Disputa pela sucessão estadual reúne um ex-juiz que chegou ao Senado, um deputado federal de quatro mandatos ligado ao atual governo, um herdeiro de uma das famílias mais tradicionais da política paranaense e cinco candidaturas que procuram ampliar espaço fora dos principais polos da eleição. Reportagem especial apresenta biografia, mandatos, histórico partidário, patrimônio, desempenho nas urnas e as propostas registradas para governar o Paraná entre 2027 e 2030.
A eleição para o Governo do Paraná em 2026 coloca frente a frente oito projetos políticos e ocorre num momento de sucessão: o próximo governador comandará uma das maiores economias estaduais brasileiras e uma máquina pública que atende mais de 11 milhões de habitantes.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se necessário, o segundo para 25 de outubro. O Paraná possui mais de 8,6 milhões de eleitores.
Até a atualização dos dados do Tribunal Superior Eleitoral realizada às 9h de 7 de setembro de 2026, estavam registrados Adriano Funileiro (PCO), Alexandre Salomão (Mobiliza), Luiz França (Missão), Requião Filho (PDT), Samuel de Mattos (PSTU), Sandro Alex (PSD), Sergio Moro (PL) e Tayná Miessa (UP). Alexandre Salomão, Luiz França, Requião Filho, Samuel de Mattos e Tayná Miessa apareciam com registros deferidos; Adriano Funileiro, Sandro Alex e Sergio Moro ainda aguardavam julgamento. Essa situação pode ser modificada pela Justiça Eleitoral.
É uma eleição particularmente diversa quanto à experiência. Sandro Alex chega depois de quatro eleições vitoriosas para deputado federal e passagem pelo primeiro escalão estadual; Requião Filho cumpre o terceiro mandato de deputado estadual; Sergio Moro é senador e ex-ministro da Justiça. Adriano Funileiro já disputou o governo em 2022; Samuel de Mattos soma três eleições anteriores. Para Alexandre Salomão, Luiz França e Tayná Miessa, 2026 representa a primeira candidatura a cargo eletivo.
O quadro geral da disputa
| Candidato | Partido / nº | Nascimento | Profissão declarada | Principal experiência política | Patrimônio declarado em 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Adriano Funileiro | PCO – 29 | 03/06/1987, Nova Olímpia/PR | Mecânico de manutenção | Candidato a governador em 2022 | R$ 0 |
| Alexandre Salomão | Mobiliza – 33 | 30/05/1971, Curitiba/PR | Advogado | Ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR; estreia eleitoral | R$ 27.695.000 |
| Luiz França | Missão – 14 | 18/11/1993, Cianorte/PR | Advogado | Ex-assessor parlamentar; estreia eleitoral | R$ 144.999,99 |
| Requião Filho | PDT – 12 | 24/10/1979, Curitiba/PR | Advogado | Deputado estadual no 3º mandato | R$ 1.876.342,14 |
| Samuel de Mattos | PSTU – 16 | 25/03/1988, Turvo/SC | Professor | Candidato a vice-prefeito, deputado federal e prefeito | R$ 1.035.000 |
| Sandro Alex | PSD – 55 | 25/11/1972, Ponta Grossa/PR | Advogado | Deputado federal no 4º mandato; ex-secretário estadual | R$ 1.667.125,53 |
| Sergio Moro | PL – 22 | 01/08/1972, Maringá/PR | Senador | Ex-juiz federal, ex-ministro da Justiça e senador | R$ 1.036.642,25 |
| Tayná Miessa | UP – 80 | 05/08/1995, Curitiba/PR | Produtora de espetáculos públicos | Estreia eleitoral | R$ 250.000 |
Os valores são os declarados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral no registro de 2026 e não equivalem necessariamente ao valor de mercado atual dos bens.
1. SERGIO MORO (PL) — O EX-JUIZ QUE TROCOU A MAGISTRATURA PELA POLÍTICA
Número: 22
Vice: Edson Vasconcelos (PL)
Coligação: Fortaleza Paraná — PL, Podemos e Novo
Nascimento: 1º de agosto de 1972
Naturalidade: Maringá/PR
Idade: 54 anos
Profissão/ocupação: senador; formado em Direito
Patrimônio declarado: R$ 1.036.642,25
Sergio Fernando Moro chega à eleição de 2026 como o candidato com maior projeção nacional entre os concorrentes paranaenses. Formado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá, mestre e doutor pela Universidade Federal do Paraná, ingressou na magistratura federal em 1996. (CNN Brasil)
Sua projeção nacional ocorreu como titular da 13ª Vara Federal de Curitiba e responsável por processos da Operação Lava Jato. Em 2018, deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro, cargo que ocupou de janeiro de 2019 a abril de 2020.
A trajetória também carrega uma controvérsia jurídica central: em 2021, a Segunda Turma do STF reconheceu a suspeição de Moro na condução do processo do triplex contra Luiz Inácio Lula da Silva, decisão posteriormente mantida pelo plenário do Supremo. Separadamente, o STF reconheceu a incompetência da 13ª Vara de Curitiba para julgar os processos de Lula ligados àqueles casos e anulou as condenações.
Linha do tempo de Sergio Moro
1996 — ingressa na magistratura federal.
2002 — passa a atuar na vara especializada em lavagem de dinheiro e crimes financeiros em Curitiba.
2014–2018 — ganha projeção nacional à frente de processos da Operação Lava Jato.
2018 — deixa a magistratura após 22 anos de carreira.
2019 — assume o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
2020 — deixa o governo Bolsonaro.
10 de novembro de 2021 — filia-se ao Podemos, em meio à construção de uma candidatura presidencial.
31 de março de 2022 — troca o Podemos pelo União Brasil e abandona naquele momento o projeto presidencial.
2022 — disputa sua primeira eleição e é eleito senador pelo Paraná pelo União Brasil, com 1.953.188 votos, aproximadamente 33,5% dos votos válidos.
Março de 2026 — deixa o União Brasil e ingressa no PL para concorrer ao Governo do Paraná.
2026 — candidato ao governo pelo PL.
Histórico partidário
Podemos → União Brasil → PL
É uma trajetória partidária relativamente curta, iniciada somente em 2021, mas marcada por três siglas em menos de cinco anos.
Patrimônio
Moro declarou R$ 1.036.642,25. Entre os bens estão apartamento financiado, sala comercial, um Volkswagen Tiguan, aplicações financeiras, contas bancárias, quotas empresariais e uma conta no exterior com cerca de R$ 185,9 mil. Em 2022, havia informado patrimônio de aproximadamente R$ 1,59 milhão.
O que propõe
Seu plano, denominado “Paraná, a nossa fortaleza”, coloca segurança pública, integridade administrativa e transformação digital no centro da plataforma.
Entre as propostas estão integrar bancos de dados e órgãos policiais, ampliar inteligência e investigação contra organizações criminosas, construir um presídio estadual de segurança máxima, reforçar controles anticorrupção e tornar serviços públicos acessíveis digitalmente pelo celular.
Na saúde, propõe uma Tabela SUS Paranaense, digitalização de consultas e filas, ampliação hospitalar e dos CAPS. Na educação, prevê maior presença de educação integral, formação profissional e tecnológica. Na economia e infraestrutura, fala em incentivo à indústria, agronegócio, empreendedorismo, conectividade 5G e integração entre rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.
2. SANDRO ALEX (PSD) — O CANDIDATO DA CONTINUIDADE
Número: 55
Vice: Rafael Greca (MDB)
Nascimento: 25 de novembro de 1972
Naturalidade: Ponta Grossa/PR
Idade: 53 anos
Profissão: advogado e radialista
Mandato atual: deputado federal
Patrimônio: R$ 1.667.125,53
Sandro Alex Cruz de Oliveira é um dos candidatos com maior experiência eleitoral desta disputa. Radialista e advogado, iniciou a carreira política concorrendo à Prefeitura de Ponta Grossa em 2008 e, dois anos depois, conquistou a primeira das quatro eleições consecutivas para a Câmara dos Deputados. (CNN Brasil)
Também integrou diretamente a administração estadual: entre janeiro de 2019 e abril de 2022, licenciou-se da Câmara para comandar a Secretaria de Infraestrutura e Logística na gestão Ratinho Junior.
Linha do tempo eleitoral
2008 — Prefeito de Ponta Grossa — PPS
1º turno: 48.982 votos
2º turno: 81.782 votos
Resultado: não eleito.
2010 — Deputado federal — PPS
95.840 votos — eleito.
2014 — Deputado federal — PPS
116.909 votos — reeleito.
2016 — deixa o PPS e filia-se ao PSD.
2018 — Deputado federal — PSD
124.512 votos — eleito.
2019–2022 — secretário estadual de Infraestrutura e Logística.
2022 — Deputado federal — PSD
168.157 votos — eleito para o quarto mandato.
2026 — Governador — PSD
Primeira disputa pelo Palácio Iguaçu.
O crescimento eleitoral é visível: dos 95,8 mil votos de 2010, chegou a 168,1 mil em 2022.
Histórico partidário
PPS → PSD
Sandro disputou as eleições de 2008, 2010 e 2014 pelo PPS. Em março de 2016, deixou a legenda e ingressou no PSD, onde permaneceu nas disputas de 2018, 2022 e 2026.
Patrimônio
Declarou R$ 1.667.125,53 em 12 bens. O maior é 50% de uma residência declarada por R$ 1,013 milhão. Também constam veículo de R$ 253 mil, motocicleta, investimentos, aplicações e participações empresariais.
O que propõe
O programa “Cinco Pontes para um Paraná do Futuro” aposta explicitamente na continuidade e aperfeiçoamento das políticas desenvolvidas durante a administração Ratinho Junior.
A meta econômica central é preparar o Paraná para chegar à condição de terceira maior economia estadual do Brasil, combinando industrialização, produtividade, inovação, agronegócio, infraestrutura e atração de investimentos.
Na saúde, propõe ampliar o Paraná Sem Fila, regionalizar os serviços, fortalecer hospitais e criar em Foz do Iguaçu uma unidade especializada em trauma com cerca de 200 leitos, incluindo 30 de UTI.
Na educação, prevê ampliação da primeira infância, alfabetização, expansão de programas de internacionalização e transformação dos colégios agrícolas em centros “agrotech”. Na infraestrutura, promete ao menos mais 300 quilômetros de rodovias em concreto, além de duplicações e pavimentações.
3. REQUIÃO FILHO (PDT) — TRÊS MANDATOS E O PESO DE UM SOBRENOME HISTÓRICO
Número: 12
Vice: Michele Caputo (Solidariedade)
Nascimento: 24 de outubro de 1979
Naturalidade: Curitiba/PR
Profissão: advogado
Mandato: deputado estadual
Patrimônio: R$ 1.876.342,14
Maurício Thadeu de Mello e Silva, o Requião Filho, carrega um dos sobrenomes mais conhecidos da política paranaense. É filho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião e ingressou eleitoralmente na política em 2014.
Desde então, venceu três eleições consecutivas para a Assembleia Legislativa.
Linha do tempo eleitoral
2014 — Deputado estadual — PMDB
50.167 votos — eleito.
2016 — Prefeito de Curitiba — PMDB
52.017 votos — 5º colocado, não eleito.
2018 — Deputado estadual — MDB
82.652 votos — reeleito.
2022 — Deputado estadual — PT
85.676 votos — eleito para o terceiro mandato.
2025 — deixa o PT e ingressa no PDT.
2026 — Governador — PDT.
Histórico partidário
PMDB/MDB → PT → PDT
PMDB e MDB correspondem à mesma legenda após a retomada do nome histórico MDB. Requião Filho acompanhou o pai na saída do MDB e ingresso no PT em 2022. Em 16 de julho de 2025, ambos migraram para o PDT.
Patrimônio
Declarou R$ 1.876.342,14 em 11 bens. Entre os itens de maior valor estão uma residência em Curitiba e veículos, além de aplicações e outros ativos.
O que propõe
Requião Filho apresenta o programa mais nitidamente contrário ao processo de privatização entre os candidatos situados nos principais polos da disputa.
Propõe manter Celepar e Sanepar sob controle público, realizar auditoria sobre a privatização da Copel e avaliar juridicamente eventual retomada do controle estatal. Também defende Ferroeste pública e maior fiscalização das concessões rodoviárias.
Na educação, promete acabar com o programa Parceiro da Escola, rever o modelo cívico-militar, realizar concursos para professores, ampliar o ensino integral e buscar universalizar a alfabetização. Na saúde, propõe fila única transparente, regionalização e Hospitais Regionais da Mulher e da Infância.
No campo econômico, defende crédito para pequenos empreendedores e cooperativas e propõe zerar, dentro dos instrumentos juridicamente possíveis durante a transição tributária, a carga estadual de ICMS para micro e pequenas empresas.
4. ALEXANDRE SALOMÃO (MOBILIZA) — O ADVOGADO QUE ESTREIA DIRETAMENTE NA DISPUTA PELO GOVERNO
Número: 33
Vice: Daiana Criminacio
Nascimento: 30 de maio de 1971
Naturalidade: Curitiba/PR
Idade: 55 anos
Profissão: advogado
Patrimônio: R$ 27.695.000
Alexandre Salomão é advogado criminalista e já presidiu a Comissão de Direitos Humanos da OAB do Paraná. Diferentemente dos principais nomes da disputa, nunca havia concorrido a um cargo eletivo antes de 2026.
Linha do tempo
Carreira profissional — atuação na advocacia criminal.
OAB-PR — passagem pela presidência da Comissão de Direitos Humanos.
2026 — primeira candidatura eleitoral, diretamente ao Governo do Paraná, pelo Mobiliza.
Histórico partidário eleitoral
Mobiliza
Não há, nos registros eleitorais anteriores consultados, outra candidatura de Salomão por qualquer legenda.
O maior patrimônio da disputa
Salomão declarou R$ 27.695.000, de longe o maior patrimônio entre os oito candidatos.
São seis bens, com destaque para:
- R$ 15,04 milhões em participação na STAI — Soluções Tecnológicas Ambientais Integradas;
- R$ 10 milhões em “direitos e ações”;
- residência de R$ 1,5 milhão;
- imóvel comercial de R$ 1 milhão;
- automóvel de R$ 150 mil;
- R$ 5 mil de participação em escritório de advocacia.
O que propõe
O próprio programa apresenta a candidatura como uma alternativa de centro-direita de orientação liberal, associando liberdade econômica, eficiência do Estado e responsabilidade social.
Na educação, propõe ampliar creches e educação infantil e fortalecer cursos técnicos e profissionalizantes.
Na saúde, também propõe uma Tabela SUS Paranaense, complementando pagamentos da tabela federal, especialmente para Santas Casas e hospitais filantrópicos, além de sistema de monitoramento e resposta rápida para crises hospitalares.
Para a segurança, o programa enfatiza o enfrentamento ao crime organizado com estrutura policial e busca conciliar intensificação das operações com controle da letalidade.
5. LUIZ FRANÇA (MISSÃO) — A ESTREIA ELEITORAL DO PARTIDO LIGADO AO MBL
Número: 14
Vice: João Adolfo
Nascimento: 18 de novembro de 1993
Naturalidade: Cianorte/PR
Idade: 32 anos no primeiro turno
Profissão: advogado
Patrimônio: R$ 144.999,99
Luiz Felipe Martins França representa o Partido Missão, legenda criada a partir do Movimento Brasil Livre — MBL — e que participa de sua primeira eleição nacional em 2026.
França é advogado e trabalhou durante cerca de sete anos na área jurídica. Em 2024, foi assessor parlamentar do vereador curitibano João Bettega, então do União Brasil, antes de deixar o gabinete e dedicar-se ao projeto de candidatura estadual.
Linha do tempo
1993 — nasce em Cianorte.
Carreira profissional — atuação como advogado.
2024 — atua como assessor parlamentar em Curitiba.
2026 — primeira candidatura a cargo eletivo, concorrendo diretamente ao governo pelo Missão.
Histórico partidário eleitoral
Missão
Não há candidatura eleitoral anterior registrada em nome de França. Portanto, não deve ser confundida sua atuação em gabinete de parlamentar do União Brasil com filiação àquela legenda.
Patrimônio
Declarou R$ 144.999,99, distribuídos em participações de 33,33% em três apartamentos, cada fração avaliada em R$ 48.333,33.
O que propõe
Sua plataforma dedica atenção especial a indicadores de gestão e eficiência administrativa.
Propõe uma Lei Paranaense de Responsabilidade Gerencial, que acrescentaria às regras fiscais parâmetros de resultado, integridade e eficiência.
Outro projeto é o Censo de Capacidade Estatal, destinado a mapear processos, tempo de execução, competências dos servidores, estruturas sobrecarregadas e capacidades subutilizadas.
Na educação profissional, quer tornar públicos indicadores de conclusão, evasão, aprendizagem, empregabilidade e renda dos egressos para aproximar a oferta de cursos das oportunidades econômicas de cada região. Em entrevistas, França também tem defendido maior industrialização, infraestrutura logística e qualificação profissional.
6. SAMUEL DE MATTOS (PSTU) — A CANDIDATURA SOCIALISTA COM HISTÓRICO NAS URNAS
Número: 16
Vice: Helena Figueiredo
Nascimento: 25 de março de 1988
Naturalidade: Turvo/SC
Idade: 38 anos
Profissão: professor do ensino médio
Patrimônio: R$ 1.035.000
Samuel de Mattos Figueiredo trabalhou durante anos como carteiro nos Correios e atualmente declara a profissão de professor do ensino médio. Entre os candidatos dos partidos menores, é um dos que possui trajetória eleitoral mais longa.
Linha do tempo eleitoral
2020 — Vice-prefeito de Curitiba — PSTU
A chapa recebeu 632 votos e não foi eleita. Como vice, Samuel não recebe votação nominal separada.
2022 — Deputado federal — PSTU
214 votos — não eleito.
2024 — Prefeito de Curitiba — PSTU
569 votos — não eleito.
2026 — Governador — PSTU.
Histórico partidário
PSTU
Todas as candidaturas encontradas no histórico eleitoral de Samuel foram registradas pela mesma legenda.
Patrimônio
O candidato declarou R$ 1.035.000, composto por uma residência em Curitiba, veículo e terreno.
O que propõe
O PSTU apresenta explicitamente um programa socialista para o Paraná.
Entre as medidas estão estatizações e fim de terceirizações de serviços públicos, expropriação de grandes complexos hospitalares privados e expansão de UPAs, UBSs e hospitais regionais.
Na educação superior, propõe destinar 100% das vagas das universidades estaduais para estudantes oriundos da rede pública, além de ampliar cursos de saúde com prioridade ao interior.
Na segurança, uma das propostas de maior ruptura institucional é a unificação das polícias em uma única instituição de caráter civil e desvinculada do Exército.
7. ADRIANO FUNILEIRO (PCO) — DE PARANAVAÍ À SEGUNDA DISPUTA PELO PALÁCIO IGUAÇU
Número: 29
Vice: Zé Carlos
Nome civil: Adriano Teixeira
Nascimento: 3 de junho de 1987
Naturalidade: Nova Olímpia/PR
Idade: 39 anos
Profissão: mecânico de manutenção/funileiro
Formação: superior completo; formação em História citada em sua trajetória pública
Patrimônio declarado: nenhum bem
Adriano Teixeira, conhecido como Adriano Funileiro, nasceu em Nova Olímpia e construiu sua vida profissional na área de funilaria e pintura. É ligado ao PCO e vive sua segunda candidatura consecutiva ao Governo do Paraná.
Linha do tempo eleitoral
2020 — Vereador de Paranavaí — PCO
Registro eleitoral posteriormente apontado como indeferido, razão pela qual não há votação nominal válida consolidada.
2022 — Governador do Paraná — PCO
2.096 votos, equivalentes a aproximadamente 0,03% dos votos válidos — não eleito.
2024 — Prefeito de Paranavaí — PCO
A apuração registrou 93 votos, mas a candidatura constou como indeferida; portanto, o número não deve ser tratado como votação válida de uma candidatura regularmente deferida.
2026 — Governador — PCO
Segunda disputa estadual.
Histórico partidário
PCO
Todo o histórico de candidaturas registrado desde 2020 está vinculado ao Partido da Causa Operária.
Patrimônio
Adriano informou à Justiça Eleitoral não possuir bens a declarar, resultando em patrimônio eleitoral declarado de R$ 0.
O que propõe
O programa do PCO defende a reestatização de empresas privatizadas, aumento de salários, redução da jornada de trabalho, maior financiamento público para a saúde e fortalecimento dos direitos sindicais.
Também apresenta defesa irrestrita do direito de greve e maior proteção às organizações de trabalhadores urbanos e rurais.
8. TAYNÁ MIESSA (UP) — A MAIS JOVEM E A ESTREANTE DA ESQUERDA POPULAR
Número: 80
Vice: Willian Araki
Nome completo: Tayna Miessa Tsushida
Nascimento: 5 de agosto de 1995
Naturalidade: Curitiba/PR
Idade: 31 anos
Ocupação declarada ao TSE: produtora de espetáculos públicos
Patrimônio: R$ 250.000
Tayná Miessa é a mulher e a candidata mais jovem da disputa. Nascida em Curitiba, atua no setor cultural e chega a 2026 sem participação anterior em eleições. A CNN registra sua trajetória ligada à produção cultural; no cadastro eleitoral de 2026, sua ocupação aparece como produtora de espetáculos públicos.
Linha do tempo eleitoral
2026 — Governadora — UP
Primeira candidatura a cargo eletivo.
Histórico partidário eleitoral
Unidade Popular — UP
Nenhuma candidatura anterior foi encontrada em seu histórico no TSE.
Patrimônio
Declarou R$ 250 mil, correspondentes a um apartamento.
O que propõe
Seu programa, denominado “Lutar para avançar — o Paraná na mão do povo”, apresenta uma plataforma socialista e de democracia participativa.
Entre as propostas estão elaboração do PPA, LDO e orçamento com participação popular; tributação progressiva de grandes propriedades agrícolas, comerciais e industriais; criação de um instituto estadual de inovação tecnológica; incentivo a cooperativas de tecnologia limpa e bolsas para estudantes da rede pública ingressarem em carreiras tecnológicas.
Na segurança pública, propõe câmeras corporais, protocolos para redução da letalidade policial e responsabilização em casos de abuso. Também prevê ampliar educação e qualificação para a população prisional.
Há, porém, uma ressalva documental relevante: levantamento da Folha de S.Paulo encontrou no plano registrado pela candidatura trechos semelhantes ao programa da UP no Ceará, inclusive referências a órgãos cearenses como SINE/CE e Seduc. O partido afirmou seguir uma política nacional unificada; Tayná atribuiu as referências incompatíveis a problemas de edição e revisão.
DO CENTRO ÀS PONTAS IDEOLÓGICAS: O QUE REALMENTE DIFERENCIA OS OITO PROJETOS
A leitura comparada dos programas mostra que a eleição paranaense não oferece apenas nomes diferentes. Há divergências substantivas sobre o tamanho do Estado, privatizações, segurança pública, gestão das escolas, política tributária e prestação dos serviços públicos.
Quadro comparativo das principais propostas
| Candidato | Economia e empresas públicas | Educação | Saúde | Segurança e gestão |
|---|---|---|---|---|
| Sergio Moro | Ambiente de negócios, inovação, agro e indústria; gestão fiscal | Integral, técnico e profissionalizante | Tabela SUS Paranaense; digitalização de filas e consultas | Forte integração policial, inteligência, anticorrupção e presídio de segurança máxima |
| Sandro Alex | Continuidade da gestão; industrialização, inovação, agro e atração de investimentos | Alfabetização, primeira infância, internacionalização e colégios agrotech | Paraná Sem Fila; regionalização; novo hospital de trauma | Tecnologia, IA e integração de dados; modernização prisional |
| Requião Filho | Defesa de estatais; auditoria da Copel; incentivo a pequenos negócios e cooperativas | Fim do Parceiro da Escola; revisão cívico-militar; concursos | Fila única; regionalização; hospitais da Mulher e da Infância | Concursos policiais, câmeras corporais e integração de emergências |
| Alexandre Salomão | Liberalismo econômico com responsabilidade social | Creches, ensino infantil e profissionalização | Tabela SUS Paranaense e apoio a hospitais filantrópicos | Combate ao crime organizado associado a controle da letalidade |
| Luiz França | Eficiência, avaliação de resultados e industrialização regional | Métricas de aprendizagem, conclusão e empregabilidade | Ênfase na reorganização gerencial do Estado | Censo da capacidade estatal e metas de eficiência |
| Samuel de Mattos | Estatizações, fim de terceirizações e programa socialista | 100% das vagas estaduais para egressos da escola pública | Estatização/expropriação de grandes estruturas privadas e expansão pública | Unificação das polícias em instituição civil |
| Adriano Funileiro | Reestatizações, aumento salarial e redução da jornada | Ampliação dos serviços públicos | Mais recursos para saúde pública | Defesa de trabalhadores, sindicatos e direito irrestrito de greve |
| Tayná Miessa | Tributação progressiva e maior intervenção estatal | Bolsas em tecnologia e educação no sistema prisional | Expansão de políticas públicas de acesso | Câmeras corporais, redução da letalidade e participação popular |
As sínteses acima foram feitas a partir dos programas apresentados pelas próprias candidaturas à Justiça Eleitoral; tratam-se, portanto, de compromissos eleitorais, não de políticas já financiadas ou cuja viabilidade jurídica, fiscal e legislativa esteja automaticamente assegurada.
PRIVATIZAÇÕES: UMA DAS GRANDES LINHAS DIVISÓRIAS
Talvez nenhum tema diferencie de maneira tão clara as candidaturas quanto o papel das empresas públicas.
Requião Filho pretende preservar Celepar e Sanepar sob controle estatal e auditar a privatização da Copel, mantendo aberta uma eventual tentativa de retomada do controle público caso exista possibilidade jurídica e econômica.
Adriano Funileiro e Samuel de Mattos vão além: seus programas defendem políticas amplas de reestatização, e o PSTU associa essa estratégia a um programa de transformação socialista.
Tayná Miessa também parte da defesa de maior intervenção estatal, tributação progressiva e controle popular.
No outro polo, Sandro Alex representa a linha de continuidade administrativa da atual gestão, enquanto Moro, Luiz França e Alexandre Salomão apresentam programas mais relacionados à eficiência gerencial, ambiente de negócios, iniciativa privada e modernização do Estado, embora com diferenças relevantes entre eles.
SEGURANÇA: MORO TENTA TRANSFORMAR SUA BIOGRAFIA EM MARCA DE CAMPANHA
A segurança tende a ocupar papel especialmente importante na campanha de Sergio Moro. Seu programa faz da integração de inteligência, combate às organizações criminosas, controle de fronteiras e enfrentamento da corrupção alguns de seus principais elementos.
Sandro Alex também aposta fortemente em tecnologia, inteligência artificial e integração das forças estaduais.
Requião Filho acrescenta outra dimensão: recomposição dos efetivos por concursos e implantação progressiva de câmeras corporais.
Tayná Miessa enfatiza a redução da letalidade policial e mecanismos de responsabilização, enquanto Samuel de Mattos propõe a mudança estrutural mais profunda: a substituição do atual modelo por uma polícia unificada de caráter civil.
EDUCAÇÃO: DO “PARCEIRO DA ESCOLA” À DISPUTA PELO PAPEL DO ESTADO
Também há uma fronteira clara na política educacional.
Sandro Alex aposta na continuidade com ampliação de programas implantados nos últimos anos.
Requião Filho promete encerrar o Parceiro da Escola, rever o modelo cívico-militar e ampliar concursos públicos.
Moro defende expansão da escola integral e da formação técnica.
Alexandre Salomão prioriza primeira infância e profissionalização.
Luiz França concentra seu discurso em medição de resultados e vínculo entre cursos e mercado de trabalho.
Samuel de Mattos propõe reservar as vagas das universidades estaduais para alunos oriundos da rede pública.
Tayná Miessa destaca democratização do acesso e tecnologia.
São diferenças que colocam diante do eleitor não apenas metas distintas, mas concepções diferentes sobre quem deve administrar, financiar e executar a educação pública.
O PESO DAS URNAS: QUEM JÁ FOI TESTADO PELO ELEITOR
Uma comparação do histórico eleitoral evidencia três patamares diferentes.
Experiência eleitoral elevada
Sandro Alex
- seis disputas antes de 2026;
- quatro vitórias para deputado federal;
- maior votação: 168.157 votos em 2022.
Requião Filho
- quatro eleições antes de 2026;
- três vitórias para deputado estadual;
- maior votação: 85.676 votos em 2022.
Experiência eleitoral recente
Sergio Moro
- apenas uma eleição anterior;
- mas uma vitória de grande dimensão: 1,953 milhão de votos para o Senado em 2022.
Samuel de Mattos
- três disputas anteriores, sem vitória.
Adriano Funileiro
- candidatura ao governo em 2022, além das experiências municipais.
Estreantes
Alexandre Salomão, Luiz França e Tayná Miessa disputam seu primeiro cargo eletivo em 2026.
PATRIMÔNIO: DE ZERO A R$ 27,7 MILHÕES
As declarações de bens também revelam uma diferença incomum entre os concorrentes.
| Posição | Candidato | Patrimônio declarado |
|---|---|---|
| 1º | Alexandre Salomão | R$ 27.695.000,00 |
| 2º | Requião Filho | R$ 1.876.342,14 |
| 3º | Sandro Alex | R$ 1.667.125,53 |
| 4º | Sergio Moro | R$ 1.036.642,25 |
| 5º | Samuel de Mattos | R$ 1.035.000,00 |
| 6º | Tayná Miessa | R$ 250.000,00 |
| 7º | Luiz França | R$ 144.999,99 |
| 8º | Adriano Funileiro | R$ 0,00 |
É importante reiterar: patrimônio declarado não é sinônimo de renda, patrimônio líquido auditado ou valor atual de mercado. São os valores informados pelos candidatos ao TSE no momento do registro.
UMA ELEIÇÃO ENTRE CONTINUIDADE, RUPTURA E REPOSICIONAMENTO
A sucessão paranaense de 2026 apresenta três grandes movimentos políticos.
De um lado está Sandro Alex, que procura assumir o espaço de continuidade do grupo que governa o Paraná e transforma experiência administrativa, obras e infraestrutura nos principais argumentos de sua candidatura. A presença do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, do MDB, como vice reforça a amplitude dessa aliança.
Em outro polo encontra-se Sergio Moro, que tenta converter o capital político construído na Lava Jato, no Ministério da Justiça e na eleição ao Senado em um projeto estadual. Sua mudança para o PL e a ênfase em segurança e combate à corrupção procuram dar identidade clara à chapa.
Requião Filho, por sua vez, ocupa o espaço de oposição programática ao atual modelo estadual. Amparado pelo PDT e por uma aliança que reúne segmentos da esquerda e centro-esquerda, resgata bandeiras históricas associadas ao requianismo — principalmente defesa das empresas públicas e crítica às privatizações — ao mesmo tempo em que procura estabelecer identidade própria.
Ao redor desse triângulo, cinco candidaturas disputam espaço político e programático: Alexandre Salomão tenta construir uma alternativa liberal de centro-direita; Luiz França apresenta a estreia eleitoral do Missão e do grupo ligado ao MBL; Samuel de Mattos representa a esquerda socialista do PSTU; Adriano Funileiro mantém a linha do PCO; e Tayná Miessa leva à eleição o programa socialista e de participação popular da UP.
Há, portanto, mais em jogo do que a escolha de um sucessor. O Paraná decidirá em outubro se preserva e amplia o modelo dos últimos anos, se desloca o governo para uma direita com identidade própria liderada por Moro, se recupera uma tradição de maior protagonismo estatal representada por Requião Filho ou se abre espaço para um dos projetos alternativos que hoje procuram romper a concentração eleitoral dos três principais campos.
E é exatamente essa combinação — experiência contra novidade, continuidade contra revisão, privatização contra controle estatal, segurança de perfil tecnológico contra reforma das estruturas policiais — que transforma a eleição de 2026 em uma das disputas estaduais politicamente mais contrastantes do país.