Paraná supera o Rio Grande do Sul e passa a ter o maior eleitorado da região; mulheres são maioria nos três estados e indicadores econômicos colocam o Sul entre as áreas de maior renda do país
A Região Sul chegará às Eleições Gerais de 2026 com 22.861.012 eleitoras e eleitores aptos a votar, o equivalente a 14,40% de todo o eleitorado brasileiro. O número representa crescimento de aproximadamente 1,34% em relação às eleições gerais de 2022, quando os três estados somavam 22,56 milhões de pessoas habilitadas ao voto.
O retrato do eleitor sulista revela características comuns entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul: predominância feminina, forte concentração nas faixas adultas de idade e participação expressiva de pessoas com ensino médio ou superior. O contexto econômico também diferencia a região, já que os três estados apresentam rendimento domiciliar per capita superior à média brasileira.
Os números fazem da Região Sul um espaço eleitoral importante no cenário nacional. Somados, Paraná e Rio Grande do Sul possuem mais de 17 milhões de eleitores, enquanto Santa Catarina se destaca pelo crescimento recente de seu eleitorado, influenciado também pela migração de moradores de outros estados.
Paraná assume liderança regional e se torna quinto maior colégio eleitoral do Brasil
O Paraná terá 8.609.026 eleitores aptos a votar em 2026, tornando-se, pela primeira vez, o maior colégio eleitoral da Região Sul e o quinto maior do Brasil. O estado ultrapassou o Rio Grande do Sul e agora fica atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.
As mulheres representam aproximadamente 53% do eleitorado paranaense. Em relação à idade, a maior concentração está entre os eleitores de 40 a 44 anos, faixa que reúne 826.109 pessoas. O grupo entre 30 e 34 anos aparece logo depois, com 823.196 eleitores.
A escolaridade é outro elemento relevante. Mais de 51% dos eleitores do Paraná possuem escolaridade situada entre ensino médio completo e ensino superior completo. Dados detalhados divulgados anteriormente pelo TRE-PR já mostravam o ensino médio completo como a principal categoria educacional do eleitorado estadual.
O Paraná também apresenta alto nível de cadastramento biométrico: 97,37% do eleitorado possui biometria válida, segundo o TRE-PR.
Outro aspecto do perfil é o envelhecimento gradual do eleitorado. O estado possui 949.909 eleitores com 70 anos ou mais, para os quais o voto é facultativo. Já os jovens de até 29 anos representam aproximadamente 1,67 milhão de eleitores.
No campo econômico, o Paraná registrou em 2025 um rendimento domiciliar per capita de R$ 2.762 por mês, acima da média brasileira, de R$ 2.316.
Santa Catarina tem crescimento do eleitorado e forte presença de migrantes
Santa Catarina contará com 5.725.753 eleitores nas eleições de outubro. O número representa crescimento de aproximadamente 236 mil eleitores, ou 4,3%, em comparação com as eleições gerais de 2022, tornando o estado um dos principais destaques de expansão eleitoral no Sul.
As mulheres são novamente maioria. São 2.992.155 eleitoras, equivalentes a 52,26% do total, contra 2.733.597 homens, que representam 47,74%.
A maior faixa etária é a de 40 a 44 anos, com 593.960 pessoas, ou 10,37% do eleitorado catarinense. O estado também possui 589.010 eleitores com 70 anos ou mais e 45.053 jovens de 16 e 17 anos habilitados a votar.
Na escolaridade, o perfil catarinense mostra uma presença significativa dos níveis médio e superior. Aproximadamente 27,5% possuem ensino médio completo, enquanto 20,9% têm ensino fundamental incompleto e 16% ensino médio incompleto. Cerca de 14,8% possuem ensino superior completo e outros 8,1%, superior incompleto.
Santa Catarina também apresenta uma particularidade importante: a migração. Entre novembro de 2024 e o fechamento do cadastro eleitoral, em maio de 2026, foram registradas 157.609 transferências de títulos provenientes de outras unidades da Federação. Rio Grande do Sul e Paraná aparecem como as principais origens desses novos eleitores.
No cenário socioeconômico, Santa Catarina registrou rendimento domiciliar per capita de R$ 2.809 em 2025, colocando o estado bem acima da média nacional.
Rio Grande do Sul mantém eleitorado superior a 8,5 milhões e apresenta perfil mais envelhecido
O Rio Grande do Sul terá 8.526.233 eleitores aptos a votar em 2026, segundo o Tribunal Regional Eleitoral. Embora tenha registrado redução de 1,8% em comparação com as eleições municipais de 2024, o eleitorado gaúcho ainda é 1,22% maior que o das eleições gerais de 2022.
As mulheres representam cerca de 53% do eleitorado gaúcho, mantendo a tendência observada nos demais estados da Região Sul.
O envelhecimento demográfico aparece de maneira especialmente evidente no estado. Entre as faixas mais numerosas estão os eleitores de 40 a 44 anos, com 811.558 pessoas, seguidos pelos de 45 a 49 anos, com 768.543, e pelos de 35 a 39 anos, com 768.230.
O perfil educacional gaúcho difere parcialmente dos outros dois estados. O maior grupo é formado por pessoas com ensino fundamental incompleto, 26,71% do eleitorado, ou aproximadamente 2,28 milhões de pessoas.
Em seguida aparecem os eleitores com ensino médio completo, 23,7%, e ensino médio incompleto, com 17,87%. Outros 11,15% possuem ensino superior completo, correspondendo a cerca de 951 mil eleitores.
O Rio Grande do Sul também lidera entre os três estados em rendimento domiciliar per capita. Em 2025, o indicador chegou a R$ 2.839 mensais, contra R$ 2.809 em Santa Catarina e R$ 2.762 no Paraná.
Mulheres são maioria em toda a Região Sul
Uma das características mais uniformes do eleitorado sulista é a predominância feminina. As mulheres representam aproximadamente 53% dos eleitores no Paraná e no Rio Grande do Sul e 52,26% em Santa Catarina.
O fenômeno acompanha o quadro nacional. Nas Eleições 2026, o Brasil possui aproximadamente 83,9 milhões de eleitoras, equivalentes a 52,84% das pessoas aptas a votar.
Outra característica comum é a concentração dos maiores contingentes eleitorais na população adulta, especialmente entre 30 e 49 anos, acompanhada pelo crescimento da participação das faixas acima de 60 e 70 anos.
Renda coloca os três estados acima da média brasileira
Quando o perfil eleitoral é observado em conjunto com indicadores socioeconômicos, os três estados aparecem em posição diferenciada no cenário brasileiro.
Segundo a PNAD Contínua do IBGE, o rendimento domiciliar per capita de 2025 foi de R$ 2.839 no Rio Grande do Sul, R$ 2.809 em Santa Catarina e R$ 2.762 no Paraná. Todos superam a média nacional, de R$ 2.316.
| Estado | Eleitores em 2026 | Mulheres | Destaque de escolaridade | Renda domiciliar per capita |
|---|---|---|---|---|
| Paraná | 8.609.026 | ≈ 53% | Mais de 51% entre médio completo e superior completo | R$ 2.762 |
| Rio Grande do Sul | 8.526.233 | ≈ 53% | Fundamental incompleto: 26,71%; médio completo: 23,7% | R$ 2.839 |
| Santa Catarina | 5.725.753 | 52,26% | Médio completo: 27,5%; superior completo: 14,8% | R$ 2.809 |
| Região Sul | 22.861.012 | Maioria feminina | Forte presença dos níveis médio e superior | Acima da média nacional |
É importante observar que o Cadastro Eleitoral do TSE não classifica os eleitores por renda ou classe social. Por isso, não é tecnicamente correto afirmar, por exemplo, que determinado percentual do eleitorado pertence às classes A, B, C, D ou E com base nos registros da Justiça Eleitoral. Os dados de renda do IBGE permitem caracterizar o ambiente socioeconômico dos estados, mas não atribuir uma classe econômica individual aos eleitores.
Um eleitorado numeroso, urbano e socioeconomicamente diferenciado
O conjunto dos indicadores mostra uma Região Sul com um eleitorado de grande peso nacional, cada vez mais feminino e com importante presença de adultos de meia-idade e idosos.
O Paraná ganha relevância adicional em 2026 ao ultrapassar o Rio Grande do Sul e tornar-se o quinto maior colégio eleitoral brasileiro. Santa Catarina, por outro lado, chama atenção pela expansão de seu eleitorado e pela influência dos movimentos migratórios. Já o Rio Grande do Sul combina um dos maiores contingentes eleitorais do país com sinais mais evidentes de envelhecimento populacional.
Sob o ponto de vista socioeconômico, os três estados estão inseridos em um contexto de renda domiciliar superior à média brasileira e indicadores educacionais relativamente elevados, fatores que ajudam a compor o retrato social dos mais de 22,8 milhões de cidadãos sulistas chamados às urnas em outubro de 2026.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Tribunais Regionais Eleitorais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/PNAD Contínua).