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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 EM PERNAMBUCO: Oito caminhos ao Campo das Princesas: quem são, de onde vêm e o que propõem os candidatos ao Governo de Pernambuco

Raquel Lyra tenta conquistar um segundo mandato; João Campos busca transformar a força eleitoral construída no Recife em liderança estadual; Renan Hallais estreia nas urnas; Ivan Moraes leva ao pleito a experiência de dois mandatos na Câmara do Recife; enquanto Guilherme Fonseca, Professora Camila, Professor Jeremias do Banco e Victor Assis apresentam projetos que ampliam o espectro político e programático da eleição.

Reportagem especial — dados atualizados até 6 de setembro de 2026

Pernambuco chega ao primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026 com oito candidatos ao Palácio do Campo das Princesas. Estão na disputa Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB), Renan Hallais (Missão), Guilherme Fonseca (PSTU), Ivan Moraes (PSOL), Professora Camila (UP), Professor Jeremias do Banco (Democrata) e Victor Assis (PCO).

É uma eleição de contrastes. A governadora Raquel Lyra tenta a reeleição depois de passar pela Assembleia Legislativa e comandar Caruaru por dois mandatos. João Campos deixou a Prefeitura do Recife após duas vitórias municipais — a segunda delas com mais de 78% dos votos válidos — para tentar chegar ao governo. Ivan Moraes já exerceu dois mandatos de vereador, enquanto Guilherme Fonseca participa de disputas eleitorais desde a década de 1990. No outro extremo, Renan Hallais e Professora Camila fazem em 2026 suas primeiras candidaturas registradas no histórico eleitoral do TSE.

As pesquisas reforçam a percepção de uma disputa principal bastante concentrada. No levantamento RealTime Big Data divulgado em 3 de setembro, Raquel Lyra e João Campos apareceram empatados com 43% das intenções de voto; Renan Hallais marcou 4% e Ivan Moraes, 2%, enquanto os demais somaram 1%. A pesquisa ouviu 1.600 pessoas entre 29 de agosto e 2 de setembro, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada no TSE sob o número PE-09116/2026. Pesquisa é um retrato do momento, e não previsão de resultado.


O retrato dos oito candidatos

CandidatoNascimento / naturalidadePartidoNúmeroViceExperiência política destacadaPatrimônio declarado em 2026
Raquel Lyra02/12/1978 — RecifePSD55Priscila KrauseDeputada estadual, prefeita de Caruaru e governadoraR$ 359.498,33
João Campos26/11/1993 — RecifePSB40Carlos CostaDeputado federal e prefeito do RecifeR$ 2.892.723,46
Renan Hallais23/05/1990 — Rio de JaneiroMissão14Lucas XavierEstreante em eleições; dirigente ligado ao MBLR$ 345.182,87
Guilherme Fonseca26/08/1957 — RecifePSTU16Valéria FélixCandidato ao Senado e a vice-governador em eleições anterioresR$ 300.000,00
Ivan Moraes24/05/1976 — RecifePSOL50Alice GabinoVereador do Recife por dois mandatosR$ 81,4 mil
Professora Camila07/06/1989 — Vitória de Santo AntãoUP80Marcelo PessoaHistoriadora, educadora popular; estreia eleitoralR$ 85.000,00
Professor Jeremias do Banco27/03/1980 — PalmaresDemocrata35Carlos AlbertoCandidaturas a deputado, vereador e vice-prefeitoR$ 0,00
Victor Assis04/05/1995 — RecifePCO29Roberta RitaCandidaturas a deputado federal e prefeito do RecifeR$ 0,00

Os patrimônios são os valores autodeclarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral. Eles não representam auditoria, renda nem necessariamente o valor de mercado atual dos bens. Da mesma forma, “não declarou bens” significa que não houve bens informados no registro eleitoral, não sendo adequado inferir, apenas a partir disso, inexistência de patrimônio em qualquer outro sentido.


RAQUEL LYRA

De deputada estadual à primeira mulher eleita governadora de Pernambuco

Raquel Teixeira Lyra Lucena nasceu no Recife em 2 de dezembro de 1978. Advogada formada pela Universidade Federal de Pernambuco, construiu uma carreira que combina atuação jurídica, Legislativo e Executivo.

Antes de disputar eleições, foi aprovada em concursos públicos e tornou-se procuradora do Estado. Durante o governo Eduardo Campos, ocupou funções na administração estadual. Entrou efetivamente nas urnas em 2010, quando foi eleita deputada estadual pelo PSB com 49.610 votos. Quatro anos depois, conquistou a reeleição, ampliando a votação para 80.879 votos.

A mudança decisiva ocorreu em 2016. Já no PSDB, disputou a Prefeitura de Caruaru. Terminou o primeiro turno com 44.776 votos e derrotou Tony Gel no segundo, recebendo 93.803 votos. Tornou-se a primeira mulher eleita prefeita da cidade.

Em 2020, foi reeleita já no primeiro turno, com 114.466 votos.

Dois anos depois, deixou a prefeitura para disputar o governo estadual. No primeiro turno de 2022, recebeu 1.009.556 votos. No segundo, alcançou 3.113.415 votos e derrotou Marília Arraes, tornando-se a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco.

Agora tenta transformar seu primeiro mandato em oito anos consecutivos à frente do Executivo estadual.

Linha do tempo eleitoral — Raquel Lyra

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2010Deputada estadualPSB49.610Eleita
2014Deputada estadualPSB80.879Eleita
2016 — 1º turnoPrefeita de CaruaruPSDB44.776Foi ao 2º turno
2016 — 2º turnoPrefeita de CaruaruPSDB93.803Eleita
2020Prefeita de CaruaruPSDB114.466Eleita em 1º turno
2022 — 1º turnoGovernadoraPSDB1.009.556Foi ao 2º turno
2022 — 2º turnoGovernadoraPSDB3.113.415Eleita
2026GovernadoraPSDEm disputa

Histórico partidário

A carreira eleitoral de Raquel passou por três legendas:

PSB → PSDB → PSD

Ela iniciou sua trajetória política no PSB, partido ligado à administração de Eduardo Campos. Migrou para o PSDB antes da primeira eleição para prefeita de Caruaru e permaneceu na legenda durante a eleição para governadora em 2022. Em março de 2025, filiou-se ao PSD e assumiu a presidência estadual da legenda.

Patrimônio

Raquel declarou R$ 359.498,33 em 2026, distribuídos em três itens: um apartamento em Jaboatão dos Guararapes avaliado em R$ 289.574, aplicações de renda fixa de R$ 69.923,33 e R$ 1 em depósito bancário informado no registro.


JOÃO CAMPOS

Do recorde para deputado federal à tentativa de estadualizar a força conquistada no Recife

João Henrique de Andrade Lima Campos nasceu no Recife em 26 de novembro de 1993. Engenheiro civil formado pela UFPE, pertence a uma das famílias mais conhecidas da história política pernambucana: é filho do ex-governador Eduardo Campos e bisneto do também ex-governador Miguel Arraes.

Mas sua carreira eleitoral própria é relativamente curta — e marcada por votações expressivas.

A estreia ocorreu em 2018, quando, aos 24 anos, concorreu a deputado federal pelo PSB. Recebeu 460.387 votos, tornando-se o deputado federal mais votado de Pernambuco naquele pleito.

Dois anos depois, deixou a Câmara para disputar a Prefeitura do Recife. No primeiro turno de 2020 obteve 233.028 votos. No segundo, derrotou Marília Arraes com 447.913 votos.

Em 2024, alcançou um resultado ainda mais expressivo: 725.721 votos, equivalentes a 78,11% dos válidos, garantindo a reeleição no primeiro turno.

Para concorrer ao Governo de Pernambuco, deixou antecipadamente o comando da Prefeitura do Recife em 2026. A eleição estadual será, portanto, apenas a quarta disputa eleitoral de sua carreira.

Linha do tempo eleitoral — João Campos

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2018Deputado federalPSB460.387Eleito
2020 — 1º turnoPrefeito do RecifePSB233.028Foi ao 2º turno
2020 — 2º turnoPrefeito do RecifePSB447.913Eleito
2024Prefeito do RecifePSB725.721 — 78,11%Eleito em 1º turno
2026GovernadorPSBEm disputa

Histórico partidário

João Campos apresenta completa continuidade eleitoral:

PSB → PSB → PSB → PSB

Todas as suas candidaturas foram pelo Partido Socialista Brasileiro, legenda à qual sua família está historicamente vinculada.

Patrimônio

É o candidato com o maior patrimônio declarado na disputa pernambucana: R$ 2.892.723,46.

A maior parcela está em aplicações financeiras: uma de aproximadamente R$ 2,28 milhões e outra de cerca de R$ 449,9 mil. Também declarou R$ 100 mil em quotas de empresa, R$ 40,8 mil em outros bens e direitos e aproximadamente R$ 17,4 mil em outra aplicação.


RENAN HALLAIS

A estreia eleitoral de um candidato ligado ao Movimento Brasil Livre

Renan Lucio Sant Anna Hallais nasceu no Rio de Janeiro em 23 de maio de 1990. Tem 36 anos, formação superior em Ciências Contábeis e atuação profissional como contador.

Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), faz parte do grupo político que participou da formação do Partido Missão, legenda registrada nacionalmente em 2025.

Diferentemente da maioria dos adversários, Renan chega diretamente a uma eleição majoritária estadual sem ter passado por uma disputa municipal ou proporcional. A base histórica de candidaturas vinculada ao TSE registra 2026 como sua primeira candidatura eleitoral.

Linha do tempo eleitoral — Renan Hallais

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2026Governador de PernambucoMissãoPrimeira candidatura; em disputa

Histórico partidário

Como candidato registrado:

Missão

Sua trajetória política anterior está ligada ao MBL, que é um movimento político e não um partido. Por isso, não deve ser incluído como legenda em seu histórico eleitoral.

Patrimônio

Renan declarou R$ 345.182,87, distribuídos em 29 itens, com forte presença de ações, fundos imobiliários e outros investimentos financeiros.


GUILHERME FONSECA

Uma trajetória política que atravessa quatro décadas

Guilherme Fonseca nasceu no Recife em 26 de agosto de 1957 e é o candidato mais velho da disputa, com 69 anos no primeiro turno.

Técnico da área de telecomunicações e pesquisador ligado ao Instituto Latino-Americano de Estudos Socioeconômicos, participa de movimentos políticos e sindicais desde a juventude. Teve atuação no movimento estudantil durante a ditadura, participou da construção do PT e da CUT em Pernambuco e, posteriormente, esteve entre os militantes que formaram o PSTU.

Sua primeira disputa estadual ocorreu em 1994, quando concorreu ao Senado pelo PSTU. Recebeu 63.552 votos. O dado consta dos resultados históricos oficiais do Tribunal Superior Eleitoral.

Em 1998, integrou como candidato a vice-governador a chapa de Joaquim Magalhães, também do PSTU. Como vice não recebeu votação nominal; a chapa alcançou 17.723 votos, ou 0,63% dos válidos.

Após longo período sem candidatura majoritária própria, retorna às urnas em 2026 para disputar diretamente o Governo de Pernambuco.

Linha do tempo eleitoral — Guilherme Fonseca

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
1994SenadorPSTU63.552Não eleito
1998Vice-governadorPSTU17.723 votos da chapaNão eleito
2026GovernadorPSTUEm disputa

Histórico partidário

Sua trajetória política passa por:

PT → PSTU

A participação no PT ocorreu anteriormente às candidaturas registradas aqui; nas disputas eleitorais identificadas desde 1994, aparece pelo PSTU.

Patrimônio

Declarou R$ 300 mil, correspondentes a um imóvel.


IVAN MORAES

Do ativismo em direitos humanos à Câmara do Recife

Ivan Vasconcellos de Moraes Filho, nascido no Recife em 24 de maio de 1976, é jornalista e mestre em Comunicação pela UFPE. Sua trajetória profissional e política está fortemente associada a direitos humanos, comunicação popular, participação social e organizações da sociedade civil.

Foi eleito vereador do Recife pela primeira vez em 2016, com 5.203 votos.

Dois anos depois tentou chegar à Câmara dos Deputados e recebeu 18.755 votos, sem se eleger.

Em 2020 voltou à disputa municipal e conquistou um segundo mandato de vereador, com 6.319 votos.

Em 2022 concorreu a deputado estadual. Recebeu 13.968 votos e ficou na suplência.

A eleição de 2026 é sua primeira candidatura a um cargo executivo.

Linha do tempo eleitoral — Ivan Moraes

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2016Vereador do RecifePSOL5.203Eleito
2018Deputado federalPSOL18.755Não eleito
2020Vereador do RecifePSOL6.319Eleito
2022Deputado estadualPSOL13.968Suplente
2026GovernadorPSOLEm disputa

Histórico partidário

Nas eleições:

PSOL → PSOL → PSOL → PSOL → PSOL

Em 2026, sua candidatura integra a Federação PSOL-Rede, e Alice Gabino, da Rede, compõe a chapa como vice.

Patrimônio

O patrimônio declarado é de aproximadamente R$ 81,4 mil, composto principalmente por imóvel, além de pequeno saldo financeiro informado no registro eleitoral.


PROFESSORA CAMILA

Educação popular, movimento estudantil e estreia nas urnas

Maria Camila da Silva Falcão, a Professora Camila, nasceu em Vitória de Santo Antão em 7 de junho de 1989.

Historiadora e professora, tem trajetória ligada à educação popular, ao movimento estudantil, ao movimento de mulheres e à organização partidária da Unidade Popular. Participou da União dos Estudantes de Pernambuco e integra movimentos sociais, incluindo o Movimento de Mulheres Olga Benário.

É fundadora e vice-presidente estadual da Unidade Popular em Pernambuco.

Assim como Renan Hallais, chega à disputa pelo Executivo estadual sem candidaturas anteriores registradas no histórico eleitoral consultado.

Linha do tempo eleitoral — Professora Camila

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2026GovernadoraUPPrimeira candidatura; em disputa

Histórico partidário

Como candidata:

UP

Patrimônio

Declarou R$ 85 mil, correspondentes a um apartamento residencial.


PROFESSOR JEREMIAS DO BANCO

Cinco legendas e diferentes tentativas de chegar a um mandato

Jeremias Cosmo Silva dos Santos nasceu em Palmares, na Mata Sul, em 27 de março de 1980.

É professor da rede estadual e também tem trajetória profissional no setor bancário. Sua vida eleitoral começou em 2008, quando registrou candidatura a vereador de Ribeirão pelo PSDB, mas renunciou antes da votação.

Dez anos depois, concorreu a deputado estadual pelo PSOL e recebeu 254 votos, ficando na suplência.

Em 2020 voltou a Ribeirão para disputar vaga de vereador pelo PP. Obteve 51 votos e novamente ficou como suplente.

Em 2024 foi candidato a vice-prefeito, pelo Agir, na chapa encabeçada por Edson Gomes. Como vice não teve votos nominais; a chapa recebeu 437 votos e não foi eleita.

Linha do tempo eleitoral — Jeremias

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2008Vereador de RibeirãoPSDBRenunciou
2018Deputado estadualPSOL254Suplente
2020Vereador de RibeirãoPP51Suplente
2024Vice-prefeito de RibeirãoAgir437 votos da chapaNão eleito
2026GovernadorDemocrataEm disputa

Histórico partidário

O candidato apresenta uma das trajetórias partidárias mais diversificadas da eleição:

PSDB → PSOL → PP → Agir → Democrata

Patrimônio

No registro de 2026, não declarou bens, resultando em patrimônio eleitoral informado de R$ 0.


VICTOR ASSIS

A quinta candidatura consecutiva pelo PCO

Victor Assis da Silva nasceu no Recife em 4 de maio de 1995. Jornalista e redator, é ligado à estrutura política e de comunicação do Partido da Causa Operária.

Sua primeira candidatura ocorreu em 2018, quando disputou uma vaga de deputado federal e recebeu 66 votos.

Em 2020 concorreu à Prefeitura do Recife e obteve 101 votos.

Dois anos depois voltou a disputar vaga de deputado federal: foram 59 votos.

Em 2024 concorreu novamente à Prefeitura do Recife. O resultado eleitoral registra 132 votos, mas a candidatura constou como indeferida e os votos aparecem como anulados sob judice nos registros da eleição.

Em 2026 disputa pela primeira vez o Governo de Pernambuco.

Linha do tempo eleitoral — Victor Assis

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2018Deputado federalPCO66Não eleito
2020Prefeito do RecifePCO101Não eleito
2022Deputado federalPCO59Não eleito
2024Prefeito do RecifePCO132*Registro indeferido/votos sob judice
2026GovernadorPCOEm disputa

*Conforme a totalização divulgada para a eleição municipal de 2024.

Histórico partidário

Em todas as candidaturas:

PCO → PCO → PCO → PCO → PCO

Patrimônio

Victor Assis não informou bens no registro eleitoral de 2026, totalizando R$ 0 declarado.


Quem mudou mais de partido?

O histórico eleitoral ajuda a revelar diferenças importantes de construção política.

CandidatoTrajetória partidária
Raquel LyraPSB → PSDB → PSD
João CamposPSB em todas as eleições
Renan HallaisMissão — primeira candidatura
Guilherme FonsecaAtuação anterior no PT → PSTU
Ivan MoraesPSOL em todas as eleições
Professora CamilaUP — primeira candidatura
Professor JeremiasPSDB → PSOL → PP → Agir → Democrata
Victor AssisPCO em todas as eleições

O caso mais estável entre os candidatos com várias eleições é o de João Campos, Ivan Moraes e Victor Assis, que nunca trocaram de legenda em suas candidaturas. No extremo oposto está Jeremias, que concorreu por cinco siglas diferentes.


Patrimônio declarado: uma diferença de quase R$ 3 milhões entre os extremos

PosiçãoCandidatoPatrimônio declarado em 2026
João CamposR$ 2.892.723,46
Raquel LyraR$ 359.498,33
Renan HallaisR$ 345.182,87
Guilherme FonsecaR$ 300.000,00
Professora CamilaR$ 85.000,00
Ivan Moraesaprox. R$ 81.452
Professor JeremiasR$ 0,00
Victor AssisR$ 0,00

A diferença entre o maior patrimônio informado, o de João Campos, e o segundo colocado é superior a R$ 2,5 milhões. As declarações, porém, devem ser interpretadas com cautela: o TSE publica os valores apresentados pelos próprios candidatos e não atualiza automaticamente imóveis, participações societárias ou outros ativos ao preço de mercado.


O que os oito candidatos propõem para Pernambuco

A comparação dos planos de governo revela algo que a simples posição nas pesquisas não mostra: há diferenças substantivas sobre qual deve ser o papel do Estado, como enfrentar a violência, como financiar políticas públicas e qual modelo econômico Pernambuco deve perseguir.

Quadro comparativo das propostas

CandidatoEducaçãoSaúde e segurançaEconomia, infraestrutura e área socialMarca predominante do programa
Raquel Lyra250 novas creches, 60 mil vagas; ampliar ETEs e educação integralAmpliar/requalificar hospitais regionais; telemedicina; continuidade do Juntos pela Segurança; tecnologia e câmeras corporaisContinuidade de investimentos, infraestrutura e interiorização do desenvolvimentoContinuidade e expansão do primeiro mandato
João CamposUniversalização progressiva do tempo integral; modernização das ETEs; expansão do ensino tecnológico; nova estrutura da UPE em CaruaruNovos hospitais; integração da rede; Centro de Operações Metropolitano; Pacto Anti-FacçãoTriplicação de trecho da BR-101; logística, inovação e economia digitalLevar programas e métodos experimentados no Recife para escala estadual
Renan HallaisProfessor em Casa; Escola de Portas Abertas; ensino dual; P-TECH; Guarda Escola PEIntegração de dados das forças policiais; plano decenal de segurança; recomposição de efetivosPolos econômicos, infraestrutura, planejamento de longo prazo e urbanizaçãoGestão por metas, cobrança de resultados e políticas inspiradas no campo do MBL/Missão
Ivan MoraesEducação integral; valorização docente; gestão democrática e inclusãoCâmeras corporais; revisão de vigilância por reconhecimento facial; enfoque em direitos humanosRenda básica estadual, Tarifa Zero, moradia e políticas redistributivasDireitos sociais, participação e redistribuição
Professora CamilaFortalecimento e expansão da UPE; investimento direto na escola públicaDefesa do SUS público e redução de repasses a organizações sociaisReestatização da Compesa; fim de pedágios estaduais; orçamento participativo regionalAmpliação direta do papel do Estado e dos serviços públicos
Guilherme FonsecaExpansão das redes públicas, creches e escolas dentro de um plano estadual de obrasAmpliação da estrutura pública de saúdeSalário mínimo estadual rumo ao valor calculado pelo Dieese; Tarifa Zero; obras públicas e rejeição a privatizações/PPPsPrograma socialista centrado em trabalho, salário e estatização
Professor JeremiasMais escolas militares e técnicas; revisão da progressão automática; robótica e inteligência artificialHospital para público evangélico; hospital da pessoa idosa; telemedicinaEstudo/criação de banco estadual, empreendedorismo e modernizaçãoTecnologia, disciplina escolar e gestão administrativa
Victor AssisEleição direta para direção escolar; maior financiamento públicoMais recursos para saúde pública; propostas vinculadas ao programa nacional do PCOTransporte gratuito; expropriação de imóveis ociosos; proibição de despejosPrograma socialista e de mobilização popular do PCO

A tabela sintetiza os documentos registrados pelas candidaturas e não constitui avaliação de viabilidade financeira, jurídica ou administrativa das promessas.


RAQUEL: continuidade com promessa de ampliar a escala

O plano de Raquel Lyra é organizado essencialmente em torno de uma ideia: consolidar políticas do atual governo e ampliar aquilo que a candidatura considera resultados do primeiro mandato.

Na educação, aparecem metas como a implantação de 250 novas creches, capazes de gerar cerca de 60 mil vagas, além da expansão da educação profissional e de novas escolas técnicas. A primeira infância ganha espaço importante no programa.

Na saúde, a candidatura promete ampliar e requalificar hospitais regionais, desenvolver serviços materno-infantis, avançar na telemedicina e integrar informações por prontuário eletrônico.

Na segurança, o eixo é a continuidade do Juntos pela Segurança, acompanhado por recomposição de pessoal, integração das forças e uso de tecnologia. Durante a campanha, Raquel também confirmou a aquisição de câmeras corporais para policiais e prometeu ampliar os centros de referência para mulheres vítimas de violência.

O eleitor é convidado, portanto, a julgar não apenas promessas futuras, mas o desempenho de uma administração em andamento.


JOÃO CAMPOS: transformar o Recife em credencial para governar Pernambuco

O programa de João Campos busca construir uma ponte entre sua administração municipal e uma eventual gestão estadual, mas também apresenta políticas específicas para competências que não pertencem a uma prefeitura.

Na educação, propõe ampliar creches em parceria com os municípios, avançar na universalização do ensino médio em tempo integral e levar progressivamente o modelo aos anos finais do ensino fundamental. Também pretende modernizar laboratórios das Escolas Técnicas Estaduais, expandir programas de formação tecnológica para o interior e fortalecer a UPE.

Na segurança, uma de suas propostas de maior destaque é o Pacto Anti-Facção, voltado ao enfrentamento financeiro e operacional das organizações criminosas. Também prevê um Centro de Operações Metropolitano e maior monitoramento digital de rodovias e áreas de fronteira estadual.

Na infraestrutura aparecem grandes intervenções viárias, entre elas a proposta de triplicação de trecho da BR-101, além de investimentos em inovação, logística e transformação digital.

Sua estratégia política é semelhante, em lógica, à usada por JHC em Alagoas: transformar uma gestão de capital em principal credencial para assumir o governo estadual.


RENAN HALLAIS: gestão por resultados e propostas fora do modelo tradicional

O plano de Renan Hallais procura se diferenciar tanto da administração atual quanto das forças políticas historicamente dominantes em Pernambuco.

Na educação está uma das propostas mais incomuns da disputa: o Professor em Casa, que prevê visitas domiciliares de equipes ligadas às escolas a estudantes em situação de vulnerabilidade. Também aparecem Escola de Portas Abertas, modelo de ensino dual com experiência profissional remunerada, P-TECH e QualificaPE.

O programa propõe ainda o Pacto pela Educação 2.0, com metas anuais e publicação de indicadores por unidade escolar.

Em segurança, Hallais defende protocolos permanentes de integração de dados entre Polícia Militar, Polícia Civil e sistema penitenciário, mecanismos para detectar déficit de efetivo e um Plano Decenal de Segurança Pública, com metas que ultrapassem um único mandato.

O programa aposta fortemente em métricas, tecnologia, integração administrativa e formação profissional ligada diretamente ao mercado de trabalho.


IVAN MORAES: direitos humanos, renda e transporte como direitos sociais

Ivan Moraes apresenta um programa que desloca o debate para políticas redistributivas, participação popular e direitos humanos.

Entre as propostas de maior repercussão está uma renda básica estadual, associada a políticas de combate à pobreza.

Na mobilidade, defende Tarifa Zero no transporte público metropolitano e intermunicipal, acompanhada da criação de mecanismos estaduais de financiamento.

Na segurança, propõe o uso de câmeras corporais pelas forças policiais e revisão da expansão de sistemas de reconhecimento facial, argumentando pela necessidade de proteção de direitos e controle sobre tecnologias de vigilância.

Seu programa também enfatiza moradia, direitos das populações vulnerabilizadas, participação comunitária, valorização de servidores e expansão da educação pública.


PROFESSORA CAMILA: Estado forte, serviços públicos e reversão de privatizações

O programa da UP parte de uma visão de Estado significativamente diferente daquela apresentada pelas duas candidaturas que lideram as pesquisas.

Professora Camila defende ampliar investimentos diretos do poder público, fortalecer a UPE e evitar modelos que transfiram a gestão de serviços essenciais à iniciativa privada ou a organizações sociais.

Entre as propostas de maior impacto político estão a defesa da reestatização integral da Compesa, o encerramento de pedágios em rodovias estaduais concedidas e o fortalecimento do DER como executor direto de obras.

Na saúde, a candidatura se posiciona contra a expansão do modelo de organizações sociais.

O programa também propõe um orçamento participativo regional, no qual a população teria participação mais direta na definição de prioridades de investimento.


GUILHERME FONSECA: trabalho, salário e rejeição ao modelo de privatizações

O documento do PSTU é construído a partir da defesa de uma reorganização mais profunda da política econômica estadual.

Guilherme propõe a criação de um salário mínimo estadual, tendo como horizonte o chamado salário mínimo necessário calculado pelo Dieese.

Também defende um grande plano estadual de obras públicas, envolvendo saneamento, hospitais, escolas, creches, transporte e infraestrutura, simultaneamente como política social e estratégia de geração de empregos.

A gratuidade do transporte aparece entre as propostas, assim como críticas a privatizações e parcerias público-privadas.

É uma candidatura que procura colocar a relação entre capital, trabalho, renda e propriedade pública no centro da eleição.


PROFESSOR JEREMIAS: escolas militares, tecnologia e estruturas específicas de saúde

O plano de Professor Jeremias do Banco destaca tecnologia e modelos educacionais de maior disciplina institucional.

Entre as propostas para educação estão expansão de escolas militares e técnicas, revisão da progressão automática e criação de uma estrutura estadual dedicada à robótica e inteligência artificial.

Na saúde, o documento prevê, entre outras medidas, a construção de um hospital voltado ao público evangélico, um hospital dedicado à pessoa idosa e expansão de telemedicina.

Na economia, aparece a possibilidade de implantação de um banco estadual e medidas voltadas a empreendedorismo e modernização administrativa.

Há ainda um dado jornalístico relevante relacionado ao documento: levantamento da Folha de S.Paulo identificou que o plano apresentado pelo candidato Márcio Jambo, do mesmo Democrata em Alagoas, reproduziu o documento de Jeremias para Pernambuco, substituindo referências estaduais. O episódio refere-se à candidatura alagoana, não demonstra que Jeremias tenha copiado o plano de terceiro.


VICTOR ASSIS: o programa nacional do PCO aplicado à disputa estadual

Victor Assis apresenta uma candidatura fortemente vinculada ao programa nacional do Partido da Causa Operária.

Entre as propostas estão transporte público gratuito, ampliação de investimentos públicos em saúde e educação, utilização de imóveis ociosos para enfrentar o déficit habitacional e medidas contra despejos.

Na educação, o programa defende maior participação da comunidade e eleição direta para a direção das unidades escolares.

O discurso político da candidatura dá grande peso à mobilização popular e à organização independente de trabalhadores.

Por se tratar de um programa nacional do partido, várias diretrizes não possuem o mesmo grau de detalhamento territorial encontrado em documentos especificamente construídos para Pernambuco.


Educação: onde aparecem as diferenças mais concretas

A educação oferece um dos melhores exemplos de como propostas aparentemente semelhantes podem partir de concepções diferentes.

Raquel Lyra coloca creches, escolas técnicas e expansão da estrutura existente no centro do segundo mandato.

João Campos combina tempo integral, educação profissional e formação tecnológica.

Renan Hallais introduz instrumentos de gestão e acompanhamento pouco convencionais, como Professor em Casa, ensino dual e metas públicas por escola.

Ivan Moraes associa qualidade educacional a gestão democrática, valorização profissional, inclusão e direitos.

Professora Camila e Guilherme Fonseca concentram-se no fortalecimento direto da rede estatal e dos trabalhadores da educação.

Jeremias aposta em escolas militares, tecnologia, robótica e inteligência artificial.

Victor Assis privilegia maior controle comunitário das escolas e aumento do financiamento público.

A comparação mostra que “investir em educação”, expressão presente em praticamente todos os programas, significa coisas bastante diferentes quando se examinam os instrumentos propostos.


Segurança: tecnologia é consenso; o modo de usar divide os candidatos

Há convergência em torno de tecnologia, integração de informações e necessidade de melhorar a estrutura das forças policiais, mas as diferenças surgem rapidamente.

Raquel propõe avançar no modelo do Juntos pela Segurança, contratar e formar profissionais e incorporar tecnologias como câmeras corporais.

João Campos concentra parte importante de sua proposta no combate às organizações criminosas e às suas estruturas financeiras, por meio do Pacto Anti-Facção.

Renan Hallais defende um sistema institucional de metas, integração de inteligência e um plano decenal.

Ivan Moraes coloca controle da atividade policial e direitos civis no centro da política, defendendo câmeras corporais e limites ao reconhecimento facial.

Já os programas de Camila, Guilherme, Jeremias e Victor partem de enfoques mais amplos sobre estrutura estatal, política social e prevenção, com graus diferentes de detalhamento específico para segurança.

A conclusão é semelhante à apontada em análises dos documentos registrados: existe consenso quanto à necessidade de planejamento e integração, mas forte divergência sobre policiamento, controle externo, vigilância tecnológica e prevenção social da violência.


Duas candidaturas concentram milhões de votos anteriores; outras tentam romper a barreira da visibilidade

O histórico eleitoral revela uma assimetria talvez ainda maior do que a mostrada pelas pesquisas.

João Campos já recebeu 725.721 votos em uma eleição municipal, além dos 460 mil conquistados quando deputado federal.

Raquel Lyra alcançou mais de 3,1 milhões de votos no segundo turno de 2022 e governa um estado com 184 municípios.

Ivan Moraes acumulou quatro disputas anteriores, com duas vitórias para vereador.

Guilherme Fonseca tem uma história eleitoral que remonta a 1994, embora tenha permanecido muito tempo sem concorrer.

Jeremias já apareceu em quatro processos eleitorais anteriores, sem mandato.

Victor Assis chega à quinta disputa consecutiva, sempre pelo PCO e com votações pequenas.

Renan Hallais e Camila Falcão, por sua vez, enfrentam o desafio extremo de transformar uma primeira candidatura diretamente em uma eleição para governador.

É por isso que Pernambuco tem, simultaneamente, uma eleição com oito alternativas na urna e uma disputa eleitoral que, até este momento, aparece fortemente concentrada em dois nomes.


Raquel x João: experiências executivas diferentes

A principal disputa oferece ainda um contraste geracional e territorial.

Raquel Lyra nasceu politicamente no Legislativo, administrou Caruaru, passou por uma campanha estadual disputada em dois turnos e governa Pernambuco desde 2023. Sua credencial central é justamente a experiência estadual que João ainda não possui.

João Campos entrou diretamente na Câmara Federal e rapidamente migrou para o Executivo. Sua principal credencial é a administração do Recife e, sobretudo, a impressionante votação de 78,11% obtida na eleição municipal de 2024.

Em termos simples, Raquel pergunta ao eleitor se deseja continuar um governo estadual já em andamento.

João pergunta se o eleitor está disposto a transferir para todo Pernambuco a confiança que o Recife depositou em sua administração municipal.

Essa é a principal linha de tensão da eleição — mas não é a única escolha disponível.


Oito candidaturas, diferentes ideias de Estado

Quando se retiram nomes, slogans e alianças e se observam apenas os documentos, a eleição pernambucana de 2026 pode ser organizada em diferentes visões sobre o funcionamento do poder público.

Raquel Lyra representa essencialmente continuidade, expansão de infraestrutura e aperfeiçoamento dos programas do atual governo.

João Campos oferece uma agenda de renovação de gestão que combina políticas sociais, tecnologia, grandes obras e elementos trazidos da experiência municipal.

Renan Hallais apresenta uma candidatura voltada a metas, eficiência, integração administrativa e aproximação da educação com o mercado de trabalho.

Ivan Moraes prioriza direitos sociais, participação popular, redistribuição, transporte público e mecanismos de controle democrático.

Professora Camila defende uma presença estatal muito maior na economia e nos serviços, incluindo reversão de privatizações.

Guilherme Fonseca coloca a relação entre trabalho, salário e propriedade dos serviços públicos no centro do programa socialista do PSTU.

Professor Jeremias aposta em tecnologia, escolas militares, estruturas específicas de saúde e empreendedorismo.

Victor Assis representa o programa nacional de esquerda socialista do PCO, com defesa de gratuidade de serviços, mobilização popular e intervenção sobre propriedade ociosa.

São oito candidaturas — mas não oito versões da mesma proposta.


A decisão de outubro

Em 4 de outubro, o eleitor pernambucano terá diante de si uma das disputas estaduais mais contrastantes do país.

Raquel Lyra buscará demonstrar que quatro anos não foram suficientes para concluir o ciclo iniciado em 2023.

João Campos tentará provar que a popularidade construída na capital pode ultrapassar os limites metropolitanos e chegar à Zona da Mata, Agreste e Sertão.

Renan Hallais tentará transformar projeção política e digital em voto numa estreia eleitoral estadual.

Ivan Moraes buscará ampliar territorialmente uma trajetória construída na Câmara do Recife e nos movimentos de direitos humanos.

Camila, Guilherme, Jeremias e Victor disputarão não apenas votos, mas espaço no debate público para projetos que possuem estruturas eleitorais consideravelmente menores.

O resultado dirá quem governará Pernambuco. Mas a campanha também servirá para responder outra pergunta: qual concepção de desenvolvimento, segurança, educação, proteção social e presença do Estado o eleitor deseja para Pernambuco entre 2027 e 2030?


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