominantemente técnica e administrativa.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2022 | Vice-governadora, na chapa de Helder Barbalho | MDB | 3.117.276 – 70,41%* | Eleita no 1º turno |
| 2026 | Governadora | MDB | — | Eleição em andamento |
* A votação pertence à chapa Helder Barbalho/Hana Ghassan e não é votação nominal exclusiva da candidata a vice.
Patrimônio declarado
Hana declarou R$ 1.670.461,00.
Entre os sete itens apresentados estão apartamento avaliado em R$ 900 mil, aplicações financeiras de aproximadamente R$ 480 mil, um Jeep Compass de R$ 190 mil, além de recursos em conta e dinheiro em espécie.
O que propõe
O programa da governadora está estruturado em três grandes pilares: “Cuidar das Pessoas”, “Desenvolver o Pará” e “Preparar o Futuro”.
Na saúde, prevê novas unidades especializadas, entre elas Hospital Estadual dos Olhos e hospitais voltados à saúde da mulher, além de investimentos em hospitais regionais, oncologia e Saúde Digital.
Na educação, uma das propostas de maior visibilidade é chegar a 200 escolas cívico-militares, além da implantação de centros de robótica, ampliação do ensino tecnológico, intercâmbio estudantil e criação de novas estruturas estaduais de educação superior.
Para infraestrutura, o programa estabelece a meta de pavimentar, recuperar ou duplicar aproximadamente 2 mil quilômetros de rodovias.
Na área de tecnologia, propõe um Centro de Excelência em Inteligência Artificial. Na política social, prevê expansão das Usinas da Paz e programas de melhoria habitacional, como o Banheiro em Casa.
A agenda ambiental combina adaptação às mudanças climáticas, mercado de carbono, bioeconomia e combate ao desmatamento ilegal. O programa também prevê isenção de IPVA para determinados veículos, incluindo motocicletas de até 200 cilindradas, dentro das condições estabelecidas pela proposta.
RUTH REIS (DEMOCRATA)
De candidata a suplente ao Senado à cabeça de chapa em menos de uma campanha
Ruth Helena Ferreira Reis nasceu em 15 de junho de 1968, em Belém, e tem 58 anos. É formada em Ciências Contábeis e em Direito e desenvolveu trajetória profissional nas áreas contábil e jurídica.
Sua chegada à eleição majoritária de 2026 ocorreu de forma incomum.
No início do processo eleitoral, Ruth havia sido apresentada como primeira suplente na chapa de Edlaine Rodrigues ao Senado. Depois, passou a integrar como vice a candidatura de José Moita ao governo.
Em 30 de agosto, após a saída de Moita da disputa, o Democrata anunciou Ruth Reis como sua nova candidata ao Governo do Pará, colocando Márcia Carvalho como vice.
É, portanto, uma das candidaturas mais recentes da eleição. Em 7 de setembro, o novo registro ainda aparecia como aguardando julgamento na Justiça Eleitoral.
Linha do tempo de Ruth Reis
1968 — nasce em Belém
Carreira profissional — atuação nas áreas contábil e jurídica
2026 — indicada inicialmente como primeira suplente ao Senado
2026 — passa à candidatura de vice-governadora de José Moita
30 de agosto de 2026 — anunciada como candidata ao Governo do Pará
7 de setembro de 2026 — registro ainda aguardava julgamento
Histórico partidário eleitoral
Democrata
Não foram identificadas candidaturas eleitorais anteriores por outras legendas nas bases consultadas. Os diferentes registros de Ruth em 2026 representam mudanças de posição na mesma eleição, e não três disputas eleitorais diferentes.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | 1ª suplente ao Senado | Democrata | — | Registro posteriormente substituído |
| 2026 | Vice-governadora | Democrata | — | Registro posteriormente substituído |
| 2026 | Governadora | Democrata | — | Eleição em andamento |
Ruth, portanto, ainda não possui votação anterior em eleição concluída identificada no histórico eleitoral consultado.
Patrimônio declarado
No registro atual para governadora, declarou R$ 1.324.017,48.
O patrimônio inclui residência avaliada em R$ 700 mil, apartamento de R$ 274 mil, Jeep Renegade de aproximadamente R$ 146 mil, terreno, participação empresarial, outra residência, equipamentos, mobiliário e recursos financeiros.
O que propõe
Ruth assumiu o programa que o Democrata havia registrado quando José Moita ainda encabeçava a chapa.
O documento prevê orçamento base zero e uma meta de redução de pelo menos 12% nas despesas administrativas continuadas.
Na política tributária, propõe avaliar a redução da alíquota geral do ICMS de 19% para 15%, condicionada à diminuição de gastos e à reorganização da máquina estadual, além de mudanças no limite do Simples estadual.
Na segurança, estão previstos 13 Centros Regionais Integrados de Comando e Controle, reforço do policiamento fluvial e adoção gradual de câmeras corporais.
Na saúde, o plano estabelece como meta levar Telessaúde a 100% das unidades básicas e implantar uma fila única e transparente para procedimentos.
Na educação, promete alfabetizar todas as crianças até o final do 2º ano e duplicar as vagas no ensino técnico.
A proposta econômica inclui a meta de gerar 200 mil empregos formais até 2030, ampliar o processamento local da produção paraense e utilizar critérios de contratação de trabalhadores locais em empreendimentos incentivados.
Na infraestrutura, menciona mais de 1.000 quilômetros de rodovias e 30 terminais. Na agenda ambiental, estabelece como horizonte alcançar desmatamento ilegal zero e ampliar a regularização fundiária.
WELL MACÊDO (PSTU)
Jornalista e militante socialista chega à quarta disputa eleitoral
Wellingta Josyane Siqueira Macedo, conhecida como Well Macêdo, nasceu em 23 de março de 1980, em Belém. Tem 46 anos e declara como ocupação profissional a área de comunicação. Também atua como jornalista, educadora social e dirigente partidária.
A trajetória política é ligada ao PSTU, partido pelo qual já concorreu a vereadora, deputada federal e prefeita de Belém.
Em 2026, Well foi inicialmente registrada como candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Cleber Rabelo. Após a mudança promovida pelo partido, passou a disputar o governo, tendo Seu Alex como vice.
Seu novo registro ainda aparecia como aguardando julgamento em 7 de setembro.
Linha do tempo de Well Macêdo
1980 — nasce em Belém
2016 — candidata a vereadora de Belém
2022 — candidata a deputada federal
2024 — candidata à Prefeitura de Belém
2026 — inicialmente candidata a vice-governadora
agosto de 2026 — assume a cabeça da chapa do PSTU para o governo
Histórico partidário eleitoral
PSTU
Em todas as eleições identificadas em seu histórico de candidaturas — 2016, 2022, 2024 e 2026 — Well esteve filiada ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2016 | Vereadora de Belém | PSTU | 307 | Não eleita |
| 2022 | Deputada federal | PSTU | 628 | Não eleita |
| 2024 | Prefeita de Belém | PSTU | 2.053 | Não eleita |
| 2026 | Governadora | PSTU | — | Eleição em andamento |
Patrimônio declarado
Well Macêdo declarou R$ 0,00 em bens, não relacionando patrimônio no registro eleitoral atual.
O que propõe
O PSTU apresenta o programa de maior ruptura com o atual modelo econômico entre as seis candidaturas.
Entre as propostas estão o fim da escala 6×1 sem redução de salários ou direitos, estágio remunerado equivalente a um salário mínimo e um programa estadual de construção de moradias populares.
Na saúde, a candidatura defende um sistema integralmente público e estatal e propõe acabar com terceirizações, organizações sociais e parcerias público-privadas na prestação dos serviços.
Well também propõe suspender grandes projetos considerados de elevado impacto até que sejam realizados estudos independentes sobre consequências ambientais e sociais.
O programa defende demarcação de terras indígenas, titulação de territórios quilombolas, reforma agrária, combate ao garimpo ilegal e maior controle estatal sobre mineração e outros setores estratégicos.
PATRIMÔNIO: DANIEL LIDERA; DUAS CANDIDATAS DECLARAM ZERO
A comparação das declarações apresentadas à Justiça Eleitoral revela diferenças significativas entre os candidatos.
| Posição | Candidato | Patrimônio declarado |
|---|---|---|
| 1º | Dr. Daniel Santos | R$ 4.753.760,80 |
| 2º | Hana Ghassan | R$ 1.670.461,00 |
| 3º | Ruth Reis | R$ 1.324.017,48 |
| 4º | Araceli Lemos | R$ 534.231,19 |
| 5º | Gal Leite | R$ 0,00 |
| 5º | Well Macêdo | R$ 0,00 |
Somados, os patrimônios informados pelos seis candidatos alcançam aproximadamente R$ 8,28 milhões, sendo que mais da metade do total está concentrada na declaração de Dr. Daniel.
É importante observar que “nenhum bem declarado” não deve ser interpretado automaticamente como ausência absoluta de patrimônio ou renda. Trata-se especificamente da informação apresentada pelo candidato à Justiça Eleitoral segundo as regras de declaração de bens aplicáveis ao registro de candidatura.
RAIO-X DAS TRAJETÓRIAS POLÍTICAS
| Candidato | Principal experiência política/administrativa | Mandatos eletivos |
|---|---|---|
| Araceli Lemos | Professora, dirigente sindical, ex-secretária de Educação de Belém | 2 mandatos de deputada estadual |
| Dr. Daniel | Vereador, presidente da Alepa, prefeito de Ananindeua | 2 de vereador, 1 de deputado estadual e 2 eleições para prefeito |
| Gal Leite | Servidora pública, sindicalista e dirigente de movimentos sociais | Nenhum mandato eletivo |
| Hana Ghassan | Auditora fiscal, secretária estadual, vice-governadora e atual governadora | Eleita vice-governadora em 2022; governadora por sucessão desde 2026 |
| Ruth Reis | Contadora e advogada | Nenhum mandato eletivo |
| Well Macêdo | Jornalista, educadora social e dirigente partidária | Nenhum mandato eletivo |
HISTÓRICO DE PARTIDOS
Considerando as candidaturas registradas nas bases eleitorais e as mudanças de filiação publicamente documentadas:
| Candidato | Trajetória partidária |
|---|---|
| Araceli Lemos | PT → PSOL |
| Dr. Daniel Santos | PSDB → MDB → PSB → Podemos |
| Gal Leite | UP |
| Hana Ghassan | MDB |
| Ruth Reis | Democrata |
| Well Macêdo | PSTU |
O quadro refere-se ao histórico eleitoral documentado. Eventuais filiações antigas sem candidatura ou de curta duração que não estejam registradas nas bases consultadas não são tratadas como fatos sem confirmação documental.
QUADRO COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS PROPOSTAS
| Tema | Araceli – PSOL | Dr. Daniel – Podemos | Gal – UP | Hana – MDB | Ruth – Democrata | Well – PSTU |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Saúde | Prazo de até 60 dias para exames/procedimentos; interiorização da oncologia | Plano emergencial para reduzir filas; regionalização | Reforço da gestão e prestação pública dos serviços | Novos hospitais especializados e Saúde Digital | Telessaúde em 100% das UBS; fila única transparente | Saúde 100% pública; fim de OS, PPPs e terceirizações |
| Educação | Fortalecimento da educação pública e participação social | Ensino técnico regional e ampliação gradual do tempo integral | Destinar 5% do orçamento estadual à UEPA | 200 escolas cívico-militares, robótica, tecnologia e novas estruturas universitárias | Alfabetização até o fim do 2º ano; dobrar ensino técnico | Ampliação da educação pública e da formação técnica estatal |
| Emprego e renda | Salário mínimo regional de R$ 2.200 | Atração de investimentos e geração regionalizada de empregos | Frentes públicas de trabalho e obras | Programa Primeiro Ofício/Oportunidade e economia de inovação | Meta de 200 mil empregos formais até 2030 | Fim da escala 6×1 sem redução salarial; estágio de um salário mínimo |
| Infraestrutura | Revisão de concessões e fortalecimento público do saneamento | Plano Estadual de Infraestrutura e Logística | Empresa pública de transportes e rede hidroviária | Cerca de 2 mil km de rodovias pavimentadas, recuperadas ou duplicadas | Mais de 1 mil km de rodovias e 30 terminais | Moradia popular e revisão de grandes projetos de impacto |
| Segurança | Ampliação do uso de câmeras corporais | Inteligência e integração das forças | Ênfase em políticas sociais e prevenção | Tecnologia, inteligência e programas especializados | 13 centros regionais integrados, policiamento fluvial e câmeras corporais | Desmilitarização da segurança pública entre as mudanças defendidas |
| Meio ambiente | Secretaria de Mudanças Climáticas e justiça climática | Bioeconomia e desenvolvimento sustentável | Brigadas contra incêndios e fortalecimento da proteção ambiental | Adaptação climática, carbono e combate ao desmatamento ilegal | Meta de desmatamento ilegal zero e regularização fundiária | Combate ao garimpo; proteção indígena e quilombola; revisão de megaprojetos |
| Privatizações/papel do Estado | Rever privatização da Cosanpa e reconstruir estrutura pública | Parcerias com setor produtivo e atração de capital | Reestatizar Cosanpa e Celpa | Continuidade com expansão de políticas e investimentos estaduais | Eficiência fiscal, redução tributária condicionada e estímulo privado | Reestatizações e maior controle estatal sobre setores estratégicos |
SEIS PROJETOS E DIFERENTES VISÕES SOBRE O PAPEL DO ESTADO
Mais do que biografias distintas, a eleição paraense apresenta diferenças claras na concepção de governo.
Araceli, Gal Leite e Well Macêdo convergem, em graus diferentes, na defesa do fortalecimento de empresas públicas, revisão de privatizações ou reestatizações e expansão da atuação direta do Estado. Mesmo dentro desse campo, há diferenças: o programa do PSTU propõe transformações econômicas mais abrangentes; a UP enfatiza estatização, mobilidade pública e frentes de trabalho; e o PSOL combina recuperação do controle público de serviços com políticas sociais e climáticas.
Dr. Daniel constrói sua plataforma sobretudo em torno de infraestrutura, logística, descentralização dos serviços, educação profissional e atração de investimentos privados, apoiando-se politicamente na experiência administrativa em Ananindeua.
Hana Ghassan, por exercer atualmente o Governo do Pará, apresenta uma candidatura com características de continuidade administrativa, mas promete ampliar políticas e equipamentos públicos nas áreas de saúde, segurança, infraestrutura, tecnologia e inclusão social.
Ruth Reis combina uma agenda de racionalização das despesas e redução tributária condicionada com metas quantitativas para emprego, educação, saúde e infraestrutura.
EXPERIÊNCIA ELEITORAL TAMBÉM SEPARA OS CANDIDATOS
Há uma diferença expressiva entre os concorrentes quando se observa a experiência acumulada nas urnas.
Dr. Daniel nunca perdeu uma eleição para cargo eletivo até chegar à disputa estadual de 2026. Foram vitórias para vereador em 2012 e 2016, deputado estadual em 2018 e prefeito em 2020 e 2024.
Araceli é a candidata com trajetória eleitoral mais longa: participa de eleições desde os anos 1990, venceu duas disputas para deputada estadual, mas também acumulou campanhas sem vitória para prefeitura, Câmara dos Deputados e Assembleia.
Hana participou pela primeira vez de uma chapa eleitoral em 2022 e venceu como vice no primeiro turno. Chega a 2026 já no exercício do governo em razão da sucessão constitucional.
Well Macêdo participou de três eleições antes de 2026 — para vereadora, deputada federal e prefeita — sem obter mandato.
Gal Leite participou em 2024 de sua primeira disputa conhecida, como vice-prefeita de Belém.
Ruth Reis é a única dos seis nomes atuais sem votação anterior em eleição concluída identificada no histórico consultado.
O QUE ESTÁ EM JOGO NO PARÁ
A eleição de 2026 coloca diante do eleitorado paraense não apenas seis candidatos, mas modelos bastante diferentes de administração pública e desenvolvimento econômico.
De um lado, a atual governadora tenta transformar a sucessão ocorrida em abril em um mandato legitimado diretamente pelas urnas. De outro, Dr. Daniel busca transportar para o plano estadual o capital político construído em Ananindeua.
Araceli retorna a uma eleição majoritária carregando uma trajetória histórica ligada ao movimento sindical, à esquerda e à educação pública. Gal Leite e Well Macêdo procuram ampliar eleitoralmente a presença de legendas socialistas que propõem mudanças estruturais no modelo econômico. Ruth Reis, por sua vez, chega à cabeça da chapa praticamente na reta final do registro eleitoral e aposta em uma plataforma que procura combinar redução de custos governamentais, estímulo à atividade econômica e metas sociais.
A diversidade das candidaturas também estará submetida a um teste decisivo: transformar programas eleitorais em propostas exequíveis diante do orçamento estadual, das competências constitucionais do Pará, da composição futura da Assembleia Legislativa e das necessárias parcerias com União e municípios.
Até o primeiro turno, em 4 de outubro de 2026, o eleitor paraense terá a tarefa de decidir qual dessas trajetórias e qual dessas concepções deverá conduzir um dos maiores, mais populosos e mais estratégicos estados da Amazônia brasileira nos próximos quatro anos.
NOTA
Esta reportagem considera a situação das candidaturas disponível na manhã de 7 de setembro de 2026. Como o processo de registro ainda estava em andamento para Ruth Reis e Well Macêdo, a situação jurídica poderá sofrer alteração até a consolidação definitiva pela Justiça Eleitoral.
Os valores patrimoniais reproduzem as declarações de bens apresentadas no registro eleitoral. Os resultados das eleições passadas foram cotejados com bases eleitorais e fontes institucionais. Em eleições majoritárias nas quais o candidato ocupava a posição de vice ou suplente, a votação indicada corresponde à chapa, e não a votos nominais recebidos individualmente.
As propostas apresentadas representam uma síntese dos programas de governo registrados e das plataformas divulgadas pelas próprias candidaturas. Elas constituem compromissos eleitorais e não significam garantia de execução, uma vez que várias medidas dependem de disponibilidade orçamentária, legislação, Assembleia Legislativa, União ou municípios.