Por Web TV Nacional
A eleição para o Governo do Piauí chega à fase decisiva com uma configuração aparentemente confortável para o governador Rafael Fonteles (PT), candidato à reeleição, mas com uma das listas mais diversificadas de postulantes entre os estados nordestinos. Considerados os nomes distintos apresentados à Justiça Eleitoral, 11 candidatos disputam o Palácio de Karnak, reunindo desde duas forças com maior estrutura política e eleitoral até candidaturas de esquerda radical, centro, direita liberal, movimentos populares e partidos de menor representação parlamentar.
Os piauienses vão às urnas no dia 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato alcance mais da metade dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro. O estado possui aproximadamente 2,7 milhões de eleitores aptos a votar.
A fotografia das pesquisas até o início de setembro revela uma eleição fortemente assimétrica. Levantamento da AtlasIntel, divulgado em 3 de setembro, registrou Rafael Fonteles com 62,4% das intenções de voto e Joel Rodrigues com 20,9%. Considerando somente os votos válidos, Fonteles alcançava 71%, contra 23,7% de Joel. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Pesquisa é um retrato do momento, não uma previsão do resultado das urnas, mas os números colocam a possibilidade de encerramento da disputa ainda no primeiro turno no centro da campanha.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 22 de agosto já havia mostrado tendência semelhante, embora com percentuais diferentes: 56% para Rafael e 21% para Joel. A convergência entre levantamentos de institutos distintos reforça, neste momento da campanha, a condição de favorito do governador.
O RETRATO DA DISPUTA
| Candidato | Partido / nº | Vice | Patrimônio declarado | Situação do registro* |
|---|---|---|---|---|
| Rafael Fonteles | PT – 13 | Washington Bandeira | R$ 1.799.948,60 | Deferido |
| Joel Rodrigues | PP – 11 | Jeová Alencar | R$ 1.688.256,20 | Deferido |
| Professor Jurity | DC – 27 | Pedro Pereira | R$ 998.500,00 | Aguardando julgamento |
| Dra. Lúcia Santos | PSDB – 45 | Dr. Paulo Eudes | R$ 799.134,68 | Deferido |
| Lourdes Melo | PCO – 29 | Zeferino da Silva Brasil | R$ 450.000,00 | Aguardando julgamento |
| Geraldo Carvalho | PSTU – 16 | Gervásio Santos | R$ 200.590,00 | Indeferido, com possibilidade/recurso em tramitação |
| Gustavo Pelo Piauí | Avante – 70 | Lucas Veras | R$ 148.000,00 | Aguardando definição judicial |
| Professor Gisvaldo | PSOL – 50 | Edilene Pinho | R$ 100.000,00 | Deferido |
| Ravenna da Inclusão | Democrata – 35 | João Ricardo | R$ 91.600,52 | Deferido |
| Elizeu Aguiar | Novo – 30 | Ismar Marques | R$ 1.592.808,00¹ | Aguardando julgamento |
| Santiago Belizário | UP – 80 | Thays Dias | R$ 967,43 | Deferido |
* Situação consultada nas bases alimentadas com informações da Justiça Eleitoral até 5 e 6 de setembro de 2026 e sujeita a alterações durante o julgamento dos registros. Os valores patrimoniais são declarações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral.
¹ Caso Elizeu Aguiar: bases alimentadas com dados eleitorais chegaram a exibir versões diferentes de sua declaração, uma somando cerca de R$ 872,8 mil e outra, mais recente, de R$ 1,592 milhão. A diferença se concentra principalmente no valor informado para um Toyota Corolla. Para esta reportagem foi considerada a versão mais recente, mas o dado merece nova conferência antes do fechamento definitivo da publicação.
RAFAEL FONTELES — PT, Nº 13
O matemático que chegou ao Karnak na primeira eleição e agora busca consolidar um segundo mandato
Rafael Tajra Fonteles nasceu em 6 de maio de 1985, em Teresina. Formado em Matemática e com mestrado em Economia Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada, o IMPA, construiu sua trajetória inicial muito mais na administração pública e na formulação econômica do que nas urnas.
Antes de se candidatar pela primeira vez, ocupou por aproximadamente sete anos a Secretaria da Fazenda do Piauí, entre 2015 e 2022. Também presidiu o Comsefaz, o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, entre 2019 e 2022.
Sua estreia eleitoral ocorreu justamente na corrida pelo governo em 2022. O resultado foi expressivo: 1.115.139 votos, correspondentes a 57,17% dos votos válidos, garantindo a eleição no primeiro turno.
Em 2026, Fonteles tenta transformar aquela vitória inicial em uma continuidade de oito anos no governo. O vice é Washington Bandeira (PT). A coligação A Força do Povo reúne PT, PCdoB e PV pela Federação Brasil da Esperança, além de MDB, PSD, PDT e Republicanos, proporcionando ao governador uma das maiores estruturas partidárias da disputa.
Linha do tempo política
2015–2022: secretário da Fazenda do Piauí.
2019–2022: presidente do Comsefaz.
2022: primeira candidatura eletiva; governador com 1.115.139 votos.
2023–2026: governador do Piauí.
2026: candidato à reeleição pelo PT.
O que propõe
O programa apresentado por Fonteles possui oito grandes eixos, 53 programas e aproximadamente 200 metas específicas. A estratégia consiste em apresentar a candidatura como continuidade do primeiro mandato, associando crescimento econômico, investimentos, expansão dos serviços públicos, tecnologia e infraestrutura.
O plano reúne iniciativas para economia e geração de oportunidades; saúde, segurança e trânsito; educação, cultura e esporte; ciência e tecnologia; proteção social; infraestrutura; meio ambiente, clima e recursos hídricos; e modernização da administração pública.
Entre metas concretas aparecem, por exemplo, a regularização de cerca de 200 mil imóveis urbanos e rurais, ampliação das forças de segurança, investimento em inteligência e expansão de sistemas tecnológicos de monitoramento.
Patrimônio
Fonteles declarou R$ 1,799 milhão, o maior patrimônio entre os registros atuais da disputa.
JOEL RODRIGUES — PP, Nº 11
Do interior à tentativa de romper a hegemonia governista
Se Rafael Fonteles representa a continuidade, Joel Rodrigues concentra hoje a principal tentativa de alternância de poder no Piauí.
Nascido em 9 de dezembro de 1969, em Floriano, Joel construiu praticamente toda a sua trajetória política a partir do município. Passou pela Câmara Municipal e tornou-se prefeito de Floriano por quatro mandatos.
Sua carreira eleitoral começou em 1992, quando foi eleito vereador. Repetiu o desempenho em 1996 e 2000. Depois migrou para disputas majoritárias municipais e venceu as eleições para prefeito de Floriano em 2004, 2008, 2016 e 2020.
Em 2014 disputou vaga de deputado estadual e recebeu 15.923 votos, ficando na suplência. Em 2016 voltou à prefeitura com 16.040 votos e, quatro anos depois, conquistou outro mandato municipal com 14.429 votos.
O salto para uma eleição estadual competitiva ocorreu em 2022. Candidato ao Senado, Joel recebeu 892.010 votos, ficando em segundo lugar na disputa vencida por Wellington Dias. O resultado demonstrou capacidade de obter votação em praticamente todo o estado e contribuiu para transformá-lo no principal nome da oposição estadual em 2026.
Sua trajetória partidária recente passou por PDT, PTB e Progressistas. O candidato a vice é Jeová Alencar, do União Brasil, ex-presidente da Câmara Municipal de Teresina.
Joel concorre pela aliança Juntos Pelo Piauí, articulada principalmente por Progressistas, União Brasil, PL, Podemos e partidos aliados. A candidatura tem no senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, sua principal liderança política estadual. Em 5 de setembro, Ciro participou de uma motociata em Teresina ao lado da chapa de Joel.
Linha do tempo eleitoral
1992: eleito vereador de Floriano.
1996: reeleito vereador.
2000: novamente eleito vereador.
2004: eleito prefeito de Floriano.
2008: reeleito prefeito.
2014: 15.923 votos para deputado estadual; suplente.
2016: eleito prefeito com 16.040 votos.
2020: reeleito com 14.429 votos.
2022: 892.010 votos para senador; segundo colocado.
2026: candidato ao Governo do Piauí.
O que propõe
Joel apresentou um programa estruturado em 11 eixos estratégicos, cerca de 70 frentes de atuação e 286 ações. Entre os eixos estão gestão pública, saúde, educação, segurança — denominada no programa de “Piauí sem Medo” —, emprego e tributação, desenvolvimento rural, infraestrutura, habitação, mobilidade, cultura, meio ambiente, direitos sociais e esporte.
O discurso econômico procura associar redução de burocracia e impostos à atração de empresas e geração de empregos. Na segurança, a candidatura enfatiza investimento tecnológico, inteligência e valorização das forças policiais. Na saúde, propõe ampliar a regionalização do atendimento para diminuir a dependência da capital.
Patrimônio
Joel declarou R$ 1,688 milhão, segundo maior valor entre os candidatos.
GERALDO CARVALHO — PSTU, Nº 16
A candidatura socialista que atravessa décadas
Geraldo do Nascimento Carvalho nasceu em 16 de julho de 1958, em Piracuruca. Professor universitário e militante histórico da esquerda socialista e sindical, é um dos candidatos com maior número de participações eleitorais na atual disputa.
Sua trajetória inclui candidaturas a prefeito, governador, senador, vereador e outros cargos. Em 2010 recebeu 2.037 votos para governador; em 2014, obteve 8.274 votos para senador; em 2016, 386 votos para vereador; em 2022, voltou a concorrer ao governo e recebeu 1.425 votos; e em 2024 disputou a Prefeitura de Teresina, alcançando 643 votos.
O vice é Gervásio Santos, também do PSTU.
O registro enfrenta, porém, uma questão judicial. A Justiça Eleitoral indeferiu o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários relacionado à legenda, e o caso entrou em fase recursal. Enquanto não houver decisão definitiva, a candidatura pode continuar realizando atos de campanha nas condições previstas pela legislação eleitoral.
O que propõe
Intitulado “Piauí para Quem Trabalha”, o programa do PSTU parte de uma crítica ao modelo econômico adotado pelos governos anteriores. Defende maior participação direta dos trabalhadores na administração, fortalecimento dos serviços públicos, concursos públicos, reversão de privatizações e terceirizações e oposição a incentivos concedidos a grandes grupos econômicos.
É, portanto, uma das plataformas ideologicamente mais distantes tanto do atual governo quanto da principal candidatura oposicionista.
Patrimônio
Declarou R$ 200.590,00.
PROFESSOR JURITY — DC, Nº 27
Uma candidatura conservadora com passagem por disputas anteriores
Francisco José Martins Jurity, o Professor Jurity, nasceu em 18 de abril de 1955, em Parnaíba. Servidor público aposentado e com formação superior, retorna ao cenário eleitoral em uma candidatura majoritária pelo Democracia Cristã.
Em 2006 figurou como suplente em chapa ao Senado pelo então PMDB. Em 2010 tentou disputar uma vaga de deputado federal pelo PSC, mas seu registro não chegou ao dia da votação em situação regular.
Em 2026 tem Pedro Pereira como candidato a vice.
O que propõe
O programa é um dos mais sintéticos apresentados na eleição. Reúne diretrizes para regionalização da saúde, expansão da educação integral e profissional, valorização das forças de segurança, estímulo ao desenvolvimento econômico, fortalecimento dos municípios e digitalização da gestão pública.
A campanha também incorpora elementos conservadores ligados à defesa da família e a valores religiosos.
Patrimônio
Declarou R$ 998.500,00, terceiro maior montante entre os candidatos, desconsiderada a situação particular da atualização patrimonial de Elizeu Aguiar.
LOURDES MELO — PCO, Nº 29
Uma das personagens mais longevas da esquerda piauiense
Maria de Lourdes Soares Melo nasceu em 12 de junho de 1953, em Pedreiras, no Maranhão, e construiu no Piauí uma longa trajetória como professora, militante sindical e candidata da esquerda.
Já participou de numerosas eleições. Em 2006 recebeu 715 votos para governadora; em 2008 disputou a Prefeitura de Teresina e obteve 996 votos; em 2014 voltou ao governo e recebeu 2.180 votos; em 2018 foram 777; em 2022, 1.924 votos para governadora; e em 2024 disputou novamente a Prefeitura de Teresina.
O candidato a vice em 2026 é Zeferino da Silva Brasil.
O que propõe
Diferentemente das candidaturas que apresentaram documentos construídos especificamente para o estado, o PCO utiliza um programa de caráter essencialmente nacional e ideológico, semelhante ao registrado por candidatos da legenda em outras unidades da Federação.
A proposta apresenta as eleições como instrumento de mobilização política dos trabalhadores e defende mudanças profundas nas relações de trabalho, na propriedade da terra, na economia e nas estruturas de segurança.
Essa característica torna o documento menos voltado a metas administrativas específicas para o Piauí e mais associado ao programa nacional do partido.
Patrimônio
Declarou R$ 450 mil.
ELIZEU AGUIAR — NOVO, Nº 30
Do Legislativo municipal e federal à tentativa de chegar ao Executivo estadual
Elizeu Morais de Aguiar nasceu em 28 de maio de 1966, em Teresina. Empresário, iniciou sua trajetória eleitoral pelo PTB e posteriormente passou por outras legendas até chegar ao Novo.
Foi eleito vereador de Teresina em 2004 com 5.541 votos. Em 2006 recebeu 31.435 votos para deputado federal, ficando na suplência. Em 2008 conquistou novamente vaga na Câmara Municipal, com 6.487 votos.
Em 2010 recebeu 57.779 votos para deputado federal e voltou à condição de suplente, chegando a exercer mandato na Câmara. Depois disputou o Senado em 2018 e voltou a concorrer a cargos proporcionais em 2020 e 2022.
Seu vice é Ismar Marques.
O que propõe
Elizeu apresentou um dos menores documentos programáticos da disputa. Segurança pública aparece entre os temas mais claramente detalhados, com propostas de valorização e qualificação das polícias, realização de concursos e utilização de inteligência e tecnologia.
O plano também aborda economia, educação, saúde e infraestrutura, embora com menor detalhamento quantitativo que os programas apresentados pelas principais chapas.
Um registro que exige atenção
A candidatura está inserida em uma controvérsia que envolve decisões internas do Avante e a candidatura de Gustavo Pelo Piauí. Decisão cautelar do TSE suspendeu parcialmente ato da direção nacional do Avante que havia interferido na composição estadual e determinou que o TRE-PI examinasse aspectos da validade da convenção partidária. Portanto, qualquer descrição definitiva sobre o desfecho da composição deve aguardar nova manifestação da Justiça Eleitoral.
Patrimônio
A versão mais recente consultada registra R$ 1.592.808,00, mas o dado sofreu alteração em relação a registros anteriores e deve ser novamente conferido no fechamento editorial.
RAVENNA DA INCLUSÃO — DEMOCRATA, Nº 35
A inclusão transformada em identidade eleitoral
Ravenna de Castro Lima Azevedo nasceu em 15 de maio de 1986, em Teresina. Advogada, adotou politicamente o nome Ravenna da Inclusão, fazendo das políticas voltadas às pessoas com deficiência uma das principais marcas de sua candidatura.
Em 2018 disputou vaga de deputada estadual pelo PMN e recebeu 513 votos. Em 2020 concorreu a vereadora de Teresina, alcançando 849 votos. Dois anos depois foi candidata ao Governo do Piauí e obteve 1.167 votos.
Em 2026 concorre pelo Democrata, tendo João Ricardo como vice.
O que propõe
Seu programa é um dos mais extensos da eleição, com aproximadamente 80 páginas, e transforma inclusão social em eixo transversal da administração.
Entre as propostas estão a criação de um Plano Estadual de Inclusão, estrutura administrativa específica para o tema e uma Casa da Inclusão, destinada a reunir atendimento multiprofissional e orientação às famílias.
Na saúde, o documento propõe ampliação de triagens neonatais e de desenvolvimento infantil, avaliação multidisciplinar, neuropediatria, intervenção precoce, regionalização de hospitais e policlínicas, transporte sanitário e telemedicina.
Patrimônio
Declarou R$ 91.600,52.
DRA. LÚCIA SANTOS — PSDB, Nº 45
A experiência médica como plataforma política
Lúcia Maria de Sousa Aguiar dos Santos, a Dra. Lúcia Santos, nasceu em 3 de novembro de 1964, em Teresina. Médica, possui trajetória ligada à representação profissional da categoria e foi eleita presidente da Federação Nacional dos Médicos — FENAM.
Já disputou uma vaga de deputada federal pelo PSDB em 2018, quando recebeu 5.988 votos e ficou na suplência, e também participou da eleição municipal de Teresina em 2020.
Seu vice é o Dr. Paulo Eudes, também do PSDB. A chapa está vinculada à Federação PSDB Cidadania.
O que propõe
O programa percorre praticamente todos os grandes campos da administração estadual: saúde, educação, economia, agricultura, ciência e tecnologia, cultura, segurança, transporte e gestão.
A experiência profissional da candidata aparece especialmente na área da saúde, enquanto o plano econômico enfatiza ambiente de negócios, empreendedorismo e revisão gradual de entraves tributários e administrativos.
Na educação, são defendidas valorização das carreiras, expansão de políticas de tempo integral e fortalecimento da formação técnica e profissional.
Patrimônio
Declarou R$ 799.134,68.
PROFESSOR GISVALDO — PSOL, Nº 50
Universidade, serviços públicos e direitos sociais no centro do programa
Gisvaldo Oliveira da Silva nasceu em 10 de junho de 1978, em Teresina. Professor universitário, concorre pelo PSOL, integrado à Federação PSOL Rede.
Sua vice é Edilene Pinho.
Diferentemente de vários concorrentes, Gisvaldo chega à disputa sem uma longa sucessão de candidaturas anteriores nas bases eleitorais consultadas. Sua campanha procura estabelecer uma alternativa programática à esquerda do atual governo.
O que propõe
O documento é um dos mais detalhados apresentados à Justiça Eleitoral, com mais de 8 mil palavras, dezenas de diretrizes e forte presença de políticas sociais.
Entre as propostas estão maior participação das mulheres na estrutura do governo, com 50% das funções do primeiro escalão destinadas a mulheres, além de políticas específicas para igualdade racial e fortalecimento dos serviços públicos.
O programa também enfatiza educação pública, autonomia universitária, saúde pelo SUS, direitos humanos e mecanismos de participação popular.
Patrimônio
Declarou R$ 100 mil.
GUSTAVO PELO PIAUÍ — AVANTE, Nº 70
Uma candidatura atravessada pela disputa interna do Avante
Gustavo Henrique Leite Feijó, conhecido eleitoralmente como Gustavo Pelo Piauí, nasceu em 29 de novembro de 1973, em Belo Horizonte e construiu sua trajetória política no Piauí.
Já disputou eleições para vereador, senador, prefeito e governador. Em 2014 recebeu 19.286 votos para senador. Em 2016 obteve 1.067 votos para vereador de Teresina; em 2020 foram 1.292. Na eleição de 2022, como candidato ao Governo do Piauí pelo Patriota, recebeu 1.027 votos. Em 2024 concorreu novamente a vereador e alcançou 314 votos.
O candidato a vice em 2026 é Lucas Veras de Moraes.
O que propõe
O plano defende modernização administrativa, desenvolvimento econômico, educação, saúde regionalizada, segurança apoiada em tecnologia, infraestrutura e políticas ambientais.
A candidatura procura associar sua imagem a uma gestão de acompanhamento de metas e maior cobrança de desempenho do poder público.
A batalha jurídica
O caso é um dos mais complexos da eleição piauiense. A direção nacional do Avante tomou decisões que interferiram na convenção realizada no estado e na composição de alianças. Posteriormente, o TSE concedeu decisão cautelar suspendendo parte dessa intervenção e determinando que o processo de registro de Gustavo prosseguisse para análise do TRE-PI.
Por isso, a situação ainda deve ser acompanhada até uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral.
Patrimônio
Declarou R$ 148 mil.
SANTIAGO BELIZÁRIO — UP, Nº 80
Dos movimentos populares à disputa pelo Karnak
José Santiago Belizário nasceu em 11 de junho de 1993, em Fortaleza. É um dos candidatos mais jovens da eleição piauiense e construiu sua trajetória política sobretudo em movimentos sociais e organizações populares.
Tem participação no movimento estudantil, em organizações ligadas à luta por moradia e em movimentos populares que contribuíram para a formação da Unidade Popular — UP.
Sua primeira experiência eleitoral de maior destaque ocorreu em 2024, quando disputou a Prefeitura de Teresina e recebeu 860 votos, equivalentes a aproximadamente 0,19% dos votos válidos.
Em 2026, a vice é Thays Dias.
O que propõe
O programa apresenta uma plataforma de esquerda popular centrada em serviços públicos, moradia, emprego, educação e saúde.
A candidatura defende ampliação da responsabilidade direta do Estado sobre os serviços públicos, fortalecimento do SUS, concursos públicos, universalização do saneamento, políticas habitacionais e valorização da educação pública.
Patrimônio
Santiago declarou aproximadamente R$ 967,43, disparadamente o menor patrimônio informado entre os candidatos ao governo.
O QUE DIFERENCIA OS PROGRAMAS
| Candidatura | Característica do programa | Principais ênfases |
|---|---|---|
| Rafael Fonteles | 8 eixos, 53 programas e cerca de 200 metas | Continuidade, investimentos, educação, tecnologia, infraestrutura e proteção social |
| Joel Rodrigues | 11 eixos e 286 ações | Emprego, tributação, segurança, regionalização da saúde e gestão |
| Geraldo Carvalho | Programa socialista | Serviços públicos, trabalhadores, concursos e oposição às privatizações |
| Professor Jurity | Documento bastante sintético | Saúde, educação profissional, segurança, gestão e valores conservadores |
| Lourdes Melo | Programa essencialmente nacional do PCO | Trabalhadores, transformação econômica e mudanças estruturais |
| Elizeu Aguiar | Programa curto | Segurança, economia, educação, saúde e infraestrutura |
| Ravenna da Inclusão | Cerca de 80 páginas | Inclusão, deficiência, atenção multiprofissional e saúde regional |
| Dra. Lúcia Santos | Programa amplo | Saúde, educação, empreendedorismo, economia e gestão |
| Professor Gisvaldo | Mais de 8 mil palavras | Serviços públicos, igualdade, educação, saúde e participação popular |
| Gustavo Pelo Piauí | Programa intermediário | Gestão, desenvolvimento, infraestrutura, tecnologia e serviços públicos |
| Santiago Belizário | Plataforma popular de esquerda | Moradia, SUS, educação pública, trabalho e saneamento |
A comparação mostra também uma diferença de método. Enquanto Rafael Fonteles e Joel Rodrigues apresentam programas estruturados em grande número de metas e ações administrativas, algumas candidaturas menores adotam documentos mais ideológicos ou sintéticos. Ravenna e Gisvaldo, embora eleitoralmente apareçam em patamares menores nas pesquisas, registraram programas relativamente extensos e especializados em determinados temas.
O QUE DIZ A ÚLTIMA PESQUISA
No levantamento AtlasIntel divulgado em 3 de setembro, o cenário estimulado ficou assim:
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Rafael Fonteles | 62,4% |
| Joel Rodrigues | 20,9% |
| Dra. Lúcia Santos | 1,5% |
| Lourdes Melo | 0,8% |
| Elizeu Aguiar | 0,6% |
| Professor Gisvaldo | 0,6% |
| Gustavo Pelo Piauí | 0,5% |
| Geraldo Carvalho | 0,2% |
| Professor Jurity | 0,2% |
| Santiago Belizário | 0,2% |
| Ravenna da Inclusão | 0,0% |
| Branco/nulo | 6,3% |
| Não souberam responder | 5,7% |
O levantamento ouviu 1.622 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro, possui margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Considerando apenas votos válidos, Fonteles chegou a 71%, Joel a 23,7% e os demais candidatos, somados, permaneceram com participação relativamente reduzida.
A ELEIÇÃO DENTRO DA ELEIÇÃO
Mais do que uma disputa entre 11 nomes, a corrida pelo Governo do Piauí apresenta, até agora, uma competição principal entre dois projetos políticos.
De um lado está Rafael Fonteles, governador em exercício, beneficiado pela estrutura de uma ampla coligação e pela associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o grupo político que governa o Piauí há grande parte das últimas duas décadas.
Do outro aparece Joel Rodrigues, ex-prefeito de Floriano e candidato que em 2022 mostrou capacidade de ultrapassar os limites eleitorais de sua cidade ao receber quase 900 mil votos para o Senado. Sua candidatura reúne a principal estrutura oposicionista e tem no senador Ciro Nogueira uma de suas maiores forças de articulação.
Nesse sentido, a eleição estadual também reproduz parte das alianças e antagonismos da política nacional: Rafael no campo político de Lula; Joel no bloco liderado no estado por Ciro Nogueira e por partidos de centro-direita e direita.
As outras nove candidaturas cumprem papéis distintos. Algumas procuram construir alternativas ideológicas ao PT pela esquerda; outras tentam abrir espaço fora dos dois maiores blocos; e há candidaturas cuja principal contribuição à campanha pode estar na introdução de temas específicos, como inclusão das pessoas com deficiência, reforma dos serviços públicos, segurança, moradia ou redução da intervenção estatal.
O PESO DA HISTÓRIA
A dimensão do desafio de Joel Rodrigues e dos demais concorrentes também pode ser compreendida pela história eleitoral recente.
O PT governa o Piauí desde 2003, com uma interrupção decorrente de mudanças de titulares e sucessões constitucionais, mas mantendo o mesmo campo político como força dominante no estado durante a maior parte desse período. Wellington Dias tornou-se o principal nome dessa construção e Rafael Fonteles foi apresentado, em 2022, como representante de uma nova geração do grupo.
A vitória de Fonteles já no primeiro turno naquele ano mostrou que a transição conseguiu preservar grande parte da força eleitoral acumulada pela coalizão.
Em 2026, o governador chega às urnas pela primeira vez carregando também o próprio desempenho administrativo para avaliação. Isso muda a natureza da eleição: quatro anos atrás ele precisava convencer o eleitor sobre aquilo que pretendia fazer; agora precisa defender o que realizou e explicar por que deve receber mais quatro anos.
Para Joel, o desafio é inverso: transformar uma votação expressiva para o Senado em uma maioria estadual para o Executivo e convencer parte do eleitorado que apoiou Fonteles em 2022 a mudar de posição.
O QUE PODE MUDAR ATÉ 4 DE OUTUBRO
A enorme diferença registrada nas pesquisas cria uma vantagem evidente para Rafael Fonteles, mas ainda existe campanha pela frente. O desempenho nos debates, propaganda eleitoral, mobilização dos prefeitos, alianças municipais, avaliação do governo, influência das campanhas presidenciais e eventuais fatos políticos podem alterar percentuais.
Existe ainda um componente jurídico. Alguns registros permanecem em julgamento ou sob recurso, especialmente os casos envolvendo o PSTU e a disputa interna relacionada ao Avante. O quadro oficial deve, portanto, continuar sendo atualizado.
Há também uma questão estratégica para Joel Rodrigues: com Fonteles atualmente acima de 50% dos votos totais nas pesquisas, não basta ao candidato do Progressistas crescer. Para levar a eleição ao segundo turno, a oposição precisa simultaneamente aumentar sua própria votação e reduzir a proporção de votos válidos concentrada no governador.
Para as candidaturas menores, o objetivo imediato é romper a barreira da baixa visibilidade e transformar participação em debates, entrevistas e propaganda eleitoral em reconhecimento do eleitorado.
UM FAVORITO, UM PRINCIPAL DESAFIANTE E NOVE FORMAS DE CONTESTAR A POLARIZAÇÃO
A eleição do Piauí começa setembro com um favorito claro, mas não pode ser resumida apenas aos números da pesquisa.
Rafael Fonteles procura transformar o primeiro mandato em uma reeleição de primeiro turno e consolidar uma nova etapa de liderança dentro do grupo político que governa o estado.
Joel Rodrigues tenta converter sua longa experiência municipal e os 892 mil votos obtidos para o Senado em 2022 em uma alternativa estadual capaz de interromper esse ciclo.
Ao redor dos dois, Geraldo Carvalho, Professor Jurity, Lourdes Melo, Elizeu Aguiar, Ravenna da Inclusão, Dra. Lúcia Santos, Professor Gisvaldo, Gustavo Pelo Piauí e Santiago Belizário apresentam diferentes leituras do estado e diferentes graus de ruptura com o modelo atual.
Mais do que escolher o próximo ocupante do Palácio de Karnak, os aproximadamente 2,7 milhões de eleitores piauienses decidirão, em 4 de outubro, se concedem mais quatro anos ao projeto liderado por Rafael Fonteles ou se abrem espaço para uma nova composição política.
A um mês da votação, os números indicam vantagem ampla da continuidade. A campanha decidirá se essa vantagem será confirmada nas urnas — ou se a oposição encontrará espaço para transformar uma eleição que hoje aponta para o primeiro turno em uma disputa mais longa.
NOTA
Os dados biográficos, patrimoniais, partidários e de registros eleitorais deste especial foram confrontados com informações da Justiça Eleitoral e bases que reproduzem dados do TSE. Patrimônio declarado não equivale a patrimônio auditado ou avaliação atual de mercado: trata-se da informação apresentada pelo candidato à Justiça Eleitoral.
A situação jurídica das candidaturas corresponde às consultas disponíveis até 6 de setembro de 2026 e poderá ser alterada por novas decisões do TRE-PI ou do TSE.
Em algumas páginas que reproduzem a base eleitoral, a relação chegou a aparecer com 12 registros, resultado principalmente da presença duplicada de Elizeu Aguiar em diferentes versões do banco de dados. Para fins jornalísticos, este material considera 11 candidatos distintos em disputa e registra separadamente as controvérsias judiciais ainda pendentes.
Pesquisas eleitorais representam a opinião dos entrevistados no período em que o levantamento foi realizado. Não constituem previsão do resultado da eleição.