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Região Norte chega às eleições 2026 com 13,1 milhões de eleitores, maioria feminina e forte presença de votantes de renda mais baixa

Pará concentra quase metade do eleitorado da região; ensino médio completo é o nível de escolaridade mais frequente nos sete estados, enquanto indicadores de renda mostram diferenças importantes entre Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins

A Região Norte chega às Eleições Gerais de 2026 com 13.109.354 eleitoras e eleitores aptos a votar, o equivalente a 8,26% de todo o eleitorado brasileiro. Mais do que o tamanho absoluto, chama atenção o ritmo de expansão: em comparação com as eleições gerais de 2022, quando eram 12,56 milhões de votantes, a região ganhou cerca de 549 mil eleitores, crescimento de 4,37% — o maior entre as cinco regiões brasileiras.

O perfil que emerge dos dados da Justiça Eleitoral reúne algumas características comuns aos sete estados: as mulheres são maioria, a população adulta ocupa a maior fatia do cadastro e o ensino médio completo aparece como o nível de escolaridade isolado mais numeroso. Ao mesmo tempo, a realidade econômica ainda distancia a região da média brasileira.

O Pará responde sozinho por 6.265.355 eleitores, aproximadamente 48% de todos os votos potenciais do Norte. Em seguida aparecem Amazonas, com 2.801.182, Rondônia, com 1.267.105, e Tocantins, com 1.182.307. Acre registra 614.375 eleitores, Amapá, 577.534, e Roraima, 401.496.

Mulheres são maioria em todos os estados

A predominância feminina é uma das características mais constantes do eleitorado nortista. No Acre, as mulheres representam aproximadamente 52% dos eleitores, com cerca de 317 mil registros. O grupo com ensino médio completo é também o maior no estado, reunindo aproximadamente 148 mil pessoas.

No Amapá, as mulheres somam 296.729 eleitoras, aproximadamente 51% do total. O estado possui forte presença de adultos jovens, sendo a faixa dos 25 aos 29 anos a mais numerosa, com quase 70 mil eleitores. Na escolaridade, 162.624 pessoas têm ensino médio completo, equivalentes a 28,16% do eleitorado, enquanto 58.517 registram ensino superior completo.

No Amazonas, dos mais de 2,8 milhões de eleitores, 1.440.590 são mulheres, pouco mais de 51%. O retrato predominante é de uma população votante jovem-adulta: a faixa dos 25 aos 29 anos reúne cerca de 338 mil pessoas. O ensino médio completo é a categoria de escolaridade mais numerosa, alcançando aproximadamente 918 mil eleitores.

O Pará, maior colégio eleitoral do Norte, também apresenta maioria feminina. São 3.179.896 eleitoras, aproximadamente 51% do total estadual. O ensino médio completo reúne cerca de 1,7 milhão de pessoas, mas o estado mantém também um contingente expressivo de eleitores com ensino fundamental incompleto, em torno de 1,6 milhão. O dado evidencia como o enorme tamanho do eleitorado paraense reúne segmentos educacionais bastante distintos.

Em Rondônia, o eleitorado ultrapassa 1,26 milhão de pessoas e as mulheres representam aproximadamente 52%. Cerca de 318 mil eleitores possuem ensino médio completo, maior grupo individual por grau de instrução, mas há também aproximadamente 307 mil pessoas com ensino fundamental incompleto.

Roraima possui o menor eleitorado da Região Norte, com 401.496 pessoas, mas foi o estado brasileiro que apresentou o maior crescimento proporcional desde as eleições gerais de 2022: 9,63%. As mulheres são 204.555, ou cerca de 51%. O ensino médio completo também predomina, com 119.525 eleitores, 29,77% do total. Outros 43.015 possuem ensino superior completo.

No Tocantins, as mulheres representam 50,92% do eleitorado, somando 601.991 pessoas, enquanto os homens são 580.316. Aproximadamente 323 mil eleitores possuem ensino médio completo, e cerca de 131 mil concluíram o ensino superior.

Renda revela diferenças dentro da própria Região Norte

Os dados econômicos ajudam a completar esse retrato. O rendimento domiciliar mensal per capita da Região Norte foi de R$ 1.568 em 2025, enquanto a média brasileira chegou a R$ 2.316. Isso significa que o rendimento médio regional corresponde a pouco mais de dois terços do registrado no conjunto do país.

Entre os sete estados, o Tocantins apresenta o maior rendimento domiciliar per capita, com R$ 2.036, seguido por Rondônia, com R$ 1.991. Roraima aparece com R$ 1.878 no valor divulgado pela PNAD Contínua, enquanto o Amapá registra R$ 1.697. Na parte inferior estão Amazonas, com R$ 1.484, Pará, com R$ 1.420, e Acre, com R$ 1.392. Nenhum estado nortista, portanto, alcança a média nacional de R$ 2.316.

Esse componente econômico é particularmente importante para compreender o ambiente social no qual as eleições serão disputadas. Educação, emprego, geração de renda, custo de vida, saúde, transporte, infraestrutura urbana e rural e acesso a serviços públicos tendem a dialogar diretamente com uma população que, em média, dispõe de renda inferior à brasileira.

Norte também se destaca pela diversidade do eleitorado

Outro aspecto relevante do perfil eleitoral é a presença dos povos indígenas. A Região Norte concentra em 2026 cerca de 47% de todo o eleitorado indígena cadastrado no Brasil, com 136.978 eleitores indígenas. Em 2024 eram 74.506, aumento de aproximadamente 83%. O Amazonas sozinho passou de 37.359 para 73.580 eleitores indígenas, maior crescimento absoluto entre os estados brasileiros.

Essa evolução precisa ser interpretada com cautela. O próprio TSE destaca que o crescimento não significa apenas aumento populacional, mas também a ampliação do preenchimento dos campos de autodeclaração de raça, etnia e pertencimento no cadastro eleitoral. Ainda assim, os números tornam mais visível uma característica essencial da política nortista: a diversidade territorial e cultural de uma região marcada por grandes centros urbanos, áreas rurais, comunidades ribeirinhas, povos indígenas e populações tradicionais.

Um eleitorado numeroso, jovem-adulto e socialmente diverso

O retrato dos 13,1 milhões de eleitores do Norte revela, portanto, uma região que cresce eleitoralmente mais rápido que o restante do país e na qual as mulheres detêm uma pequena, porém consistente, maioria numérica.

Ao mesmo tempo, o predomínio do ensino médio completo convive com parcelas expressivas do eleitorado que ainda apresentam baixa escolarização. No campo econômico, mesmo os estados de maior rendimento da região permanecem abaixo da média brasileira. Pará e Amazonas concentram a maior massa de votantes, mas estados menores, especialmente Roraima e Tocantins, registram expansão significativa do cadastro eleitoral.

Para candidatos, partidos e pesquisadores, esses números mostram que não existe um único “eleitor nortista”. Há características regionais comuns, mas também diferenças profundas entre os sete estados. Em 2026, compreender essas particularidades será fundamental para interpretar tanto a campanha quanto o comportamento das urnas.

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