Web Rádio Nacional

Imagem: Web TV Nacional

ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 NO RIO DE JANEIRO – Nove caminhos para o Palácio Guanabara: quem são, de onde vêm e o que propõem os candidatos ao Governo do Rio

Disputa reúne um ex-governador, um ex-prefeito da capital com quatro mandatos, o presidente da Alerj, um vereador, militares, representantes de movimentos populares e candidatos sem mandato eletivo. Reportagem especial recupera biografias, filiações partidárias, patrimônio declarado, desempenho nas urnas e as principais propostas apresentadas para o estado.

RIO DE JANEIRO — Atualizado em 7 de setembro de 2026. O eleitorado fluminense chega à reta decisiva da campanha com nove candidaturas registradas ao Governo do Estado: Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL), André Marinho (Novo), Coronel Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU), Juliete Pantoja (UP) e Luan Monteiro (PCO). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se necessário, o segundo ocorrerá em 25 de outubro.

A lista traduz uma disputa de fortes contrastes. De um lado estão políticos com longa experiência administrativa e parlamentar; de outro, candidaturas que chegam à eleição sem nunca terem exercido mandato eletivo. Também é grande a distância entre os patrimônios declarados, os tamanhos das trajetórias eleitorais e as concepções de Estado presentes nos programas.

Nota importante: os valores patrimoniais desta reportagem são os informados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Não representam necessariamente o valor de mercado atual dos bens e não constituem auditoria patrimonial. Da mesma forma, pedidos de registro ainda sujeitos a julgamento podem sofrer alterações até a eleição.


O RAIO-X DOS NOVE CANDIDATOS

CandidatoPartidoNascimentoNaturalidadeExperiência eletivaPatrimônio declarado em 2026
Eduardo PaesPSD – 5514/11/1969Rio de Janeiro/RJVereador, deputado federal e prefeito por quatro mandatosR$ 189.210,63
Douglas RuasPL – 2217/01/1989São Gonçalo/RJDeputado estadual; presidente da AlerjR$ 1.467.687,88
Anthony GarotinhoRepublicanos – 1018/04/1960Campos dos Goytacazes/RJDeputado estadual, prefeito, governador e deputado federalR$ 167.585,05
William SiriPSOL – 5008/08/1992Rio de Janeiro/RJVereador por dois mandatosR$ 120.000,00
André MarinhoNovo – 3010/08/1994Rio de Janeiro/RJSem mandato eletivoR$ 407.503,55
Cyro GarciaPSTU – 1626/10/1954Manhumirim/MGExerceu mandato de deputado federal como suplenteR$ 385.400,00
Coronel BusnelloMissão – 1406/08/1970Iraí/RSSem mandato eletivoR$ 950.000,00
Juliete PantojaUP – 8015/10/1989Duque de Caxias/RJSem mandato eletivoR$ 0,00
Luan MonteiroPCO – 2905/08/1996Rio de Janeiro/RJSem mandato eletivoR$ 0,00

Os dados pessoais e patrimoniais constam das fichas eleitorais e bases que reproduzem as informações do TSE.


EDUARDO PAES — PSD, nº 55

Da subprefeitura ao quarto mandato como prefeito

Eduardo da Costa Paes, nascido em 14 de novembro de 1969, no Rio de Janeiro, é advogado formado pela PUC-Rio, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela UFRJ. Ingressou na administração municipal ainda jovem, tornando-se subprefeito da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá em 1993.

Sua carreira eleitoral começou em 1996, quando foi eleito vereador com 82.418 votos. Dois anos depois chegou à Câmara dos Deputados, reelegendo-se em 2002. Em 2006 tentou pela primeira vez governar o estado, mas terminou em quinto lugar.

A grande virada ocorreu em 2008, quando venceu a disputa pela Prefeitura do Rio. Foi reeleito em 2012, voltou a concorrer ao Governo do Estado em 2018 — perdendo o segundo turno para Wilson Witzel — e recuperou a prefeitura em 2020. Em 2024 tornou-se prefeito pela quarta vez, sendo eleito no primeiro turno com 60,47% dos votos válidos. Renunciou ao cargo em março de 2026 para disputar novamente o Palácio Guanabara.

Histórico partidário

A trajetória partidária de Paes é extensa:

PV → PFL → PTB → PFL → PSDB → PMDB/MDB → DEM → PSD.

Ele esteve no PV em meados dos anos 1990; elegeu-se pelo PFL; passou pelo PTB e voltou ao PFL; ingressou no PSDB em 2003; mudou-se para o PMDB em 2007; concorreu pelo DEM em 2018 e 2020 e, desde 2021, está no PSD.

Linha do tempo eleitoral de Eduardo Paes

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
1996Vereador do RioPFL82.418Eleito
1998Deputado federalPFL117.164Eleito
2002Deputado federalPFL186.221Eleito
2006GovernadorPSDB440.484Não eleito
2008Prefeito – 1º turnoPMDB1.049.019Foi ao 2º turno
2008Prefeito – 2º turnoPMDB1.696.195Eleito
2012PrefeitoPMDB2.097.733Eleito no 1º turno
2018Governador – 1º turnoDEM1.494.831Foi ao 2º turno
2018Governador – 2º turnoDEM3.134.400Não eleito
2020Prefeito – 1º turnoDEM974.804Foi ao 2º turno
2020Prefeito – 2º turnoDEM1.629.319Eleito
2024PrefeitoPSD1.861.856Eleito no 1º turno
2026GovernadorPSDEm disputa

Patrimônio

Paes declarou R$ 189.210,63 em sete bens à Justiça Eleitoral em 2026.

O que propõe

Entre os compromissos apresentados durante a campanha estão a implantação de um modelo de policiamento que utilize dados e mapas de criminalidade para distribuir efetivos, a reorganização e maior eficiência da administração estadual, a construção de hospitais regionais, medidas para elevar os indicadores educacionais e a retomada de grandes projetos metropolitanos. Na mobilidade, destaca-se a promessa de iniciar a Linha 3 do Metrô, voltada principalmente ao eixo Niterói–São Gonçalo–Itaboraí.


DOUGLAS RUAS — PL, nº 22

Da gestão em São Gonçalo à presidência da Alerj

Douglas Ruas dos Santos nasceu em 17 de janeiro de 1989, em São Gonçalo. É bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil. É filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo.

Antes de disputar uma eleição, ocupou funções administrativas: foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo, superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente e secretário municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais.

Sua estreia eleitoral aconteceu em 2022 e foi expressiva: obteve 175.977 votos para deputado estadual, a segunda maior votação para o cargo no estado. Em 2026 assumiu a presidência da Assembleia Legislativa.

Histórico partidário

Nas candidaturas registradas na Justiça Eleitoral, Douglas Ruas disputou 2022 e 2026 pelo PL.

Linha do tempo eleitoral

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
2022Deputado estadualPL175.977Eleito
2026GovernadorPLEm disputa

Patrimônio

É o maior patrimônio declarado entre os nove candidatos: R$ 1.467.687,88, distribuídos em 18 bens, especialmente aplicações financeiras, participações societárias e imóveis. Em 2022 havia declarado R$ 1.266.447,90.

O que propõe

A segurança pública ocupa lugar central no programa. O candidato fala em recuperação de territórios dominados pelo crime, integração de inteligência e tecnologia, fortalecimento do policiamento ostensivo e reorganização do sistema penitenciário.

Na saúde, propõe Centros Integrados de Saúde, concentrando consultas e exames; na educação, quer ampliar a formação profissional já no Ensino Médio. O programa também promete desburocratização, estímulo ao microempreendedor, turismo, vocações econômicas regionais, investimentos em mobilidade e políticas específicas para pessoas com autismo e suas famílias.


ANTHONY GAROTINHO — REPUBLICANOS, nº 10

O único ex-governador na disputa

Anthony William Garotinho Matheus de Oliveira, nascido em 18 de abril de 1960, em Campos dos Goytacazes, é jornalista e radialista. Sua carreira política é uma das mais extensas entre os concorrentes de 2026.

Foi eleito deputado estadual em 1986, prefeito de Campos em 1988, voltou à prefeitura em 1996 e renunciou em 1998 para disputar o Governo do Estado. Venceu aquela eleição e governou o Rio entre 1999 e 2002. Depois disputou a Presidência da República, foi secretário estadual de Segurança e retornou às urnas em 2010, quando conquistou uma cadeira de deputado federal com quase 695 mil votos.

Um percurso por dez legendas

A sequência partidária mais consolidada nas fontes biográficas é:

PT (1980–1983) → PDT (1983–2000) → PSB (2001–2003) → PMDB (2003–2009) → PR (2009–2018) → PRP (2018–2019) → Patriota (2019) → PROS (2019–2022) → União Brasil (2022–2024) → Republicanos (desde 2024).

Há fontes biográficas que também mencionam passagem anterior pelo PCB.

Linha do tempo eleitoral

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
1986Deputado estadualPDT33.439Eleito
1988Prefeito de CamposPDT62.953Eleito
1994Governador – 1º turnoPDT1.874.435Foi ao 2º turno
1994Governador – 2º turnoPDT2.771.074Não eleito
1996Prefeito de CamposPDT134.906Eleito
1998Governador – 1º turnoPDT3.083.441Foi ao 2º turno
1998Governador – 2º turnoPDT4.259.344Eleito
2002PresidentePSB15.180.0973º lugar
2010Deputado federalPR694.862Eleito
2014GovernadorPR1.576.511Não eleito
2018GovernadorPRPRegistro indeferido; sem votação válida contabilizada
2022Deputado federalUniãoRenunciou à candidatura
2024Vereador do RioRepublicanos8.753Suplente
2026GovernadorRepublicanosEm disputa

Patrimônio

Declarou em 2026 R$ 167.585,05, distribuídos em oito bens e direitos.

Situação jurídica

O pedido de registro aparece em bases recentes como aguardando julgamento, em meio a questionamento do Ministério Público Eleitoral relacionado a condenação anterior por improbidade. A defesa sustenta interpretação jurídica favorável à elegibilidade, e o caso está inserido na controvérsia sobre os efeitos das mudanças na Lei da Ficha Limpa. Por isso, a reportagem trata Garotinho como candidato registrado com situação judicial ainda sujeita a definição, e não como candidatura definitivamente deferida ou indeferida.

O que propõe

Na segurança, Garotinho apresentou o chamado “Bope 2.0”, com ocupação prolongada de áreas dominadas pelo crime, atuação conjunta de PM e Polícia Civil e entrada posterior de políticas sociais. Também defende rastreamento de armas, corregedoria externa e combate ao roubo de cargas.

Na saúde promete combater as filas do Sisreg. Na educação, fala em pagamento do piso nacional dos professores e ampliação do ensino tecnológico. Em economia, propõe rever incentivos fiscais, reduzir IPVA e criar linhas de crédito para pequenos empreendedores. Na mobilidade, menciona um cartão metropolitano e maior integração dos transportes.


WILLIAM SIRI — PSOL, nº 50

Da Zona Oeste à Câmara Municipal

William Carlos Brum Bispo, conhecido como William Siri, nasceu em 8 de agosto de 1992, no Rio de Janeiro. É formado em nível superior e exerce mandato de vereador da capital.

Entrou nas disputas eleitorais em 2016. Depois de duas candidaturas como suplente, conquistou uma cadeira na Câmara em 2020 e foi reeleito em 2024.

Histórico partidário

Todas as candidaturas identificadas desde 2016 foram pelo PSOL. Em 2022, 2024 e 2026 a legenda integra a Federação PSOL-Rede.

Desempenho eleitoral

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
2016VereadorPSOL6.286Suplente
2018Deputado estadualPSOL14.212Suplente
2020VereadorPSOL9.957Eleito
2022Deputado federalPSOL15.294Suplente
2024VereadorPSOL19.872Eleito
2026GovernadorPSOLEm disputa

Patrimônio

Declarou R$ 120 mil, correspondentes a participação societária.

O que propõe

Seu programa defende uma política de segurança baseada em prevenção, inteligência e redução da letalidade policial, além de mudanças na perícia e maior controle das políticas públicas de segurança.

Na saúde, propõe aplicação do mínimo constitucional de 12%, expansão da gestão pública direta e pelo menos dois novos hospitais regionais, um no Noroeste e outro na Baixada. Na mobilidade, defende ampliação e progressiva retomada do controle público das barcas, eletrificação dos ônibus, corredores de transporte e ampliação da infraestrutura cicloviária.


ANDRÉ MARINHO — NOVO, nº 30

O estreante na política eleitoral

André Bourguignon Marinho nasceu em 10 de agosto de 1994, no Rio de Janeiro. Empresário, possui ensino superior completo e ganhou projeção pública como comunicador. A disputa pelo Governo do Estado é sua primeira candidatura registrada no TSE.

Histórico partidário e eleitoral

No histórico eleitoral disponível, aparece apenas:

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
2026GovernadorNovoEm disputa

Assim, não há votação anterior a comparar.

Patrimônio

Declarou R$ 407.503,55, dos quais R$ 300 mil correspondem a apartamento e R$ 100 mil a participações empresariais, além de pequenas aplicações e saldos bancários.

O que propõe

O programa organiza-se em torno de segurança, investimentos, gestão e ambiente econômico. Uma das propostas estruturantes é o chamado ArcoMM, projeto de desenvolvimento territorial conectado à implantação de polos e novas centralidades econômicas.

Também estão entre os compromissos o uso de parcerias e concessões para infraestrutura, maior participação privada nos investimentos, qualificação técnica conectada ao emprego, digitalização da administração e utilização de inteligência artificial e dados na gestão da saúde e de outros serviços.


CYRO GARCIA — PSTU, nº 16

Mais de quatro décadas nas urnas

Cyro Garcia nasceu em 26 de outubro de 1954, em Manhumirim, Minas Gerais. É advogado, ex-bancário, professor e historiador, com mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense. Foi fundador do PT no Rio e teve forte atuação sindical na CUT e no Sindicato dos Bancários.

Na eleição de 1990 ficou como suplente de deputado federal e assumiu a Câmara em outubro de 1992, permanecendo até agosto de 1993. Após o rompimento da Convergência Socialista com o PT, participou da fundação do PSTU em 1994.

Histórico partidário

PT → PSTU.

Todas as candidaturas desde 1994 foram pelo PSTU.

Uma das maiores sequências eleitorais da disputa

AnoCargoPartidoVotosResultado
1982Deputado estadualPT3.224Suplente
1986Deputado federalPT13.671Suplente
1990Deputado federalPT15.417Suplente; assumiria posteriormente
1994Deputado federalPSTU15.745Suplente
1996Prefeito do RioPSTU7.884Não eleito
1998GovernadorPSTU18.756Não eleito
2000Prefeito do RioPSTU10.166Não eleito
2002GovernadorPSTU27.757Não eleito
2004VereadorPSTU16.122Não eleito
2006Deputado federalPSTU19.180Suplente
2008VereadorPSTU9.538Suplente
2010GovernadorPSTU48.793Não eleito
2012PrefeitoPSTU12.596Não eleito
2014Deputado federalPSTU8.737Não eleito
2016PrefeitoPSTU5.759Não eleito
2018SenadorPSTU45.588Não eleito
2020PrefeitoPSTU3.025Não eleito
2022GovernadorPSTU12.627Não eleito
2024PrefeitoPSTU2.453Não eleito
2026GovernadorPSTUEm disputa

Patrimônio

Cyro declarou R$ 385.400, compostos por apartamento de R$ 358 mil e um automóvel avaliado em R$ 27,4 mil.

O que propõe

O PSTU apresenta uma plataforma de forte ampliação do papel do Estado. Defende revisão de privatizações e concessões, expansão do transporte público sob controle estatal, maior financiamento para saúde e educação e contratação de servidores por concurso.

Na segurança, o programa propõe mudanças estruturais no modelo policial e crítica à militarização. Na mobilidade, defende expansão ferroviária e metroviária, controle público dos serviços e avanço em direção à redução das tarifas.


CORONEL BUSNELLO — MISSÃO, nº 14

A segurança como eixo principal

João Jacques Soares Busnello nasceu em 6 de agosto de 1970, em Iraí, Rio Grande do Sul. É policial militar, com ensino superior completo. Na carreira de segurança, teve passagem por unidades especializadas da Polícia Militar do Rio, incluindo o Bope.

Já tentou duas vezes chegar à Câmara dos Deputados.

Histórico partidário

PRTB → PSD → Missão.

Desempenho eleitoral

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
2018Deputado federalPRTB15.768Não eleito
2022Deputado federalPSD774Suplente
2026GovernadorMissãoEm disputa

Patrimônio

Declarou R$ 950 mil: uma casa de vila avaliada em R$ 750 mil e um Fiat Toro de R$ 200 mil.

O que propõe

A segurança é o centro de sua candidatura. O programa propõe integração de inteligência, câmeras e bancos de dados, retomada territorial de regiões controladas por organizações criminosas, unidades permanentes de controle territorial e expansão do efetivo policial.

Fora da segurança, apresenta medidas para microcrédito e formalização de atividades econômicas, melhorias na regulação da saúde, educação, infraestrutura e sistemas de prevenção e alerta para desastres climáticos.


JULIETE PANTOJA — UP, nº 80

Militância por moradia chega novamente à disputa estadual

Juliete Pantoja Alves nasceu em 15 de outubro de 1989, em Duque de Caxias. Educadora popular, atua no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas — MLB — e tem sua trajetória associada principalmente à luta por moradia e à organização popular.

Em 2022 já havia disputado o Governo do Estado. Dois anos depois concorreu à Prefeitura do Rio.

Histórico partidário

PSC → Unidade Popular (UP).

Em 2012 tentou disputar uma vaga de vereadora pelo PSC. Desde 2020, suas candidaturas são pela UP.

Linha do tempo eleitoral

AnoDisputaPartidoVotação válidaResultado
2012Vereadora de Duque de CaxiasPSCRegistro indeferido
2020Vereadora de Duque de CaxiasUPRegistro indeferido
2022GovernadoraUP27.344Não eleita
2024Prefeita do RioUP6.828Não eleita
2026GovernadoraUPEm disputa

Patrimônio

Em 2026 declarou nenhum bem: R$ 0,00.

O que propõe

Seu programa reúne 80 propostas e advoga maior participação direta do Estado na economia. Entre as medidas estão revisão de privatizações e benefícios fiscais, criação de banco estadual, frentes emergenciais de trabalho e ampliação dos serviços públicos.

Na educação, apresenta metas como expansão gradual da jornada integral até alcançar 100% da rede estadual em 2030. Na habitação, defende destinar imóveis e terrenos ociosos à moradia popular, regularização fundiária, cooperativas e mutirões habitacionais. Também prevê redução das tarifas de transporte e ampliação da presença estatal nos sistemas de mobilidade.


LUAN MONTEIRO — PCO, nº 29

A candidatura mais jovem da disputa

Luan Monteiro Paschoal Pires nasceu em 5 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro. No registro eleitoral de 2026 declara ocupação de estudante, bolsista ou estagiário e ensino médio incompleto. É o mais jovem entre os candidatos ao Palácio Guanabara.

Sua trajetória eleitoral começou em 2020 e sempre esteve vinculada ao PCO.

Histórico partidário

PCO em todas as candidaturas registradas.

Desempenho eleitoral

AnoDisputaPartidoVotaçãoResultado
2020Vereador do RioPCO23Não eleito
2022Deputado estadualPCO241Não eleito
2024Vereador do RioPCO60Não eleito
2026GovernadorPCOEm disputa

Patrimônio

Luan declarou R$ 0,00 em bens à Justiça Eleitoral.

O que propõe

Seu documento eleitoral reproduz a plataforma nacional do PCO e apresenta uma transformação estrutural do modelo econômico e político. Entre as propostas estão aumento e mecanismos automáticos de recomposição dos salários, redução da jornada de trabalho, cancelamento de privatizações, estatização de setores econômicos e do sistema financeiro, ampliação de recursos para saúde e educação e construção massiva de moradias populares.

Na segurança, a plataforma defende a dissolução da Polícia Militar e substituição do atual modelo repressivo. Também propõe expropriação de imóveis ociosos utilizados para especulação, passe livre para desempregados e trabalhadores informais e forte ampliação da intervenção estatal na economia. Parte dessas propostas envolve competências federais e mudanças legais que ultrapassam os poderes de um governador estadual.


QUADRO COMPARATIVO — O QUE PROPÕEM OS CANDIDATOS

CandidatoSegurançaEconomia e gestãoSaúde e educaçãoMobilidade, infraestrutura e social
Eduardo PaesPoliciamento orientado por dados; reorganização dos efetivos; integração no combate ao crime organizadoEficiência administrativa, reorganização do Estado e atração de investimentosHospitais regionais; melhor distribuição de recursos; elevação dos indicadores educacionaisLinha 3 do Metrô e recuperação/integração dos sistemas metropolitanos
Douglas RuasRecuperação de territórios, inteligência integrada, tecnologia e valorização policialDesburocratização, microempreendedorismo, turismo e desenvolvimento regionalCentros Integrados de Saúde; atenção ao autismo; formação profissional no Ensino MédioInfraestrutura, mobilidade e prevenção de riscos
Anthony Garotinho“Bope 2.0”, ocupação territorial, Polícia Civil e políticas sociais; rastreamento de armasRevisão de incentivos, redução de IPVA e crédito ao pequeno empreendedorRedução das filas do Sisreg; piso dos professores; expansão do ensino tecnológicoCartão metropolitano; integração dos transportes; revisão de concessões
William SiriPrevenção e inteligência; redução da letalidade; mudanças na estrutura policial e pericialReforço do Estado e da prestação pública direta de serviços12% para saúde; dois hospitais regionais; expansão da gestão públicaRetomada progressiva das barcas; ônibus elétricos; ciclovias e integração modal
André MarinhoGestão baseada em tecnologia, metas e inteligênciaAmbiente de negócios, concessões, PPPs, gestão digital e atração de capitalDigitalização e IA na saúde; ensino técnico conectado ao mercadoProjeto ArcoMM, corredores logísticos e investimentos privados em infraestrutura
Cyro GarciaReforma estrutural do modelo de segurança e crítica à militarizaçãoRevisão das privatizações; ampliação do papel estatalMais recursos públicos; concursos; rejeição à privatização de serviçosControle público dos transportes; expansão ferroviária e redução das tarifas
Coronel BusnelloRetomada territorial, unidades permanentes, inteligência e expansão do efetivoFormalização econômica, microcrédito e gestão por resultadosMelhoria da regulação da saúde e infraestrutura escolarInfraestrutura e sistemas de alerta e prevenção de desastres
Juliete PantojaDesmilitarização e política de segurança associada a direitos humanosBanco estadual; revisão de privatizações e incentivos; frentes de trabalhoAmpliação dos serviços públicos; educação integral e combate ao analfabetismoMoradia popular, imóveis ociosos, reforma urbana e redução de tarifas
Luan MonteiroDissolução da PM e mudança radical do sistema de segurançaEstatizações, cancelamento de privatizações e dívidas e maior controle estatalExpansão irrestrita do financiamento público; estatização de serviços privados prevista na plataformaMoradia popular, expropriação de imóveis especulativos e passe livre para determinados grupos

As sínteses foram construídas a partir dos programas registrados e das propostas apresentadas publicamente pelas campanhas. Para Eduardo Paes e Anthony Garotinho, algumas bases recentes registraram períodos em que os planos formais não estavam disponíveis para consulta no DivulgaCandContas; nesses casos, foram usados compromissos explicitamente apresentados pelos candidatos em entrevistas e atos de campanha, em vez de atribuir a eles propostas não verificadas.


PATRIMÔNIO: DA AUSÊNCIA DE BENS DECLARADOS A R$ 1,47 MILHÃO

A comparação dos registros patrimoniais produz outra fotografia da diversidade da disputa:

  1. Douglas Ruas — R$ 1.467.687,88
  2. Coronel Busnello — R$ 950.000,00
  3. André Marinho — R$ 407.503,55
  4. Cyro Garcia — R$ 385.400,00
  5. Eduardo Paes — R$ 189.210,63
  6. Anthony Garotinho — R$ 167.585,05
  7. William Siri — R$ 120.000,00
  8. Juliete Pantoja — R$ 0,00
  9. Luan Monteiro — R$ 0,00

Os números devem ser interpretados com cautela. A legislação eleitoral exige declaração patrimonial, mas os valores podem refletir custos históricos de aquisição e não preços atuais de mercado. Por isso, um patrimônio declarado inferior ou superior não permite, isoladamente, concluir aumento ou redução real de riqueza.


TRÊS TIPOS DE TRAJETÓRIA NA MESMA ELEIÇÃO

A disputa fluminense pode ser dividida, sob o ponto de vista da experiência política, em três grupos bastante distintos.

No primeiro estão Eduardo Paes e Anthony Garotinho, cujas trajetórias atravessam mais de três décadas e incluem comando de grandes Executivos. Paes soma quatro mandatos de prefeito da capital, enquanto Garotinho já governou o próprio Estado.

No segundo grupo aparecem políticos com experiência parlamentar mais recente, como Douglas Ruas, atual deputado e presidente da Alerj, e William Siri, vereador reeleito. Cyro Garcia ocupa posição singular: participa de eleições desde 1982 e chegou a exercer mandato de deputado federal como suplente, embora a maior parte de sua trajetória seja formada por candidaturas de caráter programático.

No terceiro grupo estão André Marinho, Coronel Busnello, Juliete Pantoja e Luan Monteiro, nenhum deles detentor de mandato eletivo. Mesmo aí existem diferenças importantes: Busnello e Juliete já disputaram mais de uma eleição, Luan concorre desde 2020 e André Marinho chega às urnas pela primeira vez.


UMA ELEIÇÃO MARCADA PELO TEMA DA SEGURANÇA

Apesar das diferenças ideológicas, há um denominador comum: a segurança pública aparece no centro ou entre os primeiros capítulos da agenda de praticamente todas as candidaturas.

A divergência está no diagnóstico e na solução. Douglas Ruas e Coronel Busnello enfatizam retomada territorial, reforço policial, tecnologia e inteligência. Garotinho apresenta o Bope 2.0. Paes aposta em distribuição de efetivos orientada por dados e reorganização da máquina pública. André Marinho vincula segurança a gestão, tecnologia e desenvolvimento.

Do outro lado, William Siri, Cyro Garcia, Juliete Pantoja e Luan Monteiro defendem, em diferentes graus, alterações mais profundas do modelo policial — da redução da letalidade e desmilitarização até, no programa do PCO, a defesa da dissolução da Polícia Militar. Os debates realizados durante a campanha confirmam a centralidade de segurança e corrupção na disputa.


ENTRE CONTINUIDADE, RECONSTRUÇÃO E RUPTURA

É talvez na concepção econômica e administrativa que as diferenças ficam mais claras.

Paes oferece ao eleitor a experiência de gestão municipal como credencial para reconstruir a capacidade administrativa estadual. Ruas associa segurança, desenvolvimento regional e continuidade de investimentos a uma agenda de centro-direita. Garotinho tenta recuperar o legado de sua passagem pelo governo e combinar políticas sociais com forte intervenção na segurança.

André Marinho apresenta a proposta mais explicitamente liberal, com concessões, parcerias privadas, redução de entraves e gestão por indicadores.

No campo da esquerda, William Siri defende expansão dos serviços públicos com participação social; Cyro Garcia advoga ruptura com privatizações e políticas de austeridade; Juliete Pantoja propõe forte intervenção estatal e políticas de moradia e trabalho; e Luan Monteiro apresenta a plataforma de transformação econômica mais radical, incluindo estatizações e mudanças que dependeriam de decisões federais e até constitucionais.

Coronel Busnello, por sua vez, constrói uma plataforma em que a política de segurança funciona como eixo organizador de uma agenda conservadora de governo.


O que estará em jogo em 4 de outubro

Mais do que escolher entre nove nomes, o eleitor fluminense decidirá entre modelos bastante diferentes de Estado.

A eleição coloca frente a frente a experiência administrativa de quem já comandou o Rio, a tentativa de renovação de políticos que ascenderam nos últimos anos, propostas liberais de redução do peso da máquina pública e programas de esquerda que defendem sua expansão.

Também oferece uma rara combinação de trajetórias: um candidato que concorre a eleições há mais de quatro décadas, outro que foi governador há mais de 20 anos, um prefeito quatro vezes eleito, um deputado estadual em primeiro mandato e um postulante que nunca havia disputado sequer uma eleição antes de 2026.

No caminho até o Palácio Guanabara, segurança, mobilidade, recuperação econômica, saúde e capacidade de gestão devem continuar dominando o debate. Mas, por trás de propostas muitas vezes apresentadas sob os mesmos títulos, encontram-se projetos profundamente distintos para responder à pergunta central desta eleição: qual deve ser o papel do Governo do Estado na reconstrução do Rio de Janeiro?

Fontes e metodologia: levantamento elaborado a partir de registros do Tribunal Superior Eleitoral e bases que reproduzem seus dados abertos, resultados históricos da Justiça Eleitoral, Câmara dos Deputados, Alerj, Câmara Municipal do Rio, documentos de programas de governo apresentados à Justiça Eleitoral e entrevistas e materiais públicos das candidaturas. Informações verificadas e atualizadas até 7 de setembro de 2026.

Web TV Nacional

Mais Recentes

PUBLICIDADE

Programação da Web Rádio Nacional
Rolar para cima