JHC tenta transformar a força eleitoral conquistada em Maceió em liderança estadual; Renan Filho busca voltar ao cargo que exerceu por dois mandatos; Lenilda Luna apresenta uma candidatura vinculada aos movimentos sociais e a uma maior presença do Estado na economia; e Márcio Jambo chega à disputa após uma trajetória de candidaturas proporcionais sem mandato eletivo.
Reportagem atualizada em 5 de setembro de 2026
Alagoas chega à reta decisiva das eleições estaduais com quatro chapas registradas para o Governo do Estado: JHC (PSDB), com Célia Rocha; Renan Filho (MDB), com Yale Barbosa; Lenilda Luna (UP), com Jardel Queiroz; e Márcio Jambo (Democrata), com Jaudinete Pontes. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo ocorrerá em 25 de outubro.
A disputa reúne dois políticos que já passaram por cargos executivos de grande projeção e dois candidatos que nunca exerceram mandato eletivo. Também coloca frente a frente diferentes concepções sobre desenvolvimento econômico, segurança, educação, saúde e, principalmente, sobre qual deve ser o tamanho e o papel do Estado.
O retrato da disputa
| Candidato | Nascimento | Naturalidade | Idade no 1º turno | Partido | Vice | Patrimônio declarado em 2026 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| JHC | 22/07/1987 | Maceió/AL | 39 | PSDB – 45 | Célia Rocha | R$ 2.244.732,19 |
| Renan Filho | 08/10/1979 | Murici/AL | 46 | MDB – 15 | Yale Barbosa | R$ 1.785.449,87 |
| Lenilda Luna | 04/10/1966 | Maceió/AL* | 60 | UP – 80 | Jardel Queiroz | R$ 115.000,00 |
| Márcio Jambo | 24/06/1969 | Maceió/AL | 57 | Democrata – 35 | Jaudinete Pontes | R$ 0,00 |
Os dados pessoais, chapas e valores patrimoniais são os informados pelas próprias candidaturas à Justiça Eleitoral. JHC tem o maior patrimônio declarado entre os quatro, seguido por Renan Filho, Lenilda Luna e Márcio Jambo.
*Há uma divergência documental interessante no caso de Lenilda Luna. O cadastro eleitoral de 2026 informa Maceió como naturalidade. Perfis profissionais anteriores, inclusive um histórico biográfico publicado pelo Portal dos Jornalistas e reportagem eleitoral de 2026, indicam Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, como local de nascimento. Nesta reportagem, o quadro principal segue o dado mais recente declarado ao TSE, mas registra a inconsistência para fins de transparência.
JHC: da Assembleia Legislativa à tentativa de comandar o Estado
João Henrique Holanda Caldas, o JHC, nasceu em Maceió em 22 de julho de 1987. Advogado, é filho do ex-deputado federal João Caldas e da atual senadora Eudócia Caldas, o que insere sua trajetória em uma família com presença antiga na política alagoana. A própria Câmara dos Deputados registra sua filiação familiar e os dois mandatos que exerceu como deputado federal.
A primeira candidatura ocorreu em 2010, quando disputou vaga na Assembleia Legislativa pelo PTN e obteve 17.977 votos. No resultado eleitoral apareceu como suplente, mas posteriormente assumiu o mandato; a Câmara registra sua passagem pela Assembleia entre 2011 e 2014. Em 2014, deu o salto para Brasília: com 135.929 votos, foi eleito deputado federal pelo Solidariedade.
Em 2016, tentou pela primeira vez a Prefeitura de Maceió. Recebeu 91.650 votos, mas não chegou ao segundo turno. Voltou à Câmara em 2018 pelo PSB, desta vez com 178.645 votos. Em 2020, concorreu novamente à prefeitura: recebeu 109.053 votos no primeiro turno e venceu o segundo com 222.147 votos. Quatro anos mais tarde, alcançou o maior resultado de sua carreira: 379.544 votos, ou 83,25% dos válidos, garantindo a reeleição em primeiro turno.
A segunda passagem pela prefeitura, entretanto, foi interrompida. Em 4 de abril de 2026, JHC renunciou ao cargo para ficar disponível para a eleição estadual; Rodrigo Cunha assumiu a Prefeitura de Maceió. Dias antes, em 31 de março, JHC havia deixado o PL e ingressado no PSDB, tornando-se também uma das principais lideranças nacionais e estaduais da nova legenda.
Linha do tempo eleitoral de JHC
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2010 | Deputado estadual | PTN | 17.977 | Suplente; posteriormente exerceu mandato |
| 2014 | Deputado federal | SD | 135.929 | Eleito |
| 2016 | Prefeito de Maceió | PSB | 91.650 | Não eleito |
| 2018 | Deputado federal | PSB | 178.645 | Eleito |
| 2020 – 1º turno | Prefeito de Maceió | PSB | 109.053 | Foi ao 2º turno |
| 2020 – 2º turno | Prefeito de Maceió | PSB | 222.147 | Eleito |
| 2024 | Prefeito de Maceió | PL | 379.544 | Eleito em 1º turno |
| 2026 | Governador de Alagoas | PSDB | — | Em disputa |
O histórico de votações consta das bases eleitorais derivadas dos dados oficiais do TSE.
O caminho partidário
Nos registros de candidaturas, JHC percorreu cinco legendas: PTN → Solidariedade → PSB → PL → PSDB. A mudança mais recente ocorreu em março de 2026, quando deixou o PL, partido pelo qual havia sido reeleito prefeito em 2024, e ingressou no PSDB.
Esse movimento partidário contrasta com o de seu principal adversário, Renan Filho, que construiu praticamente toda a carreira dentro de uma única organização política.
Patrimônio
JHC declarou R$ 2,244 milhões em 2026. O principal item é 50% de um apartamento em Maceió, informado por R$ 1,55 milhão. A declaração inclui ainda aproximadamente R$ 524 mil entre poupança e renda fixa, um caminhão trio-elétrico avaliado em R$ 70 mil, participação societária de R$ 45 mil e outros valores financeiros. Os valores são os informados pelo candidato e não correspondem necessariamente à avaliação atual de mercado dos bens.
Renan Filho: seis eleições anteriores e seis vitórias
Se existe um candidato em 2026 cuja trajetória se confunde com os principais níveis da administração pública, é José Renan Vasconcelos Calheiros Filho. Nascido em Murici, em 8 de outubro de 1979, é economista formado pela Universidade de Brasília e filho do senador Renan Calheiros. Antes de completar 47 anos, já passou por prefeitura, Câmara Federal, governo estadual, Senado e Ministério dos Transportes.
Sua estreia eleitoral aconteceu em 2004. Aos 25 anos, elegeu-se prefeito de Murici com 6.256 votos. Em 2008, foi reeleito com 9.121 votos. Saiu da prefeitura em 2010 para concorrer a deputado federal e recebeu 140.180 votos, tornando-se o mais votado de Alagoas naquele pleito.
Quatro anos depois, entrou na disputa estadual. Em 2014, Renan Filho recebeu 670.310 votos, 52,16% dos válidos, e tornou-se governador ainda no primeiro turno. Em 2018, a votação aumentou para 1.001.053 votos, 77,30% dos válidos, garantindo novo mandato sem necessidade de segundo turno.
Renan deixou o governo em 2022 para concorrer ao Senado. Recebeu 845.988 votos, equivalentes a 56,92% dos válidos, e foi eleito. No início do governo Lula assumiu o Ministério dos Transportes, licenciando-se do Senado. Em 1º de abril de 2026, deixou o ministério para cumprir a desincompatibilização eleitoral e retornou ao mandato de senador antes de confirmar a tentativa de voltar ao Governo de Alagoas.
Um dado distingue Renan Filho dos demais: nas seis eleições que disputou antes de 2026, venceu as seis.
Linha do tempo eleitoral de Renan Filho
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2004 | Prefeito de Murici | PMDB | 6.256 | Eleito |
| 2008 | Prefeito de Murici | PMDB | 9.121 | Eleito |
| 2010 | Deputado federal | PMDB | 140.180 | Eleito |
| 2014 | Governador | PMDB | 670.310 – 52,16% | Eleito em 1º turno |
| 2018 | Governador | MDB | 1.001.053 – 77,30% | Eleito em 1º turno |
| 2022 | Senador | MDB | 845.988 – 56,92% | Eleito |
| 2026 | Governador | MDB | — | Em disputa |
O caminho partidário
Renan Filho apresenta uma estabilidade partidária incomum. Filiou-se ao PMDB no início de sua trajetória e todas as suas eleições ocorreram nessa mesma organização. A aparente mudança para MDB não representa troca de partido: em 2018, o TSE aprovou a alteração do nome Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) para Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Patrimônio
Renan declarou R$ 1.785.449,87. Entre os oito bens aparecem dois veículos — um Denza B5 de R$ 449 mil e uma Pajero Sport de R$ 410 mil —, apartamento em Maceió de R$ 269,3 mil, cerca de R$ 267,3 mil em aplicação financeira e participações na Rádio Correio, Sistema Costa Dourada de Radiodifusão e Agropecuária Alagoas.
Lenilda Luna: comunicação, educação, sindicalismo e movimentos sociais
Lenilda Luna de Almeida chega à eleição estadual com um percurso que se desenvolveu muito mais no serviço público, no jornalismo e nos movimentos sociais do que na estrutura tradicional de cargos eletivos.
Nascida em 4 de outubro de 1966, completará 60 anos exatamente no dia do primeiro turno. Jornalista formada pela Ufal e pedagoga pela Universidade Estadual de Santa Cruz, na Bahia, também é radialista e especialista em Novas Tecnologias na Educação. Foi coordenadora pedagógica da rede municipal, repórter de televisão, diretora da Rádio Educativa FM e tornou-se, em 2004, a primeira jornalista aprovada por concurso para esse cargo na Universidade Federal de Alagoas.
Sua atuação social antecede a carreira eleitoral. Há registros de participação em educação popular, atividades sindicais e movimentos sociais desde os anos 1980. No campo eleitoral, porém, sua primeira candidatura ocorreu apenas em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Maceió pela Unidade Popular.
Naquela eleição recebeu 4.875 votos. Em 2022, tentou uma cadeira na Câmara dos Deputados e obteve 2.298 votos. Em 2024 voltou a concorrer à Prefeitura de Maceió, alcançando 9.354 votos. Em nenhum dos três pleitos foi eleita. Em 2026 disputa o Governo de Alagoas pela primeira vez.
Linha do tempo eleitoral de Lenilda Luna
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2020 | Prefeita de Maceió | UP | 4.875 | Não eleita |
| 2022 | Deputada federal | UP | 2.298 | Não eleita |
| 2024 | Prefeita de Maceió | UP | 9.354 | Não eleita |
| 2026 | Governadora | UP | — | Em disputa |
(MeuVoto)
O caminho partidário
Nas quatro candidaturas registradas até agora, Lenilda apresenta uma trajetória partidária linear: UP em 2020, UP em 2022, UP em 2024 e UP em 2026. Não há mudança de legenda em seu histórico eleitoral.
Patrimônio
Lenilda declarou R$ 115 mil em bens: um apartamento financiado pelo Fundo de Arrendamento Residencial, avaliado em R$ 60 mil, e um Hyundai HB20 2018/2019 declarado por R$ 55 mil.
Márcio Jambo: uma trajetória eleitoral de mais de duas décadas, ainda sem mandato
Márcio Ferreira Jambo Sobrinho nasceu em Maceió em 24 de junho de 1969. Tem 57 anos, declarou ensino superior incompleto e informou ao TSE como profissão a atividade de corretor de imóveis, seguros, títulos e valores. Concorre pelo Democrata, número 35, ao lado de Jaudinete Pontes.
A presença de Jambo em eleições não é recente. Em 2004, concorreu a vereador de Maceió pelo PCdoB e recebeu 213 votos, ficando como suplente. Dois anos depois tentou vaga na Assembleia Legislativa pelo PV e obteve 149 votos, novamente como suplente.
Em 2020 voltou às urnas, desta vez pelo PSDB, concorrendo a vereador em Maceió. Recebeu 68 votos e ficou na suplência. Em 2022 registrou candidatura a deputado federal pelo PMB, mas o processo terminou em renúncia, portanto não houve votação válida naquela disputa.
A eleição de 2026 é sua primeira tentativa de ocupar um cargo majoritário.
Linha do tempo eleitoral de Márcio Jambo
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2004 | Vereador de Maceió | PCdoB | 213 | Suplente |
| 2006 | Deputado estadual | PV | 149 | Suplente |
| 2020 | Vereador de Maceió | PSDB | 68 | Suplente |
| 2022 | Deputado federal | PMB | — | Renúncia |
| 2026 | Governador | Democrata | — | Em disputa |
O caminho partidário
A trajetória eleitoral passa por PCdoB → PV → PSDB → PMB → Democrata. Neste último caso há uma particularidade: PMB e Democrata representam a mesma organização partidária em momentos diferentes. O TSE autorizou a alteração do nome Partido da Mulher Brasileira para Democrata, mudança posteriormente incorporada ao estatuto da legenda.
Patrimônio
Márcio Jambo informou não possuir bens a declarar em 2026, totalizando R$ 0 na declaração patrimonial entregue à Justiça Eleitoral. Isso não significa necessariamente ausência absoluta de patrimônio em sentido econômico ou contábil; significa que, para fins do registro eleitoral de 2026, nenhum bem foi declarado.
Os partidos ao longo da carreira
Considerando as legendas utilizadas em candidaturas registradas pela Justiça Eleitoral, a comparação revela trajetórias bastante distintas:
| Candidato | Histórico partidário eleitoral |
|---|---|
| JHC | PTN → Solidariedade → PSB → PL → PSDB |
| Renan Filho | PMDB → MDB (mesma organização após mudança de nome) |
| Lenilda Luna | UP em todas as candidaturas |
| Márcio Jambo | PCdoB → PV → PSDB → PMB → Democrata (PMB mudou de nome) |
O quadro é particularmente revelador: enquanto Renan Filho e Lenilda Luna exibem grande continuidade partidária, JHC e Márcio Jambo apresentam trajetórias com maior número de mudanças de legenda.
Patrimônio: como evoluíram as declarações eleitorais
Os valores abaixo são nominais, ou seja, correspondem ao que foi declarado em cada eleição naquele momento e não estão corrigidos pela inflação. Também não constituem auditoria patrimonial nem estimativa de valor de mercado.
| Candidato | Evolução do patrimônio declarado |
|---|---|
| JHC | 2010: R$ 1,519 mi → 2014: R$ 3,130 mi → 2016: R$ 2,006 mi → 2018: R$ 2,399 mi → 2020: R$ 1,973 mi → 2024: R$ 1,858 mi → 2026: R$ 2,245 mi |
| Renan Filho | 2004: R$ 0 → 2008: R$ 346,7 mil → 2010: R$ 633,2 mil → 2014: R$ 784,4 mil → 2018: R$ 1,199 mi → 2022: R$ 1,369 mi → 2026: R$ 1,785 mi |
| Lenilda Luna | 2020: R$ 90,2 mil → 2022: R$ 87,6 mil → 2024: R$ 84,6 mil → 2026: R$ 115 mil |
| Márcio Jambo | 2004: R$ 0 → 2006: R$ 12 mil → 2020: R$ 28,3 mil → 2022: R$ 15 mil → 2026: R$ 0 |
A comparação exige cautela. Variações podem decorrer de compras, vendas, financiamento, mudanças na forma de declarar bens, aplicações financeiras e diferentes avaliações informadas pelo próprio candidato. Portanto, crescimento ou redução nominal da declaração não equivale, por si só, a enriquecimento ou perda patrimonial efetiva.
O que prometem os quatro candidatos
Os programas registrados na Justiça Eleitoral apresentam convergências importantes. Os quatro falam em interiorização de serviços, emprego, qualificação profissional, tecnologia, agricultura e ampliação do acesso à saúde. A diferença aparece sobretudo nos instrumentos escolhidos para alcançar esses objetivos. Uma análise dos documentos ressalta que JHC e Márcio Jambo enfatizam gestão, tecnologia e incentivos; Renan Filho combina expansão da estrutura pública com programas de desenvolvimento; e Lenilda Luna propõe maior intervenção direta do Estado.
Quadro comparativo das principais propostas
| Área | JHC – PSDB | Renan Filho – MDB | Lenilda Luna – UP | Márcio Jambo – Democrata |
|---|---|---|---|---|
| Saúde | Regionalizar consultas, exames e cirurgias; Telessaúde; fila única estadual; ampliar médicos no interior e atendimento oncológico | Ampliar rede hospitalar; oncologia, ortopedia, trauma, hemodiálise e saúde da mulher; frota própria para regulação e transferências | Manter hospitais e UPAs públicos; concursos; reabrir Lifal; ampliar CAPS; fila de leitos em tempo real; fim das OSs na gestão | Hospital voltado aos evangélicos; hospital da pessoa idosa; telemedicina; prontuário eletrônico e atenção básica |
| Educação | Alfabetização na idade adequada; tempo integral; ensino técnico; novas escolas técnicas; laboratórios, robótica e idiomas; concursos | Programa Educação IA; laboratórios tecnológicos; cursos técnicos; combate ao analfabetismo adulto; permanência de mães estudantes | Concursos; valorização salarial; bolsa para EJA; educação especial; expansão Uneal/Uncisal; transporte e permanência universitária | Ampliar escolas militares e técnicas; revisar progressão automática; bônus por desempenho; Instituto de Robótica e IA |
| Segurança | Força Alagoas integrando Estado e municípios; Olho Vivo; recomposição de efetivos; perícia e Polícia Científica; mais Delegacias da Mulher | Integração com Samu, Detran, Defesa Civil e guardas; delegacias 24h; valorização profissional; cobertura aérea | Câmeras corporais obrigatórias; investigação independente de mortes em ações policiais; desmilitarização; Patrulha Maria da Penha | Contratar policiais e bombeiros; drones; monitoramento eletrônico; IA; reforço da Polícia Científica |
| Economia e emprego | Metas de emprego nos 102 municípios; simplificação empresarial; crédito; polos industriais no interior; cooperativas e agroindustrialização | Qualificação; inovação; transformar Jaraguá em polo de inovação; agricultura familiar, pesca, leite e setor sucroenergético | Banco público estadual; financiamento de cooperativas e agricultura familiar; frentes de trabalho; indústrias estatais | Estudar banco estadual; agronegócio e agricultura familiar; empreendedorismo, inovação e desburocratização |
| Visão predominante | Replicar e ampliar políticas de gestão municipal, combinando tecnologia, investimentos e descentralização | Recuperar e ampliar políticas associadas aos governos anteriores, acrescentando inovação e digitalização | Expandir diretamente a presença do poder público na economia e nos serviços essenciais | Modernização administrativa, tecnologia, empreendedorismo e expansão de estruturas específicas |
A síntese considera os programas registrados no TSE e não representa julgamento sobre custo, fonte de financiamento, viabilidade jurídica ou capacidade de execução.
JHC: levar o modelo de Maceió para o Estado
O programa de JHC possui 53 páginas e procura associar sua candidatura aos programas desenvolvidos durante a passagem pela Prefeitura de Maceió. Na saúde, propõe regionalizar a atenção especializada, criar uma fila única para consultas e exames, ampliar a Telessaúde, levar medicamentos a pessoas com dificuldade de locomoção, ampliar a cobertura médica no interior e fortalecer redes materno-infantil e oncológica.
Na economia, a proposta tenta reduzir a concentração das oportunidades na região metropolitana. O plano prevê polos industriais especialmente no Agreste e Sertão, apoio ao microempreendedorismo, qualificação segundo as vocações econômicas de cada região e até uma conexão ferroviária de Alagoas com a Transnordestina, buscando criar um corredor de cargas para as áreas produtoras.
A marca política do documento é clara: apresentar a experiência de Maceió como uma espécie de laboratório para um governo estadual.
Renan Filho: continuidade, expansão e um novo ciclo tecnológico
O programa de Renan Filho é muito mais enxuto: tem apenas três páginas, mas reúne 53 propostas organizadas em cinco “missões”. O maior bloco é o econômico, com 22 medidas. A candidatura combina programas sociais, ampliação de equipamentos públicos e uma agenda de inovação e digitalização.
Entre as propostas estão ampliação da rede hospitalar, delegacias especializadas 24 horas, inteligência artificial na educação, laboratórios de cursos técnicos, combate ao analfabetismo adulto, incentivo à agricultura familiar e à cadeia do leite, transformação do Jaraguá em bairro de inovação e modernização do setor sucroenergético. O programa também prevê duplicação de rodovias, recuperação de pontes, energia solar em prédios públicos e articulação para 5 mil novas moradias pelo Minha Casa, Minha Vida.
A candidatura procura, assim, combinar a lembrança das duas gestões anteriores de Renan Filho com a ideia de um novo ciclo baseado em tecnologia, infraestrutura e expansão territorial dos serviços.
Lenilda Luna: um Estado mais presente e uma ruptura de modelo
Entre os quatro programas, o de Lenilda Luna é aquele que apresenta a maior diferença conceitual sobre o papel do Estado. A candidata propõe reduzir terceirizações, ampliar concursos públicos, manter ou devolver ao controle público serviços considerados estratégicos e criar instrumentos públicos de financiamento.
Seu programa defende, entre outras medidas, a reversão da privatização da estrutura de saneamento vinculada à Casal, o fim do modelo de Organizações Sociais na saúde, um banco público estadual, passe livre, concursos para reduzir contratos temporários, fortalecimento das empresas públicas de comunicação e reforma agrária em terras de usinas consideradas falidas. Educação é um dos eixos mais extensos do documento.
A segurança pública também evidencia diferenças: Lenilda defende câmeras corporais obrigatórias, mecanismos independentes para apuração de mortes em operações policiais, fortalecimento da inteligência civil e desmilitarização da polícia.
Márcio Jambo: tecnologia, escolas militares e empreendedorismo
Márcio Jambo apresenta um programa dividido em dez eixos. Tecnologia aparece como elemento transversal: prontuário eletrônico e telemedicina na saúde; drones, inteligência artificial e videomonitoramento na segurança; e robótica na educação.
Na educação, propõe ampliar escolas militares e técnicas, rever a progressão automática, criar bonificação por desempenho docente, introduzir empreendedorismo na educação básica e implantar um Instituto Estadual de Robótica e Inteligência Artificial. Na economia, fala em desburocratização, empreendedorismo, apoio tanto à agricultura familiar quanto ao agronegócio e estudo para eventual criação de um banco estadual.
Há, contudo, um episódio relevante para a avaliação jornalística do documento. Levantamento da Folha de S.Paulo apontou que o plano registrado por Jambo apresenta extensos trechos idênticos ao programa de Jeremias Cosmo, candidato ao governo de Pernambuco, com adaptações dos nomes dos estados. A reportagem chamou atenção inclusive para referências pouco ajustadas à realidade alagoana. Jambo argumentou que as semelhanças decorrem de pautas comuns entre as candidaturas e das limitações de recursos para elaboração dos programas.
O que as urnas anteriores dizem sobre os quatro
A diferença de dimensão eleitoral entre as candidaturas é expressiva.
Renan Filho entra na eleição tendo vencido todas as seis disputas anteriores e já alcançou a marca de mais de 1 milhão de votos em uma eleição estadual. Além disso, governou os 102 municípios por sete anos e possui mandato de senador.
JHC, por sua vez, chega com o maior resultado proporcional recente entre os candidatos: os 83,25% obtidos na reeleição de Maceió em 2024. Seu desafio é territorial — transformar um domínio eleitoral demonstrado na capital em maioria no conjunto do estado.
Lenilda Luna parte de uma escala eleitoral muito menor, mas apresentou crescimento entre as duas disputas municipais: passou de 4.875 votos em 2020 para 9.354 em 2024. Sua candidatura, porém, tem natureza mais programática e ideológica do que baseada em uma estrutura construída por mandatos.
Márcio Jambo enfrenta distância ainda maior entre sua experiência eleitoral anterior e a dimensão de uma eleição estadual: suas candidaturas que chegaram às urnas registraram 213, 149 e 68 votos, respectivamente.
Quatro biografias e três modelos principais de disputa
A eleição de 2026 pode ser lida, portanto, para além da simples comparação entre quatro nomes.
JHC representa a tentativa de estadualização de um grupo político que se fortaleceu a partir da Prefeitura de Maceió. Sua candidatura se apoia no resultado eleitoral obtido na capital, em uma grande coligação partidária e na promessa de ampliar para o interior programas associados à administração municipal.
Renan Filho representa o retorno de um grupo que já controla importantes espaços da política estadual e nacional. Ele possui a trajetória institucional mais extensa dos quatro concorrentes e coloca diante do eleitor a comparação direta entre o que realizou quando governador e o que promete fazer em um eventual terceiro período à frente do Executivo.
Lenilda Luna procura transformar a eleição em um debate sobre o próprio modelo de Estado. Não dispõe de uma estrutura eleitoral comparável às duas grandes coligações, mas apresenta o programa mais claramente orientado para estatização, concursos, ampliação dos serviços públicos e intervenção econômica.
Márcio Jambo busca ocupar um espaço baseado em conservadorismo em algumas pautas educacionais, empreendedorismo, tecnologia e modernização administrativa, mas chega à corrida estadual sem experiência de mandato e com pequena votação acumulada nas disputas anteriores.
Isso ajuda a explicar por que, embora existam quatro candidatos, a competição política possui níveis muito diferentes de estrutura, histórico eleitoral, exposição pública e experiência administrativa.
A escolha de outubro
Em 4 de outubro, o eleitor alagoano não estará escolhendo apenas entre quatro biografias.
De um lado está Renan Filho, que pede ao eleitor a oportunidade de retornar a um governo que já comandou por dois mandatos. De outro, JHC tenta convencer o estado de que a experiência construída na Prefeitura de Maceió pode ser reproduzida em escala estadual.
Lenilda Luna apresenta a opção de ruptura mais acentuada em relação ao modelo econômico e administrativo predominante nas últimas décadas. Márcio Jambo, por sua vez, procura transformar uma trajetória até agora periférica nas urnas em sua primeira experiência de mandato.
As quatro candidaturas também expõem diferenças que vão além de direita e esquerda: continuidade ou alternância; experiência estadual ou experiência municipal; maior ou menor presença do Estado; investimento direto ou incentivo ao setor privado; e diferentes concepções de segurança pública e educação.
É nesse conjunto de biografias, resultados anteriores e projetos que Alagoas escolherá quem assumirá o Governo do Estado em 6 de janeiro de 2027, data estabelecida pela Justiça Eleitoral para a posse dos governadores eleitos em 2026.