Disputa reúne um ex-governador, um ex-prefeito da capital com quatro mandatos, o presidente da Alerj, um vereador, militares, representantes de movimentos populares e candidatos sem mandato eletivo. Reportagem especial recupera biografias, filiações partidárias, patrimônio declarado, desempenho nas urnas e as principais propostas apresentadas para o estado.
RIO DE JANEIRO — Atualizado em 7 de setembro de 2026. O eleitorado fluminense chega à reta decisiva da campanha com nove candidaturas registradas ao Governo do Estado: Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL), André Marinho (Novo), Coronel Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU), Juliete Pantoja (UP) e Luan Monteiro (PCO). O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se necessário, o segundo ocorrerá em 25 de outubro.
A lista traduz uma disputa de fortes contrastes. De um lado estão políticos com longa experiência administrativa e parlamentar; de outro, candidaturas que chegam à eleição sem nunca terem exercido mandato eletivo. Também é grande a distância entre os patrimônios declarados, os tamanhos das trajetórias eleitorais e as concepções de Estado presentes nos programas.
Nota importante: os valores patrimoniais desta reportagem são os informados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Não representam necessariamente o valor de mercado atual dos bens e não constituem auditoria patrimonial. Da mesma forma, pedidos de registro ainda sujeitos a julgamento podem sofrer alterações até a eleição.
O RAIO-X DOS NOVE CANDIDATOS
| Candidato | Partido | Nascimento | Naturalidade | Experiência eletiva | Patrimônio declarado em 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Eduardo Paes | PSD – 55 | 14/11/1969 | Rio de Janeiro/RJ | Vereador, deputado federal e prefeito por quatro mandatos | R$ 189.210,63 |
| Douglas Ruas | PL – 22 | 17/01/1989 | São Gonçalo/RJ | Deputado estadual; presidente da Alerj | R$ 1.467.687,88 |
| Anthony Garotinho | Republicanos – 10 | 18/04/1960 | Campos dos Goytacazes/RJ | Deputado estadual, prefeito, governador e deputado federal | R$ 167.585,05 |
| William Siri | PSOL – 50 | 08/08/1992 | Rio de Janeiro/RJ | Vereador por dois mandatos | R$ 120.000,00 |
| André Marinho | Novo – 30 | 10/08/1994 | Rio de Janeiro/RJ | Sem mandato eletivo | R$ 407.503,55 |
| Cyro Garcia | PSTU – 16 | 26/10/1954 | Manhumirim/MG | Exerceu mandato de deputado federal como suplente | R$ 385.400,00 |
| Coronel Busnello | Missão – 14 | 06/08/1970 | Iraí/RS | Sem mandato eletivo | R$ 950.000,00 |
| Juliete Pantoja | UP – 80 | 15/10/1989 | Duque de Caxias/RJ | Sem mandato eletivo | R$ 0,00 |
| Luan Monteiro | PCO – 29 | 05/08/1996 | Rio de Janeiro/RJ | Sem mandato eletivo | R$ 0,00 |
Os dados pessoais e patrimoniais constam das fichas eleitorais e bases que reproduzem as informações do TSE.
EDUARDO PAES — PSD, nº 55
Da subprefeitura ao quarto mandato como prefeito
Eduardo da Costa Paes, nascido em 14 de novembro de 1969, no Rio de Janeiro, é advogado formado pela PUC-Rio, com especialização em Políticas Públicas e Governo pela UFRJ. Ingressou na administração municipal ainda jovem, tornando-se subprefeito da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá em 1993.
Sua carreira eleitoral começou em 1996, quando foi eleito vereador com 82.418 votos. Dois anos depois chegou à Câmara dos Deputados, reelegendo-se em 2002. Em 2006 tentou pela primeira vez governar o estado, mas terminou em quinto lugar.
A grande virada ocorreu em 2008, quando venceu a disputa pela Prefeitura do Rio. Foi reeleito em 2012, voltou a concorrer ao Governo do Estado em 2018 — perdendo o segundo turno para Wilson Witzel — e recuperou a prefeitura em 2020. Em 2024 tornou-se prefeito pela quarta vez, sendo eleito no primeiro turno com 60,47% dos votos válidos. Renunciou ao cargo em março de 2026 para disputar novamente o Palácio Guanabara.
Histórico partidário
A trajetória partidária de Paes é extensa:
PV → PFL → PTB → PFL → PSDB → PMDB/MDB → DEM → PSD.
Ele esteve no PV em meados dos anos 1990; elegeu-se pelo PFL; passou pelo PTB e voltou ao PFL; ingressou no PSDB em 2003; mudou-se para o PMDB em 2007; concorreu pelo DEM em 2018 e 2020 e, desde 2021, está no PSD.
Linha do tempo eleitoral de Eduardo Paes
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1996 | Vereador do Rio | PFL | 82.418 | Eleito |
| 1998 | Deputado federal | PFL | 117.164 | Eleito |
| 2002 | Deputado federal | PFL | 186.221 | Eleito |
| 2006 | Governador | PSDB | 440.484 | Não eleito |
| 2008 | Prefeito – 1º turno | PMDB | 1.049.019 | Foi ao 2º turno |
| 2008 | Prefeito – 2º turno | PMDB | 1.696.195 | Eleito |
| 2012 | Prefeito | PMDB | 2.097.733 | Eleito no 1º turno |
| 2018 | Governador – 1º turno | DEM | 1.494.831 | Foi ao 2º turno |
| 2018 | Governador – 2º turno | DEM | 3.134.400 | Não eleito |
| 2020 | Prefeito – 1º turno | DEM | 974.804 | Foi ao 2º turno |
| 2020 | Prefeito – 2º turno | DEM | 1.629.319 | Eleito |
| 2024 | Prefeito | PSD | 1.861.856 | Eleito no 1º turno |
| 2026 | Governador | PSD | — | Em disputa |
Patrimônio
Paes declarou R$ 189.210,63 em sete bens à Justiça Eleitoral em 2026.
O que propõe
Entre os compromissos apresentados durante a campanha estão a implantação de um modelo de policiamento que utilize dados e mapas de criminalidade para distribuir efetivos, a reorganização e maior eficiência da administração estadual, a construção de hospitais regionais, medidas para elevar os indicadores educacionais e a retomada de grandes projetos metropolitanos. Na mobilidade, destaca-se a promessa de iniciar a Linha 3 do Metrô, voltada principalmente ao eixo Niterói–São Gonçalo–Itaboraí.
DOUGLAS RUAS — PL, nº 22
Da gestão em São Gonçalo à presidência da Alerj
Douglas Ruas dos Santos nasceu em 17 de janeiro de 1989, em São Gonçalo. É bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil. É filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo.
Antes de disputar uma eleição, ocupou funções administrativas: foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo, superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente e secretário municipal de Gestão Integrada e Projetos Especiais.
Sua estreia eleitoral aconteceu em 2022 e foi expressiva: obteve 175.977 votos para deputado estadual, a segunda maior votação para o cargo no estado. Em 2026 assumiu a presidência da Assembleia Legislativa.
Histórico partidário
Nas candidaturas registradas na Justiça Eleitoral, Douglas Ruas disputou 2022 e 2026 pelo PL.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2022 | Deputado estadual | PL | 175.977 | Eleito |
| 2026 | Governador | PL | — | Em disputa |
Patrimônio
É o maior patrimônio declarado entre os nove candidatos: R$ 1.467.687,88, distribuídos em 18 bens, especialmente aplicações financeiras, participações societárias e imóveis. Em 2022 havia declarado R$ 1.266.447,90.
O que propõe
A segurança pública ocupa lugar central no programa. O candidato fala em recuperação de territórios dominados pelo crime, integração de inteligência e tecnologia, fortalecimento do policiamento ostensivo e reorganização do sistema penitenciário.
Na saúde, propõe Centros Integrados de Saúde, concentrando consultas e exames; na educação, quer ampliar a formação profissional já no Ensino Médio. O programa também promete desburocratização, estímulo ao microempreendedor, turismo, vocações econômicas regionais, investimentos em mobilidade e políticas específicas para pessoas com autismo e suas famílias.
ANTHONY GAROTINHO — REPUBLICANOS, nº 10
O único ex-governador na disputa
Anthony William Garotinho Matheus de Oliveira, nascido em 18 de abril de 1960, em Campos dos Goytacazes, é jornalista e radialista. Sua carreira política é uma das mais extensas entre os concorrentes de 2026.
Foi eleito deputado estadual em 1986, prefeito de Campos em 1988, voltou à prefeitura em 1996 e renunciou em 1998 para disputar o Governo do Estado. Venceu aquela eleição e governou o Rio entre 1999 e 2002. Depois disputou a Presidência da República, foi secretário estadual de Segurança e retornou às urnas em 2010, quando conquistou uma cadeira de deputado federal com quase 695 mil votos.
Um percurso por dez legendas
A sequência partidária mais consolidada nas fontes biográficas é:
PT (1980–1983) → PDT (1983–2000) → PSB (2001–2003) → PMDB (2003–2009) → PR (2009–2018) → PRP (2018–2019) → Patriota (2019) → PROS (2019–2022) → União Brasil (2022–2024) → Republicanos (desde 2024).
Há fontes biográficas que também mencionam passagem anterior pelo PCB.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1986 | Deputado estadual | PDT | 33.439 | Eleito |
| 1988 | Prefeito de Campos | PDT | 62.953 | Eleito |
| 1994 | Governador – 1º turno | PDT | 1.874.435 | Foi ao 2º turno |
| 1994 | Governador – 2º turno | PDT | 2.771.074 | Não eleito |
| 1996 | Prefeito de Campos | PDT | 134.906 | Eleito |
| 1998 | Governador – 1º turno | PDT | 3.083.441 | Foi ao 2º turno |
| 1998 | Governador – 2º turno | PDT | 4.259.344 | Eleito |
| 2002 | Presidente | PSB | 15.180.097 | 3º lugar |
| 2010 | Deputado federal | PR | 694.862 | Eleito |
| 2014 | Governador | PR | 1.576.511 | Não eleito |
| 2018 | Governador | PRP | — | Registro indeferido; sem votação válida contabilizada |
| 2022 | Deputado federal | União | — | Renunciou à candidatura |
| 2024 | Vereador do Rio | Republicanos | 8.753 | Suplente |
| 2026 | Governador | Republicanos | — | Em disputa |
Patrimônio
Declarou em 2026 R$ 167.585,05, distribuídos em oito bens e direitos.
Situação jurídica
O pedido de registro aparece em bases recentes como aguardando julgamento, em meio a questionamento do Ministério Público Eleitoral relacionado a condenação anterior por improbidade. A defesa sustenta interpretação jurídica favorável à elegibilidade, e o caso está inserido na controvérsia sobre os efeitos das mudanças na Lei da Ficha Limpa. Por isso, a reportagem trata Garotinho como candidato registrado com situação judicial ainda sujeita a definição, e não como candidatura definitivamente deferida ou indeferida.
O que propõe
Na segurança, Garotinho apresentou o chamado “Bope 2.0”, com ocupação prolongada de áreas dominadas pelo crime, atuação conjunta de PM e Polícia Civil e entrada posterior de políticas sociais. Também defende rastreamento de armas, corregedoria externa e combate ao roubo de cargas.
Na saúde promete combater as filas do Sisreg. Na educação, fala em pagamento do piso nacional dos professores e ampliação do ensino tecnológico. Em economia, propõe rever incentivos fiscais, reduzir IPVA e criar linhas de crédito para pequenos empreendedores. Na mobilidade, menciona um cartão metropolitano e maior integração dos transportes.
WILLIAM SIRI — PSOL, nº 50
Da Zona Oeste à Câmara Municipal
William Carlos Brum Bispo, conhecido como William Siri, nasceu em 8 de agosto de 1992, no Rio de Janeiro. É formado em nível superior e exerce mandato de vereador da capital.
Entrou nas disputas eleitorais em 2016. Depois de duas candidaturas como suplente, conquistou uma cadeira na Câmara em 2020 e foi reeleito em 2024.
Histórico partidário
Todas as candidaturas identificadas desde 2016 foram pelo PSOL. Em 2022, 2024 e 2026 a legenda integra a Federação PSOL-Rede.
Desempenho eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2016 | Vereador | PSOL | 6.286 | Suplente |
| 2018 | Deputado estadual | PSOL | 14.212 | Suplente |
| 2020 | Vereador | PSOL | 9.957 | Eleito |
| 2022 | Deputado federal | PSOL | 15.294 | Suplente |
| 2024 | Vereador | PSOL | 19.872 | Eleito |
| 2026 | Governador | PSOL | — | Em disputa |
Patrimônio
Declarou R$ 120 mil, correspondentes a participação societária.
O que propõe
Seu programa defende uma política de segurança baseada em prevenção, inteligência e redução da letalidade policial, além de mudanças na perícia e maior controle das políticas públicas de segurança.
Na saúde, propõe aplicação do mínimo constitucional de 12%, expansão da gestão pública direta e pelo menos dois novos hospitais regionais, um no Noroeste e outro na Baixada. Na mobilidade, defende ampliação e progressiva retomada do controle público das barcas, eletrificação dos ônibus, corredores de transporte e ampliação da infraestrutura cicloviária.
ANDRÉ MARINHO — NOVO, nº 30
O estreante na política eleitoral
André Bourguignon Marinho nasceu em 10 de agosto de 1994, no Rio de Janeiro. Empresário, possui ensino superior completo e ganhou projeção pública como comunicador. A disputa pelo Governo do Estado é sua primeira candidatura registrada no TSE.
Histórico partidário e eleitoral
No histórico eleitoral disponível, aparece apenas:
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador | Novo | — | Em disputa |
Assim, não há votação anterior a comparar.
Patrimônio
Declarou R$ 407.503,55, dos quais R$ 300 mil correspondem a apartamento e R$ 100 mil a participações empresariais, além de pequenas aplicações e saldos bancários.
O que propõe
O programa organiza-se em torno de segurança, investimentos, gestão e ambiente econômico. Uma das propostas estruturantes é o chamado ArcoMM, projeto de desenvolvimento territorial conectado à implantação de polos e novas centralidades econômicas.
Também estão entre os compromissos o uso de parcerias e concessões para infraestrutura, maior participação privada nos investimentos, qualificação técnica conectada ao emprego, digitalização da administração e utilização de inteligência artificial e dados na gestão da saúde e de outros serviços.
CYRO GARCIA — PSTU, nº 16
Mais de quatro décadas nas urnas
Cyro Garcia nasceu em 26 de outubro de 1954, em Manhumirim, Minas Gerais. É advogado, ex-bancário, professor e historiador, com mestrado e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense. Foi fundador do PT no Rio e teve forte atuação sindical na CUT e no Sindicato dos Bancários.
Na eleição de 1990 ficou como suplente de deputado federal e assumiu a Câmara em outubro de 1992, permanecendo até agosto de 1993. Após o rompimento da Convergência Socialista com o PT, participou da fundação do PSTU em 1994.
Histórico partidário
PT → PSTU.
Todas as candidaturas desde 1994 foram pelo PSTU.
Uma das maiores sequências eleitorais da disputa
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1982 | Deputado estadual | PT | 3.224 | Suplente |
| 1986 | Deputado federal | PT | 13.671 | Suplente |
| 1990 | Deputado federal | PT | 15.417 | Suplente; assumiria posteriormente |
| 1994 | Deputado federal | PSTU | 15.745 | Suplente |
| 1996 | Prefeito do Rio | PSTU | 7.884 | Não eleito |
| 1998 | Governador | PSTU | 18.756 | Não eleito |
| 2000 | Prefeito do Rio | PSTU | 10.166 | Não eleito |
| 2002 | Governador | PSTU | 27.757 | Não eleito |
| 2004 | Vereador | PSTU | 16.122 | Não eleito |
| 2006 | Deputado federal | PSTU | 19.180 | Suplente |
| 2008 | Vereador | PSTU | 9.538 | Suplente |
| 2010 | Governador | PSTU | 48.793 | Não eleito |
| 2012 | Prefeito | PSTU | 12.596 | Não eleito |
| 2014 | Deputado federal | PSTU | 8.737 | Não eleito |
| 2016 | Prefeito | PSTU | 5.759 | Não eleito |
| 2018 | Senador | PSTU | 45.588 | Não eleito |
| 2020 | Prefeito | PSTU | 3.025 | Não eleito |
| 2022 | Governador | PSTU | 12.627 | Não eleito |
| 2024 | Prefeito | PSTU | 2.453 | Não eleito |
| 2026 | Governador | PSTU | — | Em disputa |
Patrimônio
Cyro declarou R$ 385.400, compostos por apartamento de R$ 358 mil e um automóvel avaliado em R$ 27,4 mil.
O que propõe
O PSTU apresenta uma plataforma de forte ampliação do papel do Estado. Defende revisão de privatizações e concessões, expansão do transporte público sob controle estatal, maior financiamento para saúde e educação e contratação de servidores por concurso.
Na segurança, o programa propõe mudanças estruturais no modelo policial e crítica à militarização. Na mobilidade, defende expansão ferroviária e metroviária, controle público dos serviços e avanço em direção à redução das tarifas.
CORONEL BUSNELLO — MISSÃO, nº 14
A segurança como eixo principal
João Jacques Soares Busnello nasceu em 6 de agosto de 1970, em Iraí, Rio Grande do Sul. É policial militar, com ensino superior completo. Na carreira de segurança, teve passagem por unidades especializadas da Polícia Militar do Rio, incluindo o Bope.
Já tentou duas vezes chegar à Câmara dos Deputados.
Histórico partidário
PRTB → PSD → Missão.
Desempenho eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | Deputado federal | PRTB | 15.768 | Não eleito |
| 2022 | Deputado federal | PSD | 774 | Suplente |
| 2026 | Governador | Missão | — | Em disputa |
Patrimônio
Declarou R$ 950 mil: uma casa de vila avaliada em R$ 750 mil e um Fiat Toro de R$ 200 mil.
O que propõe
A segurança é o centro de sua candidatura. O programa propõe integração de inteligência, câmeras e bancos de dados, retomada territorial de regiões controladas por organizações criminosas, unidades permanentes de controle territorial e expansão do efetivo policial.
Fora da segurança, apresenta medidas para microcrédito e formalização de atividades econômicas, melhorias na regulação da saúde, educação, infraestrutura e sistemas de prevenção e alerta para desastres climáticos.
JULIETE PANTOJA — UP, nº 80
Militância por moradia chega novamente à disputa estadual
Juliete Pantoja Alves nasceu em 15 de outubro de 1989, em Duque de Caxias. Educadora popular, atua no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas — MLB — e tem sua trajetória associada principalmente à luta por moradia e à organização popular.
Em 2022 já havia disputado o Governo do Estado. Dois anos depois concorreu à Prefeitura do Rio.
Histórico partidário
PSC → Unidade Popular (UP).
Em 2012 tentou disputar uma vaga de vereadora pelo PSC. Desde 2020, suas candidaturas são pela UP.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação válida | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2012 | Vereadora de Duque de Caxias | PSC | — | Registro indeferido |
| 2020 | Vereadora de Duque de Caxias | UP | — | Registro indeferido |
| 2022 | Governadora | UP | 27.344 | Não eleita |
| 2024 | Prefeita do Rio | UP | 6.828 | Não eleita |
| 2026 | Governadora | UP | — | Em disputa |
Patrimônio
Em 2026 declarou nenhum bem: R$ 0,00.
O que propõe
Seu programa reúne 80 propostas e advoga maior participação direta do Estado na economia. Entre as medidas estão revisão de privatizações e benefícios fiscais, criação de banco estadual, frentes emergenciais de trabalho e ampliação dos serviços públicos.
Na educação, apresenta metas como expansão gradual da jornada integral até alcançar 100% da rede estadual em 2030. Na habitação, defende destinar imóveis e terrenos ociosos à moradia popular, regularização fundiária, cooperativas e mutirões habitacionais. Também prevê redução das tarifas de transporte e ampliação da presença estatal nos sistemas de mobilidade.
LUAN MONTEIRO — PCO, nº 29
A candidatura mais jovem da disputa
Luan Monteiro Paschoal Pires nasceu em 5 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro. No registro eleitoral de 2026 declara ocupação de estudante, bolsista ou estagiário e ensino médio incompleto. É o mais jovem entre os candidatos ao Palácio Guanabara.
Sua trajetória eleitoral começou em 2020 e sempre esteve vinculada ao PCO.
Histórico partidário
PCO em todas as candidaturas registradas.
Desempenho eleitoral
| Ano | Disputa | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2020 | Vereador do Rio | PCO | 23 | Não eleito |
| 2022 | Deputado estadual | PCO | 241 | Não eleito |
| 2024 | Vereador do Rio | PCO | 60 | Não eleito |
| 2026 | Governador | PCO | — | Em disputa |
Patrimônio
Luan declarou R$ 0,00 em bens à Justiça Eleitoral.
O que propõe
Seu documento eleitoral reproduz a plataforma nacional do PCO e apresenta uma transformação estrutural do modelo econômico e político. Entre as propostas estão aumento e mecanismos automáticos de recomposição dos salários, redução da jornada de trabalho, cancelamento de privatizações, estatização de setores econômicos e do sistema financeiro, ampliação de recursos para saúde e educação e construção massiva de moradias populares.
Na segurança, a plataforma defende a dissolução da Polícia Militar e substituição do atual modelo repressivo. Também propõe expropriação de imóveis ociosos utilizados para especulação, passe livre para desempregados e trabalhadores informais e forte ampliação da intervenção estatal na economia. Parte dessas propostas envolve competências federais e mudanças legais que ultrapassam os poderes de um governador estadual.
QUADRO COMPARATIVO — O QUE PROPÕEM OS CANDIDATOS
| Candidato | Segurança | Economia e gestão | Saúde e educação | Mobilidade, infraestrutura e social |
|---|---|---|---|---|
| Eduardo Paes | Policiamento orientado por dados; reorganização dos efetivos; integração no combate ao crime organizado | Eficiência administrativa, reorganização do Estado e atração de investimentos | Hospitais regionais; melhor distribuição de recursos; elevação dos indicadores educacionais | Linha 3 do Metrô e recuperação/integração dos sistemas metropolitanos |
| Douglas Ruas | Recuperação de territórios, inteligência integrada, tecnologia e valorização policial | Desburocratização, microempreendedorismo, turismo e desenvolvimento regional | Centros Integrados de Saúde; atenção ao autismo; formação profissional no Ensino Médio | Infraestrutura, mobilidade e prevenção de riscos |
| Anthony Garotinho | “Bope 2.0”, ocupação territorial, Polícia Civil e políticas sociais; rastreamento de armas | Revisão de incentivos, redução de IPVA e crédito ao pequeno empreendedor | Redução das filas do Sisreg; piso dos professores; expansão do ensino tecnológico | Cartão metropolitano; integração dos transportes; revisão de concessões |
| William Siri | Prevenção e inteligência; redução da letalidade; mudanças na estrutura policial e pericial | Reforço do Estado e da prestação pública direta de serviços | 12% para saúde; dois hospitais regionais; expansão da gestão pública | Retomada progressiva das barcas; ônibus elétricos; ciclovias e integração modal |
| André Marinho | Gestão baseada em tecnologia, metas e inteligência | Ambiente de negócios, concessões, PPPs, gestão digital e atração de capital | Digitalização e IA na saúde; ensino técnico conectado ao mercado | Projeto ArcoMM, corredores logísticos e investimentos privados em infraestrutura |
| Cyro Garcia | Reforma estrutural do modelo de segurança e crítica à militarização | Revisão das privatizações; ampliação do papel estatal | Mais recursos públicos; concursos; rejeição à privatização de serviços | Controle público dos transportes; expansão ferroviária e redução das tarifas |
| Coronel Busnello | Retomada territorial, unidades permanentes, inteligência e expansão do efetivo | Formalização econômica, microcrédito e gestão por resultados | Melhoria da regulação da saúde e infraestrutura escolar | Infraestrutura e sistemas de alerta e prevenção de desastres |
| Juliete Pantoja | Desmilitarização e política de segurança associada a direitos humanos | Banco estadual; revisão de privatizações e incentivos; frentes de trabalho | Ampliação dos serviços públicos; educação integral e combate ao analfabetismo | Moradia popular, imóveis ociosos, reforma urbana e redução de tarifas |
| Luan Monteiro | Dissolução da PM e mudança radical do sistema de segurança | Estatizações, cancelamento de privatizações e dívidas e maior controle estatal | Expansão irrestrita do financiamento público; estatização de serviços privados prevista na plataforma | Moradia popular, expropriação de imóveis especulativos e passe livre para determinados grupos |
As sínteses foram construídas a partir dos programas registrados e das propostas apresentadas publicamente pelas campanhas. Para Eduardo Paes e Anthony Garotinho, algumas bases recentes registraram períodos em que os planos formais não estavam disponíveis para consulta no DivulgaCandContas; nesses casos, foram usados compromissos explicitamente apresentados pelos candidatos em entrevistas e atos de campanha, em vez de atribuir a eles propostas não verificadas.
PATRIMÔNIO: DA AUSÊNCIA DE BENS DECLARADOS A R$ 1,47 MILHÃO
A comparação dos registros patrimoniais produz outra fotografia da diversidade da disputa:
- Douglas Ruas — R$ 1.467.687,88
- Coronel Busnello — R$ 950.000,00
- André Marinho — R$ 407.503,55
- Cyro Garcia — R$ 385.400,00
- Eduardo Paes — R$ 189.210,63
- Anthony Garotinho — R$ 167.585,05
- William Siri — R$ 120.000,00
- Juliete Pantoja — R$ 0,00
- Luan Monteiro — R$ 0,00
Os números devem ser interpretados com cautela. A legislação eleitoral exige declaração patrimonial, mas os valores podem refletir custos históricos de aquisição e não preços atuais de mercado. Por isso, um patrimônio declarado inferior ou superior não permite, isoladamente, concluir aumento ou redução real de riqueza.
TRÊS TIPOS DE TRAJETÓRIA NA MESMA ELEIÇÃO
A disputa fluminense pode ser dividida, sob o ponto de vista da experiência política, em três grupos bastante distintos.
No primeiro estão Eduardo Paes e Anthony Garotinho, cujas trajetórias atravessam mais de três décadas e incluem comando de grandes Executivos. Paes soma quatro mandatos de prefeito da capital, enquanto Garotinho já governou o próprio Estado.
No segundo grupo aparecem políticos com experiência parlamentar mais recente, como Douglas Ruas, atual deputado e presidente da Alerj, e William Siri, vereador reeleito. Cyro Garcia ocupa posição singular: participa de eleições desde 1982 e chegou a exercer mandato de deputado federal como suplente, embora a maior parte de sua trajetória seja formada por candidaturas de caráter programático.
No terceiro grupo estão André Marinho, Coronel Busnello, Juliete Pantoja e Luan Monteiro, nenhum deles detentor de mandato eletivo. Mesmo aí existem diferenças importantes: Busnello e Juliete já disputaram mais de uma eleição, Luan concorre desde 2020 e André Marinho chega às urnas pela primeira vez.
UMA ELEIÇÃO MARCADA PELO TEMA DA SEGURANÇA
Apesar das diferenças ideológicas, há um denominador comum: a segurança pública aparece no centro ou entre os primeiros capítulos da agenda de praticamente todas as candidaturas.
A divergência está no diagnóstico e na solução. Douglas Ruas e Coronel Busnello enfatizam retomada territorial, reforço policial, tecnologia e inteligência. Garotinho apresenta o Bope 2.0. Paes aposta em distribuição de efetivos orientada por dados e reorganização da máquina pública. André Marinho vincula segurança a gestão, tecnologia e desenvolvimento.
Do outro lado, William Siri, Cyro Garcia, Juliete Pantoja e Luan Monteiro defendem, em diferentes graus, alterações mais profundas do modelo policial — da redução da letalidade e desmilitarização até, no programa do PCO, a defesa da dissolução da Polícia Militar. Os debates realizados durante a campanha confirmam a centralidade de segurança e corrupção na disputa.
ENTRE CONTINUIDADE, RECONSTRUÇÃO E RUPTURA
É talvez na concepção econômica e administrativa que as diferenças ficam mais claras.
Paes oferece ao eleitor a experiência de gestão municipal como credencial para reconstruir a capacidade administrativa estadual. Ruas associa segurança, desenvolvimento regional e continuidade de investimentos a uma agenda de centro-direita. Garotinho tenta recuperar o legado de sua passagem pelo governo e combinar políticas sociais com forte intervenção na segurança.
André Marinho apresenta a proposta mais explicitamente liberal, com concessões, parcerias privadas, redução de entraves e gestão por indicadores.
No campo da esquerda, William Siri defende expansão dos serviços públicos com participação social; Cyro Garcia advoga ruptura com privatizações e políticas de austeridade; Juliete Pantoja propõe forte intervenção estatal e políticas de moradia e trabalho; e Luan Monteiro apresenta a plataforma de transformação econômica mais radical, incluindo estatizações e mudanças que dependeriam de decisões federais e até constitucionais.
Coronel Busnello, por sua vez, constrói uma plataforma em que a política de segurança funciona como eixo organizador de uma agenda conservadora de governo.
O que estará em jogo em 4 de outubro
Mais do que escolher entre nove nomes, o eleitor fluminense decidirá entre modelos bastante diferentes de Estado.
A eleição coloca frente a frente a experiência administrativa de quem já comandou o Rio, a tentativa de renovação de políticos que ascenderam nos últimos anos, propostas liberais de redução do peso da máquina pública e programas de esquerda que defendem sua expansão.
Também oferece uma rara combinação de trajetórias: um candidato que concorre a eleições há mais de quatro décadas, outro que foi governador há mais de 20 anos, um prefeito quatro vezes eleito, um deputado estadual em primeiro mandato e um postulante que nunca havia disputado sequer uma eleição antes de 2026.
No caminho até o Palácio Guanabara, segurança, mobilidade, recuperação econômica, saúde e capacidade de gestão devem continuar dominando o debate. Mas, por trás de propostas muitas vezes apresentadas sob os mesmos títulos, encontram-se projetos profundamente distintos para responder à pergunta central desta eleição: qual deve ser o papel do Governo do Estado na reconstrução do Rio de Janeiro?
Fontes e metodologia: levantamento elaborado a partir de registros do Tribunal Superior Eleitoral e bases que reproduzem seus dados abertos, resultados históricos da Justiça Eleitoral, Câmara dos Deputados, Alerj, Câmara Municipal do Rio, documentos de programas de governo apresentados à Justiça Eleitoral e entrevistas e materiais públicos das candidaturas. Informações verificadas e atualizadas até 7 de setembro de 2026.