Da tentativa de reeleição do governador Eduardo Riedel ao retorno de Delcídio do Amaral a uma grande disputa estadual, passando por ex-deputados, parlamentares em exercício e nomes que nunca ocuparam um cargo eletivo, a eleição de 2026 reúne oito candidaturas com histórias políticas, patrimônios e projetos bastante diferentes para Mato Grosso do Sul.
A corrida pelo Governo de Mato Grosso do Sul chega à reta decisiva com oito candidaturas registradas e, na atualização consultada às 9h de 7 de setembro de 2026, todas com registro deferido: Daniel Lemes, Delcídio do Amaral, Renato Gomes, Eduardo Riedel, Fábio Trad, Jeferson Bezerra, João Henrique Catan e Lucien Rezende. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro de 2026. (UOL Notícias)
A eleição coloca frente a frente o governador que busca permanecer no cargo, dois ex-parlamentares federais de longa trajetória, um deputado estadual em exercício e quatro candidatos que nunca conquistaram mandato eletivo. Há também diferenças expressivas nos bens declarados: enquanto Eduardo Riedel informou patrimônio superior a R$ 16 milhões, dois concorrentes declararam não possuir bens.
Esta reportagem especial reconstrói a trajetória eleitoral de cada postulante, os partidos pelos quais passou, seus mandatos, votações anteriores, patrimônio apresentado à Justiça Eleitoral e os principais compromissos constantes dos programas registrados para a eleição de 2026.
O MAPA DA DISPUTA
Os valores patrimoniais abaixo correspondem às declarações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. São valores declaratórios e, portanto, não representam necessariamente a avaliação atual de mercado dos bens. Somados, os patrimônios informados pelos oito candidatos alcançam aproximadamente R$ 23,4 milhões. (Campo Grande News)
| Candidato | Partido / número | Vice | Patrimônio declarado em 2026 |
|---|---|---|---|
| Daniel Lemes | PCO – 29 | Silvia Benites (PCO) | R$ 0,00 |
| Delcídio do Amaral | PRD – 25 | Mariliana Santos (Solidariedade) | R$ 1.596.431,07 |
| Renato Gomes | DC – 27 | Roberto Patzlaff (DC) | R$ 922.938,36 |
| Eduardo Riedel | PP – 11 | Barbosinha (Republicanos) | R$ 16.147.849,34 |
| Fábio Trad | PT – 13 | Dona Gilda (PT) | R$ 3.670.880,45 |
| Jeferson Bezerra | Agir – 36 | Valdenir Duarte (Agir) | R$ 0,00 |
| João Henrique Catan | Novo – 30 | Antônio João Jacinto (Novo) | R$ 588.097,38 |
| Lucien Rezende | PSOL – 50 | Prof. Enfermeira Kaelly (PSOL) | R$ 500.000,00 |
Nota: na atualização mais recente extraída dos dados do TSE, Thiago Martins aparece com renúncia à candidatura de vice na chapa de Renato Gomes, enquanto Roberto Patzlaff figura como vice com registro deferido. (UOL Notícias)
DANIEL LEMES — PCO
Do movimento indígena à disputa pelo Palácio do Parque dos Poderes
Nome completo: Daniel Lemes Vasques
Data de nascimento: 16 de setembro de 1978
Naturalidade: Amambai (MS)
Idade na eleição: 48 anos
Profissão declarada: professor do Ensino Fundamental
Escolaridade: superior completo
Partido: PCO
Número: 29
Vice: Silvia Benites
Patrimônio declarado: nenhum bem
Daniel Lemes chega à disputa estadual como representante do Partido da Causa Operária e como um dos nomes ligados à população indígena sul-mato-grossense. Natural de Amambai, é professor e se declara indígena perante a Justiça Eleitoral. Sua trajetória pública também é associada à atuação junto ao movimento Guarani Kaiowá. (TMC)
Não exerceu mandato eletivo. Antes de ingressar no PCO, construiu praticamente toda a primeira parte de sua trajetória eleitoral dentro do Partido dos Trabalhadores.
Histórico partidário
PT → PCO
Daniel disputou eleições pelo PT em 2016, 2018 e 2020. Em 2024, concorreu à Prefeitura de Amambai pelo PCO e permaneceu no partido para a disputa estadual de 2026. (Radar do Voto)
Linha do tempo eleitoral
2016 — Vereador de Amambai — PT
Obteve 163 votos e ficou na suplência.
2018 — Deputado estadual — PT
Recebeu 1.699 votos e ficou como suplente.
2020 — Vereador de Amambai — PT
Obteve 131 votos, novamente ficando na suplência.
2024 — Prefeito de Amambai — PCO
Recebeu 366 votos e não foi eleito.
2026 — Governador de Mato Grosso do Sul — PCO
Primeira candidatura de Daniel ao Governo do Estado. (Radar do Voto)
Patrimônio
Daniel Lemes declarou não possuir bens à Justiça Eleitoral em 2026. (Campo Grande News)
O que propõe
O programa apresentado pelo PCO tem sete páginas e organiza propostas em cerca de 15 eixos. Entre as bandeiras estão a ampliação dos serviços públicos de saúde e educação, valorização salarial, redução da jornada de trabalho e medidas relacionadas aos direitos territoriais indígenas.
O documento defende, entre outros pontos, piso de R$ 8 mil para trabalhadores da saúde e de R$ 8,5 mil para professores, jornada máxima de 35 horas semanais e salário mínimo nacional de pelo menos R$ 7,5 mil. Também apresenta propostas de ampliação da rede pública de hospitais e postos de saúde, ingresso gratuito na universidade e defesa da demarcação das terras indígenas. Parte dessas medidas, entretanto, depende de competência federal, legislação nacional ou articulação entre diferentes Poderes. (Campo Grande News)
DELCÍDIO DO AMARAL — PRD
Duas vezes senador, ex-ministro interino e personagem de uma das trajetórias mais conhecidas da política estadual
Nome completo: Delcídio do Amaral Gomez
Data de nascimento: 8 de fevereiro de 1955
Naturalidade: Corumbá (MS)
Idade: 71 anos
Formação: Engenharia
Partido: PRD
Número: 25
Vice: Mariliana Santos, do Solidariedade
Patrimônio declarado: R$ 1.596.431,07
Poucos candidatos carregam uma trajetória política tão extensa quanto Delcídio do Amaral. Engenheiro de formação, trabalhou no setor energético, ocupou funções na Eletrosul, foi secretário-executivo e ministro interino de Minas e Energia, diretor da Petrobras e secretário de Infraestrutura de Mato Grosso do Sul antes de chegar ao Senado. (Wikipédia)
Foi eleito senador em 2002 e novamente em 2010. Também disputou duas vezes o Governo de Mato Grosso do Sul.
Sua trajetória nacional sofreu uma ruptura em 2016. Em 10 de maio daquele ano, o Senado Federal cassou seu mandato por quebra de decoro parlamentar, em votação de 74 votos favoráveis à cassação, nenhum contrário e uma abstenção. (Senado Federal)
Histórico partidário
PSDB → PT → PTC → PTB → PRD
Biografias políticas registram sua passagem pelo PSDB no final dos anos 1990, a entrada no PT em 2001 e a permanência na legenda até 2016. Posteriormente, Delcídio concorreu pelo PTC em 2018 e pelo PTB em 2022. Com a reorganização partidária que resultou no PRD, passou a integrar a nova legenda. (Piauí)
Linha do tempo eleitoral
2002 — Senador — PT
496.879 votos — 25,85% — eleito.
2006 — Governador — PT
450.747 votos — 38,04% — não eleito.
2010 — Senador — PT
826.848 votos — 34,90% — eleito.
2014 — Governador — PT
1º turno: 567.331 votos — 42,92%.
2º turno: 598.461 votos — 44,66%.
Terminou derrotado.
2018 — Senador — PTC
109.927 votos — 4,76% — não eleito.
2022 — Deputado federal — PTB
18.862 votos — não eleito.
2024 — Prefeito de Corumbá — PRD
5.043 votos — não eleito.
2026 — Governador — PRD
É a terceira tentativa de Delcídio de comandar Mato Grosso do Sul. (Imagem Câmara)
Mandatos
Senador da República: 2003–2011
Senador da República: 2011–2016, mandato cassado em maio de 2016.
Patrimônio
Delcídio declarou R$ 1.596.431,07 em bens. A declaração inclui patrimônio imobiliário, participações e veículos. (Campo Grande News)
O que propõe
Seu programa de governo tem cerca de 26 páginas e coloca entre as prioridades a regionalização dos serviços públicos.
Na saúde, defende fortalecimento da Estratégia Saúde da Família, hospitais públicos, estrutura regional de média e alta complexidade e revisão de contratos e modelos de terceirização.
Na educação, apresenta universalização de tecnologias digitais nas escolas, ampliação do ensino técnico integrado ao Ensino Médio, educação inclusiva e fortalecimento da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.
No desenvolvimento, aposta na integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, aeroportos e portos, com destaque para a Rota Bioceânica, além de revisão de mecanismos como Fundersul e políticas de saneamento. (MeuVoto)
RENATO GOMES — DC
O estreante que vem do mercado financeiro
Nome completo: Renato Wanderley Gomes
Data de nascimento: 19 de fevereiro de 1986
Naturalidade: Campo Grande (MS)
Idade: 40 anos
Formação: Economia
Partido: Democracia Cristã
Número: 27
Vice: Roberto Patzlaff
Patrimônio: R$ 922.938,36
Renato Gomes representa a principal novidade eleitoral da disputa: 2026 é sua primeira candidatura a um cargo eletivo.
Economista, construiu carreira profissional predominantemente no mercado financeiro. Relatos biográficos apontam experiência de aproximadamente 15 anos no sistema financeiro, além de atividades em consultoria empresarial após o retorno a Mato Grosso do Sul. Na ficha eleitoral, declarou como ocupação “capitalista de ativos financeiros”. (Rádio Itatiaia)
Histórico partidário
Democracia Cristã — DC
Não há candidatura anterior identificada por outra legenda. A eleição de 2026 é sua estreia eleitoral. (HubPolítico)
Linha do tempo eleitoral
2026 — Governador de Mato Grosso do Sul — DC
Primeira eleição disputada.
Mandatos
Nenhum mandato eletivo anterior.
Patrimônio
Renato declarou R$ 922.938,36.
Entre os principais itens estão uma participação de um terço em imóvel no Green Park, avaliada em R$ 433,3 mil, apartamento de R$ 250 mil, veículos e aplicações financeiras. (Opera Mundi)
O que propõe
Com aproximadamente 62 páginas e 119 propostas, o programa de Renato Gomes está entre os mais extensos desta eleição e foi organizado sobre pilares como transparência, saúde, educação, segurança e desenvolvimento econômico.
Entre as propostas estão um painel público de despesas acessível por QR Code, simplificação do Portal da Transparência, aplicativo estadual de serviços, mecanismos de inteligência artificial voltados à auditoria e produtividade e criação de um canal de participação cidadã.
Na saúde, propõe elevar gradualmente a aplicação estadual do atual mínimo constitucional para uma faixa de 18% a 20%.
Na área econômica, apresenta desoneração de itens essenciais para famílias de baixa renda, incluindo propostas de ICMS zero sobre gás de cozinha para beneficiários do CadÚnico e cesta básica.
Na segurança, prevê concursos e uma “muralha digital” na fronteira. Na habitação, o plano trabalha com atendimento de aproximadamente 30 mil a 35 mil famílias em quatro anos. (Campo Grande News)
EDUARDO RIEDEL — PP
O governador tenta transformar o primeiro mandato em um ciclo de oito anos
Nome completo: Eduardo Corrêa Riedel
Data de nascimento: 5 de julho de 1969
Naturalidade: Rio de Janeiro (RJ)
Idade: 57 anos
Formação: Ciências Biológicas, com pós-graduação ligada à produção animal e gestão
Partido: Progressistas
Número: 11
Vice: Barbosinha, do Republicanos
Patrimônio: R$ 16.147.849,34
Eduardo Riedel entra na eleição de 2026 em posição singular: é o único candidato que disputa o pleito exercendo o Governo do Estado.
Nascido no Rio de Janeiro, estabeleceu sua trajetória profissional em Mato Grosso do Sul, especialmente ligada ao agronegócio. É formado em Ciências Biológicas pela UFRJ, tem mestrado na área de produção animal pela Unesp e formação executiva pela FGV e pelo Insead.
Antes de ingressar no governo, presidiu entidades ligadas ao setor agropecuário, entre elas a Famasul. Na administração estadual, foi secretário de Governo e Gestão Estratégica e posteriormente secretário de Infraestrutura. (Partido Progressistas)
Histórico partidário
PSDB → PP
Riedel permaneceu aproximadamente duas décadas no PSDB. Foi pela sigla que venceu sua primeira eleição para governador, em 2022.
Em 19 de agosto de 2025, deixou o PSDB e filiou-se ao Progressistas, partido pelo qual disputa a reeleição. (Folha de S.Paulo)
Linha do tempo eleitoral
2022 — Governador — PSDB
1º turno: 361.981 votos — 25,16%, classificando-se em segundo lugar.
2º turno: 808.210 votos — 56,90% — eleito governador.
2026 — Governador — PP
Busca o segundo mandato consecutivo. (MeuVoto)
Mandatos
Governador de Mato Grosso do Sul — desde 1º de janeiro de 2023.
A maior coligação da disputa
Riedel encabeça uma ampla composição partidária que reúne PP, União Brasil, PL, PSDB/Cidadania, Podemos, Avante, Republicanos, PSD e MDB. (Poly Apoio)
Patrimônio
É, com ampla diferença, o candidato de maior patrimônio declarado: R$ 16.147.849,34.
O montante representa redução em relação aos R$ 20.744.288,42 declarados em 2022, queda nominal de aproximadamente 22%.
A maior parcela está vinculada à atividade rural. Entre os itens informados aparecem mais de R$ 12 milhões em bens relacionados à exploração rural e um rebanho de 521 animais, declarado em cerca de R$ 2,08 milhões. (o dinheiro dos políticos)
O que propõe
A plataforma de reeleição está condensada em uma “Carta Compromisso” de aproximadamente 44 páginas, organizada em quatro grandes dimensões:
- pessoas e desenvolvimento humano;
- desenvolvimento econômico e competitividade;
- infraestrutura, cidades e sustentabilidade;
- fortalecimento da gestão pública.
Na saúde, a proposta é continuar a regionalização, ampliar serviços especializados e saúde digital e avançar na implantação do Hospital Regional do Pantanal.
Na economia, a plataforma enfatiza competitividade, investimentos privados e logística.
Na agenda ambiental, a candidatura reafirma a intenção de transformar Mato Grosso do Sul em território carbono neutro até 2030.
A proposta, como seria esperado de um governador em campanha por novo mandato, apresenta forte componente de continuidade das políticas já desenvolvidas desde 2023. (Ultra Notícias)
FÁBIO TRAD — PT
Depois de três passagens pela Câmara, o advogado troca o PSD pelo PT e mira o Governo
Nome completo: Fábio Ricardo Trad
Data de nascimento: 18 de agosto de 1969
Naturalidade: Campo Grande (MS)
Idade: 57 anos
Profissão: advogado
Partido: PT
Número: 13
Vice: Dona Gilda, do PT
Patrimônio: R$ 3.670.880,45
Advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul, Fábio Trad é um dos candidatos com maior experiência parlamentar.
Foi eleito deputado federal em 2010, voltou à Câmara durante a legislatura iniciada em 2015 e conquistou novo mandato nas urnas em 2018. A Câmara registra sua atuação nas legislaturas 2011–2015, 2015–2019 e 2019–2023. (Portal da Câmara dos Deputados)
Histórico partidário
PMDB/MDB → PSD → PT
Trad iniciou sua trajetória eleitoral no PMDB, atual MDB. Posteriormente migrou para o PSD.
Em 21 de agosto de 2025, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, pelo qual disputa pela primeira vez o Governo de Mato Grosso do Sul. (Correio do Estado)
Linha do tempo eleitoral
2010 — Deputado federal — PMDB
82.121 votos — eleito.
2014 — Deputado federal — PMDB
67.508 votos — suplente.
Assumiu mandato na Câmara em dezembro de 2017.
2018 — Deputado federal — PSD
89.385 votos — eleito.
2022 — Deputado federal — PSD
43.881 votos — não eleito.
2026 — Governador — PT
Primeira disputa pelo Executivo estadual. (HubPolítico)
Mandatos
Deputado federal — 2011–2015
Deputado federal — exercício na legislatura 2015–2019, assumindo em dezembro de 2017.
Deputado federal — 2019–2023
Patrimônio
Fábio Trad declarou R$ 3.670.880,45 em 2026.
Em 2022, havia informado aproximadamente R$ 2,36 milhões. Entre os bens atualmente relacionados estão imóvel residencial, previdência privada e aplicações financeiras. (Correio do Estado)
O que propõe
Seu programa está estruturado em 13 eixos estratégicos.
Entre os conceitos centrais está a defesa de uma neoindustrialização verde, com agregação de valor à produção agropecuária e industrial, fortalecimento das cadeias produtivas locais e incentivo à inovação.
O plano também prevê universalização da internet nos municípios e áreas rurais, retomada e fortalecimento de instrumentos de microcrédito, integração pela Rota Bioceânica e revisão dos incentivos fiscais segundo critérios regionais, sociais, ambientais e de inovação.
Na área social, aparecem fortalecimento do SUS, políticas de combate à pobreza, valorização da educação pública, defesa dos povos indígenas, enfrentamento ao feminicídio e ampliação de mecanismos de participação social. (Campo Grande News)
JEFERSON BEZERRA — AGIR
Jornalista tenta transformar longa presença eleitoral em primeiro mandato
Nome completo: Jeferson José Bezerra
Data de nascimento: 15 de junho de 1973
Naturalidade: Dourados (MS)
Idade: 53 anos
Profissão declarada: jornalista/redator
Escolaridade declarada: Ensino Médio completo
Partido: Agir
Número: 36
Vice: Valdenir Duarte
Patrimônio: nenhum bem declarado
Jeferson Bezerra construiu sua vida profissional no setor de comunicação. Com mais de duas décadas ligadas ao jornalismo e à comunicação empresarial, também ocupa função partidária no Agir em Mato Grosso do Sul. (MGS News Dourados)
Já disputou eleições municipais e uma eleição para o Senado, mas nunca exerceu mandato.
Histórico partidário
PV → PMN → Agir → PV → Agir
Sua trajetória revela mudanças frequentes de legenda: foi candidato pelo PV em 2016, pelo PMN em 2020, pelo Agir em 2022, retornou ao PV na eleição municipal de 2024 e disputa o Governo em 2026 novamente pelo Agir. (Nexo Jornal)
Linha do tempo eleitoral
2016 — Vereador de Dourados — PV
162 votos — suplente.
2020 — Prefeito de Dourados — PMN
344 votos — não eleito.
2022 — Senador — Agir
1.000 votos — não eleito.
2024 — Vereador de Dourados — PV
95 votos — suplente.
2026 — Governador — Agir
Mandatos
Nenhum mandato eletivo anterior.
Patrimônio
Jeferson declarou não possuir bens em 2026. (Tribuna do Paraná)
O que propõe
Seu plano é o mais sucinto entre os analisados, com aproximadamente três páginas. Parte das metas quantitativas aparece como ainda dependente de definição durante a campanha.
Entre os compromissos apresentados estão geração de emprego, desenvolvimento regional descentralizado, linhas de crédito subsidiado para pequenos empreendimentos, realização regionalizada de concursos públicos e interiorização de órgãos e serviços estaduais. (Campo Grande News)
JOÃO HENRIQUE CATAN — NOVO
Deputado estadual deixa o PL, entra no Novo e tenta chegar ao Executivo
Nome completo: João Henrique Miranda Soares Catan
Data de nascimento: 19 de abril de 1988
Naturalidade: Campo Grande (MS)
Idade: 38 anos
Profissão: advogado
Partido: Novo
Número: 30
Vice: Antônio João Jacinto
Patrimônio: R$ 588.097,38
João Henrique Catan é o único concorrente, além de Eduardo Riedel, que exerce atualmente um mandato eletivo.
Advogado, iniciou sua trajetória tentando uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande. Dois anos depois chegou à Assembleia Legislativa, onde atualmente exerce seu segundo mandato consecutivo. (MeuVoto)
Histórico partidário
PSDB → PR/PL → Novo
Foi candidato pelo PSDB em 2016. Em 2018 elegeu-se deputado estadual pelo PR, legenda posteriormente denominada PL, partido pelo qual disputou a Prefeitura de Campo Grande em 2020 e foi reeleito deputado em 2022.
Em 2026, migrou para o Novo e tornou-se candidato ao Governo. (Top FM)
Linha do tempo eleitoral
2016 — Vereador de Campo Grande — PSDB
2.629 votos — suplente.
2018 — Deputado estadual — PR
11.010 votos — eleito.
2020 — Prefeito de Campo Grande — PL
10.123 votos — não eleito.
2022 — Deputado estadual — PL
25.914 votos — reeleito.
2026 — Governador — Novo (HubPolítico)
Mandatos
Deputado estadual — 2019–2023
Deputado estadual — 2023–2027, mandato em exercício.
Patrimônio
Catan declarou R$ 588.097,38 em bens em 2026. (Agência Sertão)
O que propõe
Seu plano tem cerca de 50 páginas e combina metas de gestão pública, redução da burocracia, infraestrutura e políticas de saúde e habitação.
Entre os compromissos aparecem a viabilização de 30 mil unidades habitacionais, implantação ou fortalecimento de hospitais regionais com atendimento 24 horas e redução das filas consideradas críticas de consultas, exames e cirurgias nos primeiros 12 meses.
Na gestão, propõe concentrar serviços estaduais em um único aplicativo e estabelecer um pacto administrativo com os 79 municípios.
Na economia, defende redução de impostos e taxas dentro das possibilidades fiscais, revisão de estruturas burocráticas e mudanças no Fundersul direcionadas à infraestrutura. O programa ainda prevê a implantação de hospital veterinário estadual. (Poly Apoio)
LUCIEN REZENDE — PSOL
Veterano das urnas permanece fiel ao PSOL e faz sua sexta disputa eleitoral
Nome completo: Lucien Roberto Garcia de Rezende
Data de nascimento: 8 de fevereiro de 1964
Naturalidade: Campo Grande (MS)
Idade: 62 anos
Profissão declarada em 2026: empresário
Partido: PSOL
Número: 50
Vice: Prof. Enfermeira Kaelly
Patrimônio: R$ 500.000,00
Lucien Rezende é um dos candidatos de maior permanência partidária na atual disputa. Desde sua primeira candidatura identificada, em 2008, permaneceu vinculado ao PSOL.
Já tentou vaga de vereador, integrou chapa como candidato a vice-prefeito, concorreu ao Senado, à Câmara Federal e à Prefeitura de Ribas do Rio Pardo. Nunca exerceu mandato eletivo. (Nexo Jornal)
Histórico partidário
PSOL — 2008 a 2026
Em 2026, a legenda participa da Federação PSOL/Rede.
Linha do tempo eleitoral
2008 — Vereador de Campo Grande — PSOL
466 votos — não eleito.
2012 — Vice-prefeito de Campo Grande — PSOL
Não eleito. Como candidato a vice, não possui votação nominal separada da cabeça da chapa.
2014 — Senador — PSOL
3.056 votos — não eleito.
2018 — Deputado federal — PSOL
761 votos — não eleito.
2024 — Prefeito de Ribas do Rio Pardo — PSOL
57 votos — não eleito.
2026 — Governador — PSOL (Nexo Jornal)
Mandatos
Nenhum mandato eletivo anterior.
Patrimônio
Lucien informou R$ 500 mil, correspondentes a dois imóveis avaliados em R$ 250 mil cada. (Nexo Jornal)
O que propõe
Seu programa concentra atenção em saúde pública, educação, meio ambiente, habitação e direitos sociais.
Na saúde, defende expansão de programas de provimento médico, regionalização dos hospitais e criação do “Saúde em Casa”, direcionado especialmente a idosos, pessoas com deficiência e cidadãos com dificuldades de locomoção.
Na educação, propõe ampliação da oferta em tempo integral e realização de concursos públicos.
A preservação do Pantanal ocupa posição central, com propostas de reforço à fiscalização contra desmatamento e incêndios, recuperação de áreas degradadas e acompanhamento dos impactos de atividades como mineração e expansão da silvicultura.
A candidatura também incorpora bandeiras nacionais da federação PSOL/Rede, incluindo direitos trabalhistas e a defesa do fim da jornada 6×1. (JD1 Notícias)
QUADRO COMPARATIVO — O QUE PROPÕEM OS OITO CANDIDATOS
| Candidato | Saúde e educação | Economia e gestão | Infraestrutura, ambiente e área social | Marca principal do programa |
|---|---|---|---|---|
| Daniel Lemes | Expansão da rede pública; pisos salariais elevados para saúde e educação; ingresso gratuito na universidade | Jornada de até 35 horas; forte valorização salarial | Demarcação e proteção das terras indígenas | Ampliação da atuação estatal e direitos indígenas (Campo Grande News) |
| Delcídio Amaral | Regionalização da saúde; fortalecimento de hospitais públicos; ensino técnico e tecnologia | Revisão de contratos e Fundersul; desenvolvimento regional | Rodovias, ferrovias, hidrovias, Rota Bioceânica e saneamento | Integração logística e regionalização dos serviços (MeuVoto) |
| Renato Gomes | Elevação progressiva do gasto estadual em saúde para 18%–20% | Transparência por QR Code, IA, aplicativos; desonerações para famílias de baixa renda | Muralha digital na fronteira; saneamento e habitação para 30–35 mil famílias | Digitalização, transparência e eficiência administrativa (Campo Grande News) |
| Eduardo Riedel | Regionalização, saúde digital e Hospital Regional do Pantanal | Competitividade, atração de investimentos e modernização da gestão | Infraestrutura, sustentabilidade e carbono neutro em 2030 | Continuidade administrativa e desenvolvimento sustentável (Ultra Notícias) |
| Fábio Trad | Fortalecimento do SUS e da educação pública | Neoindustrialização verde, Banco do Povo, revisão de incentivos | Rota Bioceânica, internet rural, combate à pobreza, direitos indígenas | Desenvolvimento econômico associado à inclusão social (Campo Grande News) |
| Jeferson Bezerra | Diretrizes gerais, com parte das metas ainda sem quantificação | Crédito subsidiado aos pequenos negócios e geração de empregos | Descentralização administrativa e regionalização de concursos | Interiorização do desenvolvimento e dos serviços públicos (Campo Grande News) |
| João Henrique Catan | Redução das filas críticas em 12 meses; hospitais regionais 24h | Menos burocracia, redução de impostos dentro do equilíbrio fiscal e aplicativo único | 30 mil moradias, infraestrutura e hospital veterinário estadual | Metas mensuráveis e gestão orientada a resultados (Poly Apoio) |
| Lucien Rezende | Mais Médicos, Saúde em Casa e educação integral | Valorização do serviço público e agenda social | Defesa do Pantanal, fiscalização ambiental e recuperação de áreas degradadas | Meio ambiente, serviços públicos e direitos sociais (JD1 Notícias) |
O QUE SEPARA OS OITO PROJETOS
A comparação dos programas mostra que a eleição de Mato Grosso do Sul de 2026 não coloca apenas nomes distintos em disputa. Há modelos diferentes de atuação do Estado, embora vários programas se encontrem em temas como regionalização da saúde, infraestrutura e necessidade de ampliar investimentos.
Eduardo Riedel apresenta o projeto mais diretamente associado à continuidade administrativa. Por ser governador, sua plataforma parte de ações já em execução e procura vinculá-las a novos ciclos de investimento, digitalização, infraestrutura e sustentabilidade.
Fábio Trad, Delcídio do Amaral, Lucien Rezende e Daniel Lemes, embora com programas bastante diferentes entre si, atribuem maior protagonismo ao poder público na prestação direta de serviços, proteção social e políticas de redução das desigualdades.
João Henrique Catan e Renato Gomes colocam grande peso sobre eficiência administrativa, tecnologia, produtividade e revisão da estrutura estatal, mas Catan enfatiza também metas físicas em habitação e saúde, enquanto Renato desenvolve uma plataforma especialmente detalhada em transparência digital, tributação e acompanhamento de gastos.
Jeferson Bezerra apresenta o documento mais enxuto, apostando principalmente em descentralização, geração de emprego e interiorização dos serviços. A reduzida extensão do plano e a existência de objetivos ainda não quantificados dificultam uma comparação tão detalhada quanto é possível fazer com os programas mais extensos. (Rede News MS)
DOIS EXTREMOS DE EXPERIÊNCIA POLÍTICA
A eleição também apresenta um contraste particular.
De um lado está Delcídio do Amaral, que disputou sua primeira grande eleição estadual há mais de duas décadas, foi duas vezes senador, concorreu duas vezes ao Governo, atravessou cinco diferentes legendas e retorna em 2026 para sua terceira tentativa de comandar o Estado.
No outro extremo aparece Renato Gomes, sem qualquer eleição anterior no currículo.
Entre ambos estão candidatos com experiências muito distintas: Eduardo Riedel tenta a primeira reeleição; Fábio Trad traz três períodos de atuação parlamentar; João Henrique Catan exerce o segundo mandato de deputado estadual; e Daniel Lemes, Jeferson Bezerra e Lucien Rezende já participaram repetidamente de eleições, mas ainda buscam o primeiro mandato.
A DISPUTA PELO PATRIMÔNIO — E PELO VOTO
As declarações patrimoniais também revelam universos muito diferentes.
Eduardo Riedel, com R$ 16,15 milhões, concentra cerca de sete em cada dez reais declarados pelo conjunto dos candidatos. Depois aparecem Fábio Trad, com R$ 3,67 milhões, e Delcídio do Amaral, com R$ 1,60 milhão.
Na sequência estão Renato Gomes, com R$ 922,9 mil; João Henrique Catan, R$ 588,1 mil; e Lucien Rezende, R$ 500 mil. Daniel Lemes e Jeferson Bezerra declararam não possuir patrimônio.
O tamanho do patrimônio, naturalmente, não constitui indicador de desempenho eleitoral. É apenas uma das informações públicas apresentadas pelos candidatos à Justiça Eleitoral e integra o conjunto de dados que permite ao eleitor conhecer quem pretende administrar um estado com orçamento bilionário e responsabilidades que vão da saúde à segurança pública, da educação às estradas e do desenvolvimento econômico à preservação do Pantanal. (Campo Grande News)
4 DE OUTUBRO: A PALAVRA PASSA AO ELEITOR
Mato Grosso do Sul chegará às urnas com uma das disputas mais diversificadas de sua história recente.
Há um governador tentando permanecer no cargo; um ex-senador que já esteve no centro da política nacional; um ex-deputado federal que mudou de campo partidário; um deputado estadual em ascensão; um economista estreante; um professor indígena; um jornalista que tenta converter sucessivas candidaturas em mandato; e um veterano do PSOL que permanece ligado ao mesmo partido há quase duas décadas.
São oito candidatos, oito trajetórias e projetos que variam significativamente em extensão, prioridades e concepção de Estado.
A Justiça Eleitoral registra as propostas, mas o simples depósito de um plano de governo no sistema do TSE não representa certificação de viabilidade financeira, jurídica ou administrativa. Algumas promessas dependem da Assembleia Legislativa, de alterações legais, da União ou da disponibilidade de recursos.
Por isso, mais do que comparar slogans, a eleição de 2026 exigirá que o eleitor observe o passado político, os compromissos registrados, a capacidade de execução e a coerência entre o discurso de campanha e as atribuições efetivamente pertencentes ao Governo de Mato Grosso do Sul.
No dia 4 de outubro de 2026, caberá aos eleitores decidir qual dessas oito trajetórias seguirá para o Palácio do Parque dos Poderes — ou quais duas continuarão a disputa até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Como a eleição ainda está em andamento, registros de candidatura, composição das chapas e propostas podem receber atualizações. Posso também acompanhar o TSE e avisar quando houver mudança relevante nas candidaturas de Mato Grosso do Sul.