Para especialista, barreiras culturais, tecnológicas e orçamentárias estão entre as principais entraves; Integração de ferramentas, capacitação e liderança são os caminhos.
Em meio ao volume crescente de informações corporativas, empresas brasileiras encontram na governança de dados uma estratégia essencial para extrair valor e garantir segurança, mas o caminho ainda está repleto de obstáculos. De acordo com a Straits Research, o mercado global de governança de dados deve alcançar US$ 11,68 bilhões até 2030, com uma taxa de crescimento anual de 21% entre 2022 e 2030, reflexo da pressão crescente para que organizações administrem seus ativos de informação de forma eficiente e responsável.
No Brasil, no entanto, a realidade mostra que há muito espaço para evolução. Estudo da McKinsey aponta que apenas 12% das empresas nacionais alcançaram um nível avançado na utilização de dados e análises sofisticadas, enquanto menos de 13% desenvolveram uma verdadeira cultura data-driven. O dado revela que, apesar do potencial de competitividade, a maior parte das organizações ainda não consegue capturar, organizar e usar seus dados de maneira eficaz para apoiar decisões estratégicas.
Segundo Marcelo Araújo, diretor comercial da eBox Digital, empresa especializada em gestão e proteção de documentos físicos e digitais, entre os maiores entraves está o volume massivo de informações geradas diariamente, assim como a fragmentação dos sistemas corporativos e a consequente criação de silos de informação.
“Em muitos casos, áreas de negócios utilizam ferramentas próprias, sem integração com o restante da companhia. No setor público, por exemplo, esse cenário é ainda mais crítico, já que a falta de interoperabilidade entre bancos de dados e o fenômeno conhecido como “shadow IT”, sistemas paralelos não oficiais, inviabilizam uma visão completa e confiável das informações disponíveis”, complementa o especialista.
Além disso, Marcelo pontua que fatores culturais e orçamentários interferem tanto quanto a questão tecnológica, uma vez que a resistência de colaboradores à mudança e a falta de investimentos consistentes são barreiras recorrentes para a implementação de políticas estruturadas. Para ele, sem patrocínio da liderança e sem recursos adequados, muitas iniciativas de governança acabam se limitando a projetos pontuais, sem impacto duradouro.
“Por outro lado, os benefícios para empresas que conseguem avançar nessa agenda são claros. Quando organizamos e governamos nossos dados de forma inteligente, conseguimos tomar decisões mais seguras, ágeis e baseadas em evidências reais. Hoje, não é mais uma parte de compliance ou atendimento à LGPD, é um diferencial competitivo capaz de impulsionar eficiência e inovação”, destaca Araújo.
Nesse cenário, o porta-voz da eBox Digital acredita que o Brasil tem campo fértil para evoluir com adoção de políticas claras, aliada à integração de ferramentas e à capacitação de equipes. As organizações que conseguirem estruturar práticas robustas de governança digital estarão mais preparadas para enfrentar riscos, garantir conformidade regulatória e, principalmente, transformar informações em vantagem de mercado.