Da experiência administrativa na Prefeitura de Boa Vista ao comando interino do Estado, passando por candidaturas de esquerda, uma trajetória marcada por sucessivas disputas eleitorais e uma estreante nas urnas, cinco nomes foram registrados para concorrer ao Palácio Senador Hélio Campos. Levantamento reúne biografia, mandatos, partidos, patrimônio, votação eleição por eleição e as principais propostas apresentadas à Justiça Eleitoral.
Roraima chega às eleições gerais de 2026 em uma situação política incomum. Em 21 de junho, o estado já havia ido às urnas em uma eleição suplementar convocada depois da cassação da chapa eleita em 2022. Arthur Henrique (PL) recebeu 160.004 votos, equivalentes a 60,87% dos válidos, enquanto Soldado Sampaio (Republicanos) somou 93.897 votos, ou 35,72%. O resultado, porém, não foi proclamado porque os votos de Arthur ficaram sub judice, em razão da controvérsia judicial envolvendo seu registro naquela eleição específica.
Pouco mais de três meses depois, o eleitor roraimense volta às urnas. Para a eleição geral de 4 de outubro, foram registradas cinco candidaturas: Arthur Henrique, Clébio Genuíno, Farah Mesquita, Rosi Aires e Soldado Sampaio. Se nenhum deles superar 50% dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
Há uma atualização jurídica importante no fechamento desta reportagem, em 7 de setembro de 2026: os registros de Arthur Henrique, Farah Mesquita, Rosi Aires e Soldado Sampaio aparecem como deferidos nas bases eleitorais consultadas. No caso de Clébio Genuíno, a atualização diária dos dados do TSE registrou mudança no campo de julgamento para “indeferido”, embora o status geral do registro ainda apareça em algumas bases sincronizadas como “aguardando julgamento”. Portanto, sua situação ainda deve ser acompanhada durante o prazo recursal.
Quem está na disputa
Os dados pessoais, chapas e declarações patrimoniais abaixo são os informados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral.
| Candidato | Partido / número | Vice | Nascimento | Naturalidade | Patrimônio 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Arthur Henrique | PL – 22 | Haroldo Cathedral (NOVO) | 19/08/1981 | Boa Vista (RR) | R$ 578.525,64 |
| Clébio Genuíno | PCO – 29 | Gregório Pereira (PCO) | 12/02/1968 | Milagres (CE) | R$ 0 |
| Farah Mesquita | Solidariedade – 77 | Natália Wakiri (Solidariedade) | 12/11/1974 | Cândido Mendes (MA) | R$ 0 |
| Rosi Aires | PSOL – 50 | Lúcia Patamona (PSOL) | 15/06/1975 | Manaus (AM) | R$ 15.000 |
| Soldado Sampaio | Republicanos – 10 | Shéridan (Podemos) | 12/05/1976 | Pedreiras (MA) | R$ 1.930.000 |
As declarações colocam Sampaio como o maior patrimônio informado entre os cinco, seguido de Arthur Henrique e Rosi Aires. Farah e Clébio declararam não possuir bens. Os valores são declarações eleitorais e não correspondem necessariamente a avaliações atuais de mercado.
Nota metodológica: quando esta reportagem fala em “histórico partidário completo”, refere-se às siglas utilizadas nas candidaturas localizadas nas bases históricas do TSE. Uma pessoa pode ter sido filiada a determinado partido sem disputar eleição por ele; por isso, seria incorreto transformar o histórico de candidaturas em um cadastro integral de todas as filiações.
1. ARTHUR HENRIQUE — PL, Nº 22
Do núcleo de Teresa Surita à disputa pelo Governo
Arthur Henrique Brandão Machado nasceu em Boa Vista, em 19 de agosto de 1981. No cadastro eleitoral de 2026 informa escolaridade superior incompleta, é casado e se autodeclara pardo. Antes da carreira pública, trabalhou em empresas como Siemens e Capgemini.
Sua ascensão política ocorreu dentro da administração municipal de Boa Vista. Ingressou na gestão em 2013, na área de Inclusão Digital, e posteriormente assumiu a Secretaria Municipal de Educação. Em 2016, foi escolhido vice na chapa de Teresa Surita, tornando-se vice-prefeito no período 2017-2020. Como vice, acumulou a função de secretário de Educação em parte do mandato.
Em 2020, recebeu a missão de disputar a sucessão de Teresa. Foi ao segundo turno após obter 78.425 votos e venceu a eleição com 116.792 votos, ou 85,36% dos válidos. Quatro anos depois, conseguiu a reeleição já no primeiro turno, com 133.180 votos — 75,18%. Deixou a Prefeitura em abril de 2026 para concorrer ao governo estadual.
Partidos nas urnas
PSD (2016) → MDB (2020 e 2024) → PL (2026).
Arthur ingressou oficialmente no PL em 17 de outubro de 2025, deixando o MDB, legenda à qual estava filiado desde 2020.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2016 | Vice-prefeito de Boa Vista | PSD | 121.148 votos da chapa – 79,39% | Eleito |
| 2020 – 1º turno | Prefeito de Boa Vista | MDB | 78.425 – 49,64% | Foi ao 2º turno |
| 2020 – 2º turno | Prefeito de Boa Vista | MDB | 116.792 – 85,36% | Eleito |
| 2024 | Prefeito de Boa Vista | MDB | 133.180 – 75,18% | Reeleito |
| Jun/2026 | Governador – eleição suplementar | PL | 160.004 – 60,87% | Mais votado; resultado não proclamado |
| Out/2026 | Governador | PL | — | Em disputa |
Na suplementar, a votação de Arthur permaneceu sub judice, razão pela qual o TRE-RR não proclamou o resultado. Essa situação pertence à eleição suplementar e não deve ser confundida com o registro para a eleição geral de outubro, que atualmente aparece como deferido.
Patrimônio
Arthur declarou R$ 578.525,64 em 2026. Entre os oito bens constam dois imóveis herdados avaliados em R$ 150 mil cada, R$ 202,3 mil em Tesouro Direto, aplicações de renda fixa e variável, criptomoeda estável e valores em reais e euros. Em 2024, havia declarado R$ 318.616,59.
Linha do tempo
2013 — ingresso na gestão municipal → 2016 — eleito vice-prefeito → 2019/2020 — secretário de Educação → 2020 — eleito prefeito → 2024 — reeleito → 2025 — deixa o MDB e ingressa no PL → abril de 2026 — deixa a Prefeitura → junho de 2026 — obtém 160 mil votos na suplementar → outubro de 2026 — disputa novamente o Governo.
O que propõe
O programa para o mandato 2027-2030, denominado “Roraima Rumo ao Desenvolvimento”, aposta fortemente na experiência administrativa levada de Boa Vista para o Estado. Na infraestrutura, prevê retomada de obras, melhoria de rodovias e logística, ampliação de água e esgoto no interior e incentivos ao agronegócio, agroindústria e turismo.
Na educação, estabelece melhoria do Ideb, climatização e recuperação de escolas, fortalecimento da UERR e bonificação de profissionais. Na saúde, prevê regionalização, recuperação de hospitais do interior, regularidade no abastecimento de medicamentos e expansão de programas municipais para outras cidades. Na segurança, promete ampliar tecnologia, equipamentos e ações de enfrentamento à violência contra mulheres.
2. CLÉBIO GENUÍNO — PCO, Nº 29
Servidor da Funai e candidatura de perfil ideológico
José Clébio Genuíno do Nascimento nasceu em Milagres, Ceará, em 12 de fevereiro de 1968. Tem 58 anos, superior completo e declara como profissão servidor público federal. Também é apresentado publicamente como advogado e indigenista ligado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas, a Funai.
Embora diversas reportagens recentes o tenham descrito como estreante, o cruzamento do histórico eleitoral desde 1998 localiza uma candidatura anterior associada ao mesmo eleitor: em 2000, Clébio concorreu à Prefeitura de Milagres, pelo PT, obtendo 185 votos e não sendo eleito.
Não exerceu mandato eletivo.
Partidos nas urnas
PT (2000) → PCO (2026).
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2000 | Prefeito de Milagres (CE) | PT | 185 votos | Não eleito |
| 2026 | Governador de Roraima | PCO | — | Registro sob discussão judicial |
Patrimônio
Para 2026, Clébio declarou não possuir bens à Justiça Eleitoral.
Linha do tempo
1968 — nasce em Milagres → 2000 — candidatura a prefeito pelo PT → carreira profissional — atuação como servidor público federal e indigenista → 2026 — PCO o lança ao Governo de Roraima.
Situação do registro
Este é o caso que exige mais atenção. A atualização dos dados observada em 7 de setembro passou a mostrar o julgamento como indeferido, embora o campo geral da candidatura ainda apareça como “aguardando julgamento” e “concorrendo” em algumas bases. A situação poderá ser alterada por recurso ou nova atualização da Justiça Eleitoral.
O que propõe
O documento entregue pelo PCO é diferente dos planos estaduais convencionais: trata-se de um programa político nacional, utilizado também por candidaturas do partido em diversos estados. Ele defende reposição de 100% das perdas salariais, aumento emergencial de 50% dos salários, jornada semanal de 35 horas e redução das idades de aposentadoria.
No campo econômico, propõe reversão de privatizações, redução de 50% no preço dos combustíveis e maior presença de empresas estatais. Na saúde, fala em piso salarial de R$ 8 mil para profissionais, construção emergencial de hospitais e postos e mudanças no acesso aos cursos de Medicina e Enfermagem.
Uma característica que precisa ser considerada na comparação é que parte relevante do programa depende de decisões federais, legislação nacional ou mudanças que ultrapassam as competências diretas de um governador.
3. FARAH MESQUITA — SOLIDARIEDADE, Nº 77
Sete eleições anteriores e a primeira tentativa ao Executivo estadual
Farah Mesquita, de 51 anos, nasceu em 12 de novembro de 1974. No cadastro eleitoral atual, sua naturalidade consta como Cândido Mendes, Maranhão, e a escolaridade declarada é superior incompleto. Vive em Roraima desde 1988.
Ao contrário de Arthur e Sampaio, Farah nunca conquistou um mandato. Sua trajetória, entretanto, é extensa: participou de eleições municipais e estaduais desde 2000. Também trabalhou como assessor durante o governo de Neudo Campos e na Assembleia Legislativa, inclusive no gabinete do ex-deputado Márcio Junqueira.
Uma trajetória por sete legendas
O histórico de candidaturas de Farah é o mais partidariamente diversificado entre os cinco concorrentes:
PRONA (2000) → PSL (2004) → PSC (2006) → PSL (2010) → PCdoB (2014) → Solidariedade (2018) → DC (2020) → Solidariedade (2026).
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2000 | Vereador de Boa Vista | PRONA | 549 | Suplente |
| 2004 | Vereador de Boa Vista | PSL | 801 | Suplente |
| 2006 | Deputado estadual | PSC | 388 | Suplente |
| 2010 | Deputado estadual | PSL | 688 | Suplente |
| 2014 | Deputado estadual | PCdoB | 1.152 | Suplente |
| 2018 | Deputado federal | Solidariedade | 2.053 | Suplente |
| 2020 | Vereador de Boa Vista | DC | 446 | Suplente |
| 2026 | Governador | Solidariedade | — | Em disputa |
Os números revelam que seu melhor desempenho nominal ocorreu na candidatura a deputado federal de 2018, quando obteve 2.053 votos.
Patrimônio
Farah declarou R$ 0 em bens para 2026. Em 2020, quando concorreu a vereador pelo DC, havia declarado R$ 75 mil, referentes a propriedades rurais informadas naquela eleição.
Linha do tempo
1988 — passa a viver em Roraima → 2000 — primeira candidatura localizada → 2004-2014 — sucessivas tentativas à Câmara e à Assembleia → 2018 — disputa a Câmara dos Deputados → 2020 — volta a concorrer a vereador → 2026 — estreia em uma eleição majoritária estadual.
O que propõe
Farah organiza seu programa em dez grandes eixos. Na economia, propõe o Emprega Roraima, ampliação de incentivos para atração de indústrias, microcrédito para pequenos negócios, MEIs e cooperativas e o Roraima Exporta, destinado a apoiar produtores e empresas no acesso a mercados externos.
Na saúde, apresenta mutirão permanente de consultas e cirurgias, metas trimestrais para redução das filas, telemedicina para o interior, fortalecimento de hospitais regionais e uma central estadual de regulação de leitos.
Na educação, prevê escolas climatizadas e conectadas, ampliação do tempo integral e educação tecnológica e profissionalizante. Segurança de fronteira, inteligência policial e valorização das carreiras também aparecem no programa. Um dos pontos que mais distingue sua plataforma é a proposta de regularização da atividade garimpeira dentro da legislação, com assistência técnica, ambiental e jurídica, rastreabilidade e fiscalização.
4. ROSI AIRES — PSOL, Nº 50
A estreante que representa a esquerda na disputa
Rosimayre Patrícia Aires da Silva, a Rosi Aires, nasceu em Manaus, em 15 de junho de 1975. Tem 51 anos. No registro eleitoral, declara escolaridade superior incompleta, profissão de artesã e se autodeclara preta. É a única mulher entre os cinco nomes registrados para o governo.
Rosi é também servidora pública estadual concursada desde 2017 e atua no CAPS AD III, serviço voltado à atenção a usuários de álcool e outras drogas, em Boa Vista. A eleição de 2026 é sua primeira candidatura localizada no histórico do TSE.
Partidos nas urnas
PSOL (2026).
Não há candidatura eleitoral anterior localizada nas séries consultadas que permita apontar outra sigla.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governadora | PSOL | — | Primeira candidatura |
Patrimônio
Rosi declarou R$ 15 mil, compostos por um Peugeot 207/P Passion avaliado em R$ 10 mil e uma motocicleta Honda Titan avaliada em R$ 5 mil.
Linha do tempo
1975 — nasce em Manaus → 2017 — ingresso no serviço público estadual → atuação no CAPS AD III → 2026 — primeira candidatura, lançada pelo PSOL ao Governo de Roraima.
O que propõe
O programa de Rosi reúne 11 eixos e enfatiza serviços públicos, participação popular, políticas indígenas e agenda ambiental. Na educação, propõe o fim das escolas militarizadas, valorização dos trabalhadores, gestão democrática e expansão da UERR para o interior.
Na saúde, defende mutirões permanentes de consultas, exames e cirurgias, policlínicas regionais, fortalecimento das carreiras e a construção de um Hospital Indígena no Uiramutã.
Na segurança, seu programa se diferencia ao propor câmeras corporais para policiais e policiamento de caráter comunitário. Na gestão, prevê auditoria da administração anterior, fortalecimento do Portal da Transparência, portal de metas e orçamento participativo. Na área ambiental, coloca entre as prioridades o combate ao garimpo ilegal, à grilagem e ao desmatamento.
5. SOLDADO SAMPAIO — REPUBLICANOS, Nº 10
Quatro eleições, quatro mandatos e o Governo interino
Francisco dos Santos Sampaio, o Soldado Sampaio, nasceu em Pedreiras, Maranhão, em 12 de maio de 1976. Tem 50 anos, é casado, formado em Ciências Contábeis e foi policial militar antes de entrar definitivamente na política.
Ingressou na Polícia Militar de Roraima e ganhou projeção na defesa corporativa de policiais e bombeiros por meio da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares. Em 2010, elegeu-se deputado estadual pela primeira vez. Repetiria o resultado em 2014, 2018 e 2022, completando quatro mandatos consecutivos.
Foi presidente da Assembleia Legislativa nos biênios iniciados em 2021 e 2023 e permaneceu no comando da Casa nos anos seguintes. Em 2020, passou por um período à frente da Casa Civil estadual.
Em 30 de abril de 2026, como presidente da Assembleia, assumiu interinamente o Governo de Roraima após a cassação que provocou a vacância do Executivo. É dessa posição que disputa a eleição de outubro.
Partidos nas urnas
PCdoB (2010, 2014 e 2018) → Republicanos (2022 e 2026).
Sampaio deixou o PCdoB durante a janela partidária de 2022 e ingressou no Republicanos.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2010 | Deputado estadual | PCdoB | 1.719 | Eleito |
| 2014 | Deputado estadual | PCdoB | 3.468 | Reeleito |
| 2018 | Deputado estadual | PCdoB | 4.678 | Reeleito |
| 2022 | Deputado estadual | Republicanos | 8.746 | Reeleito; mais votado |
| Jun/2026 | Governador – suplementar | Republicanos | 93.897 – 35,72% | 2º colocado |
| Out/2026 | Governador | Republicanos | — | Em disputa |
A série mostra crescimento ininterrupto da votação de Sampaio para deputado: de 1.719 votos em 2010 para 8.746 em 2022. Na última eleição proporcional, foi o deputado estadual mais votado de Roraima.
Na suplementar de junho, ficou atrás de Arthur Henrique, com 93.897 votos.
Patrimônio
Sampaio declarou R$ 1,93 milhão em 2026. O principal item é um terreno rural em Caracaraí avaliado em R$ 1,5 milhão. Também informou três veículos e R$ 70 mil em espécie. Em 2022, quando buscou o quarto mandato de deputado, havia declarado R$ 4.231.184,21.
Linha do tempo
2001 — carreira na Polícia Militar → 2010 — primeiro mandato de deputado → 2014 — reeleito → 2018 — terceiro mandato → 2020 — passagem pela Casa Civil → 2021 — assume presidência da ALE-RR → 2022 — filia-se ao Republicanos e conquista quarto mandato → 30/04/2026 — assume Governo interinamente → 21/06/2026 — segundo colocado na suplementar → outubro de 2026 — disputa o mandato de quatro anos.
O que propõe
O plano de Sampaio é organizado em dez eixos e tem como mote a reconstrução e reorganização administrativa do Estado. Na segurança, prevê recomposição dos efetivos policiais e do Corpo de Bombeiros, enfrentamento às facções, nova Delegacia da Mulher em Rorainópolis e políticas de redução de mortes no trânsito.
Na saúde, propõe dividir Roraima em quatro regiões sanitárias, reduzir filas de consultas, exames e cirurgias e ampliar a estrutura de saúde da mulher. Na educação, prevê construção e recuperação de escolas, renovação do transporte escolar, melhoria da alimentação e valorização e formação continuada dos profissionais.
No saneamento e meio ambiente, promete ampliar redes de água e esgoto no interior, encerrar lixões e expandir coleta seletiva e reciclagem.
PATRIMÔNIO DECLARADO: DO R$ 0 A R$ 1,93 MILHÃO
| Posição | Candidato | Patrimônio informado em 2026 | Comparação anterior disponível |
|---|---|---|---|
| 1º | Soldado Sampaio | R$ 1.930.000,00 | R$ 4.231.184,21 em 2022 |
| 2º | Arthur Henrique | R$ 578.525,64 | R$ 318.616,59 em 2024 |
| 3º | Rosi Aires | R$ 15.000,00 | Primeira candidatura |
| 4º | Farah Mesquita | R$ 0,00 | R$ 75.000 em 2020 |
| 4º | Clébio Genuíno | R$ 0,00 | Sem patrimônio anterior comparável localizado |
Os números devem ser lidos como declarações apresentadas pelos próprios candidatos, não como levantamento independente de riqueza.
HISTÓRICO PARTIDÁRIO NAS URNAS
| Candidato | Trajetória partidária encontrada nas eleições |
|---|---|
| Arthur Henrique | PSD → MDB → PL |
| Clébio Genuíno | PT → PCO |
| Farah Mesquita | PRONA → PSL → PSC → PSL → PCdoB → Solidariedade → DC → Solidariedade |
| Rosi Aires | PSOL |
| Soldado Sampaio | PCdoB → Republicanos |
A maior movimentação partidária pertence a Farah Mesquita. No extremo oposto está Rosi Aires, cuja primeira candidatura ocorre pelo PSOL. Arthur consolidou sua carreira eleitoral no MDB antes de migrar ao PL, enquanto Sampaio fez seus três primeiros mandatos pelo PCdoB e mudou para o Republicanos em 2022.
QUADRO COMPARATIVO DAS PROPOSTAS DE GOVERNO
| Área | Arthur Henrique | Clébio Genuíno | Farah Mesquita | Rosi Aires | Soldado Sampaio |
|---|---|---|---|---|---|
| Saúde | Regionalização; recuperar hospitais do interior; medicamentos regulares; ampliar programas da capital | Expansão da rede pública; piso de R$ 8 mil para profissionais; programa nacional de construção de unidades | Mutirão permanente; telemedicina; hospitais regionais; regulação de leitos | Mutirões; policlínicas; Hospital Indígena no Uiramutã; valorização das carreiras | Quatro regiões sanitárias; redução de filas; saúde materno-infantil; centro de saúde da mulher |
| Educação | Melhorar Ideb; climatizar e reformar escolas; fortalecer UERR; bonificação profissional | Defesa integral da educação pública; mudanças nacionais no ingresso universitário e valorização salarial | Escolas conectadas e climatizadas; tempo integral; ensino técnico; formação docente | Fim das escolas militarizadas; gestão democrática; valorização; UERR no interior | Construir e recuperar escolas; merenda; renovar transporte; formação continuada |
| Segurança | Tecnologia, viaturas e equipamentos; enfrentamento da violência doméstica e sexual | Programa nacional de profunda reorganização das estruturas de segurança | Inteligência, videomonitoramento, integração, fronteiras e valorização policial | Câmeras corporais; policiamento comunitário; proteção às mulheres | Recomposição de efetivos; combate a facções; Delegacia da Mulher em Rorainópolis |
| Economia e emprego | Agronegócio, agroindústria, turismo, logística e crédito | Aumento salarial, jornada de 35h, estatização e reversão de privatizações | Emprega Roraima; atração de indústrias; microcrédito; Roraima Exporta | Agricultura familiar, cooperativismo, economia solidária, bioeconomia e microcrédito | Desenvolvimento produtivo, infraestrutura, inovação, apoio a pequenos negócios e produtores |
| Meio ambiente/mineração | Saneamento, diversificação econômica e infraestrutura associada ao desenvolvimento | Maior controle estatal e defesa dos recursos naturais e dos povos indígenas | Garimpo legalizado e regulado, rastreabilidade, fiscalização e bioeconomia | Combate ao garimpo ilegal, grilagem e desmatamento; transição ecológica | Encerramento de lixões, saneamento, coleta seletiva e reciclagem |
| Gestão e participação | Equilíbrio fiscal, indicadores, digitalização e transparência | Transformações estruturais orientadas pelo programa nacional do PCO | Digitalização, desburocratização e fortalecimento dos municípios | Auditoria, orçamento participativo, transparência e controle social | Reorganização administrativa, planejamento, equilíbrio fiscal e modernização |
O quadro sintetiza os programas registrados e não avalia sua viabilidade financeira ou jurídica. Algumas propostas — especialmente as contidas no programa nacional apresentado pelo PCO — dependem de decisões do Congresso, do Governo Federal ou de mudanças legislativas que um governador isoladamente não pode executar.
CINCO PERFIS, CINCO CAMINHOS
A eleição roraimense coloca frente a frente trajetórias muito diferentes. Arthur Henrique chega com a experiência de dois mandatos conquistados para a Prefeitura de Boa Vista e com o peso eleitoral dos 160 mil votos recebidos na suplementar. Seu programa procura reproduzir no Estado métodos e políticas associados à experiência administrativa da capital.
Soldado Sampaio, por outro lado, carrega a trajetória eleitoral mais longa entre os candidatos que conquistaram mandatos: venceu quatro eleições consecutivas para deputado estadual e entra na campanha no exercício interino do Governo. Seu discurso programático concentra-se na reorganização administrativa, segurança, regionalização da saúde e recuperação da infraestrutura pública.
Farah Mesquita possui a maior quantidade de eleições disputadas, mas ainda busca o primeiro mandato. Seu programa combina incentivo privado, geração de empregos e microcrédito com uma posição específica sobre mineração: permitir e regular a atividade garimpeira dentro das regras legais e ambientais.
Rosi Aires faz o movimento inverso: sem eleição anterior, estreia diretamente em uma disputa pelo Governo. Seu plano é o que coloca maior ênfase em ecossocialismo, participação popular, políticas indígenas, desmilitarização da educação e combate ao garimpo ilegal.
Clébio Genuíno representa uma candidatura de natureza mais ideológica. O programa do PCO ultrapassa a agenda administrativa estadual e apresenta propostas de transformação econômica e trabalhista de alcance nacional. Seu histórico eleitoral também guarda uma peculiaridade: apesar de ser frequentemente apresentado na cobertura recente como estreante, a base histórica do TSE relaciona a ele uma candidatura pelo PT à Prefeitura de Milagres, no Ceará, em 2000.
Uma eleição marcada pela excepcionalidade
Poucos estados chegarão a outubro de 2026 com uma história eleitoral tão singular quanto Roraima. A cassação da chapa estadual, a posse de um governador interino, a organização de uma eleição suplementar, o resultado não proclamado desse pleito e, apenas 105 dias depois, uma nova eleição para definir quem governará de 2027 a 2030 transformaram a disputa pelo Palácio Senador Hélio Campos em uma das mais particulares do calendário político brasileiro de 2026.
Data de corte da reportagem: 7 de setembro de 2026. Situações de registro, recursos judiciais, patrimônio, prestação de contas e até composição das chapas podem receber novas atualizações da Justiça Eleitoral até o pleito.