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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 NO ACRE – Seis candidatos, trajetórias distintas e projetos em disputa: quem são, de onde vêm e o que propõem os postulantes ao Palácio Rio Branco

De um senador invicto nas urnas à governadora que tenta permanecer no cargo; de um veterano com mais de quatro décadas de política a candidatos que estreiam numa eleição majoritária, a disputa pelo Governo do Acre reúne seis nomes e modelos bastante diferentes para o futuro do estado.

Atualizado em 7 de setembro de 2026

A corrida pelo comando do Acre entrou oficialmente em sua fase decisiva com seis candidaturas ao governo deferidas pela Justiça Eleitoral. Estão na disputa Alan Rick (Republicanos), Mailza Assis (PP), Tião Bocalom (PSDB), Thor Dantas (PSB), Eudo Raffael (PCB) e Dr. Luisinho (Agir). As chapas têm, respectivamente, Ricardo Leite, Jéssica Sales, Sargento Adonis, Socorro Rodrigues, Poeta Cesinha e Daniela Paiva como candidatos a vice-governador.

É uma eleição que confronta experiências políticas muito distintas. Alan Rick chega ao pleito depois de dois mandatos de deputado federal e de uma vitória expressiva para o Senado. Mailza Assis ocupa o próprio Palácio Rio Branco desde abril, quando assumiu definitivamente o governo. Bocalom traz a experiência de quatro passagens por prefeituras — três em Acrelândia e uma trajetória recente de dois mandatos consecutivos em Rio Branco. Thor Dantas vem da medicina, da universidade e da gestão da saúde. Eudo Raffael representa o sindicalismo e a esquerda socialista, enquanto Dr. Luisinho aposta numa plataforma centrada em industrialização e grandes projetos estruturantes.

Em uma das pesquisas de abrangência estadual mais recentes, divulgada pela Quaest em 27 de agosto, Alan Rick aparecia com 33% das intenções de voto, Mailza com 24% e Bocalom com 15%. Thor registrava 2%, Dr. Luisinho 1% e Eudo não pontuava. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 23 e 26 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais. Como toda pesquisa eleitoral, o resultado é um retrato daquele momento da campanha, não uma previsão do resultado da eleição.


O RAIO-X DA DISPUTA

CandidatoPartido/númeroNascimentoNaturalidadePrincipal experiênciaVicePatrimônio declarado em 2026
Alan RickRepublicanos – 1023/10/1976Rio Branco (AC)Senador; ex-deputado federalRicardo LeiteR$ 5.244.567,72
Mailza AssisPP – 1110/12/1976Mundo Novo (MS)Governadora; ex-senadora e ex-vice-governadoraJéssica SalesR$ 167.482,91
Tião BocalomPSDB – 4518/05/1953Bela Vista do Paraíso (PR)Ex-prefeito de Rio Branco e AcrelândiaSargento AdonisR$ 1.216.500,00
Thor DantasPSB – 4029/10/1973Rio Branco (AC)Médico, professor e gestor da saúdeSocorro RodriguesR$ 761.462,79
Eudo RaffaelPCB – 2127/08/1985Rio Branco (AC)Bancário e dirigente sindicalPoeta CesinhaR$ 165.000,00
Dr. LuisinhoAgir – 3616/01/1975Cruzeiro do Sul (AC)Empresário, jornalista e gestor financeiroDaniela PaivaR$ 0,00

Os valores são os bens declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e não equivalem necessariamente ao patrimônio de mercado atual ou ao patrimônio líquido. O TSE registra os valores informados nas declarações, sem reavaliar individualmente imóveis, veículos ou outros ativos.


ALAN RICK — REPUBLICANOS, 10

Do jornalismo ao Senado, uma trajetória eleitoral até agora invicta

Alan Rick Miranda nasceu em Rio Branco em 23 de outubro de 1976. Jornalista, apresentador de televisão e administrador de empresas, chegou à política eleitoral depois de construir carreira na comunicação. Aos 49 anos, concorre pela primeira vez ao Governo do Acre.

Sua ascensão foi rápida. Eleito deputado federal pela primeira vez em 2014, renovou o mandato em 2018 e, quatro anos depois, deixou a Câmara para conquistar uma das três cadeiras do Acre no Senado. Em 2022, recebeu 154.312 votos, equivalentes a 37,46% dos votos válidos, vencendo a disputa pela única vaga de senador em jogo naquele ano.

Alan apresenta ainda uma peculiaridade entre os principais concorrentes: venceu todas as eleições que disputou antes de 2026.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2014Deputado federalPRB17.903Eleito
2018Deputado federalDEM22.263Eleito
2022SenadorUnião Brasil154.312 – 37,46%Eleito
2026GovernadorRepublicanosEm disputa

Em 2014 foi o oitavo colocado entre os candidatos à Câmara; em 2018 subiu para a terceira posição. Em 2022 liderou a eleição para senador.

Histórico partidário

A trajetória documentada de Alan Rick passou pelo PSB, de 2007 a 2013; PRB, de 2013 a 2017; DEM, de 2017 a 2022; União Brasil, entre 2022 e 2025; e Republicanos, ao qual retornou em novembro de 2025. O PRB, vale lembrar, posteriormente adotou o nome Republicanos.

Em 2026, encabeça a coligação Trabalho da Esperança, formada no registro eleitoral por Republicanos, Novo, PSD e Avante, com Ricardo Leite como vice.

Patrimônio

Alan é o candidato com o maior patrimônio declarado: R$ 5.244.567,72, distribuídos por 25 itens. Entre os principais aparecem um imóvel residencial declarado por R$ 1,319 milhão, aplicações financeiras, fundos, títulos, investimentos ligados ao setor de infraestrutura e agronegócio, além de veículo e dinheiro em espécie.

O projeto de governo

O programa de Alan Rick combina atração de investimentos, fortalecimento do setor produtivo e bioeconomia. Propõe agregar valor à produção acreana, apoiar pequenos empreendedores, cooperativas e agronegócio e explorar economicamente os ativos florestais dentro de uma lógica de sustentabilidade.

Na saúde, defende a regionalização dos serviços de média e alta complexidade. Em infraestrutura, prioriza saneamento, integração rodoviária e logística. Para segurança, coloca a fronteira com Peru e Bolívia no centro da política de inteligência. Na educação, enfatiza ensino técnico e profissionalizante; na administração, promete digitalização e maior articulação entre governo estadual e municípios.


MAILZA ASSIS — PROGRESSISTAS, 11

Da política municipal ao Senado e ao comando do Governo do Acre

Mailza Assis Cameli nasceu em Mundo Novo, Mato Grosso do Sul, em 10 de dezembro de 1976. Pedagoga, com formação complementar em políticas públicas, construiu sua trajetória política no Acre, especialmente a partir de Senador Guiomard. Aos 49 anos, chega à eleição ocupando o cargo de governadora.

Sua entrada na administração pública ocorreu em 2009, como secretária municipal de Administração de Senador Guiomard. Posteriormente comandou áreas de assistência social e cidadania.

A virada para a política estadual ocorreu em 2014. Mailza integrou como primeira suplente a chapa de Gladson Cameli ao Senado. Com Cameli eleito governador em 2018, ela assumiu definitivamente a cadeira de senadora em janeiro de 2019 e permaneceu no Congresso até 2023.

Em 2022, tornou-se candidata a vice-governadora novamente ao lado de Gladson. A chapa venceu no primeiro turno. Mailza assumiu a vice-governadoria em janeiro de 2023 e, em 2 de abril de 2026, tornou-se governadora após a renúncia de Cameli para concorrer ao Senado. É a segunda mulher a governar o Acre.

Linha do tempo

AnoCargo/posiçãoPartidoVotação da chapaResultado
2009Secretária municipal de Administração de Senador GuiomardNomeada
20141ª suplente de senador na chapa de Gladson CameliPSDB218.756 – 58,36%Eleita na chapa
2019–2023Senadora pelo AcrePPAssumiu como titular
2022Vice-governadora na chapa de Gladson CameliPP242.100 – 56,75%Eleita
2023–2026Vice-governadoraPPMandato
2026GovernadoraPPAssumiu em 2 de abril
2026Candidata a governadoraPPEm disputa

Nos casos de 2014 e 2022, os números correspondem à votação da chapa majoritária, e não a votos nominais individualmente atribuídos à suplente ou à candidata a vice.

Histórico partidário

Mailza iniciou sua trajetória partidária no PSDB e, em 2016, migrou para o Progressistas, legenda pela qual exerceu o Senado, foi eleita vice-governadora e agora disputa o governo. Registros biográficos apontam filiação tucana a partir de 2007 e passagem ao PP em 2016.

Em 2026 lidera a coligação Avança Acre, que reúne PDT, MDB, PL, Democrata e a Federação União Progressista, composta por União Brasil e PP. A candidata a vice é a ex-deputada federal Jéssica Sales, do MDB.

Patrimônio

Mailza declarou R$ 167.482,91, praticamente todo o valor concentrado em aplicações e recursos bancários. A maior aplicação individual informada soma R$ 121.227,64.

O projeto de governo

Com dez eixos, o programa de Mailza é o mais diretamente associado à continuidade administrativa do grupo que governa o Acre desde 2019, embora apresente novas marcas.

Na educação, propõe o Pacto Acre pela Educação, alfabetização na idade certa, expansão da educação integral, psicólogos e assistentes sociais nas escolas e fortalecimento das estruturas estaduais de ciência e tecnologia.

Na saúde, promete uma linha estadual de atenção à mulher, pronto-socorro infantil, ampliação do Opera Acre, UTIs, hemodiálise e oncologia no interior. O plano também inclui políticas específicas de proteção às mulheres, inteligência de fronteira, fortalecimento da agricultura familiar, ZPE, startups, microcrédito, infraestrutura para integração com os países andinos e portos do Pacífico, habitação, saneamento, créditos de carbono e digitalização da gestão.


TIÃO BOCALOM — PSDB, 45

O veterano da disputa: de vereador no Paraná a quatro décadas de eleições no Acre

Sebastião Bocalom Rodrigues nasceu em Bela Vista do Paraíso, Paraná, em 18 de maio de 1953. Professor de matemática e ciências e agricultor — ocupação declarada à Justiça Eleitoral em 2026 —, é, aos 73 anos, o candidato com a mais longa experiência eleitoral entre os seis concorrentes.

Sua carreira começou no Paraná, onde foi vereador de Nova Olímpia pela Arena, ainda na década de 1980. Mudou-se para o Acre na segunda metade daquela década e, em 1992, foi eleito primeiro prefeito de Acrelândia, município recém-criado. Exerceu três mandatos no município. Entre essas passagens pela prefeitura, foi secretário estadual de Agricultura no governo Jorge Viana.

Depois iniciou uma longa sequência de disputas estaduais e pela Prefeitura de Rio Branco. Chegou muito perto de governar o Acre em 2010: recebeu 165.705 votos, ou 49,18% dos válidos, contra 50,51% de Tião Viana.

Finalmente conquistou a Prefeitura de Rio Branco em 2020 e foi reeleito em 2024, dessa vez no primeiro turno, com 108.605 votos e 54,82% dos válidos. Deixou o cargo em 2026 para voltar a disputar o governo.

Histórico eleitoral completo disponível nas bases digitais do TSE

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
1992Prefeito de AcrelândiaPSDBAcervo histórico anterior à base digital atualEleito
1998Deputado estadualPSDB1.913Suplente
2000Prefeito de AcrelândiaPSDB2.394Eleito
2004Prefeito de AcrelândiaPSDB2.173Eleito
2006GovernadorPSDB34.752Não eleito
2008Prefeito de Rio BrancoPSDB35.177Não eleito
2010GovernadorPSDB165.705 – 49,18%Não eleito
2012Prefeito de Rio BrancoPSDB77.417 / 87.818 no 2º turnoNão eleito
2014GovernadorDEM76.218Não eleito
2018Deputado federalPSL21.872Não eleito
2020Prefeito de Rio BrancoPP87.987 / 104.746 no 2º turnoEleito
2024Prefeito de Rio BrancoPL108.605Eleito no 1º turno
2026GovernadorPSDBEm disputa

A base estruturada do TSE utilizada nas consultas eleitorais atuais cobre de forma padronizada o período desde 1998; por isso, a eleição municipal de 1992 e a passagem anterior pela Câmara de Nova Olímpia são complementadas por registros históricos da imprensa.

Histórico partidário

A trajetória de Bocalom percorreu praticamente toda a transformação da direita e do centro-direita brasileiros nas últimas décadas. Foi eleito vereador pela Arena; já estava no PSDB quando venceu em Acrelândia em 1992 e permaneceu por longo período na sigla. Depois disputou eleições pelo DEM em 2014, PSL em 2018, PP em 2020 e PL em 2024. Em março de 2026, retornou ao PSDB.

A coligação Produzir para Empregar reúne em 2026 a Federação PSDB/Cidadania e a Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. O vice é Sargento Adonis, do PSDB.

Patrimônio

Bocalom declarou R$ 1.216.500,00. O principal item é uma propriedade rural de 81 hectares avaliada em R$ 1 milhão. Também aparecem veículos, terreno urbano em Acrelândia, saldos bancários e participações em empresas inativas.

O projeto de governo

O programa tem forte ênfase no setor produtivo rural. Propõe recriar a Emater, fortalecer a Cageacre, ampliar assistência técnica, regularização fundiária e incentivar biorrefinarias de etanol de milho.

Na segurança, promete videomonitoramento com inteligência artificial, batalhões rurais e o programa Escudo Rosa contra a violência às mulheres.

O plano ainda prevê regionalização da saúde, mais UTIs e hemodiálise no interior, pronto-socorro pediátrico, notebooks para estudantes aprovados em universidades públicas, intercâmbios acadêmicos, climatização das escolas, criação da Invest Acre, revitalização da ZPE e investimentos em turismo e infraestrutura.


THOR DANTAS — PSB, 40

A medicina e a universidade como portas de entrada para a política

Thor Oliveira Dantas nasceu em Rio Branco em 29 de outubro de 1973. Médico infectologista, professor e pesquisador, tem 52 anos e construiu a maior parte de sua trajetória profissional fora dos mandatos eletivos.

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Clínica Médica e Infectologia e possui mestrado e doutorado em Medicina Tropical pela Universidade de Brasília. Professor da Universidade Federal do Acre, desenvolveu pesquisas relacionadas principalmente às hepatites virais na Amazônia.

Na gestão pública, foi diretor do Pronto-Socorro de Rio Branco, presidente da Fundhacre e secretário-adjunto estadual de Saúde, além de ter participado de iniciativas ligadas à implantação e expansão da formação médica e de serviços de alta complexidade no estado.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2022Deputado federalPSB3.424Não eleito
2026GovernadorPSBEm disputa

A eleição de 2022 foi sua primeira candidatura localizada nas bases eleitorais desde 1998.

Histórico partidário

Nas candidaturas registradas na Justiça Eleitoral, Thor aparece ligado ao PSB em 2022 e novamente em 2026. Não há, nas bases eleitorais consultadas, candidatura anterior por outra legenda.

Sua coligação, Frente Ampla pelo Acre, reúne PSB, Podemos e a Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV. A vice é Socorro Rodrigues, do Podemos.

Patrimônio

Declarou R$ 761.462,79 em 27 bens e aplicações, incluindo veículos, títulos de renda fixa, ações e investimentos no Brasil e no exterior.

O projeto de governo

A proposta de Thor coloca o fortalecimento do SUS no centro da campanha, com regionalização, redução das filas e integração entre atenção primária, hospitais, regulação e saúde digital.

No desenvolvimento econômico, aposta na produção sustentável, agregação de valor e reorganização das zonas de desenvolvimento. Em segurança, propõe Zonas de Atendimento Prioritário, inteligência e ações articuladas entre polícia, Justiça, assistência social e Defesa Civil.

Na educação, o programa enfatiza valorização dos profissionais, equidade, estrutura escolar, ensino técnico, ciência, cultura e esporte.


EUDO RAFFAEL — PCB, 21

Do movimento estudantil e sindical à primeira candidatura eleitoral

Eudo Raffael Lima da Silva nasceu em Rio Branco em 27 de agosto de 1985. Aos 41 anos, declarou à Justiça Eleitoral ocupação de bancário e economiário e ensino superior incompleto.

Sua trajetória pública ocorreu principalmente nos movimentos sociais e no sindicalismo. Foi presidente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Acre e tornou-se dirigente do Sindicato dos Bancários, além de atuar como conselheiro de saúde.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2026GovernadorPCBEm disputaPrimeira candidatura

O registro de 2026 é sua primeira candidatura encontrada nos dados abertos do TSE desde 1998.

Histórico partidário

A candidatura é pelo Partido Comunista Brasileiro, em chapa sem coligação, com Poeta Cesinha como vice. Não foi localizada candidatura eleitoral anterior de Eudo por outra legenda.

Patrimônio

Eudo declarou R$ 165 mil, compostos por um apartamento avaliado em R$ 100 mil, adquirido por programa habitacional, e um terreno no Ramal do Mutum, declarado por R$ 65 mil.

O projeto de governo

É o programa mais claramente estatizante e anticapitalista entre os seis. O PCB defende uma saúde pública 100% estatal, oposição à terceirização por organizações sociais, fortalecimento da educação pública e gestão democrática.

Eudo propõe ainda tarifa zero no transporte coletivo, com empresa pública para os modais rodoviário, ferroviário e fluvial; industrialização sustentável associada à economia solidária; redução da jornada de trabalho sem redução salarial; desmilitarização da segurança pública; gestão estatal de água e saneamento; e um amplo programa público de habitação, inclusive com desapropriação de imóveis mantidos para especulação, nos termos previstos em lei.


DR. LUISINHO — AGIR, 36

Industrialização como centro de uma candidatura fora dos grupos tradicionais do Acre

Francisco das Chagas Conceição da Silva, o Dr. Luisinho, nasceu em Cruzeiro do Sul em 16 de janeiro de 1975. Tem 51 anos, curso superior completo e declarou ao TSE a ocupação de empresário. Também possui atuação profissional ligada à comunicação e gestão financeira.

Ao contrário dos principais candidatos com longas carreiras no Acre, Luisinho possui apenas uma disputa eleitoral anterior identificada: candidatou-se a vereador de Manaus, no Amazonas, em 2020, pelo PTB.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoLocalVotaçãoResultado
2020VereadorPTBManaus (AM)18 votosSuplente/não eleito
2026GovernadorAgirAcreEm disputa

Histórico partidário

Nas eleições registradas no TSE, a sequência é PTB em 2020 → Agir em 2026. A candidatura atual é em chapa partidária própria, com Daniela Paiva, do Agir, como vice.

Patrimônio

Dr. Luisinho informou R$ 0,00 em bens declarados tanto na candidatura de 2020 quanto no registro de 2026. Isso significa que nenhum bem foi incluído em sua declaração eleitoral; não se deve interpretar automaticamente o dado como inexistência de renda ou atividade econômica.

O projeto de governo

A palavra-chave de sua plataforma é industrialização. O programa, batizado de “Governo da Indústria”, prevê criação do Polo Industrial do Acre, incentivos fiscais, cessão de áreas e linhas de crédito para indústrias associadas à bioeconomia, agroindústria e produtos florestais.

Propõe ainda criar uma faculdade estadual voltada ao polo industrial e uma Faculdade Estadual de Medicina, além de oferecer 12 mil bolsas integrais para formação técnica e superior.

Entre as propostas mais singulares está um Plano Antienchente do Rio Acre, com eclusas e sete lagoas artificiais associadas a usinas solares flutuantes. O programa prevê também duplicação de trechos rodoviários, energia solar e biomassa, hospitais regionais, até 40 mil moradias populares em oito anos e criação de uma Secretaria de Eficiência e Gestão para auditoria permanente e acompanhamento das metas governamentais.


PATRIMÔNIO DECLARADO: QUEM TEM MAIS BENS REGISTRADOS

PosiçãoCandidatoPatrimônio declarado em 2026
Alan RickR$ 5.244.567,72
Tião BocalomR$ 1.216.500,00
Thor DantasR$ 761.462,79
Mailza AssisR$ 167.482,91
Eudo RaffaelR$ 165.000,00
Dr. LuisinhoR$ 0,00

A diferença entre o maior e o menor valor declarado é superior a R$ 5,2 milhões. Mas o dado deve ser analisado com cautela: declaração eleitoral de bens não é avaliação patrimonial realizada pelo TSE, e diferentes candidatos podem possuir bens registrados por valores históricos de aquisição.


QUADRO COMPARATIVO DAS PROPOSTAS DE GOVERNO

CandidatoEconomia e empregoSaúdeEducaçãoSegurançaInfraestrutura, ambiente e gestão
Alan RickInvestimentos, empreendedorismo, agro, cooperativas e bioeconomiaRegionalizar média e alta complexidadeEnsino técnico e profissionalizanteInteligência e reforço nas fronteirasSaneamento, logística, integração e governo digital
Mailza AssisAgro, agricultura familiar, ZPE, startups, microcrédito e economia florestalSaúde da mulher, pronto-socorro infantil, Opera Acre, UTI, hemodiálise e oncologia no interiorAlfabetização, tempo integral, assistência psicossocial e ciênciaPoliciamento comunitário, GEFRON, inteligência de fronteira e proteção às mulheresCorredor do Pacífico, pontes, saneamento, carbono, resiliência climática e digitalização
Tião BocalomEmater, Cageacre, produção rural, etanol de milho e Invest AcreUTI e hemodiálise regionalizadas, pronto-socorro pediátricoNotebooks, intercâmbio acadêmico e climatizaçãoIA e videomonitoramento, batalhões rurais e Escudo RosaZPE, BR-364/317, aviação regional, portos e turismo
Thor DantasProdução sustentável, agregação de valor e zonas de desenvolvimentoFortalecimento e regionalização do SUSQualidade, equidade, valorização docente e ensino técnicoZonas prioritárias, prevenção e inteligência integradaPlanejamento logístico, integração regional e resiliência
Eudo RaffaelIndustrialização estatal/sustentável, economia solidária e redução da jornadaSistema 100% estatalEducação pública crítica, científica e democráticaDesmilitarização, prevenção, inteligência e combate ao racismoTarifa zero, empresa pública de transporte, saneamento estatal e habitação pública
Dr. LuisinhoPolo Industrial, bioeconomia, agroindústria e incentivosComplexos hospitalares regionaisFaculdade estadual, Medicina e 12 mil bolsasÊnfase menor no núcleo central divulgado do planoPlano antienchente, sete lagoas, energia solar, rodovias, 40 mil casas e gestão por metas

SEIS PROJETOS E DIFERENTES IDEIAS DE ESTADO

A comparação dos programas revela diferenças que vão além dos partidos.

Alan Rick apresenta um projeto que tenta combinar setor privado, agro, empreendedorismo e bioeconomia com regionalização dos serviços públicos. A experiência parlamentar e a aproximação entre desenvolvimento econômico e exploração sustentável dos ativos amazônicos são elementos centrais de seu discurso.

Mailza Assis oferece a plataforma mais associada à continuidade, aproveitando programas e obras do governo atual, mas incorporando uma forte agenda social, de saúde, proteção às mulheres, infraestrutura e integração logística com o Pacífico.

Tião Bocalom mantém uma linha historicamente ligada à produção e ao agronegócio, agora acompanhada de tecnologia na segurança, atração de investimentos e infraestrutura.

Thor Dantas estrutura sua candidatura a partir de uma visão de políticas públicas fortemente influenciada pela experiência na saúde e na universidade, com o SUS, planejamento estatal, desenvolvimento sustentável e serviços públicos como pilares.

Eudo Raffael ocupa o espaço ideologicamente mais distante dos demais. Seu programa defende ampliação direta da presença estatal, redução da participação privada em serviços essenciais e mudanças estruturais nas relações de trabalho, transporte e segurança.

Dr. Luisinho, por sua vez, apresenta o projeto mais concentrado na ideia de transformar a estrutura econômica do estado por meio de industrialização, grandes projetos de infraestrutura e formação profissional vinculada ao novo modelo produtivo.


A EXPERIÊNCIA NAS URNAS TAMBÉM SEPARA OS CANDIDATOS

A eleição de 2026 reúne extremos.

De um lado está Tião Bocalom, cuja carreira política remonta à década de 1980 e que acumula mais de uma dezena de eleições, três mandatos em Acrelândia e duas vitórias recentes para comandar Rio Branco.

Alan Rick, embora tenha uma trajetória eleitoral bem mais curta, chega com um retrospecto de três eleições e três vitórias: duas para deputado federal e uma para senador.

Mailza Assis não construiu sua carreira por sucessivas candidaturas individuais. Seu caminho passou por uma suplência ao Senado, pela titularidade da cadeira, pela vice-governadoria e, finalmente, pela sucessão constitucional que a levou ao governo.

Thor Dantas disputou apenas uma eleição antes de 2026. Dr. Luisinho, também uma. Eudo Raffael estreia nas urnas justamente disputando o principal cargo político do estado.

É, portanto, uma corrida que coloca frente a frente carreiras parlamentares, experiências executivas, trajetórias técnicas, sindicalismo e projetos políticos emergentes.


O ACRE DIANTE DE UMA ESCOLHA DE MODELO

Mais do que escolher um sucessor para o ciclo iniciado em 2019 — ou confirmar no cargo a governadora que assumiu em abril —, a eleição acreana de 2026 coloca em discussão qual estratégia o estado adotará para enfrentar problemas históricos: isolamento logístico, dependência do setor público, geração de empregos, acesso à saúde especializada, infraestrutura, segurança na extensa faixa de fronteira, preservação da Amazônia e exploração econômica sustentável de seus recursos.

É justamente nesse ponto que as seis candidaturas se distanciam.

Há quem aposte prioritariamente na iniciativa privada; quem defenda continuidade administrativa; quem coloque a produção rural no centro do desenvolvimento; quem proponha reconstrução dos serviços públicos; quem defenda expansão radical da presença estatal; e quem veja na industrialização acelerada a chave para alterar a estrutura econômica acreana.

No dia 4 de outubro de 2026, caberá ao eleitor do Acre decidir qual desses caminhos seguirá para o Palácio Rio Branco.

NOTA METODOLÓGICA

Esta reportagem considera a situação das candidaturas registrada na Justiça Eleitoral e consultada em 7 de setembro de 2026. Nessa data, os seis candidatos ao Governo do Acre estavam com seus registros deferidos. Os históricos eleitorais foram confrontados com bases derivadas dos dados abertos do TSE e, nos casos anteriores à padronização digital iniciada em 1998, com registros históricos. Os valores patrimoniais reproduzem declarações feitas pelos candidatos à Justiça Eleitoral. As propostas foram sintetizadas a partir dos programas de governo registrados para a eleição e não representam avaliação da viabilidade financeira, jurídica ou administrativa de cada compromisso.

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