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Nordeste chega às Eleições 2026 com 43,5 milhões de eleitores, maioria feminina e renda abaixo da média nacional

Região concentra 27,42% do eleitorado brasileiro; mulheres predominam nos nove estados, enquanto ensino médio completo e fundamental incompleto aparecem entre os principais níveis de escolaridade. Dados de renda revelam diferenças importantes dentro da própria região.

O Nordeste chegará às urnas nas Eleições Gerais de 2026 com 43.529.845 eleitoras e eleitores aptos a votar, o equivalente a 27,42% de todo o eleitorado brasileiro. Em relação às eleições gerais de 2022, quando a região contabilizava 42.390.976 eleitores, houve um acréscimo de mais de 1,1 milhão de pessoas, crescimento de 2,69%. Em todo o país, são 158.745.463 pessoas aptas a votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

A dimensão eleitoral do Nordeste também chama atenção pela concentração em alguns estados. A Bahia possui o maior colégio eleitoral da região, com 11.321.005 eleitores, seguida por Pernambuco, com 7.225.744, e Ceará, com 6.998.494. Na sequência aparecem Maranhão, com 5.186.562; Paraíba, 3.247.397; Piauí, 2.708.160; Rio Grande do Norte, 2.660.565; Alagoas, 2.441.794; e Sergipe, com 1.740.124 pessoas aptas ao voto.

Mulheres formam a maioria do eleitorado

Um dos traços mais marcantes do perfil eleitoral nordestino é a predominância feminina. Em Pernambuco, por exemplo, as mulheres correspondem a 53,64% do eleitorado, somando 3,87 milhões de eleitoras. Na Bahia, elas representam aproximadamente 53%, com quase 6 milhões de títulos eleitorais, enquanto na Paraíba também correspondem a 53% dos eleitores.

O mesmo comportamento aparece nos demais estados. Em Alagoas, as mulheres representam 53% dos 2,44 milhões de eleitores; no Rio Grande do Norte, são cerca de 53%; no Ceará, aproximadamente 53%; no Maranhão e no Piauí, a participação feminina fica próxima de 52%. Em Sergipe, os registros disponíveis também mostram vantagem numérica das mulheres. O resultado revela uma característica estrutural do eleitorado da região: as mulheres constituem o maior contingente eleitoral nordestino.

Escolaridade mostra um Nordeste diverso

Quando o recorte é feito pela escolaridade, dois grandes grupos se destacam nos estados nordestinos: eleitores que concluíram o ensino médio e aqueles que possuem o ensino fundamental incompleto.

Na Bahia, 27,9% dos eleitores têm ensino médio completo, grupo formado por mais de 3,15 milhões de pessoas. O mesmo nível de escolaridade lidera no Ceará, com cerca de 26,65%; no Maranhão, com 26,85%; em Pernambuco, com 27,38%; e no Rio Grande do Norte, onde corresponde a 24,64% do eleitorado.

Em outros estados, o ensino fundamental incompleto aparece com maior peso. Em Alagoas, são 580.309 eleitores nessa condição, equivalentes a 23,77% do eleitorado estadual. Na Paraíba, o fundamental incompleto representa 23,03%, ligeiramente acima dos 22,61% que concluíram o ensino médio. No Piauí, o grupo ligado ao ensino fundamental também aparece numericamente à frente, com 602.082 registros, seguido por 587.104 pessoas com ensino médio completo. Em Sergipe, os dados disponíveis igualmente indicam forte presença dos eleitores com fundamental incompleto.

Esse quadro mostra que não existe um único padrão educacional para o eleitor nordestino. Há estados onde o ensino médio completo já constitui claramente o maior grupo e outros em que permanece expressiva a parcela de pessoas que não concluiu o ensino fundamental.

Renda ajuda a compreender o contexto socioeconômico

O Tribunal Superior Eleitoral não classifica oficialmente o eleitorado brasileiro por “classe social”. Para uma leitura socioeconômica mais adequada, é necessário cruzar o perfil eleitoral com indicadores populacionais produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Segundo a PNAD Contínua, o rendimento domiciliar per capita do Nordeste foi de R$ 1.484 em 2025, enquanto a média brasileira chegou a R$ 2.316. Assim, o indicador nordestino corresponde a aproximadamente 64% da média nacional.

As diferenças internas, entretanto, são significativas. O Rio Grande do Norte possui a maior renda domiciliar per capita do Nordeste, R$ 1.819, seguido por Sergipe, com R$ 1.697, e Pernambuco, com R$ 1.600. Depois aparecem Piauí, com R$ 1.546; Paraíba, R$ 1.543; Bahia, R$ 1.465; Alagoas, R$ 1.422; Ceará, R$ 1.390; e Maranhão, R$ 1.219. Todos os nove estados permanecem abaixo da média nacional de R$ 2.316.

O dado coloca a renda como uma das principais características socioeconômicas da região. Ao mesmo tempo, é importante evitar a simplificação de considerar todo o eleitorado nordestino como pertencente a uma única classe econômica. Há diferenças de renda, escolaridade, urbanização e condições sociais tanto entre os estados quanto dentro deles.

Nordeste também concentra o maior contingente de jovens eleitores

Outro aspecto relevante é a presença da juventude. O Nordeste possui 1.315.104 eleitores com até 18 anos, o maior contingente entre todas as regiões brasileiras. Eles representam 3,02% do eleitorado nordestino.

O dado convive com outra transformação demográfica observada em todo o país: o envelhecimento do eleitorado. Nacionalmente, as pessoas com 60 anos ou mais já representam 23,60% dos eleitores, percentual maior do que o registrado em 2022. Isso significa que as Eleições 2026 combinam a entrada de uma nova geração de votantes com uma presença cada vez maior da população idosa.

Um eleitorado de mais de 43 milhões de vozes

O retrato produzido pelos dados revela um Nordeste eleitoralmente expressivo e socialmente heterogêneo. São mais de 43,5 milhões de pessoas, com forte presença feminina, diferentes níveis de escolarização, significativa participação de jovens e realidades econômicas bastante distintas entre Maranhão, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe.

A combinação das estatísticas eleitorais do TSE com os indicadores sociais do IBGE mostra que compreender o eleitorado nordestino exige ir além do tamanho dos colégios eleitorais. Gênero, educação, idade e renda ajudam a revelar quem são as pessoas que chegarão às urnas em outubro de 2026 e a diversidade social existente dentro da segunda maior região eleitoral do Brasil.

Os números, contudo, descrevem características demográficas e socioeconômicas e não permitem inferir preferência partidária, candidatura escolhida ou intenção de voto. O comportamento eleitoral depende de fatores políticos, culturais, econômicos e locais que não podem ser deduzidos apenas a partir de renda, gênero ou escolaridade.

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