Mensalão, “dólar na cueca”, Lava Jato, prisão de dirigentes, impeachment de Dilma Rousseff, fraudes no INSS e investigações abertas em 2026 compõem uma longa sequência de episódios que atravessou mais de duas décadas da presença do Partido dos Trabalhadores no centro do poder nacional.
Desde a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, em janeiro de 2003, denúncias de corrupção, tráfico de influência, financiamento político irregular e problemas na administração pública atingiram integrantes do Partido dos Trabalhadores, ministros de governos petistas, dirigentes partidários, aliados e pessoas próximas ao poder.
Alguns desses episódios foram definitivamente comprovados na Justiça. Outros produziram denúncias e processos que terminaram posteriormente anulados ou arquivados. Há ainda investigações abertas, especialmente as iniciadas ou ampliadas entre 2025 e 2026.
Esta reportagem especial detalha os 25 dos episódios (há muitos outros) de maior repercussão relacionados à trajetória do PT no poder.
1. Waldomiro Diniz: a primeira grande crise do governo Lula
Em fevereiro de 2004, pouco mais de um ano depois da posse de Lula, uma gravação colocou a Casa Civil no centro da primeira grande crise política do novo governo: Waldomiro Diniz, então subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, apareceu em vídeo solicitando dinheiro ao empresário do setor de jogos Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.
A gravação havia ocorrido em 2002, quando Waldomiro presidia a Loteria do Estado do Rio de Janeiro, antes portanto de ocupar o cargo no governo Lula. Segundo registro da Câmara dos Deputados, além de dinheiro, a gravação envolvia pedido de contribuição para campanhas eleitorais do PT.
Depois da divulgação do caso, Waldomiro foi exonerado. O episódio provocou forte pressão da oposição pela instalação de uma CPI e atingiu diretamente a Casa Civil, então comandada por José Dirceu.
2. Mensalão: o escândalo que abalou o primeiro governo Lula
Em 2005, o então deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, acusou integrantes da direção do PT de operar pagamentos periódicos a parlamentares de partidos aliados em troca de apoio político no Congresso. A denúncia deu origem ao episódio que ficou nacionalmente conhecido como Mensalão.
Inicialmente, dirigentes petistas negaram a existência de compra de apoio parlamentar. Com o avanço das investigações, o partido admitiu repasses a aliados, mas argumentou que os recursos eram destinados ao pagamento de despesas eleitorais. CPIs do Congresso investigaram os repasses e identificaram movimentações financeiras envolvendo dirigentes políticos, empresários e parlamentares. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal como Ação Penal 470.
Em 2012, o STF condenou figuras importantes do partido, entre elas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, por corrupção ativa. Posteriormente, o Supremo absolveu vários réus especificamente da acusação de formação de quadrilha, preservando condenações por outros crimes.
O Mensalão tornou-se um dos episódios mais importantes da história política brasileira pós-redemocratização e afetou profundamente a imagem do PT, que havia construído parte expressiva de sua identidade política no discurso de defesa da ética pública.
3. A cassação de José Dirceu
A crise do Mensalão atingiu diretamente José Dirceu, um dos principais dirigentes históricos do PT e então homem forte do governo Lula. Dirceu deixou a Casa Civil em 2005 e retornou à Câmara dos Deputados para exercer seu mandato parlamentar. Em 30 de novembro daquele ano, a Câmara decidiu pela perda de seu mandato. Foram 293 votos favoráveis à cassação e 192 contrários. Dirceu seria posteriormente condenado pelo Supremo no julgamento do Mensalão por corrupção ativa.
A queda de um ex-presidente nacional do PT, coordenador político da chegada de Lula ao Planalto e ministro-chefe da Casa Civil transformou o episódio em um dos mais simbólicos da crise de 2005.
4. O “dólar na cueca”
Outro episódio de enorme repercussão ocorreu em julho de 2005: José Adalberto Vieira da Silva, assessor do deputado estadual cearense José Nobre Guimarães, do PT, foi detido no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Com ele foram encontrados aproximadamente R$ 200 mil em uma valise e US$ 100 mil escondidos junto ao corpo.
José Nobre Guimarães é irmão de José Genoino, que naquele momento ocupava a presidência nacional do PT. O partido negou ligação com o dinheiro, e Guimarães afirmou não ter relação com os valores transportados pelo assessor. A expressão “dólar na cueca” acabou incorporada ao vocabulário político brasileiro e tornou-se um dos símbolos da sucessão de crises daquele período.
5. Renúncia de Antônio Palocci e a quebra do sigilo de Francenildo
Antônio Palocci era um dos ministros mais influentes do primeiro governo Lula, e à frente do Ministério da Fazenda, havia assumido papel decisivo na condução da política econômica. Em 2006, porém, denúncias investigadas pela CPI dos Bingos atingiram o ministro. O caseiro Francenildo dos Santos Costa afirmou ter visto Palocci em uma mansão utilizada por antigos assessores do ministro em Brasília. Palocci negou irregularidades.
A crise aumentou quando o sigilo bancário de Francenildo foi ilegalmente acessado e seus dados financeiros foram divulgados. Palocci deixou o Ministério da Fazenda em 27 de março de 2006 e o caso marcou a queda de outro personagem central do primeiro governo Lula.
6. O escândalo dos “aloprados”
Poucos meses depois, em plena campanha presidencial de 2006, integrantes ligados ao PT foram flagrados com uma grande quantidade de dinheiro destinada à compra de um suposto dossiê contra adversários políticos.
Em 15 de setembro, a Polícia Federal encontrou aproximadamente R$ 1,7 milhão, parte em reais e parte em dólares, com Gedimar Passos e Valdebran Padilha em um hotel de São Paulo. Segundo as investigações, o dinheiro seria usado para comprar documentos contra políticos do PSDB, especialmente José Serra. A investigação atingiu pessoas ligadas às campanhas petistas daquele ano. Foi o próprio presidente Lula quem utilizou publicamente a expressão “aloprados” para se referir aos envolvidos. A origem integral do dinheiro tornou-se uma das principais questões da investigação.
7. A prisão da antiga cúpula petista no Mensalão
O julgamento do Mensalão voltou ao centro das atenções nacionais entre 2012 e 2013. José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares estavam entre os dirigentes petistas condenados pelo Supremo Tribunal Federal.
Em novembro de 2013, depois do trânsito em julgado de parte das condenações, integrantes do chamado núcleo político começaram a cumprir penas. A imagem de antigos dirigentes nacionais do partido sendo enviados ao sistema prisional teve forte impacto político e simbólico.
Em 2014, porém, o Supremo reviu especificamente as condenações pelo crime de formação de quadrilha e absolveu oito réus dessa imputação. As condenações por outros delitos, como corrupção ativa, permaneceram.
8. Cartões corporativos
Em 2008, despesas realizadas por autoridades com cartões corporativos do governo federal tornaram-se objeto de intensa controvérsia política e de investigações no Congresso. Os questionamentos envolveram despesas de diferentes órgãos e autoridades.
A crise levou à instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para examinar o uso dos cartões e os mecanismos de controle sobre esses gastos. O episódio também provocou mudanças administrativas no sistema de utilização e fiscalização dos cartões governamentais.
9. O dossiê dos gastos do governo Fernando Henrique
A crise dos cartões corporativos gerou outra controvérsia: Durante as investigações parlamentares, surgiu a suspeita de que integrantes da administração federal teriam organizado informações sobre despesas realizadas pela Presidência durante o governo Fernando Henrique Cardoso. O material ficou conhecido politicamente como “dossiê dos gastos de FHC”.
Integrantes do governo argumentaram que se tratava de um banco de dados elaborado para responder às solicitações feitas durante as investigações parlamentares. A Polícia Federal chegou a abrir investigação relacionada ao episódio. O caso acabou incorporado às disputas políticas envolvendo a Casa Civil durante o governo Lula.
10. Caso Erenice Guerra
Em 2010, outra crise alcançou a Casa Civil.
Erenice Guerra havia substituído Dilma Rousseff no comando do ministério depois que Dilma deixou o governo para disputar a Presidência da República. Denúncias publicadas naquele ano apontaram suposto tráfico de influência envolvendo familiares da ministra e negócios de empresas privadas com órgãos públicos.
Erenice deixou o governo mas em 2012, a Justiça Federal arquivou o inquérito contra a ex-ministra após manifestação do Ministério Público Federal. As acusações de tráfico de influência contra ela não resultaram em denúncia criminal. Portanto, embora o episódio tenha produzido uma grave crise política, não houve condenação criminal de Erenice naquele inquérito.
11. A chamada “faxina” de Dilma Rousseff
O início do primeiro governo Dilma Rousseff, em 2011, foi marcado pela saída sucessiva de ministros atingidos por denúncias ou crises políticas.
O movimento ficou conhecido na imprensa como “faxina ética”, embora a própria presidente tenha rejeitado a expressão. Ministros de diferentes partidos da coalizão governista deixaram seus cargos ao longo daquele período.
Por isso, esse episódio não pode ser descrito simplesmente como um escândalo exclusivo do PT: atingiu um governo de ampla coalizão partidária. Politicamente, entretanto, consolidou a percepção de que a nova presidente enfrentava problemas herdados da composição ministerial e das relações entre governo, partidos e administração pública.
12. Operação Porto Seguro e Rosemary Noronha
Em novembro de 2012, a Polícia Federal deflagrou a Operação Porto Seguro.
A investigação apurava suspeitas de venda de pareceres técnicos, tráfico de influência e corrupção em órgãos federais. Entre os nomes envolvidos estava Rosemary Nóvoa de Noronha, então chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo e pessoa próxima ao ex-presidente Lula. Rosemary foi exonerada após a operação.
O caso teve, contudo, uma importante mudança judicial anos depois: Em 2021, a Justiça Federal determinou o trancamento de ações penais decorrentes da Operação Porto Seguro após considerar inválidas provas derivadas de interceptações telefônicas. Rosemary estava entre os beneficiados pela decisão.
13. Pasadena e a Petrobras
A compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras tornou-se uma das maiores controvérsias envolvendo a gestão da estatal durante os governos petistas.
A Petrobras inicialmente adquiriu metade da refinaria e, depois de disputas contratuais, acabou comprando a participação restante onde o valor total desembolsado ficou em aproximadamente US$ 1,2 bilhão.
O Tribunal de Contas da União abriu processos para investigar prejuízos relacionados à operação. Dilma Rousseff fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras quando a compra inicial foi aprovada.
Em 2021, porém, o TCU absolveu Dilma e outros integrantes do conselho, entendendo que não havia elementos para responsabilizá-los por dolo ou má-fé. José Sérgio Gabrielli e ex-diretores da Petrobras foram responsabilizados no processo.
14. Lava Jato e o esquema de corrupção na Petrobras
Em março de 2014 começou a Operação Lava Jato. O que inicialmente era uma investigação sobre doleiros evoluiu para a identificação de um amplo sistema de corrupção relacionado a contratos da Petrobras. Executivos de empreiteiras, operadores financeiros, funcionários da estatal e agentes políticos foram investigados e processados.
Segundo denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal na época, empresas cartelizadas combinavam licitações e realizavam pagamentos de vantagens indevidas vinculadas a contratos da Petrobras. A investigação atingiu integrantes de diferentes partidos. No PT, personagens como José Dirceu, João Vaccari Neto e Renato Duque foram alcançados pelos processos.
A Lava Jato também passaria por profundas revisões judiciais nos anos seguintes, com reconhecimento de incompetência de juízo e anulações de provas.
15. Prisão e condenação de João Vaccari Neto
João Vaccari Neto ocupava a tesouraria nacional do PT quando foi preso pela Polícia Federal em abril de 2015. O Ministério Público Federal acusou Vaccari de participação em repasses relacionados a vantagens indevidas provenientes de contratos da Petrobras. Sua prisão preventiva foi determinada pela Justiça Federal em Curitiba.
Em setembro de 2015, Vaccari foi condenado em primeira instância a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em uma das ações da Lava Jato. Outros processos contra o ex-tesoureiro tiveram resultados distintos ao longo dos anos, incluindo absolvições e revisões em instâncias superiores.
16. Delcídio Amaral: líder do governo preso
Em novembro de 2015, a crise política alcançou diretamente a liderança do governo Dilma no Senado. O senador Delcídio Amaral, então filiado ao PT e líder do governo, foi preso preventivamente por determinação do Supremo Tribunal Federal. A acusação era de tentativa de obstrução das investigações da Lava Jato.
Segundo os documentos encaminhados ao Senado, Delcídio teria discutido formas de evitar que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró colaborasse com a Justiça. O Senado decidiu manter a prisão por 59 votos a 13, com uma abstenção. Delcídio posteriormente firmou acordo de colaboração premiada e acabou tendo seu mandato cassado pelo Senado.
17. O impeachment de Dilma Rousseff
No final de 2015, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aceitou pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. O processo chegou ao Senado em 2016.
A acusação julgada envolvia a edição de decretos de créditos suplementares sem a autorização considerada necessária pelo Congresso e atrasos em repasses relacionados ao Plano Safra, as chamadas “pedaladas fiscais”. A defesa sustentava que não havia crime de responsabilidade e classificava o processo como politicamente motivado.
Em 31 de agosto de 2016, o Senado decidiu, por 61 votos a 20, retirar Dilma da Presidência da República. Em votação separada, os senadores decidiram não impedir Dilma de exercer outras funções públicas. O impeachment encerrou mais de 13 anos consecutivos de governos presidenciais do PT.
18. A prisão de João Santana e Mônica Moura
João Santana foi um dos principais responsáveis pelas campanhas eleitorais presidenciais petistas. Trabalhou, entre outras, nas campanhas que levaram Dilma Rousseff à Presidência em 2010 e à reeleição em 2014.
Em 2016, Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, foram atingidos pela Lava Jato. O Ministério Público os acusou de lavagem de dinheiro relacionada a pagamentos no exterior. Os dois foram presos e posteriormente firmaram colaboração premiada.
Em uma das ações, as condenações de João Santana e Mônica Moura por lavagem de dinheiro foram confirmadas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com pena de oito anos e quatro meses.
19. Operação Custo Brasil e Paulo Bernardo
A Operação Custo Brasil investigou suspeitas de corrupção envolvendo contratos relacionados ao gerenciamento de crédito consignado de servidores públicos federais.
O ex-ministro Paulo Bernardo, que comandou os ministérios do Planejamento e das Comunicações em governos petistas, foi um dos principais investigados. Em 2016, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra Paulo Bernardo, João Vaccari Neto e outros envolvidos. Segundo a acusação apresentada naquele momento, o esquema teria movimentado aproximadamente R$ 100 milhões em vantagens indevidas.
20. Operação Zelotes e as acusações contra Lula
A Operação Zelotes investigou suspeitas de fraudes em julgamentos tributários no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Carf, além de outros fatos.
Em uma das ações derivadas da investigação, o ex-presidente Lula e o ex-ministro Gilberto Carvalho foram acusados de tráfico de influência relacionado à edição de medidas provisórias. Lula sempre negou as acusações.
21. A Polícia Federal chega à casa de Lula
Em 4 de março de 2016, uma das imagens mais marcantes da Lava Jato ocorreu quando o ex-presidente Lula foi levado pela Polícia Federal para prestar depoimento após a execução de mandado de condução coercitiva. O episódio fazia parte da 24ª fase da Lava Jato.
Lula acabaria posteriormente condenado nos processos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia e ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019, mas o quadro jurídico mudou profundamente depois. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal manteve a decisão que anulou as condenações de Lula, por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar aqueles processos. Além disso, o STF reconheceu a suspeição do então juiz Sergio Moro no processo do tríplex, considerando que houve parcialidade na condução daquela ação.
As anulações ocorreram por questões processuais e de competência. Não correspondem, tecnicamente, a um julgamento absolutório do mérito das antigas acusações. Ao mesmo tempo, depois das anulações e de decisões posteriores sobre prescrição ou impossibilidade de reaproveitamento de determinadas provas, Lula recuperou seus direitos políticos.
22. Respiradores do Consórcio Nordeste
Outro caso que ganhou grande repercussão envolveu a compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19.
Em 2020, o Consórcio Nordeste realizou pagamento antecipado de aproximadamente R$ 48 milhões para aquisição de equipamentos que não foram entregues. Na época, o governador da Bahia, Rui Costa, do PT, presidia o Consórcio Nordeste. Investigações foram abertas para apurar responsabilidades pela contratação e pelo destino do dinheiro. O caso continuou tendo desdobramentos nos anos seguintes.
Rui Costa nega ter praticado irregularidades.
23. O escândalo dos descontos indevidos do INSS
Um dos maiores casos recentes envolvendo a administração federal veio a público em 2025.
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Sem Desconto, que passou a investigar cobranças associativas realizadas sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Entre 2019 e 2024, entidades realizaram cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos, embora esse número represente o volume total cobrado pelas entidades investigadas e não possa ser automaticamente tratado como valor integralmente fraudado. Milhões de aposentados passaram a contestar descontos.
Até o fim de 2025, mais de seis milhões de pedidos haviam sido registrados como descontos não reconhecidos, e bilhões de reais começaram a ser devolvidos aos beneficiários. As investigações continuaram em 2026, com novas fases da Operação Sem Desconto e outros desdobramentos policiais.
O caso atingiu politicamente o governo Lula, e segundo as autoridades, as práticas investigadas começaram antes de 2023 e se intensificaram ao longo de diferentes períodos administrativos.
24. As novas investigações envolvendo Lulinha
Em 2026, novas investigações passaram a envolver Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
Em agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de novo inquérito solicitado pela Polícia Federal. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, três investigações estavam então relacionadas ao empresário. Uma delas apurava suposto tráfico de influência relacionado a interesses de uma empresa do setor de cannabis medicinal no Ministério da Saúde, outra investigava possíveis irregularidades relacionadas à Dataprev e um terceiro inquérito tratava de suspeitas sobre negócios ilícitos com órgãos do governo federal.
A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que ele demonstrará não ter relação com ilícitos.
25. Jaques Wagner e o caso Banco Master
Um dos episódios mais recentes envolvendo uma figura histórica do PT ocorreu em 2026.
Em junho, a Polícia Federal realizou a nona fase da Operação Compliance Zero, relacionada às investigações do Banco Master. Entre os alvos estava o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, então líder do governo Lula no Senado.
Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados poderiam, em tese, caracterizar corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A investigação passou a apurar suspeitas de que Wagner teria recebido vantagens econômicas de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Entre os elementos mencionados pela PF estavam negociações envolvendo um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões, repasses a uma empresa administrada por familiares e outras supostas vantagens. Wagner nega ter recebido vantagens indevidas e afirma não ter praticado irregularidades.
Depois da operação policial, deixou a liderança do governo no Senado, afirmando que precisava dedicar-se à defesa e à demonstração de sua inocência. Em agosto de 2026, seu depoimento à Polícia Federal foi adiado a pedido da defesa porque seus advogados alegaram não ter conseguido acesso integral ao material da investigação. Até outubro de 2026, o caso permanece em fase investigativa.
Mais de duas décadas de crises
A sequência iniciada com Waldomiro Diniz em 2004 não terminou com o Mensalão, com a Lava Jato ou com o impeachment de Dilma Rousseff.
Ao longo de mais de duas décadas, diferentes investigações alcançaram dirigentes partidários, ministros, parlamentares, operadores políticos, empresários e pessoas próximas aos governos comandados pelo PT.
Há episódios em que a responsabilização judicial foi inequívoca.
O Supremo condenou dirigentes petistas no Mensalão. José Dirceu perdeu o mandato de deputado. João Vaccari Neto foi preso e condenado em ações da Lava Jato. Delcídio Amaral foi preso e depois cassado. Dilma Rousseff perdeu a Presidência após julgamento político-jurídico realizado pelo Senado.
Da imagem de partido da ética às crises de poder
Quando chegou à Presidência em 2003, o PT carregava uma trajetória construída durante décadas na oposição. Uma de suas principais bandeiras era a defesa da ética na política e o combate a práticas tradicionais de corrupção e fisiologismo e por isso, o impacto político dos primeiros escândalos foi especialmente significativo.
O Mensalão representou uma ruptura simbólica importante: dirigentes históricos do partido foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal por participação em um sistema de corrupção política.
A Lava Jato, anos depois, atingiu novamente personagens centrais do partido, mas mostrou igualmente que esquemas de corrupção envolvendo a Petrobras atravessavam diferentes partidos, grupos empresariais e estruturas políticas.
Também revelou outra face da história: decisões da própria Lava Jato seriam posteriormente anuladas ou revistas por tribunais superiores diante de violações de regras de competência, parcialidade e problemas relacionados à obtenção e utilização de determinadas provas.
O terceiro governo Lula e uma nova geração de crises
O retorno de Lula ao Palácio do Planalto em 2023 abriu uma nova fase da história política brasileira: A Lava Jato já não ocupava o centro do debate como nos anos anteriores, e Lula reassumiu a Presidência depois de recuperar seus direitos políticos. Entretanto, novas investigações voltaram a produzir desgaste político.
O caso dos descontos indevidos do INSS tornou-se uma das maiores crises do terceiro mandato. O volume de recursos movimentados, a quantidade de aposentados atingidos e a atuação de associações e agentes públicos produziram uma investigação de dimensão nacional. Em 2026, as apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva e, separadamente, o senador Jaques Wagner adicionaram novos capítulos à cronologia.