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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 NO ESPÍRITO SANTO – Cinco caminhos ao Palácio Anchieta: quem são, de onde vêm e o que propõem os candidatos ao Governo do Espírito Santo

De um governador em exercício com mais de quatro décadas de vida pública a dois estreantes nas urnas, a eleição capixaba reúne trajetórias, patrimônios e projetos bastante distintos. Reportagem especial apresenta o perfil dos cinco candidatos, histórico partidário, mandatos, votação em todas as eleições anteriores e as principais propostas registradas para governar o Estado entre 2027 e 2030.

Atualizada em 7 de setembro de 2026

O eleitorado do Espírito Santo vai às urnas em 4 de outubro de 2026 para escolher o próximo governador. Caso nenhum concorrente alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro. O Estado possui aproximadamente 2,99 milhões de eleitores e cinco nomes estão na disputa pelo Palácio Anchieta: Breno Barcelos (Missão), Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Rafael Demuner (UP) e Ricardo Ferraço (MDB).

A eleição reúne três candidatos com experiência em mandatos eletivos — Ferraço, Salomão e Pazolini — e dois estreantes, Breno Barcelos e Rafael Demuner. Ricardo Ferraço chega à campanha ocupando o próprio Palácio Anchieta: era vice-governador e assumiu definitivamente o Executivo em 2 de abril de 2026, após a renúncia de Renato Casagrande para disputar o Senado. Pazolini deixou a Prefeitura de Vitória em abril para concorrer ao Estado; Helder está no terceiro mandato consecutivo de deputado federal.

O quadro oficial em 7 de setembro

Na atualização mais recente dos dados derivados do DivulgaCandContas/TSE, Ricardo Ferraço, Helder Salomão e Rafael Demuner aparecem com candidaturas deferidas. Os pedidos de Breno Barcelos e Lorenzo Pazolini permanecem aguardando julgamento — condição que significa que o processo ainda não havia sido apreciado definitivamente, e não que as candidaturas tenham sido indeferidas.

CandidatoPartido/nºViceNascimentoNaturalidadePatrimônio declarado
Breno BarcelosMissão – 14Victor Oliveira (Missão)07/04/1985VitóriaR$ 50.001,00
Helder SalomãoPT – 13Professora Valdirene (PT)08/03/1964Colatina*R$ 1.206.682,23
Lorenzo PazoliniRepublicanos – 10Eliane Leal (PL)20/05/1982VitóriaR$ 1.002.342,77
Rafael DemunerUP – 80Dionary Sarmento (UP)22/10/1990João NeivaR$ 50.550,00
Ricardo FerraçoMDB – 15Camillo Neves (PP)17/08/1963Cachoeiro de ItapemirimR$ 27.668.789,55

Os valores patrimoniais são os declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e não equivalem necessariamente ao valor atual de mercado dos bens.

*No cadastro eleitoral, Helder aparece como natural de Colatina. Sua biografia registra que nasceu em Córrego Alto Moacir, então pertencente a Colatina e hoje localizado no município de Governador Lindenberg.


BRENO BARCELOS — MISSÃO 14

O engenheiro estreante que aposta em transformação urbana e segurança

Breno Augusto Fagundes Barcelos, nascido em Vitória em 7 de abril de 1985, tem 41 anos, é casado, declarou-se pardo e possui ensino superior completo. Sua ocupação informada ao TSE é engenheiro. Engenheiro civil e presidente estadual do Missão, chega a 2026 sem qualquer candidatura eleitoral anterior registrada. Seu vice é Victor Oliveira, também do Missão. A chapa disputa isoladamente.

Isso torna Breno uma exceção no grupo: enquanto três adversários já administraram cidades ou exerceram mandatos estaduais e federais, sua candidatura ao governo representa sua estreia nas urnas e também a primeira participação do recém-criado Missão numa eleição estadual capixaba.

Histórico partidário

Nos registros eleitorais disponíveis, Missão é o único partido pelo qual Breno Barcelos aparece como candidato. Não há eleição anterior registrada em seu nome.

Linha do tempo eleitoral

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
2026Governador do ESMissãoEm disputaPrimeira candidatura

Patrimônio declarado

Breno declarou R$ 50.001,00, distribuídos em três registros: R$ 40 mil classificados como “outros bens e direitos”, R$ 10 mil em quotas da empresa 3F Gerenciamento de Projetos Ltda. e R$ 1,00 em conta bancária.

O que propõe

Seu programa reúne cerca de 40 propostas em sete grandes áreas. Uma das bandeiras mais singulares é a chamada “desfavelização”: comunidades em áreas de risco seriam transferidas para bairros planejados próximos, enquanto outras passariam por reurbanização. Na Grande Vitória, propõe um modelo de “cidade de 15 minutos”, integrando VLT, BRT e ciclovias, além de estudo para um futuro metrô.

Na educação, defende ampliar escolas cívico-militares em áreas de alta vulnerabilidade, criar uma universidade estadual voltada a exatas e tecnologia e ampliar a integração entre ensino médio e técnico. Na saúde, propõe prontuário único estadual, coleta laboratorial no interior e telessaúde. Na segurança, fala em retomada de territórios dominados por facções, combate financeiro ao crime organizado e criação de presídio específico para integrantes de organizações criminosas.


HELDER SALOMÃO — PT 13

Do movimento comunitário em Cariacica ao terceiro mandato na Câmara Federal

Helder Ignacio Salomão nasceu em 8 de março de 1964. O registro eleitoral informa Colatina como município de nascimento; a biografia do parlamentar especifica Córrego Alto Moacir, localidade hoje pertencente a Governador Lindenberg. Mudou-se ainda criança para Cariacica, município que se tornaria sua principal base política. É formado em Filosofia pela PUC Minas, especialista em Planejamento Educacional e professor de Filosofia.

Sua carreira política começou nos movimentos sociais e nas Comunidades Eclesiais de Base. Filiou-se ao PT em 1982, partido ao qual permanece vinculado. Foi vereador, deputado estadual, prefeito de Cariacica por dois mandatos e, desde 2015, deputado federal. Em 2022, recebeu 120.337 votos, tornando-se o deputado federal mais votado do Espírito Santo naquele pleito.

A candidata a vice é Professora Valdirene, vereadora de São Mateus. A chapa está vinculada à Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Histórico partidário

Aqui está a trajetória partidária mais linear entre os cinco concorrentes:

PT — filiado desde 1982 até a atualidade.

Todas as candidaturas e mandatos eletivos de Helder foram disputados pelo Partido dos Trabalhadores.

Linha do tempo e desempenho eleitoral

AnoCargoVotosResultado
1992Vereador de Cariacica684Eleito
1994Deputado estadual13.636Suplente
1998Deputado estadual5.974Suplente
2000Prefeito de Cariacica21.066Não eleito
2002Deputado estadual16.449Eleito
2004 – 1º turnoPrefeito de Cariacica75.433Foi ao 2º turno
2004 – 2º turnoPrefeito de Cariacica121.993Eleito
2008Prefeito de Cariacica128.219Reeleito no 1º turno
2014Deputado federal83.967Eleito
2018Deputado federal73.384Eleito
2022Deputado federal120.337Eleito
2026GovernadorEm disputa

O levantamento histórico registra, portanto, sete vitórias eleitorais anteriores se forem considerados os mandatos de vereador, deputado estadual, dois de prefeito e três de deputado federal.

Patrimônio declarado

Helder declarou R$ 1.206.682,23 em dez bens. O maior item é um VGBL de aproximadamente R$ 631,8 mil, seguido por um apartamento em Campo Grande, Cariacica, de R$ 352,5 mil, e uma sala comercial de cerca de R$ 138,5 mil.

O que propõe

O programa petista apresenta 276 compromissos, organizados em seis princípios e 11 eixos. Na saúde, prevê ampliar consultas e exames especializados do SUS e criar uma rede de atendimento para pessoas neurodivergentes. Na segurança, propõe fortalecer a força-tarefa contra organizações criminosas, com ênfase no combate à estrutura financeira das facções.

Na mobilidade, o plano menciona estudo de viabilidade para Tarifa Zero — ponto importante: o documento não estabelece implantação imediata nem prazo. Na economia, propõe conselho de desenvolvimento econômico e social, comitê para logística e portos e fortalecimento da agricultura familiar. Na educação, prevê atualizar o sistema de gestão democrática e participativa das escolas. Também apresenta programas contra violência às mulheres e racismo institucional e políticas voltadas a idosos e juventudes.


LORENZO PAZOLINI — REPUBLICANOS 10

Do trabalho como delegado à Prefeitura da capital em apenas dois anos

Lorenzo Silva de Pazolini nasceu em Vitória, em 20 de maio de 1982. Tem 44 anos, é casado, bacharel em Direito e possui pós-graduação em Gestão de Segurança Pública. Antes da política, foi auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado e delegado da Polícia Civil, tendo atuado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Sua ascensão eleitoral foi rápida. Estreou em 2018 e já se elegeu deputado estadual. Dois anos depois, venceu a eleição para prefeito de Vitória. Em 2024, conquistou a reeleição ainda no primeiro turno. Em abril de 2026, renunciou à Prefeitura para ficar apto a disputar o governo estadual.

Sua vice é Eliane Leal (PL). A coligação “Paz Pra Viver Um Novo Tempo” reúne Republicanos, PL e Democrata.

Histórico partidário

A trajetória partidária de Pazolini registra duas legendas:

PRP (2018) → Republicanos (desde 2020).

Foi eleito deputado estadual pelo antigo Partido Republicano Progressista. Com a extinção do PRP, filiou-se ao Republicanos em 2020, legenda pela qual disputou e venceu as duas eleições para prefeito de Vitória e agora concorre ao governo.

Linha do tempo e votação

AnoCargoPartidoVotosResultado
2018Deputado estadualPRP43.293Eleito
2020 – 1º turnoPrefeito de VitóriaRepublicanos53.014Foi ao 2º turno
2020 – 2º turnoPrefeito de VitóriaRepublicanos102.466Eleito
2024Prefeito de VitóriaRepublicanos105.599 (56,22%)Reeleito no 1º turno
2026GovernadorRepublicanosEm disputa

Pazolini venceu, portanto, todas as três eleições anteriores em que disputou um cargo.

Patrimônio declarado

O patrimônio informado em 2026 é de R$ 1.002.342,77, distribuído em sete bens. A maior parcela corresponde a participações em apartamentos: 50% de imóvel em Barro Vermelho, avaliado na declaração em R$ 628,5 mil; 50% de apartamento em Jardim da Penha, R$ 195 mil; e 50% de imóvel em Guarapari, R$ 45 mil. Também aparecem VGBL e aplicações bancárias.

Como referência histórica, havia declarado aproximadamente R$ 1,48 milhão em 2018 e R$ 1,07 milhão em 2020; comparações desse tipo são nominais e não corrigidas pela inflação.

O que propõe

O programa de Pazolini contém 98 diretrizes divididas em quatro eixos. Na saúde, propõe concluir o Hospital Geral de Cariacica e o Complexo de Saúde Norte, em São Mateus, construir um novo hospital infantil e implantar uma Central Estadual Integrada de Regulação. Também prevê CAPS nos municípios-polo.

Na educação, propõe ampliar as escolas de tempo integral e implantar equipes itinerantes de psicologia, assistência social e odontologia nas escolas estaduais, além de reforçar a alimentação escolar. Na segurança, aposta em expansão do videomonitoramento, integração de câmeras privadas com inteligência artificial, centro de combate a crimes virtuais e política de segurança rural.

O plano inclui ainda um Fundo para Desenvolvimento Regional Equilibrado, maior compra de produtos da agricultura familiar, regularização fundiária, habitação de interesse social, aluguel social e programas voltados à população idosa e em situação de rua.


RAFAEL DEMUNER — UP 80

A candidatura de esquerda socialista que estreia nas urnas

Rafael Ketley Demuner nasceu em João Neiva, em 22 de outubro de 1990. Tem 35 anos na data da eleição, é solteiro, possui ensino superior completo e informa como ocupação servidor público federal. Sua vice é Dionary Sarmento, também da Unidade Popular. A UP concorre isoladamente.

Assim como Breno Barcelos, Rafael chega à disputa estadual sem eleição anterior registrada no banco histórico do TSE.

Histórico partidário e eleitoral

Nos registros eleitorais consultados, UP é a única legenda associada a Rafael Demuner como candidato.

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2026Governador do ESUPEm disputaPrimeira candidatura

Patrimônio declarado

Demuner informou patrimônio de R$ 50.550,00, formado por um Ford Ka 2018, de R$ 41.900, e R$ 8.650 em conta corrente.

O que propõe

O programa da Unidade Popular apresenta a plataforma economicamente mais intervencionista da disputa. Entre as propostas estão a criação de um salário mínimo capixaba de R$ 3.242, tarifa zero no transporte coletivo, interiorização do Transcol e criação de uma plataforma pública estadual de transporte por aplicativo.

Demuner também propõe auxílio-aluguel estadual mínimo de R$ 1 mil, tributação de imóveis sem função social e destinação dos recursos para habitação popular. Na educação, prevê criação de uma Universidade Estadual do Espírito Santo, eleições para diretores, concursos para professores e oposição às escolas cívico-militares.

Na saúde, o programa propõe encerrar contratos estaduais com Organizações Sociais e retomar a administração pública direta das unidades, além de concursos e expansão da rede hospitalar. Há ainda isenção de ICMS para itens da cesta básica e fortalecimento da agricultura familiar. Parte do programa da UP incorpora propostas nacionais — como alterações na legislação trabalhista e previdenciária — cuja execução não depende exclusivamente das competências de um governador, distinção importante na leitura do documento.


RICARDO FERRAÇO — MDB 15

Mais de quatro décadas de política e a vantagem — e o ônus — de disputar no cargo

Ricardo de Rezende Ferraço nasceu em Cachoeiro de Itapemirim, em 17 de agosto de 1963. Tem 63 anos, é casado e declarou ensino superior incompleto. Ingressou extremamente jovem na política: aos 19 anos, foi eleito vereador de Cachoeiro em 1982.

Desde então, passou pela Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, secretarias estaduais, Vice-Governadoria e Senado. Foi deputado estadual por dois mandatos, presidiu a Assembleia entre 1995 e 1996, foi deputado federal, secretário estadual, vice-governador na administração Paulo Hartung, senador entre 2011 e 2019 e novamente vice-governador, desta vez ao lado de Renato Casagrande.

Em 2 de abril de 2026, com a renúncia de Casagrande, tornou-se governador. Agora concorre à continuidade no cargo tendo Camillo Neves (PP) como vice. A coligação “Agora é o Futuro” reúne MDB, Podemos, Agir, PSB, PDT, Federação PSDB-Cidadania e Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

Uma longa história de mudanças partidárias

Ferraço é o candidato com a trajetória partidária mais extensa:

PDS → PTB → PSDB → PPS → PSDB → PMDB → PSDB → DEM → PSDB → MDB.

A estreia de 1982 ocorreu pelo PDS; as eleições estaduais de 1990 e 1994 foram pelo PTB. Em 1998 estava no PSDB; disputou o Senado em 2002 pelo PPS e voltou ao PSDB posteriormente. Em 2010, elegeu-se senador pelo PMDB. Deixou o partido em janeiro de 2016 e regressou ao PSDB em março. Em 2021 passou ao DEM, mas retornou ao PSDB em março de 2022. Em 16 de outubro de 2023, filiou-se ao MDB e assumiu o comando estadual da legenda.

Linha do tempo e desempenho nas urnas

AnoCargoPartidoVotosResultado
1982Vereador de CachoeiroPDS1.599Eleito
1990Deputado estadualPTB9.356Eleito
1994Deputado estadualPTB12.223Eleito
1998Deputado federalPSDB75.241Eleito
2002SenadorPPS582.318Não eleito
2006Vice-governadorPSDB1.326.175*Eleito
2010SenadorPMDB1.557.409Eleito
2018SenadorPSDB480.122Não eleito
2022 – 1º turnoVice-governadorPSDB976.652*Foi ao 2º turno
2022 – 2º turnoVice-governadorPSDB1.171.288*Eleito
2026GovernadorMDBEm disputa

*Nas eleições para vice-governador, a votação pertence à chapa majoritária, não ao candidato a vice individualmente.

A maior votação nominal da carreira ocorreu em 2010: 1.557.409 votos para senador.

Patrimônio declarado: o maior entre os cinco

Ricardo Ferraço declarou R$ 27.668.789,55, distribuídos em 31 bens. Aproximadamente R$ 16,9 milhões aparecem em aplicações financeiras; outros R$ 7,18 milhões estão classificados em imóveis e cerca de R$ 3,22 milhões em participações societárias.

Em 2022, quando concorreu a vice-governador, havia declarado R$ 11,1 milhões. A variação nominal entre as duas declarações é de cerca de 149%. A comparação, porém, não considera inflação, alterações de critérios declaratórios, aquisições, heranças ou reavaliações e, isoladamente, não permite qualquer conclusão sobre origem ou regularidade patrimonial.

O que propõe

Batizado de “Pacto com o Futuro”, o programa de Ferraço está organizado em 19 áreas e três eixos: cuidado social, desenvolvimento econômico e transformação pela inovação.

Na educação, a meta é universalizar o ensino estadual em tempo integral, expandir Escola do Futuro e Intercâmbio ES. Na saúde, promete concluir o Hospital Geral de Cariacica e os complexos de São Mateus e Colatina, além de implantar um hospital veterinário público estadual. Na segurança, propõe uma Subsecretaria de Combate ao Crime Organizado e quatro novas unidades prisionais.

Na infraestrutura, aparecem um aeroporto de cargas no Sul do Estado, conclusão do aeroporto das montanhas, nova ponte paralela à Cinco Pontes, obras de macrodrenagem e universalização do abastecimento de água e saneamento. O programa prevê ainda reflorestamento, plataforma estadual de monitoramento climático, transição energética e conexão de todos os equipamentos públicos estaduais a uma rede digital de alta capacidade até 2030.


QUADRO COMPARATIVO — O QUE PROPÕEM OS CINCO CANDIDATOS

TemaBreno BarcelosHelder SalomãoLorenzo PazoliniRafael DemunerRicardo Ferraço
EducaçãoEscolas cívico-militares; universidade estadual de exatas/tecnologia; ensino médio + técnicoGestão democrática; integração escola-família-comunidadeMais tempo integral; equipes de psicologia, assistência e odontologia nas escolasUniversidade estadual; eleição de diretores; fim das cívico-militares; concursosUniversalizar tempo integral; ampliar Escola do Futuro e Intercâmbio ES
SaúdeProntuário único; telemedicina; exames no interiorMais consultas e exames especializados; rede para neurodivergentesCentral Estadual de Regulação; novos hospitais; CAPS nos municípios-poloReestatização da gestão das unidades; concursos; regionalização hospitalarConcluir grandes hospitais; Minha Saúde ES; digitalização e IA
SegurançaRetomada de territórios de facções; presídio específicoCombate financeiro às organizações criminosasVideomonitoramento integrado e IA; centro contra crimes virtuaisÊnfase em proteção social e ampliação da rede de atendimento às mulheresSubsecretaria contra crime organizado; quatro novos presídios
MobilidadeVLT + BRT + ciclovias; estudo de metrôEstudo de viabilidade para Tarifa ZeroModernização e integração regionalTarifa Zero; interiorização do Transcol; plataforma pública de aplicativoInfraestrutura viária, nova ponte e grandes projetos logísticos
Habitação“Desfavelização”, reassentamento e reurbanizaçãoRevisão da política habitacional e subsídiosMoradia Primeiro, aluguel social e habitação de interesse socialAuxílio-aluguel de R$ 1 mil e taxação de imóveis ociososProgramas sociais e investimentos integrados à infraestrutura
EconomiaPolos industriais próximos a portos; PPPs; BNDESConselho de Desenvolvimento Econômico; portos e agricultura familiarFundo de Desenvolvimento Regional EquilibradoSalário mínimo capixaba de R$ 3.242; economia solidária; redução de ICMS da cestaCompetitividade, logística, agro, economia azul e adaptação à reforma tributária
Marca do programaTransformação urbana + disciplina e infraestruturaParticipação social + políticas sociaisGestão municipal levada ao Estado + tecnologiaMudança estrutural de orientação socialistaContinuidade administrativa + grandes investimentos e inovação

Síntese elaborada a partir dos programas registrados e das propostas apresentadas pelas campanhas.


PATRIMÔNIO: UMA DISPUTA COM GRANDES DIFERENÇAS

A comparação das declarações evidencia uma distância expressiva entre os concorrentes:

PosiçãoCandidatoPatrimônio declarado
Ricardo FerraçoR$ 27.668.789,55
Helder SalomãoR$ 1.206.682,23
Lorenzo PazoliniR$ 1.002.342,77
Rafael DemunerR$ 50.550,00
Breno BarcelosR$ 50.001,00

Ferraço sozinho declarou valor superior a 22 vezes o patrimônio dos outros quatro candidatos somados. Mais uma vez, trata-se de declaração eleitoral autodeclarada, e os valores históricos dos imóveis e demais bens podem não refletir os preços atuais de mercado.


TRÊS TRAJETÓRIAS CONSOLIDADAS, DOIS ESTREANTES

A eleição capixaba de 2026 apresenta um contraste raro de experiência política.

Ricardo Ferraço chega com a carreira eleitoral mais longa: estreou em 1982, há 44 anos, e já passou por Câmara Municipal, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado, Vice-Governadoria e Governo do Estado. Helder Salomão, nas urnas desde 1992, construiu a carreira essencialmente em Cariacica antes de chegar à Assembleia e à Câmara Federal. Lorenzo Pazolini, por outro lado, tem uma trajetória muito mais curta, mas até agora eleitoralmente invicta: deputado estadual em 2018 e duas vitórias consecutivas para prefeito da capital.

No outro extremo estão Breno Barcelos e Rafael Demuner, que colocam seus nomes diante dos eleitores pela primeira vez justamente numa eleição para o cargo mais importante do Executivo estadual.

Essa diferença ajuda a definir o caráter da disputa. Ferraço oferece continuidade administrativa e experiência acumulada; Pazolini tenta transformar a gestão de Vitória em credencial estadual; Helder aposta na experiência municipal, legislativa e na ligação com o governo federal; Breno apresenta um projeto liberal-conservador com ênfase em segurança, disciplina e reorganização urbana; e Demuner oferece uma alternativa de esquerda socialista, baseada em ampliação direta do papel do Estado e dos serviços públicos.

Cinco projetos e uma escolha sobre o futuro do Espírito Santo

Mais do que uma disputa de nomes, a eleição de 2026 coloca diante dos capixabas modelos significativamente diferentes de governo.

Há convergências: todos tratam saúde, segurança, educação e desenvolvimento regional como prioridades, e quase todos apresentam alguma combinação entre tecnologia, interiorização dos serviços e melhoria de infraestrutura. A distância aparece principalmente nos meios escolhidos.

Ferraço aposta em continuidade, grandes obras, modernização tecnológica e expansão de políticas estaduais existentes. Pazolini procura transportar para o Estado métodos e programas associados à sua administração em Vitória. Helder combina investimento público, participação social e aproximação com políticas federais. Breno defende mudanças urbanas de grande escala e um modelo de segurança e educação mais disciplinar. Demuner propõe intervenção estatal muito mais profunda na economia, transporte, saúde e habitação.

No dia 4 de outubro, será esse mosaico — formado por um governador em exercício, um ex-prefeito da capital, um ex-prefeito e deputado federal e dois candidatos que nunca haviam enfrentado as urnas — que disputará o direito de comandar o Palácio Anchieta entre 2027 e 2030.

Nota: esta reportagem foi atualizada em 7 de setembro de 2026. Dados pessoais, candidaturas, bens e registros foram confrontados com informações originárias do TSE/DivulgaCandContas; votações históricas foram verificadas em bases eleitorais e fontes institucionais; e o quadro de propostas foi produzido a partir dos programas de governo registrados pelas chapas. Situações de registro e dados de campanha podem sofrer novas atualizações até a eleição.

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