Levantamento divulgado pela Folha de S. Paulo revela concentração de urnas com votação zerada para o candidato do PL nas regiões Norte e Nordeste. Dados levantam questionamentos nas redes sociais.
Um levantamento divulgado pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, trouxe à tona um dado que passou a repercutir nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no último domingo (25). O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, não recebeu um único voto em 106 urnas eletrônicas distribuídas pelo território nacional.
Nessas mesmas seções eleitorais, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acumulou 14.860 votos, segundo o levantamento elaborado pela Paris Group, que utilizou ferramentas de inteligência artificial para mapear os resultados eleitorais.
A informação foi publicada na terça-feira (27) e ganhou repercussão diante da expressiva diferença de votos entre os dois candidatos nas seções identificadas.
Norte e Nordeste concentram a maioria das urnas
A distribuição geográfica das 106 urnas demonstra que a maior concentração ocorreu nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Das seções identificadas, 65 estão na Região Norte, 29 no Nordeste, seis no Centro-Oeste e três em cada uma das regiões Sudeste e Sul.
O Amazonas aparece com destaque no levantamento. Em 13 municípios amazonenses, incluindo Tabatinga, Maués, Parintins, Benjamin Constant e São Gabriel da Cachoeira, foram identificadas seções nas quais Flávio Bolsonaro terminou a votação sem receber votos.
Em uma seção eleitoral de Tabatinga, localizada na região de fronteira com a Colômbia e o Peru, Lula obteve 354 votos, enquanto seu adversário não recebeu nenhum.
Comunidades indígenas e localidades rurais estão entre os locais identificados
Uma verificação complementar publicada pelo Jornal Razão, que afirma ter consultado os boletins disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontou que as 106 urnas estão distribuídas por 67 municípios de 18 estados brasileiros.
Segundo o veículo, 68 dessas seções estão instaladas em aldeias, escolas ou comunidades indígenas, conforme a identificação dos respectivos locais de votação.
Outras seções estão em localidades rurais, comunidades ribeirinhas, quilombolas e assentamentos.
A localização dessas urnas constitui um elemento importante para compreender o comportamento eleitoral. Comunidades com características sociais, territoriais e culturais próprias podem apresentar padrões de votação diferentes daqueles observados no conjunto de seus municípios.
O levantamento também identificou municípios nos quais Flávio Bolsonaro venceu a eleição, apesar de determinadas seções locais terem registrado votação zerada para o candidato.
Isso demonstra que o resultado de uma seção eleitoral não representa, necessariamente, o comportamento de todo o município.
O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza os boletins de urna para consulta pública. Esses documentos registram os votos atribuídos a cada candidatura, os votos brancos e nulos e outras informações da seção eleitoral.
Os dados também podem ser comparados com os boletins impressos ao encerramento da votação, permitindo a fiscalização dos resultados divulgados.
O que os números revelam sobre as eleições de 2026?
Além das urnas com votação zerada, o estudo da Paris Group identificou uma mudança no comportamento eleitoral entre os dois turnos.
Segundo a pesquisa, Lula venceu no segundo turno em 211 municípios onde Flávio Bolsonaro havia liderado no primeiro.
Entre as cidades mencionadas estão Rio de Janeiro, Osasco, Cotia e Araraquara. Minas Gerais concentrou 76 desses municípios.
Os dados revelam mudanças na distribuição territorial dos votos entre os dois turnos, mas não permitem, por si só, determinar as razões individuais que levaram os eleitores a modificar suas escolhas.
Transparência e acesso à informação
A divulgação detalhada dos resultados por seção eleitoral permite que cidadãos, pesquisadores, jornalistas, partidos políticos e instituições acompanhem e examinem os números das eleições.
No caso das 106 urnas sem votos para Flávio Bolsonaro, o levantamento apresenta informações que podem ser analisadas publicamente, inclusive mediante consulta aos documentos oficiais.