De um governador em exercício com mais de quatro décadas de vida pública a dois estreantes nas urnas, a eleição capixaba reúne trajetórias, patrimônios e projetos bastante distintos. Reportagem especial apresenta o perfil dos cinco candidatos, histórico partidário, mandatos, votação em todas as eleições anteriores e as principais propostas registradas para governar o Estado entre 2027 e 2030.
Atualizada em 7 de setembro de 2026
O eleitorado do Espírito Santo vai às urnas em 4 de outubro de 2026 para escolher o próximo governador. Caso nenhum concorrente alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro. O Estado possui aproximadamente 2,99 milhões de eleitores e cinco nomes estão na disputa pelo Palácio Anchieta: Breno Barcelos (Missão), Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Rafael Demuner (UP) e Ricardo Ferraço (MDB).
A eleição reúne três candidatos com experiência em mandatos eletivos — Ferraço, Salomão e Pazolini — e dois estreantes, Breno Barcelos e Rafael Demuner. Ricardo Ferraço chega à campanha ocupando o próprio Palácio Anchieta: era vice-governador e assumiu definitivamente o Executivo em 2 de abril de 2026, após a renúncia de Renato Casagrande para disputar o Senado. Pazolini deixou a Prefeitura de Vitória em abril para concorrer ao Estado; Helder está no terceiro mandato consecutivo de deputado federal.
O quadro oficial em 7 de setembro
Na atualização mais recente dos dados derivados do DivulgaCandContas/TSE, Ricardo Ferraço, Helder Salomão e Rafael Demuner aparecem com candidaturas deferidas. Os pedidos de Breno Barcelos e Lorenzo Pazolini permanecem aguardando julgamento — condição que significa que o processo ainda não havia sido apreciado definitivamente, e não que as candidaturas tenham sido indeferidas.
| Candidato | Partido/nº | Vice | Nascimento | Naturalidade | Patrimônio declarado |
|---|---|---|---|---|---|
| Breno Barcelos | Missão – 14 | Victor Oliveira (Missão) | 07/04/1985 | Vitória | R$ 50.001,00 |
| Helder Salomão | PT – 13 | Professora Valdirene (PT) | 08/03/1964 | Colatina* | R$ 1.206.682,23 |
| Lorenzo Pazolini | Republicanos – 10 | Eliane Leal (PL) | 20/05/1982 | Vitória | R$ 1.002.342,77 |
| Rafael Demuner | UP – 80 | Dionary Sarmento (UP) | 22/10/1990 | João Neiva | R$ 50.550,00 |
| Ricardo Ferraço | MDB – 15 | Camillo Neves (PP) | 17/08/1963 | Cachoeiro de Itapemirim | R$ 27.668.789,55 |
Os valores patrimoniais são os declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e não equivalem necessariamente ao valor atual de mercado dos bens.
*No cadastro eleitoral, Helder aparece como natural de Colatina. Sua biografia registra que nasceu em Córrego Alto Moacir, então pertencente a Colatina e hoje localizado no município de Governador Lindenberg.
BRENO BARCELOS — MISSÃO 14
O engenheiro estreante que aposta em transformação urbana e segurança
Breno Augusto Fagundes Barcelos, nascido em Vitória em 7 de abril de 1985, tem 41 anos, é casado, declarou-se pardo e possui ensino superior completo. Sua ocupação informada ao TSE é engenheiro. Engenheiro civil e presidente estadual do Missão, chega a 2026 sem qualquer candidatura eleitoral anterior registrada. Seu vice é Victor Oliveira, também do Missão. A chapa disputa isoladamente.
Isso torna Breno uma exceção no grupo: enquanto três adversários já administraram cidades ou exerceram mandatos estaduais e federais, sua candidatura ao governo representa sua estreia nas urnas e também a primeira participação do recém-criado Missão numa eleição estadual capixaba.
Histórico partidário
Nos registros eleitorais disponíveis, Missão é o único partido pelo qual Breno Barcelos aparece como candidato. Não há eleição anterior registrada em seu nome.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador do ES | Missão | Em disputa | Primeira candidatura |
Patrimônio declarado
Breno declarou R$ 50.001,00, distribuídos em três registros: R$ 40 mil classificados como “outros bens e direitos”, R$ 10 mil em quotas da empresa 3F Gerenciamento de Projetos Ltda. e R$ 1,00 em conta bancária.
O que propõe
Seu programa reúne cerca de 40 propostas em sete grandes áreas. Uma das bandeiras mais singulares é a chamada “desfavelização”: comunidades em áreas de risco seriam transferidas para bairros planejados próximos, enquanto outras passariam por reurbanização. Na Grande Vitória, propõe um modelo de “cidade de 15 minutos”, integrando VLT, BRT e ciclovias, além de estudo para um futuro metrô.
Na educação, defende ampliar escolas cívico-militares em áreas de alta vulnerabilidade, criar uma universidade estadual voltada a exatas e tecnologia e ampliar a integração entre ensino médio e técnico. Na saúde, propõe prontuário único estadual, coleta laboratorial no interior e telessaúde. Na segurança, fala em retomada de territórios dominados por facções, combate financeiro ao crime organizado e criação de presídio específico para integrantes de organizações criminosas.
HELDER SALOMÃO — PT 13
Do movimento comunitário em Cariacica ao terceiro mandato na Câmara Federal
Helder Ignacio Salomão nasceu em 8 de março de 1964. O registro eleitoral informa Colatina como município de nascimento; a biografia do parlamentar especifica Córrego Alto Moacir, localidade hoje pertencente a Governador Lindenberg. Mudou-se ainda criança para Cariacica, município que se tornaria sua principal base política. É formado em Filosofia pela PUC Minas, especialista em Planejamento Educacional e professor de Filosofia.
Sua carreira política começou nos movimentos sociais e nas Comunidades Eclesiais de Base. Filiou-se ao PT em 1982, partido ao qual permanece vinculado. Foi vereador, deputado estadual, prefeito de Cariacica por dois mandatos e, desde 2015, deputado federal. Em 2022, recebeu 120.337 votos, tornando-se o deputado federal mais votado do Espírito Santo naquele pleito.
A candidata a vice é Professora Valdirene, vereadora de São Mateus. A chapa está vinculada à Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Histórico partidário
Aqui está a trajetória partidária mais linear entre os cinco concorrentes:
PT — filiado desde 1982 até a atualidade.
Todas as candidaturas e mandatos eletivos de Helder foram disputados pelo Partido dos Trabalhadores.
Linha do tempo e desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1992 | Vereador de Cariacica | 684 | Eleito |
| 1994 | Deputado estadual | 13.636 | Suplente |
| 1998 | Deputado estadual | 5.974 | Suplente |
| 2000 | Prefeito de Cariacica | 21.066 | Não eleito |
| 2002 | Deputado estadual | 16.449 | Eleito |
| 2004 – 1º turno | Prefeito de Cariacica | 75.433 | Foi ao 2º turno |
| 2004 – 2º turno | Prefeito de Cariacica | 121.993 | Eleito |
| 2008 | Prefeito de Cariacica | 128.219 | Reeleito no 1º turno |
| 2014 | Deputado federal | 83.967 | Eleito |
| 2018 | Deputado federal | 73.384 | Eleito |
| 2022 | Deputado federal | 120.337 | Eleito |
| 2026 | Governador | — | Em disputa |
O levantamento histórico registra, portanto, sete vitórias eleitorais anteriores se forem considerados os mandatos de vereador, deputado estadual, dois de prefeito e três de deputado federal.
Patrimônio declarado
Helder declarou R$ 1.206.682,23 em dez bens. O maior item é um VGBL de aproximadamente R$ 631,8 mil, seguido por um apartamento em Campo Grande, Cariacica, de R$ 352,5 mil, e uma sala comercial de cerca de R$ 138,5 mil.
O que propõe
O programa petista apresenta 276 compromissos, organizados em seis princípios e 11 eixos. Na saúde, prevê ampliar consultas e exames especializados do SUS e criar uma rede de atendimento para pessoas neurodivergentes. Na segurança, propõe fortalecer a força-tarefa contra organizações criminosas, com ênfase no combate à estrutura financeira das facções.
Na mobilidade, o plano menciona estudo de viabilidade para Tarifa Zero — ponto importante: o documento não estabelece implantação imediata nem prazo. Na economia, propõe conselho de desenvolvimento econômico e social, comitê para logística e portos e fortalecimento da agricultura familiar. Na educação, prevê atualizar o sistema de gestão democrática e participativa das escolas. Também apresenta programas contra violência às mulheres e racismo institucional e políticas voltadas a idosos e juventudes.
LORENZO PAZOLINI — REPUBLICANOS 10
Do trabalho como delegado à Prefeitura da capital em apenas dois anos
Lorenzo Silva de Pazolini nasceu em Vitória, em 20 de maio de 1982. Tem 44 anos, é casado, bacharel em Direito e possui pós-graduação em Gestão de Segurança Pública. Antes da política, foi auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado e delegado da Polícia Civil, tendo atuado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Sua ascensão eleitoral foi rápida. Estreou em 2018 e já se elegeu deputado estadual. Dois anos depois, venceu a eleição para prefeito de Vitória. Em 2024, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno. Em abril de 2026, renunciou à Prefeitura para ficar apto a disputar o governo estadual.
Sua vice é Eliane Leal (PL). A coligação “Paz Pra Viver Um Novo Tempo” reúne Republicanos, PL e Democrata.
Histórico partidário
A trajetória partidária de Pazolini registra duas legendas:
PRP (2018) → Republicanos (desde 2020).
Foi eleito deputado estadual pelo antigo Partido Republicano Progressista. Com a extinção do PRP, filiou-se ao Republicanos em 2020, legenda pela qual disputou e venceu as duas eleições para prefeito de Vitória e agora concorre ao governo.
Linha do tempo e votação
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | Deputado estadual | PRP | 43.293 | Eleito |
| 2020 – 1º turno | Prefeito de Vitória | Republicanos | 53.014 | Foi ao 2º turno |
| 2020 – 2º turno | Prefeito de Vitória | Republicanos | 102.466 | Eleito |
| 2024 | Prefeito de Vitória | Republicanos | 105.599 (56,22%) | Reeleito no 1º turno |
| 2026 | Governador | Republicanos | — | Em disputa |
Pazolini venceu, portanto, todas as três eleições anteriores em que disputou um cargo.
Patrimônio declarado
O patrimônio informado em 2026 é de R$ 1.002.342,77, distribuído em sete bens. A maior parcela corresponde a participações em apartamentos: 50% de imóvel em Barro Vermelho, avaliado na declaração em R$ 628,5 mil; 50% de apartamento em Jardim da Penha, R$ 195 mil; e 50% de imóvel em Guarapari, R$ 45 mil. Também aparecem VGBL e aplicações bancárias.
Como referência histórica, havia declarado aproximadamente R$ 1,48 milhão em 2018 e R$ 1,07 milhão em 2020; comparações desse tipo são nominais e não corrigidas pela inflação.
O que propõe
O programa de Pazolini contém 98 diretrizes divididas em quatro eixos. Na saúde, propõe concluir o Hospital Geral de Cariacica e o Complexo de Saúde Norte, em São Mateus, construir um novo hospital infantil e implantar uma Central Estadual Integrada de Regulação. Também prevê CAPS nos municípios-polo.
Na educação, propõe ampliar as escolas de tempo integral e implantar equipes itinerantes de psicologia, assistência social e odontologia nas escolas estaduais, além de reforçar a alimentação escolar. Na segurança, aposta em expansão do videomonitoramento, integração de câmeras privadas com inteligência artificial, centro de combate a crimes virtuais e política de segurança rural.
O plano inclui ainda um Fundo para Desenvolvimento Regional Equilibrado, maior compra de produtos da agricultura familiar, regularização fundiária, habitação de interesse social, aluguel social e programas voltados à população idosa e em situação de rua.
RAFAEL DEMUNER — UP 80
A candidatura de esquerda socialista que estreia nas urnas
Rafael Ketley Demuner nasceu em João Neiva, em 22 de outubro de 1990. Tem 35 anos na data da eleição, é solteiro, possui ensino superior completo e informa como ocupação servidor público federal. Sua vice é Dionary Sarmento, também da Unidade Popular. A UP concorre isoladamente.
Assim como Breno Barcelos, Rafael chega à disputa estadual sem eleição anterior registrada no banco histórico do TSE.
Histórico partidário e eleitoral
Nos registros eleitorais consultados, UP é a única legenda associada a Rafael Demuner como candidato.
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador do ES | UP | Em disputa | Primeira candidatura |
Patrimônio declarado
Demuner informou patrimônio de R$ 50.550,00, formado por um Ford Ka 2018, de R$ 41.900, e R$ 8.650 em conta corrente.
O que propõe
O programa da Unidade Popular apresenta a plataforma economicamente mais intervencionista da disputa. Entre as propostas estão a criação de um salário mínimo capixaba de R$ 3.242, tarifa zero no transporte coletivo, interiorização do Transcol e criação de uma plataforma pública estadual de transporte por aplicativo.
Demuner também propõe auxílio-aluguel estadual mínimo de R$ 1 mil, tributação de imóveis sem função social e destinação dos recursos para habitação popular. Na educação, prevê criação de uma Universidade Estadual do Espírito Santo, eleições para diretores, concursos para professores e oposição às escolas cívico-militares.
Na saúde, o programa propõe encerrar contratos estaduais com Organizações Sociais e retomar a administração pública direta das unidades, além de concursos e expansão da rede hospitalar. Há ainda isenção de ICMS para itens da cesta básica e fortalecimento da agricultura familiar. Parte do programa da UP incorpora propostas nacionais — como alterações na legislação trabalhista e previdenciária — cuja execução não depende exclusivamente das competências de um governador, distinção importante na leitura do documento.
RICARDO FERRAÇO — MDB 15
Mais de quatro décadas de política e a vantagem — e o ônus — de disputar no cargo
Ricardo de Rezende Ferraço nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 17 de agosto de 1963. Tem 63 anos, é casado e declarou ensino superior incompleto. Ingressou extremamente jovem na política: aos 19 anos, foi eleito vereador de Cachoeiro em 1982.
Desde então, passou pela Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, secretarias estaduais, Vice-Governadoria e Senado. Foi deputado estadual por dois mandatos, presidiu a Assembleia entre 1995 e 1996, foi deputado federal, secretário estadual, vice-governador na administração Paulo Hartung, senador entre 2011 e 2019 e novamente vice-governador, desta vez ao lado de Renato Casagrande.
Em 2 de abril de 2026, com a renúncia de Casagrande, tornou-se governador. Agora concorre à continuidade no cargo tendo Camillo Neves (PP) como vice. A coligação “Agora é o Futuro” reúne MDB, Podemos, Agir, PSB, PDT, Federação PSDB-Cidadania e Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Uma longa história de mudanças partidárias
Ferraço é o candidato com a trajetória partidária mais extensa:
PDS → PTB → PSDB → PPS → PSDB → PMDB → PSDB → DEM → PSDB → MDB.
A estreia de 1982 ocorreu pelo PDS; as eleições estaduais de 1990 e 1994 foram pelo PTB. Em 1998 estava no PSDB; disputou o Senado em 2002 pelo PPS e voltou ao PSDB posteriormente. Em 2010, elegeu-se senador pelo PMDB. Deixou o partido em janeiro de 2016 e regressou ao PSDB em março. Em 2021 passou ao DEM, mas retornou ao PSDB em março de 2022. Em 16 de outubro de 2023, filiou-se ao MDB e assumiu o comando estadual da legenda.
Linha do tempo e desempenho nas urnas
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1982 | Vereador de Cachoeiro | PDS | 1.599 | Eleito |
| 1990 | Deputado estadual | PTB | 9.356 | Eleito |
| 1994 | Deputado estadual | PTB | 12.223 | Eleito |
| 1998 | Deputado federal | PSDB | 75.241 | Eleito |
| 2002 | Senador | PPS | 582.318 | Não eleito |
| 2006 | Vice-governador | PSDB | 1.326.175* | Eleito |
| 2010 | Senador | PMDB | 1.557.409 | Eleito |
| 2018 | Senador | PSDB | 480.122 | Não eleito |
| 2022 – 1º turno | Vice-governador | PSDB | 976.652* | Foi ao 2º turno |
| 2022 – 2º turno | Vice-governador | PSDB | 1.171.288* | Eleito |
| 2026 | Governador | MDB | — | Em disputa |
*Nas eleições para vice-governador, a votação pertence à chapa majoritária, não ao candidato a vice individualmente.
A maior votação nominal da carreira ocorreu em 2010: 1.557.409 votos para senador.
Patrimônio declarado: o maior entre os cinco
Ricardo Ferraço declarou R$ 27.668.789,55, distribuídos em 31 bens. Aproximadamente R$ 16,9 milhões aparecem em aplicações financeiras; outros R$ 7,18 milhões estão classificados em imóveis e cerca de R$ 3,22 milhões em participações societárias.
Em 2022, quando concorreu a vice-governador, havia declarado R$ 11,1 milhões. A variação nominal entre as duas declarações é de cerca de 149%. A comparação, porém, não considera inflação, alterações de critérios declaratórios, aquisições, heranças ou reavaliações e, isoladamente, não permite qualquer conclusão sobre origem ou regularidade patrimonial.
O que propõe
Batizado de “Pacto com o Futuro”, o programa de Ferraço está organizado em 19 áreas e três eixos: cuidado social, desenvolvimento econômico e transformação pela inovação.
Na educação, a meta é universalizar o ensino estadual em tempo integral, expandir Escola do Futuro e Intercâmbio ES. Na saúde, promete concluir o Hospital Geral de Cariacica e os complexos de São Mateus e Colatina, além de implantar um hospital veterinário público estadual. Na segurança, propõe uma Subsecretaria de Combate ao Crime Organizado e quatro novas unidades prisionais.
Na infraestrutura, aparecem um aeroporto de cargas no Sul do Estado, conclusão do aeroporto das montanhas, nova ponte paralela à Cinco Pontes, obras de macrodrenagem e universalização do abastecimento de água e saneamento. O programa prevê ainda reflorestamento, plataforma estadual de monitoramento climático, transição energética e conexão de todos os equipamentos públicos estaduais a uma rede digital de alta capacidade até 2030.
QUADRO COMPARATIVO — O QUE PROPÕEM OS CINCO CANDIDATOS
| Tema | Breno Barcelos | Helder Salomão | Lorenzo Pazolini | Rafael Demuner | Ricardo Ferraço |
|---|---|---|---|---|---|
| Educação | Escolas cívico-militares; universidade estadual de exatas/tecnologia; ensino médio + técnico | Gestão democrática; integração escola-família-comunidade | Mais tempo integral; equipes de psicologia, assistência e odontologia nas escolas | Universidade estadual; eleição de diretores; fim das cívico-militares; concursos | Universalizar tempo integral; ampliar Escola do Futuro e Intercâmbio ES |
| Saúde | Prontuário único; telemedicina; exames no interior | Mais consultas e exames especializados; rede para neurodivergentes | Central Estadual de Regulação; novos hospitais; CAPS nos municípios-polo | Reestatização da gestão das unidades; concursos; regionalização hospitalar | Concluir grandes hospitais; Minha Saúde ES; digitalização e IA |
| Segurança | Retomada de territórios de facções; presídio específico | Combate financeiro às organizações criminosas | Videomonitoramento integrado e IA; centro contra crimes virtuais | Ênfase em proteção social e ampliação da rede de atendimento às mulheres | Subsecretaria contra crime organizado; quatro novos presídios |
| Mobilidade | VLT + BRT + ciclovias; estudo de metrô | Estudo de viabilidade para Tarifa Zero | Modernização e integração regional | Tarifa Zero; interiorização do Transcol; plataforma pública de aplicativo | Infraestrutura viária, nova ponte e grandes projetos logísticos |
| Habitação | “Desfavelização”, reassentamento e reurbanização | Revisão da política habitacional e subsídios | Moradia Primeiro, aluguel social e habitação de interesse social | Auxílio-aluguel de R$ 1 mil e taxação de imóveis ociosos | Programas sociais e investimentos integrados à infraestrutura |
| Economia | Polos industriais próximos a portos; PPPs; BNDES | Conselho de Desenvolvimento Econômico; portos e agricultura familiar | Fundo de Desenvolvimento Regional Equilibrado | Salário mínimo capixaba de R$ 3.242; economia solidária; redução de ICMS da cesta | Competitividade, logística, agro, economia azul e adaptação à reforma tributária |
| Marca do programa | Transformação urbana + disciplina e infraestrutura | Participação social + políticas sociais | Gestão municipal levada ao Estado + tecnologia | Mudança estrutural de orientação socialista | Continuidade administrativa + grandes investimentos e inovação |
Síntese elaborada a partir dos programas registrados e das propostas apresentadas pelas campanhas.
PATRIMÔNIO: UMA DISPUTA COM GRANDES DIFERENÇAS
A comparação das declarações evidencia uma distância expressiva entre os concorrentes:
| Posição | Candidato | Patrimônio declarado |
|---|---|---|
| 1º | Ricardo Ferraço | R$ 27.668.789,55 |
| 2º | Helder Salomão | R$ 1.206.682,23 |
| 3º | Lorenzo Pazolini | R$ 1.002.342,77 |
| 4º | Rafael Demuner | R$ 50.550,00 |
| 5º | Breno Barcelos | R$ 50.001,00 |
Ferraço sozinho declarou valor superior a 22 vezes o patrimônio dos outros quatro candidatos somados. Mais uma vez, trata-se de declaração eleitoral autodeclarada, e os valores históricos dos imóveis e demais bens podem não refletir os preços atuais de mercado.
TRÊS TRAJETÓRIAS CONSOLIDADAS, DOIS ESTREANTES
A eleição capixaba de 2026 apresenta um contraste raro de experiência política.
Ricardo Ferraço chega com a carreira eleitoral mais longa: estreou em 1982, há 44 anos, e já passou por Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado, Vice-Governadoria e Governo do Estado. Helder Salomão, nas urnas desde 1992, construiu a carreira essencialmente em Cariacica antes de chegar à Assembleia e à Câmara Federal. Lorenzo Pazolini, por outro lado, tem uma trajetória muito mais curta, mas até agora eleitoralmente invicta: deputado estadual em 2018 e duas vitórias consecutivas para prefeito da capital.
No outro extremo estão Breno Barcelos e Rafael Demuner, que colocam seus nomes diante dos eleitores pela primeira vez justamente numa eleição para o cargo mais importante do Executivo estadual.
Essa diferença ajuda a definir o caráter da disputa. Ferraço oferece continuidade administrativa e experiência acumulada; Pazolini tenta transformar a gestão de Vitória em credencial estadual; Helder aposta na experiência municipal, legislativa e na ligação com o governo federal; Breno apresenta um projeto liberal-conservador com ênfase em segurança, disciplina e reorganização urbana; e Demuner oferece uma alternativa de esquerda socialista, baseada em ampliação direta do papel do Estado e dos serviços públicos.
Cinco projetos e uma escolha sobre o futuro do Espírito Santo
Mais do que uma disputa de nomes, a eleição de 2026 coloca diante dos capixabas modelos significativamente diferentes de governo.
Há convergências: todos tratam saúde, segurança, educação e desenvolvimento regional como prioridades, e quase todos apresentam alguma combinação entre tecnologia, interiorização dos serviços e melhoria de infraestrutura. A distância aparece principalmente nos meios escolhidos.
Ferraço aposta em continuidade, grandes obras, modernização tecnológica e expansão de políticas estaduais existentes. Pazolini procura transportar para o Estado métodos e programas associados à sua administração em Vitória. Helder combina investimento público, participação social e aproximação com políticas federais. Breno defende mudanças urbanas de grande escala e um modelo de segurança e educação mais disciplinar. Demuner propõe intervenção estatal muito mais profunda na economia, transporte, saúde e habitação.
No dia 4 de outubro, será esse mosaico — formado por um governador em exercício, um ex-prefeito da capital, um ex-prefeito e deputado federal e dois candidatos que nunca haviam enfrentado as urnas — que disputará o direito de comandar o Palácio Anchieta entre 2027 e 2030.
Nota: esta reportagem foi atualizada em 7 de setembro de 2026. Dados pessoais, candidaturas, bens e registros foram confrontados com informações originárias do TSE/DivulgaCandContas; votações históricas foram verificadas em bases eleitorais e fontes institucionais; e o quadro de propostas foi produzido a partir dos programas de governo registrados pelas chapas. Situações de registro e dados de campanha podem sofrer novas atualizações até a eleição.