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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 EM SANTA CATARINA – Oito trajetórias, um governo em disputa: quem são, de onde vêm, o que já fizeram e o que propõem os candidatos ao comando de Santa Catarina

Da tentativa de reeleição de Jorginho Mello à estreia eleitoral de Laís Chaud, a corrida pelo governo catarinense reúne um governador, ex-prefeitos, ex-deputados, um ex-presidente da Assembleia Legislativa, professores, advogado, empresário e trabalhador da construção civil. A reportagem especial recompõe a carreira política dos oito candidatos, eleição por eleição, mostra o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral e compara os principais compromissos apresentados nos planos de governo.

Atualizado em 7 de setembro de 2026.

Santa Catarina chegou à reta decisiva da campanha de 2026 com oito candidaturas registradas ao Governo do Estado. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, se necessário, o segundo em 25 de outubro. Às 9h de 7 de setembro, os registros de Bruno Pedreiro, João Rodrigues, Jorginho Mello e Professor Marcus Sodré estavam deferidos; Gelson Merísio, Laís Chaud, Marcelo Brigadeiro e Ralf Zimmer ainda apareciam como “aguardando julgamento”. A situação jurídica pode ser atualizada pela Justiça Eleitoral ao longo da campanha. (UOL Notícias)

O conjunto chama atenção também pela amplitude das trajetórias. Jorginho chega à eleição depois de ocupar praticamente todos os principais cargos eletivos possíveis na política catarinense. João Rodrigues construiu sua força no Oeste e venceu quatro disputas pela Prefeitura de Chapecó. Gelson Merísio retorna oito anos depois de chegar ao segundo turno para governador. No outro extremo, Laís Chaud enfrenta sua primeira eleição; Bruno Pedreiro tem apenas uma disputa anterior; e Marcelo Brigadeiro participou de uma chapa ao Senado como suplente. (4oito)


O mapa da disputa

CandidatoPartidoVicePatrimônio declarado em 2026Registro em 7/9
Marcelo Brigadeiro14MissãoCoronel Rodrigues (Missão)R$ 1.831.261,11Aguardando julgamento
Professor Marcus Sodré16PSTUProfessora Taty (PSTU)R$ 117.000,00Deferido
Jorginho Mello22PLAdriano Silva (Novo)R$ 2.818.036,89Deferido
Ralf Zimmer25PRDCarlos Bordin (Solidariedade)R$ 1.426.599,97Aguardando julgamento
Bruno Pedreiro do PCO29PCOFlávio Amaral (PCO)R$ 0,00Deferido
Gelson Merísio40PSBAngela Albino (PDT)R$ 652.953,78Aguardando julgamento
João Rodrigues55PSDCarlos Chiodini (MDB)R$ 2.122.223,43Deferido
Laís Chaud80UPNathália Melo (UP)R$ 518,45Aguardando julgamento

Somadas, as declarações dos oito candidatos alcançam R$ 8.968.593,63. Jorginho Mello apresenta o maior patrimônio declarado, seguido por João Rodrigues, Marcelo Brigadeiro e Ralf Zimmer. Bruno Pedreiro informou não possuir bens, enquanto Laís Chaud declarou R$ 518,45. Os valores são autodeclarados à Justiça Eleitoral e nominais, portanto não representam necessariamente avaliação de mercado dos bens. (Politica News)


1. JORGINHO MELLO (PL) — o governador que tenta transformar uma longa sequência de vitórias em reeleição

Nome completo: Jorginho dos Santos Mello
Nascimento: 15 de julho de 1956
Naturalidade: Ibicaré (SC)
Idade: 70 anos
Formação: Estudos Sociais, Administração e Direito
Ocupação declarada: Governador
Vice: Adriano Silva (Novo)
Patrimônio declarado: R$ 2.818.036,89

Jorginho é o candidato de trajetória eleitoral mais extensa da disputa. Antes da política profissional, trabalhou no Banco do Estado de Santa Catarina, o BESC. Sua primeira experiência eletiva veio ainda nos anos 1970: foi eleito vereador de Herval d’Oeste em 1976 e presidiu a Câmara Municipal entre 1977 e 1978. Décadas depois, construiu uma sequência de quatro mandatos na Assembleia Legislativa, dois na Câmara dos Deputados, chegou ao Senado e, em 2022, ao Governo de Santa Catarina. Também presidiu a Alesc e, nessa condição, exerceu interinamente o governo estadual em 2009. (Memória Política)

Histórico partidário: ARENA → PL → PSDB → PR → PL. A passagem do PR para o atual PL deve ser compreendida também no contexto da mudança de denominação do próprio partido. A biografia da Assembleia registra formalmente essa sequência de filiações. (Memória Política)

Linha do tempo eleitoral de Jorginho Mello

1976 — vereador de Herval d’Oeste, pela Arena — eleito; a base histórica consultada não apresenta a votação nominal.
1994 — deputado estadual, PL — 19.104 votos, eleito.
1998 — deputado estadual, PSDB — 26.825 votos, eleito.
2002 — deputado estadual, PSDB — 34.486 votos, eleito.
2006 — deputado estadual, PSDB — 54.002 votos, eleito.
2010 — deputado federal, PSDB — 119.757 votos, eleito.
2014 — deputado federal, PR — 140.839 votos, eleito.
2018 — senador, PR — 1.179.757 votos, eleito para uma das duas vagas.
2022 — 1º turno: governador, PL — 1.575.912 votos, 38,61%.
2022 — 2º turno: 2.983.949 votos, 70,69%, eleito governador.
2026 — governador, PL — candidato à reeleição. (HubPolítico)

É uma característica relevante de sua biografia: Jorginho não registra derrota nas eleições em que efetivamente concorreu a um cargo titular, considerando a série histórica identificada. Sua trajetória saiu de uma votação de 19 mil para deputado estadual em 1994 para quase 3 milhões no segundo turno para governador em 2022. (4oito)

Patrimônio

Dos R$ 2,818 milhões declarados em 2026, a principal parcela corresponde a R$ 1,688 milhão em participação societária. A declaração também registra dois apartamentos avaliados conjuntamente em R$ 380 mil, aplicações financeiras, veículos e outros ativos. (Nexo Jornal)

O que propõe em 2026

O plano de Jorginho é apresentado essencialmente como uma agenda de continuidade e ampliação do primeiro mandato. Entre os compromissos estão a expansão da logística estadual, continuidade do Estrada Boa, avanço do corredor ViaMar, ampliação do videomonitoramento inteligente com reconhecimento facial e leitura de placas, novos concursos e reforço das forças de segurança, modernização de barragens e obras de prevenção de cheias. Na área econômica, propõe ampliar o Pronampe SC para micro e pequenas empresas, MEIs e produtores rurais. (ClicRDC)


2. JOÃO RODRIGUES (PSD) — a força municipal do Oeste tenta chegar ao governo estadual

Nascimento: 23 de março de 1967
Naturalidade: São Valentim (RS)
Idade: 59 anos
Profissão: empresário e comunicador
Escolaridade declarada: ensino médio completo
Vice: Carlos Chiodini (MDB)
Patrimônio: R$ 2.122.223,43

João Rodrigues chegou ainda jovem ao Oeste catarinense e fez carreira no rádio antes de ingressar na política. Foi vice-prefeito e prefeito de Pinhalzinho, deputado estadual, prefeito de Chapecó, deputado federal, secretário estadual da Agricultura e, posteriormente, retornou à Prefeitura de Chapecó. Ao todo, venceu quatro eleições para prefeito de Chapecó — 2004, 2008, 2020 e 2024. (Memória Política)

Histórico partidário: PDT → PFL → DEM → PSD. Começou sua trajetória eleitoral conhecida no PDT, passou ao PFL; permaneceu na legenda quando ela se transformou no DEM e posteriormente ingressou no PSD. (Memória Política)

Linha do tempo eleitoral de João Rodrigues

1996 — vice-prefeito de Pinhalzinho, PDT — eleito na chapa; vice não recebe votação nominal independente.
1998 — deputado estadual, PDT — 20 votos, não eleito, segundo a série histórica do TSE.
2000 — prefeito de Pinhalzinho, PFL — 4.045 votos, eleito.
2002 — deputado estadual, PFL — 48.549 votos, eleito.
2004 — prefeito de Chapecó, PFL — 37.949 votos, eleito.
2008 — prefeito de Chapecó, DEM — 59.386 votos, eleito.
2010 — deputado federal, DEM — 134.558 votos, eleito.
2014 — deputado federal, PSD — 221.409 votos, eleito.
2018 — deputado federal, PSD — 67.955 votos, não eleito; apesar da votação nominal elevada, a distribuição das cadeiras dependia do resultado partidário.
2020 — prefeito de Chapecó, PSD — 50.467 votos, eleito.
2024 — prefeito de Chapecó, PSD — 99.320 votos, eleito.
2026 — governador, PSD — primeira disputa pelo Governo do Estado. (Radar do Voto)

Patrimônio

João declarou R$ 2,122 milhões. A maior parcela da declaração é formada por créditos e participações financeiras, além de aplicações e títulos. É o segundo maior patrimônio informado entre os oito postulantes. (Nortiva)

O que propõe

Seu programa parte das ideias de austeridade, gestão por resultados, reforma administrativa, digitalização, inteligência artificial e controle de despesas. Na segurança, defende barreiras de fiscalização nas divisas estaduais, drones, ampliação do videomonitoramento, integração das inteligências policiais e reforço dos efetivos. (ClicRDC)

Na saúde, prevê planejamento regional, ampliação de telemedicina e investimentos na rede hospitalar. Em campanha, apresentou ainda a meta de construir 60 mil moradias, implantar dez unidades hospitalares — seis novas e quatro reformadas — e centros de acolhimento. Para infraestrutura, propõe duplicações, terceiras faixas, modernização de portos e aeroportos e intervenções nas regiões metropolitanas. (Jornal Cruzeiro do Vale)


3. GELSON MERÍSIO (PSB) — do comando da Alesc à candidatura apoiada pela esquerda

Nome completo: Gelson Luiz Merisio
Nascimento: 31 de janeiro de 1966
Naturalidade: Xaxim (SC)
Idade: 60 anos
Formação: Administração de Empresas
Vice: Angela Albino (PDT)
Patrimônio: R$ 652.953,78

Gelson Merísio tem uma das trajetórias de maior mudança de posicionamento partidário da eleição. Começou na política municipal, foi vereador de Xanxerê e presidiu a Câmara. Trabalhou também em entidades empresariais, passou pela direção financeira da Casan e pelo Conselho Deliberativo do Sebrae-SC. Na Assembleia, tornou-se um dos políticos mais influentes do período, presidindo o Legislativo catarinense em dois ciclos e chegando a exercer interinamente o governo. (Memória Política)

Histórico partidário: PFL → DEM → PSD → PSDB → PSB. Merísio deixou o PSD em maio de 2019, filiou-se ao PSDB em novembro daquele ano e, em abril de 2026, ingressou no PSB. (Memória Política)

Linha do tempo eleitoral de Gelson Merísio

1988 — vereador de Xanxerê — 707 votos, eleito; assumiu em 1989 e depois presidiu a Câmara.
1998 — deputado estadual, PFL — 13.616 votos, suplente.
2002 — deputado estadual, PFL — 23.473 votos, suplente; assumiu efetivamente o mandato em 2005.
2006 — deputado estadual, PFL — 40.332 votos, eleito.
2010 — deputado estadual, DEM — 65.551 votos, eleito.
2014 — deputado estadual, PSD — 119.280 votos, eleito e primeiro colocado no pleito para o cargo.
2018 — 1º turno: governador, PSD — 1.121.869 votos, primeiro colocado e classificado ao segundo turno.
2018 — 2º turno: 1.075.242 votos, derrotado por Carlos Moisés.
2026 — governador, PSB. (Radar do Voto)

Patrimônio

Merísio declarou R$ 652.953,78, incluindo imóvel avaliado em R$ 430 mil, participações societárias, cotas e aplicações financeiras. Em 2018, quando concorreu ao governo, havia declarado aproximadamente R$ 722,8 mil — comparação nominal, sem correção monetária. (Jornal Razão)

O que propõe

Merísio estruturou sua plataforma em torno de planejamento de longo prazo, com a proposta Santa Catarina 2040, desenvolvimento regional, inovação e redução da pobreza extrema. Defende ampliação do crédito para microempresas, cooperativas e economia solidária. (ClicRDC)

Na saúde, apresenta como destaque 16 Centros Regionais de Especialidades, reforma de hospitais estaduais, reforço da atenção básica, concurso para a Secretaria da Saúde e expansão da telessaúde. Na educação, promete ampliar tempo integral e ensino técnico, valorizar o magistério e dar maior autonomia à Udesc. Na mobilidade, propõe apoio estadual para que municípios implantem transporte coletivo urbano gratuito. E se posiciona pela manutenção e fortalecimento da Casan como empresa estatal. (ClicRDC)


4. MARCELO BRIGADEIRO (MISSÃO) — empresário tenta levar ao Estado a agenda do novo partido

Nome completo: Marcelo Marcel Franco José da Silva
Nascimento: 4 de maio de 1982
Naturalidade: Rio de Janeiro (RJ)
Idade: 44 anos
Ocupação declarada: empresário
Vice: Coronel Rodrigues (Missão)
Patrimônio: R$ 1.831.261,11

Marcelo Brigadeiro é empresário e também tem trajetória ligada aos esportes de combate. Nas fontes biográficas da campanha aparece como formado em Medicina Veterinária e Educação Física e ex-lutador de MMA. Sua experiência eleitoral anterior não foi como candidato titular: em 2018 integrou, pelo PSL, a chapa de Lucas Esmeraldino ao Senado como primeiro suplente. (Jornal Razão)

Histórico partidário eleitoral: PSL → Missão.

Linha do tempo eleitoral

2018 — primeiro suplente de Lucas Esmeraldino na candidatura ao Senado pelo PSL. A chapa recebeu 1.161.662 votos e não foi eleita. Como suplente, Brigadeiro não recebeu votação nominal própria.
2026 — candidato a governador pelo Missão, número 14. (Senado Federal)

Patrimônio

Declara R$ 1.831.261,11, composto principalmente por cerca de R$ 951,5 mil em participações empresariais, aproximadamente R$ 566,8 mil em investimentos e dois veículos avaliados em R$ 313 mil. (brasilpolitica.org)

O que propõe

Seu programa é um dos mais extensos, com mais de cem propostas. Na economia, defende desburocratização, redução da carga tributária estadual, continuidade do Juro Zero e atração de investimentos, além da privatização da Celesc e da Casan. (ClicRDC)

Na gestão pública, propõe uma diretoria de inteligência anticorrupção, serviços estaduais integralmente digitais e publicação em tempo real de informações do governo. Na assistência social, apresenta uma rede de “Hubs Socioassistenciais” para população em situação de rua. Na segurança, seu plano inclui a criação de uma unidade prisional de segurança máxima. (ClicRDC)


5. RALF ZIMMER (PRD) — segunda tentativa ao Governo de Santa Catarina

Nome completo: Ralf Guimarães Zimmer Junior
Nascimento: 28 de maio de 1979
Naturalidade: Chapecó (SC)
Idade: 47 anos
Profissão: advogado; ex-defensor público
Vice: Carlos Bordin (Solidariedade)
Patrimônio: R$ 1.426.599,97

Ralf Zimmer já comandou a Defensoria Pública de Santa Catarina e chega à terceira eleição. Diferentemente dos três candidatos com carreiras parlamentares mais extensas, nunca exerceu mandato eletivo. (Folha de S.Paulo)

Histórico partidário: PSDB → PROS → PRD.

Linha do tempo eleitoral

2018 — deputado federal, PSDB — 2.596 votos, suplente/não eleito.
2022 — governador, PROS — 3.828 votos, 9º colocado entre dez candidaturas.
2026 — governador, PRD, número 25. (HubPolítico)

Patrimônio

Dos R$ 1.426.599,97, aproximadamente R$ 1,365 milhão corresponde a imóvel e R$ 60,9 mil a veículo. Em 2022 havia declarado R$ 1,768 milhão. (Opera Mundi)

O que propõe

Zimmer organiza o plano em torno de responsabilidade fiscal, liberdade econômica e eficiência dos serviços públicos. Uma das propostas mais singulares é transformar a Casa d’Agronômica, residência oficial do governador, em um centro hospitalar especializado no atendimento a vítimas de queimaduras, com foco em crianças, mulheres e idosos. (ClicRDC)

Na educação, defende ampliação do tempo integral, ensino profissional e formação digital, mas propõe encerrar o Universidade Gratuita. Na infraestrutura, coloca a duplicação da BR-282 entre as prioridades, inclusive mediante concessões e PPPs, além de fortalecimento ferroviário, portuário e aeroportuário. Para o campo, promete conectividade rural, melhorias em estradas produtivas, crédito e segurança hídrica. (ClicRDC)


6. LAÍS CHAUD (UP) — a estreia eleitoral da única mulher na disputa pelo governo

Nome completo: Laís Paganelli Chaud
Nascimento: 27 de março de 1995
Naturalidade: Piracicaba (SP)
Idade: 31 anos
Profissão: psicóloga
Vice: Nathália Melo (UP)
Patrimônio: R$ 518,45

Laís é a única mulher entre os oito candidatos ao governo e a mais jovem da disputa. Psicóloga e ligada ao movimento estudantil e à organização partidária da Unidade Popular em Florianópolis, chega a 2026 sem mandato público e sem candidatura anterior registrada. (MeuVoto)

Histórico partidário eleitoral: UP.

Linha do tempo eleitoral

2026 — primeira candidatura registrada: governadora de Santa Catarina, número 80.

Patrimônio

A declaração entregue à Justiça Eleitoral registra R$ 518,45, integralmente em caderneta de poupança — o segundo menor patrimônio entre os candidatos, acima apenas da declaração zerada de Bruno Pedreiro. (Jornal Razão)

O que propõe

Na economia, Laís defende orçamento participativo, revisão dos incentivos fiscais, política de industrialização com agregação de valor dentro do Estado, fortalecimento da agricultura familiar, cooperativismo e economia solidária. Também se posiciona pela manutenção da Casan pública, ampliando investimentos estaduais em saneamento. (ClicRDC)

Na saúde, propõe expansão das equipes de Saúde da Família, concursos públicos, fortalecimento dos agentes comunitários e políticas de saúde mental. Na educação, defende suspender novas matrículas no Universidade Gratuita e direcionar os recursos à expansão da Udesc, concursos para professores, redução da jornada docente para 36 horas e retorno das eleições diretas para diretores de escolas. (ClicRDC)

Em habitação, prevê reativar a estrutura estadual de habitação, ampliar moradias populares, utilizar imóveis públicos ociosos e aplicar instrumentos legais contra imóveis urbanos que não cumpram função social. (ClicRDC)


7. PROFESSOR MARCUS SODRÉ (PSTU) — sindicalismo, educação pública e programa socialista

Nome completo: Marcus Alexandre Sodre
Nascimento: 26 de janeiro de 1972
Naturalidade: Cubatão (SP)
Idade: 54 anos
Profissão: professor de ensino médio
Vice: Professora Taty, Tatiane Pasdiora (PSTU)
Patrimônio: R$ 117.000

Professor da rede pública e ligado à militância sindical, Marcus Sodré é um dos candidatos de esquerda socialista na disputa. Não exerceu mandato eletivo e todas as suas candidaturas conhecidas foram pelo PSTU. (Jornal Razão)

Histórico partidário: PSTU, sem mudança partidária identificada na série eleitoral.

Linha do tempo eleitoral

O acervo histórico que reúne os resultados do TSE identifica:

2002 — deputado estadual, PSTU — 197 votos, não eleito.
2004 — prefeito de Itajaí, PSTU — 585 votos, não eleito.
2010 — deputado estadual — 303 votos, não eleito.
2014 — deputado estadual — 1.002 votos, não eleito.
2026 — governador, PSTU. (Radar do Voto)

Há uma diferença de abrangência entre bases: a ficha eleitoral atual de algumas plataformas começa a série de Sodré em 2004, enquanto o acervo histórico baseado nos resultados do TSE localiza também a candidatura de 2002. Por isso, esta reportagem preserva a ocorrência mais antiga.

Patrimônio

Declarou R$ 117 mil, correspondentes a um apartamento financiado localizado no bairro São Judas, em Balneário Camboriú. (Jornal Razão)

O que propõe

O programa do PSTU é o mais explicitamente socialista da eleição. Sodré propõe dobrar os orçamentos estaduais da Saúde e da Educação, ampliar hospitais e leitos de UTI e devolver ao controle direto do Estado unidades hoje administradas por entidades filantrópicas ou privadas. (MeuVoto)

Também defende empresa estatal de obras para moradia e infraestrutura, expansão do transporte e do saneamento públicos e maior controle popular sobre o orçamento. Parte do documento avança sobre temas cuja competência seria federal, ponto importante para distinguir uma plataforma político-ideológica mais ampla das medidas que um governador poderia executar diretamente. (Meus Políticos)


8. BRUNO PEDREIRO DO PCO — trabalhador da construção civil em sua segunda eleição

Nome completo: Brunno Andrade Dias
Nascimento: 23 de julho de 1986
Naturalidade: São Paulo (SP)
Idade: 40 anos
Profissão: trabalhador da construção civil
Escolaridade: ensino médio incompleto
Vice: Flávio Amaral (PCO)
Patrimônio: R$ 0

Bruno Pedreiro enfrenta sua segunda campanha eleitoral. Em 2024, apresentou-se à Prefeitura de Florianópolis pelo PCO; dois anos depois, foi escolhido pela legenda para disputar o Governo do Estado. Não exerceu mandato eletivo. (Jornal Razão)

Histórico partidário eleitoral: PCO.

Linha do tempo eleitoral

2024 — prefeito de Florianópolis, PCO — 95 votos, 8º lugar entre nove candidatos, não eleito.
2026 — governador de Santa Catarina, PCO, número 29. (HubPolítico)

Patrimônio

Bruno declarou R$ 0,00 em bens tanto em 2024 quanto em 2026. (Jornal Razão)

O que propõe

O documento apresentado pelo PCO é menos um plano administrativo tradicional e mais um programa político nacional de caráter revolucionário. Defende reposição integral das perdas salariais, aumento emergencial de 50% dos salários, salário mínimo considerado pelo partido como “vital”, cancelamento de dívidas de trabalhadores, ampliação das verbas para saúde e educação, concursos públicos e combate às terceirizações. (Polyapoio)

Também apresenta reforma agrária com expropriação de latifúndios e política habitacional contrária à especulação imobiliária. Diversas propostas dependem de decisões federais ou de mudanças legislativas nacionais, e não apenas da competência do governador de Santa Catarina. (Polyapoio)


O QUE DIFERENCIA OS OITO PLANOS?

Quadro comparativo das principais propostas de governo

CandidatoGestão e economiaSaúde e políticas sociaisEducaçãoInfraestrutura, segurança e outros destaques
Jorginho Mello (PL)Continuidade da gestão; ampliar Pronampe SC e apoio ao empreendedorismoContinuidade e expansão das políticas atuaisContinuidade dos programas da gestãoViaMar, Estrada Boa, videomonitoramento inteligente, concursos na segurança, barragens e prevenção de cheias (ClicRDC)
João Rodrigues (PSD)Austeridade, reforma administrativa, gestão por resultados, IA e digitalizaçãoTelemedicina; expansão hospitalar; campanha fala em dez unidades hospitalaresModernização dos serviços e qualificação profissional60 mil habitações; duplicações e terceiras faixas; drones, barreiras interestaduais e reforço policial (ClicRDC)
Gelson Merísio (PSB)“SC 2040”; planejamento regional; crédito e combate à pobreza extrema16 Centros Regionais de Especialidades; reforma de hospitais e ampliação do SUSTempo integral, ensino técnico, valorização docente e autonomia da UdescTransporte coletivo gratuito com apoio estadual; manutenção da Casan estatal (ClicRDC)
Marcelo Brigadeiro (Missão)Redução de tributos, desburocratização, Juro Zero; privatização de Celesc e CasanHubs de atendimento à população em situação de ruaEducação empreendedoraGoverno 100% digital; inteligência anticorrupção; presídio de segurança máxima (ClicRDC)
Ralf Zimmer (PRD)Liberdade econômica e responsabilidade no gasto públicoTransformar Casa d’Agronômica em centro de queimadosTempo integral e técnico; fim do Universidade GratuitaBR-282 como prioridade, concessões/PPPs, ferrovias, portos, aeroportos e conectividade rural (ClicRDC)
Laís Chaud (UP)Orçamento participativo, revisão de incentivos, economia solidária e agricultura familiarReforço do SUS e Saúde da Família; concursosSuspender novas vagas do Universidade Gratuita e expandir Udesc; eleições para diretoresCasan pública; moradia popular, regularização fundiária e aproveitamento de imóveis ociosos (ClicRDC)
Marcus Sodré (PSTU)Estatização e maior controle público e dos trabalhadores sobre setores econômicosDobrar orçamento da Saúde e ampliar gestão estatal diretaDobrar orçamento da EducaçãoEmpresa estatal de obras, moradia e expansão dos serviços públicos (MeuVoto)
Bruno Pedreiro (PCO)Aumento salarial, proteção contra inflação, cancelamento de dívidas; programa anticapitalistaMais recursos para serviços públicosMais recursos públicos e concursosReforma agrária, habitação e enfrentamento à especulação; parte expressiva das propostas exige ação federal (Polyapoio)

DOIS MODELOS DE CONTINUIDADE, VÁRIOS PROJETOS DE RUPTURA

A comparação revela que a eleição catarinense não opõe apenas nomes, mas projetos bastante diferentes de Estado.

Jorginho Mello oferece ao eleitor uma plataforma de continuidade, baseada nas obras e programas iniciados desde 2023. João Rodrigues, embora também situado no campo político da centro-direita/direita, tenta se diferenciar com a experiência municipal de Chapecó, investimentos estruturais, tecnologia, reforma administrativa e uma imagem de gestor executor.

Gelson Merísio retorna à disputa em posição partidária muito diferente daquela de 2018. Se oito anos atrás liderou uma ampla aliança de centro e centro-direita pelo PSD, agora representa uma coalizão com PSB, PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede e apresenta uma agenda com maior participação pública na economia, fortalecimento de estatais, políticas sociais e planejamento regional. (Polyapoio)

Marcelo Brigadeiro e Ralf Zimmer disputam parcelas do eleitorado que defendem redução da máquina pública e maior participação privada, embora existam diferenças importantes: Brigadeiro vai mais longe ao propor privatizações de Celesc e Casan, enquanto Zimmer combina liberalização econômica com propostas específicas de reorganização de equipamentos públicos.

No campo da esquerda, Laís Chaud, Marcus Sodré e Bruno Pedreiro defendem maior presença estatal e políticas redistributivas, mas também há distância entre eles. Laís apresenta programa concentrado em políticas estaduais concretas, como Udesc, Casan, habitação e orçamento participativo; o PSTU vincula suas medidas estaduais a um programa socialista; e o PCO apresenta uma plataforma revolucionária nacional que extrapola em vários pontos as competências constitucionais de um governador.


PATRIMÔNIO: DA DECLARAÇÃO ZERO A R$ 2,8 MILHÕES

Há uma diferença superior a R$ 2,8 milhões entre o maior e o menor patrimônio declarado. A ordem é:

Jorginho Mello: R$ 2.818.036,89 → João Rodrigues: R$ 2.122.223,43 → Marcelo Brigadeiro: R$ 1.831.261,11 → Ralf Zimmer: R$ 1.426.599,97 → Gelson Merísio: R$ 652.953,78 → Marcus Sodré: R$ 117.000,00 → Laís Chaud: R$ 518,45 → Bruno Pedreiro: R$ 0. (Politica News)

É importante evitar uma interpretação automática desses números como medida de riqueza efetiva. A declaração eleitoral registra os valores informados pelos candidatos segundo as regras da Justiça Eleitoral; imóveis antigos, participações empresariais e outros ativos podem aparecer pelo valor histórico declarado e não necessariamente pelo preço atual de mercado.


A EXPERIÊNCIA NAS URNAS

A disputa também produz um contraste incomum. Jorginho Mello soma uma sequência de vitórias iniciada nos anos 1970 e nunca perdeu uma eleição para cargo titular na série localizada. João Rodrigues acumulou sucessivas vitórias municipais e parlamentares, apesar de derrotas em 1998 e 2018. Gelson Merísio venceu três eleições consecutivas para deputado estadual e liderou o primeiro turno para governador em 2018 antes de perder no segundo.

No outro extremo, Laís Chaud jamais havia concorrido; Bruno Pedreiro chega com 95 votos em sua única eleição anterior; Ralf Zimmer disputou duas eleições sem vitória; Marcus Sodré apresenta cinco registros históricos de candidatura, também sem mandato; e Marcelo Brigadeiro integrou como suplente uma chapa ao Senado, sem votação nominal individual.

São, portanto, oito candidaturas que partem de lugares muito diferentes: da máquina do governo à militância partidária, das prefeituras do Oeste à política sindical, do Legislativo estadual ao setor empresarial.


O cenário eleitoral no início da campanha

A pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto colocou Jorginho Mello com 50% das intenções de voto, seguido de João Rodrigues, com 17%; Gelson Merísio, 4%; Marcus Sodré, 2%; Bruno Pedreiro, Laís Chaud e Marcelo Brigadeiro, 1% cada; Ralf Zimmer não pontuou. Indecisos eram 16% e brancos/nulos, 8%. A pesquisa ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e foi registrada no TSE sob o nº SC-00517/2026. Pesquisa é retrato de um momento, não projeção de resultado. (Folha de S.Paulo)


O que estará em julgamento em 4 de outubro

Mais do que escolher entre oito currículos, o eleitor catarinense terá diante de si oito maneiras diferentes de enxergar o papel do Governo do Estado.

De um lado está a continuidade de Jorginho Mello. Na principal alternativa eleitoral até agora aparece João Rodrigues, tentando converter a força construída em Chapecó em alcance estadual. Gelson Merísio busca provar que uma trajetória originalmente construída no antigo PFL, DEM e PSD pode encontrar nova competitividade numa aliança liderada pelo PSB e apoiada pela esquerda.

Nas demais candidaturas, a eleição abre espaço para agendas que vão da liberalização econômica e privatizações à expansão intensa do papel do Estado; de modelos participativos de gestão a programas socialistas e revolucionários; da utilização de inteligência artificial na administração à defesa de empresas estatais; da ampliação das concessões à reversão de serviços para controle público.

Santa Catarina chegará às urnas em 4 de outubro não apenas para decidir quem governará entre 2027 e 2030, mas para escolher qual dessas concepções de Estado considera mais adequada para enfrentar seus gargalos de infraestrutura, saúde, educação, segurança, habitação, mobilidade e desenvolvimento regional.

Nota metodológica: a reportagem cruza os registros do DivulgaCandContas e dos Dados Abertos do TSE, resultados eleitorais históricos, registros biográficos da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e os planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral. Para eleições municipais e registros mais antigos, há casos em que as bases atuais do TSE apresentam séries incompletas; nesses pontos foram utilizados os acervos históricos que reproduzem os resultados oficiais. Os patrimônios são os valores declarados pelos próprios candidatos e não foram corrigidos pela inflação. A eleição de 2026 ainda não ocorreu e situações de registro podem mudar. (Jornal Razão)

Posso também acompanhar mudanças nos registros das quatro candidaturas ainda em julgamento, novas pesquisas e alterações nos planos ou alianças em Santa Catarina e avisá-lo quando houver uma atualização relevante.

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