Reportagem especial | Atualizada em 7 de setembro de 2026
Entre um deputado federal cuja trajetória eleitoral começou ainda no início da década de 1980, um ex-prefeito de Belo Horizonte, um senador em exercício, o atual governador, ex-vereadores, dirigentes sindicais, empresários, militantes de movimentos sociais e candidatos que nunca exerceram mandato eletivo, Minas Gerais chega à eleição de 2026 com 11 nomes na disputa pelo comando do segundo estado mais populoso do país.
Na base eleitoral consultada para esta reportagem aparecem Cleitinho Azevedo, Alexandre Kalil, Patrus Ananias, Ben Mendes, Gabriel Azevedo, Rafael Duda, Professor Túlio Lopes, Flávio Roscoe, Henrique Áreas, Mateus Simões e Indira Xavier. A Justiça Eleitoral mantém, para 2026, arquivos específicos com dados cadastrais, bens declarados, coligações e propostas de governo.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Esta reportagem cruza dados da Justiça Eleitoral com registros históricos da Câmara dos Deputados, Câmara Municipal de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e outras fontes institucionais. Patrimônio declarado significa patrimônio informado pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral e pode sofrer retificações durante o processo eleitoral. Da mesma forma, nos casos em que o candidato concorreu a vice-governador, os votos apresentados são os recebidos pela chapa, porque o vice não possui votação nominal separada.
O mapa da disputa
| Candidato | Partido | Nascimento | Principal experiência política/profissional | Patrimônio declarado em 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Cleitinho Azevedo | Republicanos – 10 | 15/04/1982, Divinópolis/MG | Senador; ex-deputado estadual e ex-vereador | R$ 956.564,03 (MeuVoto) |
| Alexandre Kalil | PDT – 12 | 25/03/1959, Belo Horizonte/MG | Ex-prefeito de Belo Horizonte; empresário e ex-presidente do Atlético-MG | R$ 5.941.176,84 (MeuVoto) |
| Patrus Ananias | PT – 13 | 26/01/1952, Bocaiúva/MG | Deputado federal; ex-prefeito de BH e ex-ministro | R$ 1.247.212,54 (MeuVoto) |
| Ben Mendes | MISSÃO – 14 | 08/05/1988, Contagem/MG | Advogado e comunicador; primeira eleição | R$ 80.000,00 (MeuVoto) |
| Gabriel Azevedo | MDB – 15 | 12/03/1986, Belo Horizonte/MG | Ex-vereador e ex-presidente da Câmara de BH | R$ 1.702.153,88 (MeuVoto) |
| Rafael Duda | PSTU – 16 | 11/09/1984, Belo Horizonte/MG | Trabalhador da mineração e dirigente sindical | R$ 0,00 (MeuVoto) |
| Professor Túlio Lopes | PCB – 21 | 08/06/1982, Belo Horizonte/MG | Professor universitário e dirigente sindical | R$ 0,00 (MeuVoto) |
| Flávio Roscoe | PL – 22 | 12/10/1971, Belo Horizonte/MG | Empresário; ex-presidente da Fiemg | R$ 13.350.362,21 (MeuVoto) |
| Henrique Áreas | PCO – 29 | 18/05/1985, Ribeirão Preto/SP | Jornalista e dirigente político-sindical | R$ 0,00 (Poly Apoio) |
| Mateus Simões | PSD – 55 | 09/03/1981, Gurupi/TO | Atual governador; ex-vice-governador e ex-vereador | R$ 2.904.492,23 (MeuVoto) |
| Indira Xavier | UP – 80 | 04/10/1984, Maceió/AL | Militante de movimentos populares; candidata ao governo em 2022 | R$ 479,89 (MeuVoto) |
O patrimônio declarado evidencia um dos contrastes da eleição. Flávio Roscoe, com R$ 13,35 milhões, apresenta o maior valor entre os candidatos; aparecem depois Alexandre Kalil, com R$ 5,94 milhões, e Mateus Simões, com R$ 2,90 milhões. Rafael Duda, Professor Túlio Lopes e Henrique Áreas declararam não possuir bens, enquanto Indira Xavier informou R$ 479,89.
Um detalhe merece registro: levantamentos divulgados no início do período eleitoral apontavam patrimônio zerado para Ben Mendes. A base mais recente sincronizada com os dados da Justiça Eleitoral já registra R$ 80 mil, distribuídos em bens e participações declaradas. (MeuVoto)
OS 11 PERFIS
1. Cleitinho Azevedo — Republicanos, número 10
Do comércio de Divinópolis ao Senado
Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho, nasceu em 15 de abril de 1982, em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro. Antes de chegar à política institucional, trabalhou no comércio da família e ganhou projeção local também por atividades ligadas à música, à defesa dos animais e por vídeos em redes sociais.
Sua ascensão eleitoral foi particularmente rápida. Em apenas seis anos passou da Câmara Municipal de Divinópolis para a Assembleia Legislativa e, depois, para o Senado Federal.
Mandatos
Foi eleito vereador de Divinópolis em 2016, deputado estadual em 2018 e senador por Minas Gerais em 2022, mandato que exerce atualmente. (MeuVoto)
Histórico partidário eleitoral
PPS → PSC → Republicanos
Nas urnas, estreou pelo então PPS, concorreu ao Senado pelo PSC e chega à eleição de 2026 filiado ao Republicanos.
Linha do tempo eleitoral
2016 – Vereador de Divinópolis, PPS: 3.023 votos — eleito.
2018 – Deputado estadual, PPS: 115.492 votos — eleito.
2022 – Senador, PSC: 4.268.193 votos — eleito.
2026 – Governador, Republicanos: em disputa.
Sua votação saltou de pouco mais de três mil votos em uma eleição municipal para mais de 4,2 milhões na eleição ao Senado.
Patrimônio declarado
R$ 956.564,03.
O que propõe
O programa combina discurso de contenção de despesas e revisão do funcionamento da máquina pública com medidas de desenvolvimento regional. Entre os eixos aparecem revisão de gastos, crédito e apoio a pequenos negócios e produtores rurais, fortalecimento de BDMG e Emater, simplificação de licenciamentos e ampliação da infraestrutura no interior.
Na educação, propõe expansão do tempo integral e maior presença de programação, robótica e inteligência artificial. Na saúde, prevê digitalização de serviços, acompanhamento da disponibilidade de medicamentos e mecanismos de redução das filas. Na segurança, defende integração tecnológica e maior presença policial, inclusive no meio rural.
2. Alexandre Kalil — PDT, número 12
Do Atlético à Prefeitura de Belo Horizonte
Nascido em 25 de março de 1959, em Belo Horizonte, Alexandre Kalil construiu carreira empresarial antes de se tornar nacionalmente conhecido como dirigente esportivo. Presidiu o Clube Atlético Mineiro e, posteriormente, migrou para a política partidária.
Sua primeira tentativa de candidatura ocorreu em 2014, quando se registrou para deputado federal pelo PSB, mas desistiu antes da eleição e não recebeu votos. O ingresso efetivo nas urnas ocorreu em 2016, diretamente numa disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte.
Mandatos
Kalil foi prefeito de Belo Horizonte entre 2017 e 2022. Reelegeu-se em 2020 já no primeiro turno e deixou o cargo em março de 2022 para disputar o Governo de Minas.
Histórico partidário eleitoral
PSB → PHS → PSD → PDT
Em 2014 registrou candidatura pelo PSB; elegeu-se prefeito pelo PHS; reelegeu-se e disputou o governo pelo PSD; e, em 2026, concorre pelo PDT.
Linha do tempo eleitoral
2014 – Deputado federal, PSB: candidatura registrada, posteriormente abandonada; não foi às urnas.
2016 – Prefeito de Belo Horizonte, PHS: 314.845 votos no primeiro turno; avançou ao segundo turno.
2016 – 2º turno: 628.050 votos — eleito.
2020 – Prefeito de Belo Horizonte, PSD: 784.307 votos — reeleito no primeiro turno.
2022 – Governador de Minas, PSD: 3.805.182 votos, 35,08% dos válidos — segundo colocado.
2026 – Governador, PDT: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 5.941.176,84, segundo a declaração apresentada em 2026.
O que propõe
O plano enfatiza recuperação da capacidade de coordenação do Estado, redução das desigualdades regionais, reindustrialização, logística e política para o setor mineral.
Na saúde, Kalil propõe fortalecer a regionalização, organizar centrais regionais de regulação, melhorar o acesso a diagnóstico e tratamento de câncer e ampliar a capacidade pública de produção de vacinas e medicamentos, inclusive por meio da Funed e de parcerias científicas.
Na educação, prevê expansão da jornada integral e utilização da tecnologia como apoio ao professor, além de maior aproximação com universidades públicas. A infraestrutura ferroviária e a agregação de valor à produção mineral também ocupam espaço relevante no programa.
3. Patrus Ananias — PT, número 13
A trajetória mais longa entre os candidatos
Patrus Ananias de Sousa nasceu em 26 de janeiro de 1952, em Bocaiúva, no Norte de Minas. Advogado, servidor público e professor, possui uma trajetória política que atravessa mais de quatro décadas.
Ainda na eleição de 1982, foi candidato a vereador pelo PT, ficando como primeiro suplente. Chegou a exercer o mandato em períodos de afastamento de titulares durante a legislatura. Em 1988 foi efetivamente eleito vereador de Belo Horizonte.
Mandatos e cargos
Foi:
vereador de Belo Horizonte; prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996; deputado federal em quatro legislaturas; ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e ministro do Desenvolvimento Agrário.
É atualmente deputado federal, no mandato 2023–2027.
Sua passagem pelo Ministério do Desenvolvimento Social está ligada ao período de consolidação de políticas nacionais de segurança alimentar e transferência de renda.
Histórico partidário
PT em toda a trajetória eleitoral identificada.
Ao contrário da maior parte dos adversários, Patrus não apresenta mudança de legenda nas candidaturas pesquisadas.
Linha do tempo eleitoral
1982 – Vereador de Belo Horizonte, PT: não eleito; primeiro suplente. A votação nominal não está disponível nas séries digitais consultadas.
1988 – Vereador de Belo Horizonte, PT: eleito; mandato 1989–1992.
1990 – Senador por Minas Gerais, PT: 934.964 votos — não eleito.
1992 – Prefeito de Belo Horizonte, PT: 326.325 votos no primeiro turno; 542.437 no segundo — eleito.
1998 – Governador de Minas, PT: 1.122.007 votos — não eleito.
2002 – Deputado federal, PT: 520.046 votos — eleito.
2010 – Vice-governador, PT, na chapa de Hélio Costa: 3.419.622 votos para a chapa — não eleita.
2012 – Prefeito de Belo Horizonte, PT: 523.645 votos — não eleito.
2014 – Deputado federal, PT: 147.175 votos — eleito.
2018 – Deputado federal, PT: 112.724 votos — eleito.
2022 – Deputado federal, PT: 87.893 votos — eleito.
2026 – Governador, PT: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 1.247.212,54.
O que propõe
O programa petista aposta em maior presença do Estado na indução econômica e nas políticas sociais. Entre os eixos estão política industrial, valorização das cadeias produtivas mineiras, agregação de valor aos minerais, crédito para pequenos negócios e desenvolvimento territorial.
Na saúde, propõe reforço do SUS, regionalização, fortalecimento da Fhemig e da atenção à saúde mental. Na educação, defende fortalecimento da rede pública, revisão de modelos de privatização e terceirização, políticas de permanência e expansão da educação integral.
Também aparecem orçamento participativo, expansão ferroviária, segurança alimentar e maior participação social nas decisões estaduais.
4. Ben Mendes — MISSÃO, número 14
A candidatura que nasce da comunicação digital
Benoni Benjamin Cardoso Mendes, conhecido como Ben Mendes, nasceu em 8 de maio de 1988, em Contagem. É advogado e comunicador, conhecido pelo projeto Ronda do Consumidor, que transformou conflitos entre consumidores e empresas em conteúdo para televisão e redes sociais.
A eleição para governador é sua primeira disputa eleitoral.
Mandatos
Não exerceu mandato eletivo.
Histórico partidário eleitoral
MISSÃO – 2026.
Não há candidatura eleitoral anterior identificada na base do TSE.
Linha do tempo eleitoral
2026 – Governador de Minas, MISSÃO: primeira candidatura.
Patrimônio declarado
R$ 80.000,00.
O que propõe
Ben Mendes coloca a segurança pública no centro de sua campanha, defendendo integração das forças policiais e um gabinete estadual de enfrentamento ao crime organizado.
Na economia, apresenta propostas de auditoria da dívida estadual, revisão de benefícios tributários e busca de maior agregação de valor aos recursos minerais produzidos em Minas. A lógica gerencial aparece na defesa de metas e acompanhamento de resultados.
O programa registrado inclui ainda saúde, educação, infraestrutura e mineração. Em declarações de campanha, Mendes tem defendido que maior parcela do processamento mineral ocorra dentro do próprio estado, ampliando atividade industrial e arrecadação mineira.
5. Gabriel Azevedo — MDB, número 15
Da Câmara de Belo Horizonte à segunda eleição majoritária
Nascido em 12 de março de 1986, em Belo Horizonte, Gabriel Sousa Marques de Azevedo é formado em áreas ligadas ao Direito e à Comunicação e atua como professor.
Foi eleito vereador da capital em 2016 e reeleito em 2020. Entre 2023 e 2024 presidiu a Câmara Municipal de Belo Horizonte.
Mandatos
Vereador de Belo Horizonte: 2017–2024, em dois mandatos consecutivos.
Histórico partidário eleitoral
PHS → Patriota → MDB
Linha do tempo eleitoral
2016 – Vereador de Belo Horizonte, PHS: 10.185 votos — eleito.
2020 – Vereador de Belo Horizonte, Patriota: 13.088 votos — reeleito.
2024 – Prefeito de Belo Horizonte, MDB: 133.728 votos — não eleito.
2026 – Governador de Minas, MDB: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 1.702.153,88.
O que propõe
Gabriel apresenta um programa fortemente apoiado em reforma institucional e gestão por evidências. Defende governos regionais, avaliação independente de políticas públicas e organização de uma carteira estadual de projetos de longo prazo.
Na infraestrutura, propõe uma agenda ferroviária e de mobilidade sob o conceito de “Futuro sobre Trilhos”. No setor mineral, inclui discussão sobre minerais críticos e contrapartidas econômicas e ambientais.
Na saúde, propõe organizar redes regionais e consórcios, ampliar telemedicina, integrar prontuários e dar maior transparência às filas. Na educação, enfatiza avaliação da aprendizagem, modernização do Simave e políticas de convivência e apoio psicossocial nas escolas.
6. Rafael Duda — PSTU, número 16
Um trabalhador da mineração na disputa
Rafael Ribeiro de Ávila, o Rafael Duda, nasceu em 11 de setembro de 1984, em Belo Horizonte. Trabalha no setor de mineração e possui trajetória ligada à organização sindical e política dos trabalhadores, com atuação especialmente na região de Congonhas.
Mandatos
Nunca exerceu cargo eletivo.
Histórico partidário eleitoral
PSTU em todas as candidaturas.
Linha do tempo eleitoral
2020 – Prefeito de Congonhas, PSTU: 159 votos — não eleito.
2022 – Deputado federal por Minas Gerais, PSTU: 398 votos — não eleito.
2024 – Prefeito de Congonhas, PSTU: 179 votos — não eleito.
2026 – Governador de Minas, PSTU: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 0,00.
O que propõe
O programa apresenta uma plataforma socialista. Rafael propõe suspensão e auditoria da dívida estadual, estatização e controle público de setores considerados estratégicos, incluindo a mineração, além de tributação mais progressiva.
Na saúde, defende sistema integralmente público e rejeita Organizações Sociais e parcerias que representem transferência da gestão para agentes privados. Na educação, propõe forte aumento dos investimentos públicos e valorização dos trabalhadores.
Na mobilidade, defende tarifa zero no transporte coletivo, expansão ferroviária e maior participação de trabalhadores e comunidades na definição das políticas estaduais.
7. Professor Túlio Lopes — PCB, número 21
Universidade, sindicalismo e militância comunista
Túlio Cesar Dias Lopes nasceu em 8 de junho de 1982, em Belo Horizonte. É professor da Universidade do Estado de Minas Gerais e possui formação acadêmica em História e Educação, incluindo mestrado e doutorado.
Também construiu trajetória no movimento sindical e em entidades acadêmicas.
Mandatos
Não exerceu mandato eletivo.
Histórico partidário
PCB em toda a trajetória eleitoral identificada. O partido informa que sua militância na legenda remonta ao fim da década de 1990. (PCB)
Linha do tempo eleitoral
2006 – Deputado estadual, PCB: candidatura localizada nos registros históricos; a votação não aparece no extrato consultado.
2014 – Governador de Minas, PCB: 26.023 votos — não eleito.
2016 – Vereador de Belo Horizonte, PCB: 1.242 votos — suplente.
2018 – Senador por Minas Gerais, PCB: 92.165 votos — não eleito.
2026 – Governador de Minas, PCB: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 0,00.
O que propõe
O PCB propõe ampliação do planejamento econômico estadual e controle público e popular sobre setores estratégicos, com revisão de concessões e fortalecimento das empresas públicas.
Túlio defende reforço do SUS, ampliação do investimento na educação pública, valorização dos servidores e maior autonomia financeira e administrativa para as universidades estaduais.
O programa também questiona a política de incentivos fiscais a grandes empresas e propõe renegociação e auditoria do endividamento estadual.
8. Flávio Roscoe — PL, número 22
Da liderança empresarial para a primeira campanha eleitoral
Flávio Roscoe Nogueira nasceu em 12 de outubro de 1971, em Belo Horizonte. Empresário, ganhou projeção pública especialmente como presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais — Fiemg.
A eleição de 2026 representa sua estreia nas urnas.
Mandatos
Nunca exerceu mandato eletivo.
Histórico partidário eleitoral
PL – 2026.
Linha do tempo eleitoral
2026 – Governador de Minas, PL: primeira disputa eleitoral.
Patrimônio declarado
R$ 13.350.362,21, o maior patrimônio declarado entre os 11 candidatos.
O que propõe
Roscoe apresenta uma plataforma de forte orientação para gestão por indicadores, competitividade industrial, simplificação regulatória e atração de investimentos.
O programa enfatiza infraestrutura, logística, mineração e exploração de minerais considerados estratégicos, associando a expansão da atividade a mecanismos ambientais e de segurança jurídica.
Na saúde, propõe maior transparência das filas, acompanhamento em tempo real e indicadores objetivos — entre eles metas relacionadas à mortalidade materna. Na educação, defende ensino integral, universalização da internet nas escolas, acompanhamento individual do estudante e formação continuada de professores.
9. Henrique Áreas — PCO, número 29
Militância sindical e uma candidatura de orientação nacional
Henrique Áreas de Araújo nasceu em 18 de maio de 1985, em Ribeirão Preto, São Paulo. É jornalista, possui formação em Ciências Sociais e participou do movimento sindical dos trabalhadores dos Correios.
É dirigente do PCO e está filiado à legenda desde a década passada.
Mandatos
Nunca exerceu mandato eletivo.
Histórico partidário
PCO em todas as candidaturas identificadas.
Linha do tempo eleitoral
2016 – Prefeito de São Paulo, PCO: 1.019 votos — não eleito.
2018 – Deputado federal por São Paulo, PCO: registro classificado como candidatura não apta; sem votação nominal válida contabilizada.
2020 – Vice-prefeito de São Paulo, PCO: candidatura classificada como não apta; a chapa encabeçada pelo partido recebeu 630 votos.
2026 – Governador de Minas Gerais, PCO: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 0,00.
O que propõe
Áreas apresenta uma plataforma de ruptura mais ampla com a política econômica vigente. Defende interrupção do pagamento da dívida estadual, maior controle estatal sobre a mineração e um governo apoiado em organizações de trabalhadores e movimentos populares.
Na segurança pública, o PCO defende mudanças profundas na estrutura policial, incluindo substituição do modelo militarizado por formas de controle popular.
A própria campanha reconhece que o programa apresentado possui caráter predominantemente nacional e programático, com menos detalhamento específico para políticas administrativas de Minas Gerais do que outros planos registrados.
10. Mateus Simões — PSD, número 55
O candidato que disputa a eleição sentado na cadeira de governador
Mateus Simões de Almeida nasceu em 9 de março de 1981, em Gurupi, Tocantins, mas cresceu em Minas Gerais. Advogado, mestre em Direito Empresarial e professor universitário, entrou na política eleitoral como candidato a deputado estadual em 2014.
Foi vereador de Belo Horizonte pelo Novo, integrou posteriormente o primeiro governo Romeu Zema como secretário-geral e foi eleito vice-governador em 2022.
Em 22 de março de 2026, após a renúncia de Romeu Zema, assumiu definitivamente o Governo de Minas Gerais.
Mandatos
Vereador de Belo Horizonte; vice-governador de Minas Gerais; governador de Minas Gerais desde março de 2026.
Histórico partidário eleitoral
PSDB → Novo → PSD
Em outubro de 2025, formalizou sua entrada no PSD. Na eleição de 2026, portanto, defende a continuidade de uma administração originalmente eleita pelo Novo, mas sob uma nova legenda.
Linha do tempo eleitoral
2014 – Deputado estadual, PSDB: 12.219 votos — suplente.
2016 – Vereador de Belo Horizonte, Novo: 5.522 votos — eleito.
2022 – Vice-governador, Novo: eleito na chapa de Romeu Zema; a chapa recebeu 6.094.136 votos, ou 56,18% dos válidos, e venceu no primeiro turno.
2026 – Governador de Minas, PSD: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 2.904.492,23.
O que propõe
O programa de Simões é estruturado sobretudo em princípios de responsabilidade fiscal, atração de investimentos privados, desenvolvimento regional, digitalização do Estado e continuidade administrativa.
Na saúde, prevê fortalecimento da atenção primária, telemedicina, redução de filas e melhoria do acesso a medicamentos. Na educação, propõe continuidade e ampliação do ensino em tempo integral, além de modelos pedagógicos diversificados.
O programa também destaca infraestrutura, participação privada em investimentos, modernização da administração pública e políticas relacionadas à adaptação climática. Seu documento formal é relativamente sintético quando comparado aos planos mais extensos apresentados por alguns adversários.
11. Indira Xavier — UP, número 80
Movimentos populares e a segunda disputa pelo Governo de Minas
Indira Ivanise Xavier nasceu em 4 de outubro de 1984, em Maceió, Alagoas. Sua trajetória política está ligada ao movimento estudantil e a organizações populares de bairros, vilas e favelas.
Em Minas Gerais, ganhou maior projeção eleitoral ao concorrer ao governo do estado em 2022 e à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024.
Mandatos
Nunca exerceu mandato eletivo.
Histórico partidário eleitoral
PSOL → Unidade Popular (UP)
Linha do tempo eleitoral
2006 – Deputada estadual por Alagoas, PSOL: registro localizado; votação não exibida no extrato eleitoral consultado.
2010 – Deputada estadual por Alagoas, PSOL: 517 votos — não eleita.
2022 – Governadora de Minas Gerais, UP: 15.604 votos — não eleita.
2024 – Prefeita de Belo Horizonte, UP: 2.462 votos — não eleita.
2026 – Governadora de Minas Gerais, UP: em disputa.
Patrimônio declarado
R$ 479,89.
O que propõe
Indira apresenta uma plataforma socialista baseada no fortalecimento da participação popular e na redistribuição de poder econômico. Propõe expropriação de grandes empresas mineradoras e administração estatal e dos trabalhadores sobre o setor, associada a medidas de segurança para quem trabalha na mineração.
O programa também dá destaque às políticas para mulheres, população negra, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
Na segurança, defende superação do modelo policial militarizado. Para as mulheres, prevê expansão de delegacias especializadas, casas de acolhimento, canais de denúncia e assistência social, jurídica e psicológica.
Saúde pública, cultura, habitação e direito à terra completam os principais eixos.
QUADRO COMPARATIVO DAS PROPOSTAS
Os programas registrados mostram que a eleição mineira não apresenta apenas diferenças de nomes, mas visões bastante distintas sobre qual deve ser o papel do Estado na economia e na prestação dos serviços públicos.
| Candidato | Economia, dívida e mineração | Saúde e educação | Segurança, infraestrutura e gestão |
|---|---|---|---|
| Cleitinho | Controle de despesas, revisão de gastos, apoio a pequenos negócios, BDMG, agro e simplificação de licenças | Saúde digital e redução de filas; tempo integral, robótica, programação e IA | Tecnologia na segurança, reforço à presença policial e gestão com acompanhamento de resultados |
| Kalil | Reindustrialização, política mineral com agregação de valor e desenvolvimento regional | Regionalização do SUS, câncer, Funed; tempo integral e valorização das universidades públicas | Ferrovias, retomada da capacidade de coordenação estadual e redução das desigualdades regionais |
| Patrus | Política industrial, crédito, agregação de valor à mineração e maior presença estatal | Fortalecimento do SUS/Fhemig, saúde mental e fortalecimento da escola pública | Ferrovias, orçamento participativo e políticas territoriais e sociais |
| Ben Mendes | Auditoria da dívida, revisão de incentivos e processamento de minerais em Minas | Gestão por resultados e ampliação da capacidade de atendimento | Segurança como prioridade, integração policial e enfrentamento às organizações criminosas |
| Gabriel Azevedo | Carteira estadual de projetos, minerais críticos e planejamento regional | Consórcios, telemedicina e transparência de filas; modernização do Simave | Governos regionais, avaliação independente e ampla agenda ferroviária |
| Rafael Duda | Suspensão/auditoria da dívida, estatização da mineração e tributação progressiva | Saúde integralmente pública e aumento do investimento educacional | Tarifa zero, expansão ferroviária e controle popular sobre políticas públicas |
| Túlio Lopes | Planejamento econômico, revisão de concessões, dívida e incentivos fiscais | Fortalecimento integral do SUS, educação pública e universidades estaduais | Empresas públicas fortes e maior participação dos trabalhadores na gestão |
| Flávio Roscoe | Competitividade industrial, desregulamentação, investimentos e minerais estratégicos | Indicadores de saúde; internet, tempo integral e acompanhamento da aprendizagem | Administração orientada por metas, logística e segurança jurídica para investimentos |
| Henrique Áreas | Suspensão da dívida e controle estatal de setores estratégicos e da mineração | Ampliação de serviços públicos sob orientação socialista | Transformação do modelo policial e governo apoiado em organizações populares |
| Mateus Simões | Responsabilidade fiscal, investimento privado, desenvolvimento regional e continuidade administrativa | Atenção primária e telemedicina; expansão da educação integral | Digitalização, infraestrutura, parcerias e adaptação climática |
| Indira Xavier | Controle estatal/popular da mineração, reforma econômica e direitos territoriais | Saúde pública com atenção a desigualdades raciais e sociais; fortalecimento dos serviços públicos | Desmilitarização, proteção às mulheres, habitação, cultura e participação popular |
ONDE ESTÃO AS MAIORES DIFERENÇAS
O papel do Estado
É provavelmente a maior linha divisória entre as candidaturas. Flávio Roscoe e Mateus Simões enfatizam ambiente de negócios, investimento privado e eficiência administrativa. Cleitinho combina redução de gastos com instrumentos públicos de crédito e desenvolvimento regional. Gabriel Azevedo aposta em reforma institucional, planejamento e avaliação.
No outro extremo, Rafael Duda, Túlio Lopes, Henrique Áreas e Indira Xavier defendem graus diferentes de ampliação do controle estatal ou popular de setores estratégicos. Patrus Ananias propõe maior atuação estatal e política industrial sem defender uma estatização generalizada da economia. Kalil concentra seu discurso econômico em reindustrialização e reconstrução da capacidade de coordenação estadual.
Mineração deixa de ser apenas uma questão ambiental
Praticamente todos os programas importantes tratam a mineração como tema econômico, fiscal, ambiental e estratégico.
As diferenças estão no modelo: candidatos mais próximos ao setor empresarial falam em segurança jurídica, competitividade e minerais críticos; outros defendem agregação de valor e industrialização dentro de Minas; candidaturas socialistas chegam a defender estatização, expropriação ou controle popular das mineradoras.
A dívida mineira continua no centro do debate
Também não existe consenso. Parte dos candidatos propõe equilíbrio fiscal e negociação dentro do atual arranjo institucional. Outros defendem auditoria e revisão. PSTU e PCO avançam para propostas de suspensão do pagamento, enquanto outros programas tratam a dívida principalmente dentro da estratégia de equilíbrio das contas estaduais.
Educação: tempo integral ganha espaço
Cleitinho, Kalil, Flávio Roscoe e Mateus Simões aparecem entre os que explicitam ampliação ou fortalecimento da educação em tempo integral. A diferença está no complemento: tecnologia e competências digitais têm maior destaque em Cleitinho e Roscoe; Kalil enfatiza papel docente e universidades; Patrus, Rafael, Túlio e Indira dão maior peso à natureza pública e ao financiamento estatal da educação.
Saúde: regionalização e fila são problemas comuns
Embora partam de modelos políticos diferentes, vários candidatos convergem no diagnóstico de que Minas precisa reduzir deslocamentos para tratamentos e melhorar a regulação. Regionalização, telemedicina, prontuários integrados e transparência das filas aparecem, com diferentes formatos, em programas de Gabriel, Mateus, Cleitinho, Kalil e Roscoe. Patrus, Túlio, Rafael e Indira enfatizam mais fortemente a ampliação da capacidade diretamente pública do SUS.
QUATRO TIPOS DE TRAJETÓRIA DISPUTAM MINAS
A eleição de 2026 reúne grupos políticos bastante diferentes.
Patrus Ananias e Alexandre Kalil chegam como candidatos já testados na administração de Belo Horizonte e em eleições majoritárias. Patrus possui a carreira mais extensa, enquanto Kalil já chegou ao segundo lugar na disputa estadual de 2022.
Mateus Simões e Cleitinho Azevedo entram com a força de cargos estaduais em exercício. Mateus disputa a reeleição institucionalmente como atual governador, embora tenha chegado ao posto após ter sido eleito vice. Cleitinho tenta transformar os mais de 4,2 milhões de votos que o levaram ao Senado em uma candidatura ao Executivo.
Gabriel Azevedo representa uma trajetória municipal recente que procura se estadualizar depois de dois mandatos de vereador e da eleição para prefeito de Belo Horizonte em 2024.
Já Ben Mendes e Flávio Roscoe são casos particulares: possuem projeção pública fora de mandatos eletivos e fazem em 2026 a primeira experiência como candidatos. Rafael Duda, Túlio Lopes, Henrique Áreas e Indira Xavier, por sua vez, possuem histórico de candidaturas e militância política, sindical ou social, embora nunca tenham conquistado cargo eletivo.
Histórico partidário em uma linha
| Candidato | Partidos pelos quais disputou eleições |
|---|---|
| Cleitinho | PPS → PSC → Republicanos |
| Kalil | PSB → PHS → PSD → PDT |
| Patrus | PT |
| Ben Mendes | MISSÃO |
| Gabriel Azevedo | PHS → Patriota → MDB |
| Rafael Duda | PSTU |
| Túlio Lopes | PCB |
| Flávio Roscoe | PL |
| Henrique Áreas | PCO |
| Mateus Simões | PSDB → Novo → PSD |
| Indira Xavier | PSOL → UP |
Nota metodológica: este quadro registra o histórico partidário eleitoral, isto é, as legendas sob as quais cada candidato aparece nas candidaturas localizadas. Uma pessoa pode ter passado por uma legenda sem disputar eleição por ela; nesse caso, a mudança nem sempre aparece nas bases eleitorais.
DO MAIOR AO MENOR PATRIMÔNIO DECLARADO
| Posição | Candidato | Valor declarado |
|---|---|---|
| 1º | Flávio Roscoe | R$ 13.350.362,21 |
| 2º | Alexandre Kalil | R$ 5.941.176,84 |
| 3º | Mateus Simões | R$ 2.904.492,23 |
| 4º | Gabriel Azevedo | R$ 1.702.153,88 |
| 5º | Patrus Ananias | R$ 1.247.212,54 |
| 6º | Cleitinho Azevedo | R$ 956.564,03 |
| 7º | Ben Mendes | R$ 80.000,00 |
| 8º | Indira Xavier | R$ 479,89 |
| 9º | Rafael Duda | R$ 0,00 |
| 9º | Professor Túlio Lopes | R$ 0,00 |
| 9º | Henrique Áreas | R$ 0,00 |
Os dados de bens fazem parte do conjunto de informações públicas mantido pela Justiça Eleitoral para as Eleições de 2026. Eles representam os valores informados nas declarações dos candidatos, não uma avaliação independente a preço de mercado, e ainda podem ser retificados.
UMA ELEIÇÃO QUE COLOCA MODELOS DE ESTADO EM DISPUTA
Mais do que uma competição entre onze biografias, a eleição mineira de 2026 apresenta ao eleitor modelos bastante diferentes para os próximos quatro anos.
Há candidaturas que defendem a continuidade do caminho de ajuste fiscal e aproximação com investimentos privados; outras querem reconstruir instrumentos estaduais de planejamento e desenvolvimento; algumas propõem uma presença pública muito mais forte na economia; e as candidaturas socialistas defendem mudanças estruturais na propriedade e na gestão de setores estratégicos.
Em praticamente todos os programas, porém, emergem problemas comuns: dívida pública, mineração, infraestrutura ferroviária, desigualdades regionais, filas na saúde, qualidade da educação, segurança pública e capacidade de gerar empregos fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A diferença está essencialmente na resposta que cada candidatura oferece a esses problemas — e, sobretudo, em quanto Estado, quanto mercado e quanto controle social cada projeto pretende colocar no centro do futuro de Minas Gerais.
A Justiça Eleitoral continua atualizando os arquivos de candidaturas, bens, prestações de contas e propostas durante a campanha, razão pela qual esta reportagem considera como data de corte 7 de setembro de 2026. O TRE-MG informa que os dados individuais das candidaturas podem ser acompanhados no sistema eleitoral oficial, enquanto o TSE mantém os conjuntos de dados de candidatos, patrimônio e planos de governo.
Posso também acompanhar as atualizações do TSE até a eleição e avisar caso haja mudança de patrimônio, situação de registro, substituição de candidato ou alteração relevante nos planos de governo.