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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 NO RIO GRANDE DO SUL – Sete trajetórias e um Piratini em disputa: quem são, de onde vêm e o que propõem os candidatos ao governo gaúcho

De um vice-governador que busca dar continuidade ao atual ciclo político a uma herdeira do trabalhismo, passando por um deputado ligado à direita, um ex-prefeito municipalista e três candidaturas de partidos da esquerda socialista, a eleição de 2026 coloca diante dos gaúchos projetos bastante distintos para reconstrução, desenvolvimento, segurança, educação e enfrentamento à crise climática.

A disputa pelo Palácio Piratini chega à reta decisiva com sete nomes registrados para o governo do Rio Grande do Sul: Cesar Pontes (PCO), Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Marcelo Maranata (PSDB), Priscila Voigt (UP), Rejane de Oliveira (PSTU) e Luciano Zucco, o Zucco (PL). O Estado tem cerca de 8,5 milhões de eleitores aptos, que irão às urnas no primeiro turno em 4 de outubro de 2026. Caso nenhum concorrente obtenha mais da metade dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

Há, entretanto, uma ressalva jurídica importante. Em 3 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul indeferiu o Demonstrativo de Regularidade dos Atos Partidários do PCO e, por consequência, o registro da chapa de Cesar Pontes. A defesa informou que recorreria. Como o processo ainda comporta recurso e Pontes continua aparecendo nas bases eleitorais e na campanha, ele é mantido neste levantamento, com a situação processual explicitada.

A eleição gaúcha reúne perfis pouco comparáveis entre si. Há candidatos com décadas de atividade partidária, outros cuja trajetória começou recentemente; políticos com experiência no Executivo e no Legislativo e concorrentes sem qualquer mandato eletivo. Também existem diferenças significativas na dimensão dos patrimônios declarados e, principalmente, na concepção sobre qual deve ser o papel do Estado na economia e na prestação dos serviços públicos.


OS SETE NOMES NA CORRIDA AO PIRATINI

CandidatoPartido / númeroViceNascimentoPrincipal experiência política
Cesar PontesPCO — 29Tiago Nilo10/01/1957, Porto AlegreProfessor aposentado; candidato a prefeito em 2024
Gabriel SouzaMDB — 15Ernani Polo (PSD)02/01/1984, Porto AlegreDeputado estadual, presidente da Assembleia e atual vice-governador
Juliana BrizolaPDT — 12Edegar Pretto (PT)03/08/1975, Porto AlegreVereadora e deputada estadual
Marcelo MaranataPSDB — 45Claudio Diaz (PSDB)25/05/1976, CamaquãPrefeito e ex-prefeito de Guaíba
Priscila VoigtUP — 80Naf Nascimento (UP)19/06/1991, Tijucas (SC)Dirigente partidária e militante de movimentos populares
Rejane de OliveiraPSTU — 16Adão Lima (PSTU)01/03/1961, Porto AlegreEx-presidente do Cpers-Sindicato e dirigente sindical
ZuccoPL — 22Silvana Covatti (PP)09/03/1974, AlegreteDeputado estadual e atual deputado federal

As informações sobre números, chapas e candidaturas constam dos registros eleitorais de 2026.


CESAR PONTES (PCO) — O PROFESSOR QUE LEVA AO PIRATINI O PROGRAMA NACIONAL DO PCO

Cesar Augusto Pontes Ferreira, nascido em 10 de janeiro de 1957, em Porto Alegre, é professor de História aposentado, tem ensino superior completo e concorre pelo PCO, número 29, ao lado de Tiago Nilo. Aos 69 anos, chega à eleição estadual depois de participar da disputa pela prefeitura de Porto Alegre em 2024.

Sua presença nas urnas é recente. Em 2022, tentou registrar candidatura ao governo do Estado, mas o pedido acabou indeferido. Também houve naquele ano um pedido para concorrer proporcionalmente que não prosperou. Em 2024, disputou efetivamente a prefeitura da Capital e terminou em oitavo lugar, com 204 votos.

Linha do tempo eleitoral

2021/2022 — ingresso no PCO e início da participação eleitoral.

2022 — Governo do RS: pedido de candidatura indeferido, sem votação válida atribuída na disputa.

2024 — Prefeitura de Porto Alegre: 204 votos; não eleito.

2026 — Governo do RS: candidato pelo PCO, em registro atualmente submetido a controvérsia judicial após decisão do TRE-RS.

No histórico eleitoral documentado, Pontes aparece sempre pelo PCO. O partido também apresenta uma peculiaridade programática: em vez de elaborar um projeto específico para cada Estado, protocolou em 2026 um programa nacional comum às candidaturas estaduais.

Patrimônio declarado

Pontes não declarou bens à Justiça Eleitoral em 2026, totalizando R$ 0,00 no registro patrimonial. Isso significa ausência de bens informados na declaração eleitoral — não necessariamente inexistência absoluta de patrimônio sob qualquer outro critério fiscal ou econômico.

O que propõe

O documento do PCO possui sete páginas e 15 eixos. Entre as bandeiras estão reposição integral das perdas salariais, aumento emergencial de 50% dos salários, mecanismo de correção conforme o custo de vida, reversão de privatizações, ampliação de investimentos públicos, valorização do funcionalismo, expropriação de imóveis vagos, proibição de despejos, cancelamento de dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro, passe livre nos transportes e tributação das grandes fortunas.

É, contudo, um programa nacional. Diversas medidas defendidas pelo PCO — como alterações profundas no sistema financeiro, mudanças institucionais, estatizações nacionais e algumas regras trabalhistas — extrapolam as competências constitucionais de um governador e dependeriam da União ou do Congresso Nacional.


GABRIEL SOUZA (MDB) — O CANDIDATO DA CONTINUIDADE QUE TENTA SAIR DA VICE PARA O COMANDO DO ESTADO

Aos 42 anos, Gabriel Vieira de Souza, nascido em 2 de janeiro de 1984, em Porto Alegre, representa a continuidade política do grupo que governa o Rio Grande do Sul. Veterinário de formação, cresceu em Tramandaí e começou a participar de organizações estudantis ainda adolescente. Está ligado ao MDB desde a juventude. Atualmente é vice-governador.

Sua carreira eleitoral começou em 2010. Depois de uma primeira tentativa para deputado estadual, conquistou duas eleições consecutivas para a Assembleia Legislativa. Em 2021, presidiu o Parlamento gaúcho. No ano seguinte, integrou como vice a chapa de Eduardo Leite, vencedora da eleição estadual.

Linha do tempo eleitoral

2010 — deputado estadual, PMDB: 26.895 votos; ficou como suplente/não eleito.

2014 — deputado estadual, PMDB: 39.998 votos; eleito.

2018 — deputado estadual, MDB: 52.953 votos; reeleito.

2021 — presidente da Assembleia Legislativa do RS.

2022 — vice-governador: a chapa Eduardo Leite–Gabriel recebeu aproximadamente 1,7 milhão de votos no primeiro turno e 3.687.126 votos no segundo, vencendo a eleição. Como candidato a vice, Gabriel não recebe votação nominal própria: os votos pertencem à chapa majoritária.

2023–2026 — vice-governador do Rio Grande do Sul.

2026 — candidato a governador pelo MDB.

Histórico partidário

A trajetória de Gabriel é marcada por estabilidade partidária. Concorreu inicialmente pelo PMDB, denominação adotada pelo partido à época, e permaneceu na legenda depois que ela voltou a utilizar o nome MDB. Não há mudança de partido em seu histórico eleitoral.

Patrimônio declarado

Gabriel declarou R$ 935.461,08 em bens em 2026 — o maior patrimônio declarado entre os sete nomes atualmente relacionados na disputa. Em 2022, havia informado R$ 749.131,88.

A relação de 2026 inclui participações em uma casa em Tramandaí e em apartamento em Porto Alegre, previdência privada, aplicações financeiras, depósitos e dinheiro em espécie. A variação nominal em relação à declaração anterior é de aproximadamente 24,9%.

O que propõe

Seu programa tem 64 páginas e quatro grandes eixos: contas públicas; cuidado com as pessoas; desenvolvimento e liberdade econômica; e resiliência climática. O texto combina continuidade de políticas do atual governo com novas metas.

Na educação, defende expansão da alfabetização na idade adequada, ensino em tempo integral, formação técnica e estratégias contra evasão. Na saúde, propõe fortalecer a atenção primária, regionalizar filas e ampliar a oferta de consultas, exames e cirurgias. Na economia, aposta em atração de investimentos, apoio à indústria e ao agronegócio, inovação e liberdade econômica.

Depois da enchente histórica de 2024, a resiliência climática ganhou um eixo próprio: integração de informações ambientais, sistemas de alerta, fortalecimento da Defesa Civil, segurança hídrica, infraestrutura resiliente, transição energética e adaptação da produção agropecuária.


JULIANA BRIZOLA (PDT) — A HERDEIRA DO TRABALHISMO EM SUA PRIMEIRA DISPUTA PELO PIRATINI

Juliana Brizola, nascida em 3 de agosto de 1975, em Porto Alegre, é advogada, formada em Direito pela Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, e neta do ex-governador gaúcho e fluminense Leonel Brizola, fundador do PDT. Aos 51 anos, construiu carreira própria dentro do trabalhismo e chega a 2026 depois de quase duas décadas de disputas eleitorais.

Antes de conquistar seu primeiro mandato, foi secretária municipal da Juventude de Porto Alegre. Em 2008, elegeu-se vereadora. Dois anos depois chegou à Assembleia Legislativa.

Linha do tempo eleitoral

2008 — vereadora de Porto Alegre, PDT: 9.247 votos; eleita.

2010 — deputada estadual: 61.305 votos; eleita.

2014 — deputada estadual: 33.530 votos; ficou na suplência e posteriormente exerceu mandato na legislatura.

2016 — vice-prefeita de Porto Alegre: compôs a chapa de Sebastião Melo. A chapa recebeu 185.655 votos no primeiro turno e 262.601 no segundo, sendo derrotada por Nelson Marchezan Júnior.

2018 — deputada estadual: 43.822 votos; eleita.

2020 — prefeita de Porto Alegre: 41.407 votos; não eleita.

2022 — deputada federal: 68.865 votos; ficou na suplência.

2024 — prefeita de Porto Alegre: 136.783 votos, correspondentes a 19,69% dos votos válidos; terminou em terceiro lugar.

2026 — candidata ao governo do Rio Grande do Sul.

Histórico partidário

Juliana apresenta o histórico partidário mais linear entre os concorrentes: todas as candidaturas eleitorais foram pelo PDT. Em 2026, encabeça a coligação Com o Povo, integrada por PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e Avante, tendo o petista Edegar Pretto como vice.

Patrimônio declarado

A candidata declarou R$ 376.137,78 em 2026. São R$ 220.578,75 referentes a apartamento financiado, R$ 155,5 mil em um Honda HR-V e R$ 59,03 em poupança. Em 2024, havia declarado R$ 396.559,65, o que representa redução nominal de aproximadamente 5,1%.

O que propõe

Seu plano está estruturado em quatro áreas: desenvolvimento social e garantia de direitos; infraestrutura, cidades e resiliência climática; desenvolvimento econômico sustentável e reindustrialização; e gestão pública democrática, soberania e finanças.

Na educação, a principal marca é a implantação gradual de CIEPs, retomando uma das políticas associadas historicamente ao brizolismo: escolas em tempo integral reunindo ensino, alimentação, reforço pedagógico, esporte, cultura, tecnologia e suporte socioemocional.

O programa também propõe recuperar a capacidade estadual de pesquisa agropecuária, incluindo funções anteriormente desempenhadas pela Fepagro, fortalecer a Fapergs e preservar instrumentos públicos de desenvolvimento. Banrisul, Badesul e BRDE aparecem associados à estratégia de financiamento e desenvolvimento regional.

Na agenda climática, prevê drenagem sustentável, infraestrutura verde, sistemas de alerta e fortalecimento técnico da Defesa Civil, além de planejamento baseado em bacias hidrográficas.


MARCELO MARANATA (PSDB) — DO MUNICIPALISMO DE GUAÍBA À TENTATIVA DE CHEGAR AO PIRATINI

Marcelo Maranata Soares Reinaldo nasceu em 25 de maio de 1976, em Camaquã. Advogado e empresário, construiu praticamente toda a carreira política em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Aos 50 anos, aposta na experiência municipal como principal credencial para governar o Estado.

Sua trajetória chama atenção também pelas mudanças partidárias. Depois de duas derrotas para prefeito, conseguiu vencer em 2020 por diferença estreita. Na reeleição de 2024, ampliou fortemente sua votação e obteve 40.966 votos. Posteriormente deixou o PDT, ingressou no PSDB em setembro de 2025 e renunciou à prefeitura para concorrer ao governo.

Linha do tempo eleitoral

2008 — vice-prefeito de Guaíba, PDT: chapa não eleita. Como candidato a vice, não existe votação nominal individual.

2012 — prefeito de Guaíba, PDT: 14.689 votos; não eleito.

2016 — prefeito de Guaíba, PR: 18.880 votos; não eleito.

2018 — deputado estadual, Solidariedade: 11.167 votos; suplente.

2020 — prefeito de Guaíba, PDT: 18.507 votos; eleito.

2024 — prefeito de Guaíba, PDT: 40.966 votos; reeleito.

2025 — filiação ao PSDB.

2026 — deixa a prefeitura e disputa o governo do Estado.

Histórico partidário eleitoral

A sucessão documentada de siglas é:

PDT (2008 e 2012) → PR (2016) → Solidariedade (2018) → PDT (2020 e 2024) → PSDB (desde setembro de 2025).

É importante lembrar que o PR de 2016 corresponde ao antigo Partido da República, posteriormente incorporado à denominação atual do PL.

Patrimônio declarado

Maranata declarou R$ 249.805,00 em 2026. O patrimônio informado inclui casa, galpão e terreno em Guaíba, participações empresariais, aplicação financeira e automóvel. Em 2024 havia declarado R$ 383,3 mil; a redução nominal é de cerca de 34,8%.

O que propõe

Seu plano está assentado em três grandes eixos: eficiência da máquina pública, desenvolvimento econômico e desenvolvimento social com resiliência climática.

Na educação, uma das propostas de maior identidade própria é criar 2 mil “Escolas de Empreendedores”, com iniciação profissional, tecnologia, gestão, finanças, cooperativismo e empreendedorismo. Também propõe ampliar o ensino integral, fortalecer a busca ativa e manter escolas selecionadas abertas durante férias para atividades pedagógicas, culturais e esportivas.

Em infraestrutura, pretende rever modelos de concessões rodoviárias, ampliar integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e priorizar obras de proteção contra cheias.

Na segurança, aposta em investigação, inteligência, tecnologia, combate financeiro ao crime organizado e ações específicas contra o feminicídio.


PRISCILA VOIGT (UP) — DOS MOVIMENTOS POPULARES À CANDIDATURA SOCIALISTA

A mais jovem candidata ao governo gaúcho em 2026 é Priscila Voigt Severiano, de 35 anos. Ela nasceu em 19 de junho de 1991, em Tijucas, Santa Catarina, é nutricionista, preside a Unidade Popular no Rio Grande do Sul e integra a direção nacional da legenda.

Sua trajetória política é fortemente ligada aos movimentos sociais. Atuou no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas, participou da Ocupação Lanceiros Negros e da construção da Casa de Referência Mulheres Mirabal em Porto Alegre.

Linha do tempo eleitoral

2016 — vereadora de Porto Alegre, PSOL: 523 votos; suplente.

2020 — vereadora de Porto Alegre, UP: 226 votos; não eleita.

2022 — deputada federal, UP: 1.081 votos; não eleita.

2024 — vereadora de Porto Alegre, UP: 749 votos; não eleita.

2026 — candidata ao governo pelo UP.

Histórico partidário

O histórico eleitoral registra PSOL em 2016 e Unidade Popular a partir de 2020, partido pelo qual participou de todas as eleições posteriores.

Patrimônio declarado

Priscila declarou apenas R$ 1.000,00 em 2026, referentes a depósito bancário. Em 2024, havia declarado R$ 400. É o menor patrimônio positivo informado entre os concorrentes; Cesar Pontes não informou bens.

O que propõe

O programa da UP se apresenta expressamente como socialista. Entre as propostas estão a reversão das privatizações da CEEE, Corsan e Sulgás, concursos e contratação direta de trabalhadores pelo Estado, reforma agrária, suspensão da dívida estadual e aumento do investimento público.

Na reconstrução climática, defende sistemas públicos de proteção contra enchentes, reconstrução de diques, habitação permanente para famílias atingidas e frentes emergenciais de obras.

Para a educação, propõe aumento do investimento estatal, concursos públicos, oposição a PPPs na gestão escolar e fortalecimento da Uergs e da Fapergs.

Na segurança, a UP defende a desmilitarização da Brigada Militar, restrições às operações policiais de caráter militar em comunidades populares e prioridade à investigação das estruturas econômicas que financiam organizações criminosas.


REJANE DE OLIVEIRA (PSTU) — A SINDICALISTA QUE VOLTA A DISPUTAR O GOVERNO

Rejane Silva de Oliveira, nascida em 1º de março de 1961, em Porto Alegre, tem 65 anos e é professora aposentada da rede estadual. Foi presidente do Cpers-Sindicato durante duas gestões, dirigente do Sinpro-RS e atua na Central Sindical e Popular Conlutas.

Entre os sete nomes de 2026, é a única candidata que efetivamente já disputou anteriormente o cargo de governador com votação válida: concorreu em 2022.

Linha do tempo eleitoral

2022 — governadora do Rio Grande do Sul, PSTU: 6.252 votos, equivalentes a cerca de 0,10% dos válidos; terminou em nono lugar entre 11 candidatos.

2026 — novamente candidata ao governo pelo PSTU.

Histórico partidário

Rejane é filiada ao PSTU desde 2022 e todas as candidaturas registradas em seu histórico eleitoral foram apresentadas pela legenda.

Patrimônio declarado

A candidata declarou R$ 498 mil em 2026: um apartamento avaliado em R$ 480 mil e um automóvel de R$ 18 mil. Em 2022, havia declarado R$ 520 mil. A redução nominal é de aproximadamente 4,2%.

O que propõe

O programa do PSTU apresenta 11 temas centrais e propõe profundas alterações na relação entre Estado, iniciativa privada e serviços públicos.

Entre as bandeiras estão cancelamento da dívida estadual com a União, redução da jornada de trabalho para 36 horas sem redução salarial, reestatização de CEEE, Corsan e Sulgás, rompimento de contratos de privatização e terceirização, fortalecimento dos serviços públicos e maior tributação sobre patrimônio e lucros dos segmentos de maior renda.

Na saúde, defende um SUS integralmente público e aplicação efetiva do percentual constitucional estadual. Para segurança pública, propõe a desmilitarização da Brigada Militar.

Na política climática, o PSTU quer que fundos de reconstrução sejam submetidos ao controle de comunidades atingidas, com prioridade para sistemas antienchentes, moradia e reparação aos atingidos pela catástrofe de 2024.


ZUCCO (PL) — DO EXÉRCITO À LIDERANÇA DA DIREITA GAÚCHA

Luciano Lorenzini Zucco, nascido em 9 de março de 1974, em Alegrete, tem 52 anos. Militar da reserva, formado em Ciências Militares, entrou diretamente na política eleitoral em 2018 e conquistou resultados expressivos nas duas disputas de que participou.

Em oito anos, passou de deputado estadual mais votado do Rio Grande do Sul a deputado federal e liderança partidária na Câmara. É a primeira vez que concorre a um cargo do Executivo.

Linha do tempo eleitoral

2018 — deputado estadual, PSL: 166.747 votos; eleito e candidato mais votado para a Assembleia Legislativa naquele pleito.

2022 — deputado federal, Republicanos: 259.023 votos; eleito e deputado federal mais votado do RS.

2023 — posse na Câmara dos Deputados.

2024 — filiação ao PL.

2025 — exerceu a liderança da oposição na Câmara durante parte do ano.

2026 — candidato ao governo do Rio Grande do Sul.

Histórico partidário

A trajetória eleitoral partidária é:

PSL (2018) → Republicanos (2022) → PL (desde 2024).

A Câmara dos Deputados registra sua filiação ao PL em 2024.

Patrimônio declarado

Zucco declarou R$ 709.304,00 em 2026. O patrimônio inclui apartamento em Porto Alegre, dois automóveis, motocicleta, renda fixa, previdência privada e depósitos bancários.

Em 2022, havia declarado R$ 389.348,00. A diferença representa crescimento nominal de aproximadamente 82,2% entre as duas declarações eleitorais.

O que propõe

O programa possui 107 páginas e seis grandes eixos. A segurança pública ocupa posição central. O candidato propõe atacar financeiramente organizações criminosas, integrar inteligência policial, ampliar cercamento eletrônico e videomonitoramento, recompor efetivos e regulamentar tecnologias como inteligência artificial, drones e reconhecimento facial.

Na educação, propõe gestão baseada em evidências e avaliações, mudanças na progressão parcial, fortalecimento da recuperação durante o ano letivo e expansão das escolas cívico-militares e dos Colégios Tiradentes.

Na saúde, defende reorganização das filas, telessaúde, saúde digital e integração dos prontuários.

Na economia, o programa enfatiza desburocratização, atração de investimentos, ambiente de negócios e rejeição à criação de novos impostos. Na infraestrutura climática, prevê fortalecimento da Defesa Civil, monitoramento, sistemas regionais de emergência e revisão das estruturas de proteção contra enchentes.


PATRIMÔNIO DOS CANDIDATOS EM 2026

Considerando exclusivamente os valores declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral, o quadro é o seguinte:

1º — Gabriel Souza (MDB): R$ 935.461,08

2º — Zucco (PL): R$ 709.304,00

3º — Rejane de Oliveira (PSTU): R$ 498.000,00

4º — Juliana Brizola (PDT): R$ 376.137,78

5º — Marcelo Maranata (PSDB): R$ 249.805,00

6º — Priscila Voigt (UP): R$ 1.000,00

7º — Cesar Pontes (PCO): nenhum bem declarado

Os números devem ser lidos com cautela. A declaração eleitoral é autodeclaratória e valores atribuídos a imóveis podem corresponder ao custo de aquisição ou ao valor utilizado para fins fiscais, não necessariamente ao preço de mercado em 2026.


QUADRO COMPARATIVO DAS PROPOSTAS DE GOVERNO

CandidatoEconomia e papel do EstadoEducação e políticas sociaisSegurançaClima, reconstrução e infraestrutura
Cesar Pontes — PCOReversão de privatizações; aumento salarial de 50%; taxação de grandes fortunas; cancelamento de dívidas de trabalhadoresMais recursos públicos; valorização de servidores; transporte gratuitoMudanças estruturais no modelo policial defendidas pelo programa nacionalDocumento não apresenta programa climático específico para o RS
Gabriel Souza — MDBContinuidade do ajuste fiscal; atração de investimentos; indústria, agro, inovação e liberdade econômicaAlfabetização, tempo integral, ensino técnico; regionalização de filas de saúdeCombate ao crime organizado e integração de inteligência, com atenção às fronteirasEixo próprio de resiliência; alertas, Defesa Civil, segurança hídrica e infraestrutura resiliente
Juliana Brizola — PDTReindustrialização; fortalecimento do planejamento público e dos bancos públicos de desenvolvimentoImplantação gradual dos CIEPs; tempo integral; valorização da escola públicaPolíticas integradas de cidadania e prevençãoDrenagem sustentável, infraestrutura verde, sistemas de alerta e planejamento por bacias
Marcelo Maranata — PSDBEficiência administrativa, empreendedorismo, atração de investimentos e revisão de concessões2 mil Escolas de Empreendedores; tempo integral; Férias na Escola; formação técnicaInteligência, investigação, tecnologia e combate financeiro ao crimeProteção contra cheias, integração logística e fortalecimento da Defesa Civil
Priscila Voigt — UPReestatização de CEEE, Corsan e Sulgás; reforma agrária; suspensão da dívida estadualExpansão dos serviços públicos, concursos e oposição a PPPs na educaçãoDesmilitarização da Brigada Militar e foco nas estruturas financeiras do crimeReconstrução de diques, defesa contra enchentes, habitação e obras públicas
Rejane de Oliveira — PSTUCancelamento da dívida; reestatizações; maior tributação sobre grandes patrimônios e lucrosSUS integralmente público; fim de terceirizações e valorização do funcionalismoDesmilitarização da Brigada Militar e controle comunitárioControle popular dos fundos, sistemas antienchentes, moradia e reparação aos atingidos
Zucco — PLDesburocratização, atração de capital, incentivos ao setor produtivo e ausência de novos impostosAvaliação e gestão por resultados; ensino técnico; escolas cívico-militares; saúde digitalInteligência integrada, cercamento eletrônico, reconhecimento facial e recomposição dos efetivosDefesa Civil profissionalizada, monitoramento, manutenção de diques e infraestrutura resiliente

Os programas demonstram que, embora praticamente todas as candidaturas reconheçam a reconstrução e a adaptação climática como temas centrais do próximo governo, as respostas propostas são bastante diferentes.


O PAPEL DO ESTADO É UMA DAS GRANDES DIVISÕES DA ELEIÇÃO

Se existe uma linha capaz de separar de maneira clara os sete projetos, ela passa pela pergunta: qual deve ser o tamanho e o papel do Estado gaúcho?

Gabriel Souza defende, em linhas gerais, evolução e continuidade do modelo administrativo vigente, combinando equilíbrio das contas, investimento público e aproximação com o setor privado. Zucco coloca maior ênfase em liberdade econômica, segurança e ambiente de negócios. Maranata leva para o debate estadual uma visão municipalista, com foco em eficiência, empreendedorismo e gestão por resultados.

Juliana Brizola propõe fortalecer instrumentos públicos de planejamento e desenvolvimento, preservando bancos públicos e recuperando capacidades estatais em setores como educação, pesquisa e desenvolvimento econômico.

Em outro campo estão UP, PSTU e PCO. Priscila Voigt, Rejane de Oliveira e Cesar Pontes defendem, em diferentes formulações, reversões de privatizações e expansão direta da presença estatal. UP e PSTU apresentam programas explicitamente socialistas; o PCO vai além do horizonte administrativo estadual e apresenta um programa nacional de transformação econômica e política.

A EDUCAÇÃO TAMBÉM REVELA AS DIFERENÇAS

Na educação, há pontos de convergência, sobretudo em relação à expansão do tempo integral e da educação profissional, mas os caminhos variam.

Gabriel pretende ampliar políticas existentes e fortalecer alfabetização, educação integral e formação técnica. Juliana aposta nos CIEPs como uma das marcas de seu projeto. Maranata propõe associar educação e empreendedorismo por meio de 2 mil escolas voltadas a essa formação.

Zucco defende gestão por desempenho, revisão da progressão parcial e ampliação das escolas cívico-militares. Priscila e Rejane colocam no centro a expansão do ensino estatal, concursos públicos e oposição à privatização ou terceirização da educação. Cesar Pontes apresenta uma plataforma nacional orientada para maior financiamento público e valorização dos trabalhadores da educação.

DEPOIS DE 2024, O CLIMA NÃO É MAIS UM TEMA LATERAL

Poucos assuntos evidenciam tanto uma mudança de época na política gaúcha quanto a prevenção de desastres. Depois das enchentes de 2024, Defesa Civil, diques, drenagem, sistemas de alerta, adaptação das cidades, segurança hídrica e infraestrutura resiliente deixaram de ocupar capítulos secundários e passaram ao centro dos programas.

Gabriel criou um eixo inteiro dedicado à resiliência climática. Juliana propõe associar ciência, planejamento territorial e infraestrutura verde. Zucco enfatiza monitoramento, Defesa Civil e estruturas de proteção. Maranata coloca a proteção contra cheias entre seus compromissos estratégicos.

Priscila e Rejane associam prevenção de desastres à intervenção pública direta, reconstrução de infraestrutura e moradia para atingidos. O programa de Cesar é a exceção: por ser nacional e uniforme para os Estados, não oferece detalhamento específico para a realidade climática gaúcha.


SETE TRAJETÓRIAS, SETE FORMAS DE LER O RIO GRANDE

A eleição de 2026 oferece ao eleitor gaúcho um espectro incomum de trajetórias.

Gabriel Souza tenta transformar a vice-governadoria em continuidade no comando do Executivo. Juliana Brizola procura atualizar eleitoralmente uma tradição política marcada pelo nome Brizola e pelo trabalhismo. Zucco tenta converter duas votações expressivas para o Legislativo em uma vitória majoritária e consolidar a direita no comando do Estado.

Marcelo Maranata busca levar ao Rio Grande do Sul a experiência construída em Guaíba. Priscila Voigt representa uma nova geração de militantes oriundos dos movimentos populares. Rejane de Oliveira leva para a disputa décadas de atuação sindical. Cesar Pontes, por sua vez, apresenta a plataforma do PCO como instrumento de defesa de um programa operário e socialista, embora sua candidatura enfrente uma controvérsia judicial ainda sujeita a recurso.

Há diferenças importantes na experiência administrativa, no alcance eleitoral acumulado e no desenho das propostas. Mas há também uma coincidência que atravessa praticamente todo o debate de 2026: o próximo governador receberá um Rio Grande do Sul que ainda precisa reconstruir infraestrutura, preparar-se para novos eventos climáticos, melhorar serviços públicos, recuperar competitividade econômica e responder às demandas por educação, saúde e segurança.

No dia 4 de outubro, os cerca de 8,5 milhões de eleitores gaúchos começarão a decidir não apenas quem ocupará o Palácio Piratini entre 2027 e 2030, mas qual dessas diferentes concepções sobre Estado, desenvolvimento e reconstrução terá a oportunidade de ser colocada em prática.

Apuração especial — atualização: 8 de setembro de 2026.
Base documental: registros e resultados da Justiça Eleitoral/TSE e TRE-RS, declarações patrimoniais apresentadas pelos candidatos, planos de governo protocolados para as Eleições 2026 e informações biográficas confrontadas com registros parlamentares e cobertura jornalística recente.

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