Atual governador, ex-governador, senador, ex-deputado e nomes que buscam espaço fora das forças tradicionais compõem uma eleição marcada pelo confronto entre continuidade, retorno ao poder e projetos distintos sobre o papel do Estado
GOIÂNIA (GO) — A eleição para o Governo de Goiás em 2026 coloca frente a frente seis trajetórias bastante diferentes. De um lado está Daniel Vilela (MDB), que chegou ao Palácio das Esmeraldas em março deste ano, após a saída de Ronaldo Caiado. Do outro aparecem o senador Wilder Morais (PL), o quatro vezes governador Marconi Perillo (PSDB), o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) e duas candidaturas de partidos menores: Luciana Amorim (UP) e Danilo Pinheiro (PCO).
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026. Se nenhum candidato conquistar mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
A disputa reúne, portanto, experiências políticas muito distintas: Daniel tenta transformar em mandato conquistado diretamente nas urnas o governo que assumiu por sucessão; Marconi busca voltar ao cargo que ocupou quatro vezes; Wilder tenta trocar o Senado pelo Executivo estadual; Luis Cesar retorna a uma disputa majoritária depois de uma longa trajetória parlamentar; Luciana disputa pela primeira vez o governo depois de duas candidaturas a vice; e Danilo estreia nas urnas justamente concorrendo ao principal cargo do Estado.
OS SEIS CANDIDATOS
| Candidato | Partido / nº | Nascimento | Naturalidade | Vice | Bens declarados em 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Daniel Vilela | MDB — 15 | 23/10/1983 | Jataí (GO) | Luiz do Carmo (PSD) | R$ 5.627.385,99 |
| Danilo Pinheiro | PCO — 29 | 16/07/1983 | São Luís (MA) | Maria Joana (PCO) | R$ 215.000,00 |
| Luciana Amorim | UP — 80 | 25/01/1972 | Anápolis (GO) | Caymmi Henrique (UP) | R$ 1.867.106,94 |
| Luis Cesar Bueno | PT — 13 | 11/08/1960 | Goiânia (GO) | Carlos Mundim (PDT) | R$ 884.607,32 |
| Marconi Perillo | PSDB — 45 | 07/03/1963 | Palmeiras de Goiás (GO) | Jacqueline Zaiden (PSDB) | R$ 11.876.815,71 |
| Wilder Morais | PL — 22 | 29/06/1968 | Taquaral de Goiás (GO) | Ana Paula Rezende (PL) | R$ 65.160.903,35 |
Nota: os valores patrimoniais são os bens informados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Não representam necessariamente patrimônio líquido ou valor atualizado de mercado e podem ser retificados durante o processo eleitoral.
DANIEL VILELA (MDB) — O GOVERNADOR QUE CHEGOU AO CARGO PELA SUCESSÃO
Aos 42 anos, Daniel Elias Carvalho Vilela chega à eleição de 2026 ocupando o próprio cargo que disputa. Nascido em Jataí, em 23 de outubro de 1983, é formado em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira e possui pós-graduação em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas.
Filho de Maguito Vilela, que foi governador, senador e prefeito, Daniel construiu uma carreira eleitoral relativamente rápida. Passou pela Câmara Municipal de Goiânia, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados antes de disputar o Governo de Goiás pela primeira vez, em 2018. Em 2022, aliou-se a Ronaldo Caiado e foi eleito vice-governador.
Com a renúncia de Caiado para disputar a Presidência da República, Daniel assumiu definitivamente o Governo de Goiás em 31 de março de 2026.
Histórico partidário
A trajetória eleitoral de Daniel está integralmente vinculada ao PMDB/MDB. A mudança de sigla nos registros decorre da alteração do nome do Partido do Movimento Democrático Brasileiro para Movimento Democrático Brasileiro. Atualmente, além de governador, Daniel preside o MDB em Goiás.
Linha do tempo eleitoral de Daniel Vilela
| Ano | Disputa | Resultado |
|---|---|---|
| 2008 | Vereador de Goiânia — PMDB | Eleito com 8.283 votos |
| 2010 | Deputado estadual — PMDB | Eleito com 36.382 votos |
| 2014 | Deputado federal — PMDB | Eleito com 179.214 votos |
| 2018 | Governador — MDB | 479.180 votos; não eleito |
| 2022 | Vice-governador — MDB | Eleito na chapa de Ronaldo Caiado, com 1.806.892 votos (51,81%) |
| 2026 | Governador — MDB | Em disputa |
Os resultados eleitorais são consolidados a partir das bases do TSE.
Mandatos
Daniel foi vereador de Goiânia entre 2009 e 2010, deputado estadual de 2011 a 2014, deputado federal de 2015 a 2018, vice-governador de 2023 a março de 2026 e é governador desde 31 de março deste ano. Na Câmara Federal chegou à presidência da Comissão de Constituição e Justiça.
Patrimônio
Daniel declarou R$ 5.627.385,99 em bens. A relação inclui créditos decorrentes de empréstimos, terrenos e terras, participação societária e 301 bovinos, entre outros itens.
O que propõe
O plano do MDB está estruturado em seis eixos e apresenta forte componente de continuidade administrativa. Entre as medidas aparecem ampliação da educação integral e inclusiva, modernização da UEG, conectividade e inteligência artificial; regionalização dos serviços de saúde e ampliação da oferta hospitalar; descentralização da hemodiálise; fortalecimento da segurança no interior e enfrentamento aos crimes digitais; investimentos em agropecuária, mineração e turismo; saneamento, segurança hídrica e mobilidade de baixo carbono; além de desburocratização e expansão dos serviços públicos digitais.
DANILO PINHEIRO (PCO) — A ESTREIA ELEITORAL DIRETAMENTE NA DISPUTA PELO GOVERNO
Danilo Pinheiro Evangelista da Silva, 43 anos, nasceu em São Luís, no Maranhão, em 16 de julho de 1983. Declarou à Justiça Eleitoral ensino médio completo e ocupação de técnico de eletricidade, eletrônica e telecomunicações.
Ao contrário dos demais concorrentes, chega à eleição sem passagem anterior pelas urnas. A candidatura ao Governo de Goiás é a primeira registrada em seu nome nas bases abertas do TSE desde 1998. Sua companheira de chapa no registro eleitoral atualizado é Maria Joana Ribeiro da Silva, também do PCO.
Histórico partidário
Por se tratar de sua primeira candidatura, o único vínculo partidário eleitoral identificado é com o Partido da Causa Operária (PCO).
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Resultado |
|---|---|---|
| 2026 | Governador de Goiás — PCO | Primeira candidatura; em disputa |
Mandatos
Não exerceu mandato eletivo.
Patrimônio
Danilo apresentou a menor declaração patrimonial entre os seis candidatos: R$ 215 mil, compostos por uma casa declarada em R$ 200 mil e um automóvel Sandero avaliado em R$ 15 mil.
O que propõe
O programa apresentado pelo PCO tem apenas sete páginas e é, em grande parte, um documento nacional utilizado também nas candidaturas estaduais. Defende expansão dos serviços públicos, concursos regulares e fim das terceirizações, redução da jornada semanal para 35 horas sem redução salarial, piso de R$ 8,5 mil para professores, ampliação dos recursos do SUS e reversão de privatizações.
O documento também apresenta propostas de transformação estrutural mais profundas, como estatização de setores econômicos, expropriação de latifúndios para reforma agrária e, na área de segurança, dissolução da Polícia Militar.
LUCIANA AMORIM (UP) — SERVIDORA FEDERAL E ÚNICA MULHER NA DISPUTA
Luciana de Deus Amorim, 54 anos, nasceu em Anápolis, em 25 de janeiro de 1972. É formada em Direito e trabalha como servidora pública federal, atuando como analista no Judiciário Federal.
Luciana chega à disputa depois de duas experiências como candidata a vice. Em 2022 integrou a chapa de Reinaldo Pantaleão ao Governo de Goiás; dois anos depois, voltou a formar chapa com Pantaleão, desta vez na eleição para a Prefeitura de Goiânia. Em 2026 passa à cabeça de chapa.
Histórico partidário
Todas as candidaturas eleitorais identificadas de Luciana — 2022, 2024 e 2026 — foram pela Unidade Popular (UP).
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Resultado |
|---|---|---|
| 2022 | Vice-governadora — UP | Chapa recebeu 5.400 votos (0,15%); não eleita |
| 2024 | Vice-prefeita de Goiânia — UP | Chapa recebeu 1.657 votos; não eleita |
| 2026 | Governadora — UP | Em disputa |
Nos dois primeiros casos, a quantidade corresponde aos votos recebidos pela chapa, e não a votos nominais para vice.
Mandatos
Não exerceu mandato eletivo.
Patrimônio
Luciana declarou R$ 1.867.106,94, distribuídos entre imóveis em Goiânia, Cuiabá e Palmas, aplicações financeiras, um veículo e participação societária.
O que propõe
O programa da UP dá ênfase à ampliação da atuação direta do Estado. Entre as propostas estão frentes emergenciais de trabalho, auxílio enquanto não houver pleno emprego, políticas de reforma agrária e agroecologia, ampliação da educação integral, fortalecimento da UEG, concursos para professores, expansão da EJA e das escolas rurais e erradicação do analfabetismo.
Na saúde, Luciana defende centros regionais de especialidades, interiorização das UPAs, expansão da Saúde da Família e encerramento da gestão por organizações sociais. Na segurança, prevê combate ao crime organizado por inteligência, câmeras corporais para policiais e delegacias especializadas de atendimento à mulher durante 24 horas. O programa ainda defende maior presença estatal no transporte e em empresas estratégicas.
LUIS CESAR BUENO (PT) — QUATRO MANDATOS NA ASSEMBLEIA E UMA VIDA POLÍTICA DENTRO DO PT
Luis Cesar Bueno e Freitas, 66 anos, nasceu em Goiânia, em 11 de agosto de 1960. Professor e historiador, participou de movimentos estudantis, sindicais e populares e esteve entre os fundadores do Partido dos Trabalhadores em Goiás.
Sua trajetória eleitoral começou nos anos 1990. Antes de chegar à Assembleia Legislativa, foi vereador de Goiânia por dois mandatos e, em 1998, chegou a disputar uma cadeira de deputado estadual, ficando na suplência. Em 2002 conquistou a primeira das quatro eleições consecutivas para a Assembleia.
Histórico partidário
Luis Cesar é fundador do PT e toda a sua trajetória eleitoral registrada ocorreu na legenda. Exerceu funções na direção municipal, regional e nacional do partido.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Resultado |
|---|---|---|
| 1996 | Vereador de Goiânia — PT | Eleito com 3.736 votos |
| 1998 | Deputado estadual — PT | 7.634 votos; suplente |
| 2000 | Vereador de Goiânia — PT | Eleito com 4.023 votos |
| 2002 | Deputado estadual — PT | Eleito com 11.069 votos |
| 2006 | Deputado estadual — PT | Eleito com 12.574 votos |
| 2010 | Deputado estadual — PT | Eleito com 23.355 votos |
| 2014 | Deputado estadual — PT | Eleito com 20.290 votos |
| 2018 | Senador — PT | 101.743 votos; não eleito |
| 2022 | Deputado estadual — PT | 9.474 votos; suplente |
| 2026 | Governador — PT | Em disputa |
A sequência reúne os registros eleitorais disponíveis desde 1996; a candidatura de 1998 é importante porque ocorreu entre os dois mandatos de vereador e costuma ser omitida em resumos biográficos.
Mandatos
Foram dois mandatos de vereador em Goiânia e quatro mandatos consecutivos de deputado estadual, entre 2003 e 2019. Na Assembleia, presidiu comissões e exerceu a liderança da bancada petista.
Patrimônio
Declarou R$ 884.607,32 em bens à Justiça Eleitoral.
O que propõe
Luis Cesar organizou o programa em oito grandes eixos. Uma das propostas mais características é dividir Goiás em oito zonas econômicas, planejadas de acordo com vocações produtivas e necessidades regionais.
Na educação, estabelece como objetivo alcançar 370 escolas de tempo integral. Na mobilidade, propõe implantação progressiva da Tarifa Zero, condicionada à estrutura de financiamento. Na saúde, prevê transição gradual da administração hospitalar para gestão pública direta. O programa inclui ainda regionalização da atenção básica, fortalecimento da produção pública de medicamentos, políticas de segurança com inteligência e proteção às mulheres, desenvolvimento sustentável e fundo para emergências climáticas.
MARCONI PERILLO (PSDB) — QUATRO VEZES GOVERNADOR E EM BUSCA DE UM QUINTO MANDATO
Poucos candidatos nas eleições estaduais brasileiras de 2026 carregam uma história tão diretamente associada ao cargo que disputam quanto Marconi Ferreira Perillo Júnior.
Nascido em Palmeiras de Goiás, em 7 de março de 1963, Marconi começou a vida política no PMDB e foi eleito deputado estadual em 1990. Quatro anos depois chegou à Câmara dos Deputados e, em 1998, conquistou pela primeira vez o Governo de Goiás.
Venceu novamente em 2002, retornou ao Palácio das Esmeraldas em 2010 e obteve o quarto mandato em 2014. Também exerceu mandato de senador. Agora, aos 63 anos, busca governar Goiás pela quinta vez.
Histórico partidário completo
A trajetória de Marconi atravessa cinco siglas:
PMDB (1983–1992) → PST (1992–1993) → PP (1993–1995) → PPB (setembro/outubro de 1995) → PSDB (desde outubro de 1995).
A sequência consta do perfil biográfico oficial mantido pela Assembleia Legislativa de Goiás.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Resultado |
|---|---|---|
| 1990 | Deputado estadual — PMDB | Eleito com 14.553 votos |
| 1994 | Deputado federal — PP | Eleito com 40.258 votos |
| 1998 | Governador — PSDB | 946.588 votos no 1º turno; 1.157.988 no 2º — eleito |
| 2002 | Governador — PSDB | 1.301.554 votos — eleito no 1º turno |
| 2006 | Senador — PSDB | 2.035.564 votos — eleito |
| 2010 | Governador — PSDB | 1.400.227 no 1º turno; 1.551.132 no 2º — eleito |
| 2014 | Governador — PSDB | 1.451.330 no 1º turno; 1.750.977 no 2º — eleito |
| 2018 | Senador — PSDB | 416.613 votos — não eleito |
| 2022 | Senador — PSDB | 626.662 votos — não eleito |
| 2026 | Governador — PSDB | Em disputa |
Os números de 1990 e 1994 aparecem nos registros históricos eleitorais; o TSE registra oficialmente os 40.258 votos da eleição para deputado federal em 1994. Os pleitos posteriores constam das bases históricas consolidadas da Justiça Eleitoral.
Mandatos
Marconi foi deputado estadual, deputado federal, senador e governador em quatro períodos eleitorais — 1999–2002, 2003–2006, 2011–2014 e 2015–2018, tendo se desincompatibilizado antes do término de alguns mandatos para disputar outras eleições.
Patrimônio
Declarou R$ 11.876.815,71 em 24 bens. Entre os itens de maior valor aparecem apartamento, casa, investimentos, créditos e participações societárias. É o segundo maior patrimônio declarado entre os candidatos ao governo.
O que propõe
Batizado de “Goiás de Todos — Legado que Inova”, o programa reúne 55 compromissos, distribuídos em dez áreas temáticas e quatro eixos: Pessoas, Prosperidade, Território e Governo.
Na educação, Marconi propõe prioridade permanente à alfabetização, expansão do tempo integral, concursos e recomposição da destinação de recursos à UEG. Na saúde, prevê redução das filas, monitoramento integrado, regionalização e telemedicina. Na segurança, fala em inteligência, modernização das polícias Civil e Científica e fortalecimento da atuação rural e de fronteira. Na economia, propõe estímulo à inovação, atração de data centers, simplificação do ambiente empresarial e retomada de programas de microcrédito.
WILDER MORAIS (PL) — DO EMPRESARIADO AO SENADO E AGORA AO PALÁCIO DAS ESMERALDAS
Wilder Pedro de Morais, 58 anos, nasceu em Taquaral de Goiás, em 29 de junho de 1968. Engenheiro civil formado pela PUC Goiás, construiu carreira empresarial no setor de construção e incorporação antes de ingressar na política.
A estreia eleitoral ocorreu em 2010 como primeiro suplente do então senador Demóstenes Torres. Com a cassação do titular, Wilder assumiu o mandato em julho de 2012 e permaneceu no Senado até 2019. Também exerceu funções no Executivo estadual como secretário de Infraestrutura e de Indústria, Comércio e Serviços.
Após uma tentativa frustrada de reeleição ao Senado em 2018 e uma candidatura a vice-prefeito de Goiânia em 2020, retornou ao Senado pela votação popular em 2022.
Histórico partidário
Wilder apresenta uma das trajetórias partidárias mais movimentadas da disputa. Estreou pelo DEM em 2010. Em 2015 deixou a legenda e ingressou no PP, chegando à presidência estadual do partido. Em abril de 2018 voltou ao DEM. Na eleição municipal de 2020 já estava filiado ao PSC e, em 2022, concorreu e venceu pelo PL, legenda pela qual disputa o governo em 2026.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Resultado |
|---|---|---|
| 2010 | 1º suplente de senador — DEM | Chapa de Demóstenes Torres eleita com 2.158.812 votos |
| 2018 | Senador — DEM | 796.387 votos — não eleito |
| 2020 | Vice-prefeito de Goiânia — PSC | 148.739 votos no 1º turno e 250.036 no 2º — chapa não eleita |
| 2022 | Senador — PL | 799.022 votos — eleito |
| 2026 | Governador — PL | Em disputa |
Em 2010 e 2020, por se tratar respectivamente de candidatura a suplente e vice-prefeito, os votos pertencem às chapas.
Mandatos
Exerceu um primeiro período no Senado entre 2012 e 2019, após assumir a vaga de Demóstenes Torres. Retornou à Casa em fevereiro de 2023, agora como senador titular eleito para o mandato 2023–2031.
Patrimônio
Wilder declarou R$ 65.160.903,35, o maior patrimônio entre os seis candidatos. Na eleição de 2022 havia declarado R$ 41,48 milhões.
O que propõe
O plano do PL é organizado em sete prioridades. Na saúde, o programa “Minha Vez” prevê unificação e transparência das filas de consultas, exames e cirurgias, complementação de valores do SUS e entrega domiciliar de medicamentos de uso contínuo.
Na educação, propõe reforço de leitura, escrita e matemática, expansão direcionada do tempo integral e ensino técnico vinculado às vagas disponíveis em cada região. Na segurança, defende manutenção da integração policial e criação de mecanismos específicos contra fraudes e golpes digitais. Entre as demais propostas estão CNH do Trabalho, Cartão Creche, abertura simplificada de empresas de baixo risco, investimentos em rodovias e aeroportos regionais e criação de estruturas de governo organizadas nas dez regiões do Estado.
PATRIMÔNIO: UMA DIFERENÇA QUE VAI DE R$ 215 MIL A R$ 65 MILHÕES
A declaração de bens também revela perfis econômicos bastante diferentes entre os concorrentes:
| Posição | Candidato | Patrimônio declarado |
|---|---|---|
| 1º | Wilder Morais | R$ 65.160.903,35 |
| 2º | Marconi Perillo | R$ 11.876.815,71 |
| 3º | Daniel Vilela | R$ 5.627.385,99 |
| 4º | Luciana Amorim | R$ 1.867.106,94 |
| 5º | Luis Cesar Bueno | R$ 884.607,32 |
| 6º | Danilo Pinheiro | R$ 215.000,00 |
A distância entre os extremos é expressiva: o valor declarado por Wilder é mais de 300 vezes superior ao informado por Danilo. A comparação, entretanto, deve ser lida exclusivamente como registro das declarações apresentadas ao TSE, e não como avaliação da capacidade financeira, renda disponível ou situação patrimonial líquida dos candidatos.
PROPOSTAS DE GOVERNO — ONDE OS SEIS PROJETOS MAIS SE DIFERENCIAM
| Candidato | Educação | Saúde | Segurança | Economia, infraestrutura e modelo de gestão |
|---|---|---|---|---|
| Daniel Vilela (MDB) | Ampliação do tempo integral e educação inclusiva; modernização da UEG; conectividade e IA | Regionalização, hospitais e policlínicas; hemodiálise descentralizada; saúde mental e materno-infantil | Interiorização da segurança; inteligência; combate ao crime digital | Agro, mineração, turismo, saneamento e segurança hídrica; governo digital e desburocratização |
| Danilo Pinheiro (PCO) | Piso de R$ 8,5 mil para professores; livre ingresso nas universidades; expansão pública | Ampliação dos recursos do SUS e forte intervenção estatal no setor privado | Programa propõe dissolução da PM e profunda alteração do sistema de segurança | Fim das terceirizações, concursos públicos, reversão de privatizações, estatizações e redução da jornada de trabalho |
| Luciana Amorim (UP) | Educação integral, concursos, fortalecimento da UEG, EJA e combate ao analfabetismo | Centros regionais, UPAs no interior, Saúde da Família e fim das OSs | Inteligência contra crime organizado, câmeras corporais e delegacias da mulher 24h | Frentes de trabalho, reforma agrária, maior atuação direta do Estado e reestatizações |
| Luis Cesar Bueno (PT) | Meta de 370 escolas de tempo integral e fortalecimento da educação técnica | Transição gradual para gestão pública direta e regionalização da atenção | Programas Vida Segura e Mulher Segura; inteligência e prevenção | Oito zonas econômicas; Tarifa Zero progressiva; desenvolvimento regional e agenda climática |
| Marconi Perillo (PSDB) | Alfabetização, tempo integral, concursos e fortalecimento financeiro da UEG | Redução de filas, telemedicina e regionalização | Inteligência; modernização das polícias Civil e Científica; segurança rural | Inovação, data centers, microcrédito, infraestrutura, agronegócio e gestão orientada a resultados |
| Wilder Morais (PL) | Reforço em leitura e matemática, expansão focalizada do integral e ensino técnico | Fila com posição e prazo; Tabela SUS Goiás; Remédio em Casa | Manutenção da integração policial e combate específico ao crime digital | CNH do Trabalho, Cartão Creche, simplificação empresarial, infraestrutura e governo regionalizado |
ENTRE CONTINUIDADE, RETORNO E RUPTURA
A eleição goiana de 2026 não apresenta apenas uma disputa entre nomes. Os programas registrados na Justiça Eleitoral revelam diferentes concepções sobre o tamanho, a função e a forma de atuação do Estado.
Daniel Vilela apresenta o projeto mais diretamente associado à continuidade da administração iniciada sob Ronaldo Caiado, acrescentando digitalização, inteligência artificial e expansão das políticas existentes.
Wilder Morais combina a preservação de áreas que considera bem avaliadas — especialmente segurança — com uma agenda focada em metas de atendimento, desburocratização, empreendedorismo e prestação regionalizada dos serviços públicos.
Marconi Perillo tenta articular sua experiência de quatro governos anteriores com uma narrativa de atualização administrativa, inovação, tecnologia e retomada de programas associados às suas gestões.
Luis Cesar Bueno defende maior intervenção pública em áreas como saúde e transporte, com propostas como gestão direta hospitalar e Tarifa Zero progressiva.
Luciana Amorim vai além e propõe ampliação mais profunda da presença estatal, inclusive mediante reestatizações e alteração da relação entre Estado, trabalho e serviços públicos.
Danilo Pinheiro, por sua vez, apresenta o programa de ruptura mais abrangente da disputa, baseado na plataforma nacional do PCO e em mudanças estruturais no sistema econômico e político.
É nesse mosaico de experiências e propostas que o eleitor goiano escolherá, em 4 de outubro, quem comandará o Palácio das Esmeraldas entre 2027 e 2030.
Mais do que definir um governador, a eleição colocará nas urnas seis respostas distintas para uma mesma pergunta: que modelo de desenvolvimento, gestão pública e presença do Estado Goiás deverá adotar nos próximos quatro anos?
Nota: reportagem elaborada com informações do Tribunal Superior Eleitoral e bases derivadas dos dados públicos do TSE, Assembleia Legislativa de Goiás, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Governo de Goiás e planos de governo registrados pelas candidaturas. Informações sobre candidaturas, declarações patrimoniais e situação dos registros foram conferidas até 7 de setembro de 2026 e podem sofrer atualizações pela Justiça Eleitoral.