Allyson tenta transformar duas vitórias consecutivas em Mossoró em liderança estadual; Álvaro Dias chega à disputa com mais de quatro décadas de vida política e passagens pela Assembleia, Câmara Federal e Prefeitura de Natal; Cadu de Lula estreia nas urnas como candidato do grupo governista; Robério Paulino volta à corrida pelo Executivo 12 anos depois; enquanto Arinalda do MLB, Dário Barbosa, Carlos Jararaca, Henrique Lyra e Rodrigo de Bolsonaro completam uma eleição marcada por nove projetos distintos.
Reportagem especial | Atualizada em 6 de setembro de 2026
O Rio Grande do Norte chega às eleições de 2026 diante de uma situação que não ocorria nos dois pleitos estaduais anteriores: o cargo de governador está efetivamente aberto. Depois de dois mandatos consecutivos do grupo liderado por Fátima Bezerra, o eleitor escolherá um novo nome para comandar o Estado entre 2027 e 2030.
São 2.660.565 eleitores distribuídos pelos 167 municípios potiguares. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, se nenhum concorrente alcançar mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.
Nove nomes constam na disputa: Allyson (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Arinalda do MLB (UP), Cadu de Lula (PT), Carlos Jararaca (DC), Dário Barbosa (PSTU), Henrique Lyra (PCO), Professor Robério Paulino (PSOL) e Rodrigo de Bolsonaro (Agir).
Há, porém, uma ressalva jurídica. Até o fechamento desta reportagem, sete registros já apareciam deferidos nas bases sincronizadas com o TSE. Carlos Jararaca teve o registro indeferido, recorreu e continua concorrendo enquanto o recurso é apreciado; Henrique Lyra ainda aparecia aguardando julgamento. No caso de Jararaca, o indeferimento ocorreu após a Justiça Eleitoral considerar não apresentada documentação exigida relacionada a processos que tramitam sob segredo de Justiça. A candidatura segue válida durante a fase recursal.
Politicamente, porém, as pesquisas mostram uma competição muito mais concentrada. Allyson, Álvaro Dias e Cadu de Lula formam, até o início de setembro, o primeiro pelotão da corrida estadual.
O retrato dos nove candidatos
| Candidato | Nascimento / naturalidade | Partido | Vice | Principal experiência | Patrimônio declarado |
|---|---|---|---|---|---|
| Allyson | 12/05/1992 — Mossoró/RN | União – 44 | Hermano Morais (MDB) | Deputado estadual e prefeito de Mossoró por dois mandatos | R$ 748.869,84 |
| Álvaro Dias | 04/09/1959 — Caicó/RN | PL – 22 | Babá (PL) | Vice-prefeito, deputado estadual, deputado federal e prefeito de Natal | R$ 2.917.179,51 |
| Arinalda do MLB | 28/06/1980 — Natal/RN | UP – 80 | Francisco Dias (UP) | Trabalhadora doméstica e militante do movimento de moradia; estreia eleitoral | R$ 0,00 |
| Cadu de Lula | 14/06/1978 — Rio de Janeiro/RJ | PT – 13 | Larissa Rosado (PSB) | Auditor fiscal e ex-secretário estadual da Fazenda; estreia eleitoral | R$ 100.000,00 |
| Carlos Jararaca | 04/12/1963 — Acari/RN | DC – 27 | Pastor Júlio (DC) | Duas candidaturas anteriores a deputado estadual | R$ 0,00 |
| Dário Barbosa | 28/05/1953 — Recife/PE | PSTU – 16 | Fernanda Soares (PSTU) | Professor; 12 eleições anteriores desde 1994 | R$ 170.000,00 |
| Henrique Lyra | 20/04/1985 — Natal/RN | PCO – 29 | André Gustavo (PCO) | Candidaturas a deputado estadual e vereador | R$ 228.000,00 |
| Professor Robério Paulino | 29/05/1957 — Nilópolis/RJ | PSOL – 50 | Lenny Grilo (PSOL) | Professor da UFRN, ex-vereador de Natal e ex-candidato a governador | R$ 2.194.367,82 |
| Rodrigo de Bolsonaro | 17/07/1980 — Natal/RN | Agir – 36 | Socorro Batista (Agir) | Empresário; candidato a prefeito e a governador | R$ 420.000,00 |
Os nove candidatos declararam aproximadamente R$ 6,78 milhões em bens. Álvaro Dias aparece com o maior patrimônio, seguido por Robério Paulino e Allyson. Arinalda e Carlos Jararaca não informaram bens no registro de 2026. Isso significa apenas ausência de bens declarados ao TSE, não uma auditoria sobre a situação econômica de cada candidato.
ALLYSON
Da zona rural de Mossoró à liderança das pesquisas estaduais
Allyson Leandro Bezerra Silva nasceu em Mossoró em 12 de maio de 1992. Filho de agricultor e dona de casa, viveu parte da infância no Sítio Chafariz, zona rural do município, e estudou em escola pública.
Fez curso técnico em Edificações no IFRN e graduou-se em Ciência e Tecnologia e Engenharia Civil pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Também concluiu mestrado em Manejo de Solo e Água e tornou-se servidor concursado da Ufersa aos 20 anos. Antes da carreira eleitoral, presidiu o sindicato dos servidores técnico-administrativos da universidade.
Sua ascensão eleitoral foi extremamente rápida.
Em 2018, aos 26 anos, disputou pela primeira vez uma eleição. Recebeu 20.228 votos pelo Solidariedade e foi eleito deputado estadual.
Dois anos depois deixou a Assembleia para enfrentar a então prefeita Rosalba Ciarlini em Mossoró. Venceu com 65.297 votos.
Em 2024, já pelo União Brasil, obteve uma vitória ainda maior: 113.121 votos, garantindo o segundo mandato na prefeitura. Para disputar o governo, deixou antecipadamente o Executivo mossoroense em março de 2026.
Linha do tempo eleitoral de Allyson
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | Deputado estadual | Solidariedade | 20.228 | Eleito |
| 2020 | Prefeito de Mossoró | Solidariedade | 65.297 | Eleito |
| 2024 | Prefeito de Mossoró | União Brasil | 113.121 | Reeleito |
| 2026 | Governador | União Brasil | — | Em disputa |
Até 2026, portanto, Allyson possui um dado eleitoral singular: disputou três eleições e venceu as três.
Histórico partidário eleitoral
Solidariedade → União Brasil
Sua mudança ocorreu antes da eleição municipal de 2024.
Em 2026, lidera a coligação Esperança e Trabalho, que reúne União/PP, Republicanos, MDB, PSD, Avante e a Federação Renovação Solidária. O vice é Hermano Morais, do MDB.
Patrimônio
Allyson declarou R$ 748.869,84, distribuídos em 12 bens. O maior item é um apartamento financiado em Natal, informado por R$ 290.975. Também aparecem um trator agrícola de R$ 160 mil, participações empresariais, terreno, imóvel em Tibau e um automóvel.
| Eleição | Patrimônio nominal declarado |
|---|---|
| 2018 | R$ 34.100,16 |
| 2020 | R$ 679.086,36 |
| 2024 | R$ 582.092,31 |
| 2026 | R$ 748.869,84 |
A comparação é nominal e não mede, isoladamente, enriquecimento real.
ÁLVARO DIAS
Mais de quatro décadas de política e a experiência da Prefeitura de Natal
Álvaro Costa Dias nasceu em Caicó em 4 de setembro de 1959. Médico formado pela UFRN, completou 67 anos exatamente um mês antes do primeiro turno.
É o candidato com a mais longa trajetória institucional entre os nove concorrentes.
Sua vida política começou ainda nos anos 1980. Filiou-se ao PMDB em 1983 e foi eleito vice-prefeito de Caicó. Posteriormente ocupou a Secretaria Municipal de Saúde.
Em 1990 chegou à Assembleia Legislativa, iniciando uma sequência de três mandatos estaduais consecutivos. Depois passou pela Câmara dos Deputados, retornou à Assembleia e, já como vice-prefeito de Natal, assumiu a Prefeitura da capital em abril de 2018, após a renúncia de Carlos Eduardo Alves.
Em 2020 foi eleito para permanecer no cargo, obtendo 194.764 votos, 56,58% dos válidos.
Linha do tempo eleitoral de Álvaro Dias
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1988 | Vice-prefeito de Caicó | PMDB | Votação da chapa | Eleito |
| 1990 | Deputado estadual | PMDB | 10.871 | Eleito |
| 1994 | Deputado estadual | PMDB | 16.368 | Reeleito |
| 1998 | Deputado estadual | PMDB | 45.260 | Reeleito |
| 2002 | Deputado federal | PMDB | 138.241 | Eleito |
| 2006 | Deputado estadual | PDT | 40.040 | Eleito |
| 2010 | Vice-governador | PDT | 160.828 votos da chapa | Não eleito |
| 2014 | Deputado estadual | PMDB | 34.638 | Eleito |
| 2016 | Vice-prefeito de Natal | PMDB | 225.741 votos da chapa | Eleito |
| 2020 | Prefeito de Natal | PSDB | 194.764 – 56,58% | Eleito |
| 2026 | Governador | PL | — | Em disputa |
Álvaro, portanto, já foi escolhido para cargos ou chapas vencedoras em oito eleições anteriores, além de acumular experiência nos Legislativos estadual e federal e no Executivo da capital.
Histórico partidário eleitoral
Considerando candidaturas e principais filiações:
PMDB/MDB → PDT → PMDB/MDB → PSDB → Republicanos → PL
Em 2026, concorre pelo PL com Babá como vice e lidera a coligação Endireita RN, integrada por PL, Podemos, Novo, Mobiliza e Federação PSDB/Cidadania.
Patrimônio
Álvaro declarou R$ 2.917.179,51, o maior patrimônio entre os candidatos.
São 14 bens, com predominância de propriedades rurais e imóveis, além de veículos e aplicações financeiras. A maior declaração individual é uma propriedade denominada Poço da Pedra, localizada entre Caicó e São João do Sabugi, informada por aproximadamente R$ 605,8 mil.
CADU DE LULA
O técnico da Fazenda que estreia nas urnas tentando suceder o ciclo governista
Carlos Eduardo Xavier, registrado eleitoralmente como Cadu de Lula, nasceu no Rio de Janeiro em 14 de junho de 1978, mas vive no Rio Grande do Norte desde a infância.
Engenheiro de Computação, mestre em Engenharia de Produção pela UFRN e auditor fiscal estadual desde 2005, desenvolveu praticamente toda a trajetória profissional no serviço público.
Foi secretário da Tributação e posteriormente da Fazenda durante os governos de Fátima Bezerra e também presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, o Comsefaz.
A eleição de 2026 é um salto político considerável: Cadu jamais disputou uma eleição anterior.
Sua candidatura representa a tentativa do PT de manter o Governo do Rio Grande do Norte depois dos dois mandatos consecutivos de Fátima Bezerra.
Linha do tempo eleitoral de Cadu
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador | PT | — | Primeira candidatura |
O vice é Larissa Rosado, do PSB, integrante de uma família tradicional da política mossoroense.
Histórico partidário eleitoral
PT
Como esta é sua primeira candidatura, não existe histórico anterior de siglas nas urnas.
Patrimônio
Cadu declarou R$ 100 mil, correspondentes a um único veículo utilitário esportivo compacto.
PROFESSOR ROBÉRIO PAULINO
Do terceiro lugar em 2014 à segunda candidatura ao governo
Robério Paulino Rodrigues nasceu em Nilópolis, no Rio de Janeiro, em 29 de maio de 1957, filho de pais potiguares. Viveu parte da infância e adolescência em Natal.
É economista formado pela USP, doutor em História Econômica pela mesma universidade, realizou pós-doutorado na School of Oriental and African Studies, em Londres, e é professor do Instituto de Políticas Públicas da UFRN.
Em 2014 protagonizou uma das melhores votações já obtidas pelo PSOL numa disputa estadual potiguar: recebeu 129.616 votos e terminou a eleição para governador em terceiro lugar.
Sua trajetória também inclui três disputas proporcionais e duas candidaturas à Prefeitura de Natal.
Linha do tempo eleitoral de Robério Paulino
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2012 | Prefeito de Natal | PSOL | 13.552 | Não eleito |
| 2014 | Governador | PSOL | 129.616 | Não eleito |
| 2016 | Prefeito de Natal | PSOL | 24.422 | Não eleito |
| 2018 | Deputado estadual | PSOL | 18.550 | Primeiro suplente no resultado original |
| 2020 | Vereador de Natal | PSOL | 1.886 | Eleito |
| 2024 | Vereador de Natal | PSOL | 3.481 | Suplente |
| 2026 | Governador | PSOL | — | Em disputa |
O episódio de 2018 exige uma explicação. Robério ficou inicialmente como primeiro suplente do PSOL. Com a posterior cassação do mandato de Sandro Pimentel, algumas bases atuais do TSE passaram a classificá-lo como “eleito por média” após retotalizações. Robério, entretanto, optou pelo mandato de vereador conquistado em 2020 e não construiu sua trajetória política como deputado estadual.
Histórico partidário eleitoral
PSOL em todas as candidaturas registradas.
Patrimônio
Robério declarou R$ 2.194.367,82, o segundo maior patrimônio da corrida. São cinco apartamentos e dois veículos.
ARINALDA DO MLB
Uma trabalhadora doméstica e militante por moradia na primeira eleição
Arinalda Vasconcelos de Medeiros nasceu em Natal em 28 de junho de 1980. Trabalha como diarista e declarou ao TSE a ocupação de empregada doméstica e ensino fundamental incompleto.
Sua trajetória pública foi construída fora dos parlamentos.
Arinalda militou no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e relata ter conhecido a organização durante as mobilizações de ocupações urbanas em Natal. O déficit habitacional e o direito à moradia tornaram-se, por isso, temas centrais de sua candidatura.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governadora | UP | — | Primeira candidatura |
O candidato a vice é Francisco Dias, também da Unidade Popular.
Histórico partidário eleitoral
UP
Patrimônio
Arinalda não declarou bens à Justiça Eleitoral. Isso corresponde a R$ 0 no cadastro de 2026, sem permitir conclusões adicionais sobre sua situação econômica.
DÁRIO BARBOSA
Doze eleições anteriores e mais de três décadas de presença nas urnas
Dário Barbosa de Melo nasceu no Recife em 28 de maio de 1953. Professor, militante socialista e dirigente histórico do PSTU, é o candidato mais velho da disputa, com 73 anos.
Nenhum concorrente do Rio Grande do Norte em 2026 possui tantas candidaturas anteriores quanto ele.
Sua primeira eleição registrada ocorreu em 1994, quando concorreu a deputado federal. Desde então, disputou Prefeitura de Natal quatro vezes, Governo do Estado duas vezes, Assembleia Legislativa, Câmara Municipal e Senado.
Em nenhuma dessas candidaturas conquistou mandato.
Linha do tempo eleitoral de Dário Barbosa
| Ano | Cargo | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1994 | Deputado federal | 2.677 | Não eleito |
| 1996 | Prefeito de Natal | 1.254 | Não eleito |
| 1998 | Governador | 8.124 | Não eleito |
| 2000 | Prefeito de Natal | 1.422 | Não eleito |
| 2002 | Deputado estadual | 975 | Não eleito |
| 2004 | Prefeito de Natal | 2.702 | Não eleito |
| 2008 | Prefeito de Natal | 1.692 | Não eleito |
| 2012 | Vice-prefeito de Natal | 13.552 votos da chapa | Não eleito |
| 2014 | Deputado estadual | 3.819 | Não eleito |
| 2016 | Vereador de Natal | 848 | Não eleito |
| 2018 | Governador | 3.379 | Não eleito |
| 2022 | Senador | 3.072 | Não eleito |
| 2026 | Governador | — | Em disputa |
Histórico partidário
Sua trajetória eleitoral é praticamente integralmente vinculada ao PSTU. Em 2012, aparece formalmente no registro da chapa de Robério Paulino, do PSOL, numa coligação PSOL-PSTU, circunstância que explica a referência ao PSOL em algumas bases eleitorais daquele pleito.
Patrimônio
Dário declarou R$ 170 mil, compostos por uma residência de R$ 120 mil e um veículo de R$ 50 mil.
CARLOS JARARACA
Duas candidaturas proporcionais e a primeira tentativa de ocupar um cargo executivo
Carlos Alberto de Almeida Cavalcante, o Carlos Jararaca, nasceu em Acari em 4 de dezembro de 1963.
Representante comercial e com ensino superior completo, participou de duas eleições anteriores.
Em 2010 concorreu a deputado estadual pelo então PSDC e recebeu 161 votos. Quatro anos depois repetiu a candidatura e alcançou 184 votos.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2010 | Deputado estadual | PSDC | 161 | Suplente/não eleito |
| 2014 | Deputado estadual | PSDC | 184 | Suplente/não eleito |
| 2026 | Governador | DC | — | Sub judice |
Histórico partidário
PSDC → DC
Nesse caso, não se trata propriamente de uma troca de organização: o Partido Social Democrata Cristão passou a utilizar o nome Democracia Cristã.
Patrimônio
Carlos Jararaca não declarou bens em 2026.
Situação jurídica
Em 3 de setembro, o registro foi indeferido pela Justiça Eleitoral em razão da falta de documentação considerada necessária para comprovar plenamente condição de registrabilidade diante de processos indicados nas certidões.
O candidato recorreu ou permanece dentro da fase recursal e, por isso, continua participando da eleição enquanto não houver decisão definitiva.
HENRIQUE LYRA
Da candidatura de 43 votos à disputa pelo Governo do Estado
Henrique Othon Costa de Lyra nasceu em Natal em 20 de abril de 1985. Engenheiro, possui ensino superior completo e é candidato pelo Partido da Causa Operária.
Sua primeira eleição ocorreu em 2018, quando concorreu a deputado estadual e recebeu 43 votos.
Em 2020 tentou uma cadeira de vereador em Parnamirim, obtendo 3 votos.
Agora entra pela primeira vez em uma eleição majoritária.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | Deputado estadual | PCO | 43 | Não eleito |
| 2020 | Vereador de Parnamirim | PCO | 3 | Não eleito |
| 2026 | Governador | PCO | — | Em disputa |
Histórico partidário
PCO em todas as candidaturas.
Patrimônio
Henrique declarou R$ 228 mil, incluindo R$ 200 mil em participação empresarial e dois veículos avaliados conjuntamente em R$ 28 mil.
No fechamento desta reportagem, seu registro ainda aparecia aguardando julgamento.
RODRIGO DE BOLSONARO
Um nome eleitoral conhecido, mas sem parentesco com a família Bolsonaro
Karlo Rodrigo Lucio Vieira, que concorre com o nome de urna Rodrigo de Bolsonaro, nasceu em Natal em 17 de julho de 1980.
Empresário, possui ensino médio completo. Apesar do nome utilizado na campanha, não é integrante nem parente da família do presidente Flávio Bolsonaro.
Sua primeira candidatura ocorreu em 2016, quando concorreu à Prefeitura de João Câmara pelo PSDB. Recebeu 45 votos.
Em 2022, já pelo Democracia Cristã e usando Rodrigo Vieira como nome de urna, concorreu ao Governo do RN e obteve 1.045 votos, cerca de 0,06% dos válidos.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2016 | Prefeito de João Câmara | PSDB | 45 | Não eleito |
| 2022 | Governador | DC | 1.045 – 0,06% | Não eleito |
| 2026 | Governador | Agir | — | Em disputa |
Histórico partidário
PSDB → DC → Agir
Patrimônio
Rodrigo declarou R$ 420 mil, integralmente representados por participações em três empresas.
Quem mudou mais de partido?
Para tornar a comparação objetiva, o quadro abaixo considera os partidos utilizados nas candidaturas eleitorais, acrescentando filiações intermediárias apenas quando são politicamente relevantes.
| Candidato | Trajetória partidária eleitoral |
|---|---|
| Allyson | Solidariedade → União Brasil |
| Álvaro Dias | PMDB/MDB → PDT → PMDB/MDB → PSDB → PL |
| Arinalda do MLB | UP |
| Cadu de Lula | PT |
| Carlos Jararaca | PSDC → DC (mesma organização após mudança de nome) |
| Dário Barbosa | PSTU |
| Henrique Lyra | PCO |
| Robério Paulino | PSOL |
| Rodrigo de Bolsonaro | PSDB → DC → Agir |
Álvaro possui a carreira partidária mais diversificada entre os principais concorrentes. Allyson fez uma mudança. Robério, Dário e Henrique apresentam forte continuidade, enquanto Cadu e Arinalda disputam pela primeira vez.
Patrimônio: Álvaro e Robério concentram três quartos do total declarado
| Posição | Candidato | Patrimônio declarado |
|---|---|---|
| 1º | Álvaro Dias | R$ 2.917.179,51 |
| 2º | Professor Robério Paulino | R$ 2.194.367,82 |
| 3º | Allyson | R$ 748.869,84 |
| 4º | Rodrigo de Bolsonaro | R$ 420.000,00 |
| 5º | Henrique Lyra | R$ 228.000,00 |
| 6º | Dário Barbosa | R$ 170.000,00 |
| 7º | Cadu de Lula | R$ 100.000,00 |
| 8º | Arinalda do MLB | R$ 0,00 |
| 9º | Carlos Jararaca | R$ 0,00 |
Total declarado: aproximadamente R$ 6,78 milhões.
O QUE PROPÕEM OS NOVE CANDIDATOS
A leitura dos programas registrados no TSE mostra uma eleição muito mais diversa do que as pesquisas sugerem.
Os documentos variam radicalmente de extensão. O plano de Álvaro Dias supera 31 mil palavras; o de Cadu ultrapassa 20 mil; Carlos Jararaca tem mais de 16 mil; Allyson, pouco mais de 7 mil; Robério, 5,6 mil. No extremo oposto está Rodrigo de Bolsonaro, com apenas 461 palavras. O tamanho não mede qualidade, mas ajuda a dimensionar o grau formal de detalhamento apresentado.
Quadro comparativo das principais propostas
| Candidato | Educação | Saúde | Segurança / infraestrutura | Economia e gestão | Marca predominante |
|---|---|---|---|---|---|
| Allyson | Material e fardamento; reformas; ensino médio do futuro; tecnologia e pacto de aprendizagem | Redução permanente das filas; cirurgias eletivas; regionalização; saúde digital | Rodovias; terceira ponte de Natal; acesso a Pipa; portos, água e saneamento | Gestão por resultados, equilíbrio fiscal e desenvolvimento regional | Levar ao Estado a lógica administrativa apresentada em Mossoró |
| Álvaro Dias | 100% do ensino médio estadual em tempo integral; formação profissional regional | Saúde sem Fila; consórcios regionais e rede credenciada | Videomonitoramento inteligente, reconhecimento facial e integração com guardas | Desburocratização, redução de taxas e ajuste das contas públicas | Experiência administrativa, segurança e reorganização fiscal |
| Cadu de Lula | Integral, técnica, ciência e tecnologia; valorização e permanência | Fortalecer SUS, regionalizar e reduzir filas | Inteligência, tecnologia e prevenção territorial da violência | Continuidade do ciclo atual com indústria, energia, emprego e parceria federal | Continuidade governista com perfil técnico |
| Robério Paulino | Combater analfabetismo, melhorar IDEB e valorizar professores | Fortalecimento do serviço público | Infraestrutura associada a um novo ciclo produtivo | Plano acelerado de industrialização e substituição de importações | Reindustrialização e Estado planejador |
| Arinalda do MLB | Concursos e fortalecimento da educação pública | Mais servidores e expansão direta da rede pública | Desmilitarização; inteligência financeira contra crime organizado; moradia | Empresas públicas, reforma agrária e urbana, frentes de trabalho | Poder popular, habitação e ruptura econômica |
| Dário Barbosa | Escola integralmente pública e valorização dos trabalhadores | SUS público e oposição à privatização | Segurança vinculada a políticas sociais e desmilitarização | Reversão de privatizações e programa socialista | Ruptura com o capitalismo e centralidade do trabalho |
| Carlos Jararaca | Infraestrutura escolar, inovação e qualificação | Humanização, gestão e redução de filas | Integração de segurança e modernização tecnológica | Responsabilidade fiscal, empreendedorismo e regionalização | Gestão administrativa e desenvolvimento regional |
| Henrique Lyra | Diretrizes gerais do programa nacional do PCO | Ampliação estatal dos serviços públicos | Mudanças profundas no modelo policial | Estatizações, reforma agrária e agenda trabalhista nacional | Programa nacional do PCO aplicado ao RN |
| Rodrigo de Bolsonaro | “Excelência na educação” em diretrizes gerais | Laboratórios em polos regionais e expansão estrutural | Segurança como um dos quatro eixos centrais | Incentivos econômicos e parcerias estratégicas | Programa muito enxuto, organizado em quatro eixos |
ALLYSON: regionalizar os serviços e reproduzir a lógica de Mossoró
O programa de Allyson reúne 167 propostas.
Na saúde, o candidato propõe criar um programa permanente de redução das filas, ampliar cirurgias eletivas, regionalizar consultas e exames, fortalecer consórcios intermunicipais e integrar prontuários, regulação, laboratórios e assistência farmacêutica numa plataforma estadual de saúde digital.
Na educação, aparecem fornecimento de material escolar, fardamento, tênis e mochila; programa contínuo de reformas das escolas; recomposição da aprendizagem; conectividade; inteligência artificial educacional e maior integração entre ensino médio, educação profissional e mercado de trabalho.
Na infraestrutura, o documento chama atenção por projetos concretos: terceira ponte sobre o Rio Potengi, duplicação e qualificação do acesso à Praia da Pipa, recuperação de rodovias, modernização do Porto de Natal e do Terminal Salineiro de Areia Branca, além de adutoras, barragens e expansão do saneamento.
Sua narrativa eleitoral é direta: o modelo de gestão que afirma ter utilizado em Mossoró pode ser levado aos 167 municípios.
O programa, entretanto, não apresenta orçamento individual, cronograma físico-financeiro nem uma hierarquia completa para todas as 167 medidas, uma limitação importante para quem pretende avaliar previamente o custo e a velocidade de execução.
ÁLVARO DIAS: 455 compromissos e a proposta de “endireitar” o RN
O documento de Álvaro é o mais detalhado formalmente entre os candidatos. São 455 compromissos, organizados em dezenas de áreas.
Na saúde, o principal programa é o Saúde sem Fila, que prevê consórcios intermunicipais e utilização de uma rede pública, filantrópica e privada credenciada para acelerar consultas, exames e cirurgias.
Na educação, o Escola que Transforma pretende levar o modelo de tempo integral a 100% das escolas estaduais de ensino médio, acompanhado por alimentação, esporte, cultura e formação profissional conectada às vocações econômicas regionais.
Na segurança, o plano propõe videomonitoramento inteligente, reconhecimento facial, integração com guardas municipais e investigação patrimonial e financeira do crime organizado.
Na economia, o projeto RN Livre para Crescer propõe desburocratização, dispensa de licenças para atividades consideradas de baixo risco e redução de taxas estaduais.
A lógica central é organizar primeiro as contas e a máquina pública para, depois, recuperar a capacidade de investimento estadual.
CADU: transformar continuidade em uma nova etapa
Cadu não tenta esconder que representa a continuidade.
O próprio programa afirma que pretende partir das realizações dos governos anteriores, manter a parceria com o governo federal e abrir aquilo que chama de uma nova etapa de desenvolvimento.
Na educação, combina tempo integral, formação técnica, ciência, tecnologia, UERN, Fapern, valorização profissional e permanência estudantil.
Na saúde, promete fortalecer o SUS, regionalizar atendimentos e fazer da redução das filas um indicador de efetividade do governo.
Na segurança, a proposta procura combinar firmeza contra o crime, inteligência, integração das instituições e prevenção territorializada das violências.
Na economia, energia renovável, indústria, turismo, agricultura familiar, fruticultura, economia do mar e inovação aparecem como vetores de desenvolvimento.
É a candidatura com maior dependência de uma pergunta eleitoral específica: o eleitor considera positivos os oito anos do ciclo iniciado em 2019 o suficiente para transferir o governo a um candidato que nunca esteve anteriormente nas urnas?
ROBÉRIO PAULINO: reindustrializar o Rio Grande do Norte
O programa de Robério possui uma proposta econômica particularmente identificável.
O candidato argumenta que o Rio Grande do Norte se desindustrializou e passou a importar de outros estados produtos que poderia fabricar localmente. Para enfrentar esse cenário, propõe um Grande Plano Estadual de Industrialização por Substituição de Importações.
A ideia é identificar produtos consumidos pelos potiguares e estimular sua fabricação dentro do próprio estado, usando planejamento público, financiamento, universidades e mão de obra local.
Na educação, coloca entre as prioridades o combate ao analfabetismo, melhoria dos indicadores de aprendizagem, valorização salarial e convocação de concursados.
Sua candidatura tenta ocupar um espaço específico: ser uma alternativa de esquerda ao PT, mas com grande ênfase numa política econômica industrializante e no Estado como planejador.
ARINALDA: moradia como ponto de partida de um projeto socialista
No programa de Arinalda, a experiência pessoal e política da candidata aparece com força.
Moradia é uma prioridade.
A UP defende utilização de imóveis abandonados para reduzir o déficit habitacional, reforma urbana, reforma agrária, fortalecimento da agricultura familiar e criação de uma empresa agrícola estatal.
Também propõe frentes emergenciais de trabalho para executar saneamento, escolas, hospitais, postos de saúde, pavimentação e infraestrutura em bairros pobres.
Na segurança, a candidatura defende desmilitarização, restrições a operações militares em comunidades, inteligência financeira contra organizações criminosas, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher funcionando 24 horas nas regiões e expansão das casas-abrigo.
Algumas propostas trabalhistas do documento — como duplicação geral do salário mínimo, fim da escala 6×1 para todos os trabalhadores e jornada de 30 horas no setor privado — extrapolam as competências constitucionais de um governador e dependeriam de legislação federal.
DÁRIO BARBOSA: uma candidatura explicitamente anticapitalista
O próprio título do programa deixa clara a proposta do PSTU:
“Romper o sistema capitalista — um RN socialista para a classe trabalhadora.”
O candidato defende reversão de privatizações, suspensão de políticas consideradas favoráveis a grandes empresas, expansão dos serviços públicos, valorização salarial, contratação direta de trabalhadores e investimento estatal.
Na saúde e educação, rejeita modelos privados ou terceirizados de administração e propõe ampliar concursos.
A eleição possui, para Dário, também função programática: utilizar o período eleitoral para defender um projeto socialista que apresenta como alternativa simultânea à direita e ao PT.
CARLOS JARARACA: administração moderna e tentativa de afastar-se da polarização
O programa de Carlos Jararaca é relativamente extenso, com mais de 16 mil palavras.
Logo na apresentação, afirma que o Estado deve superar a polarização política e concentrar-se em eficiência administrativa, responsabilidade fiscal e desenvolvimento econômico.
O documento se organiza a partir de cinco pilares: Estado eficiente, desenvolvimento econômico, justiça social, segurança e qualidade de vida e governança orientada por resultados.
Há propostas de modernização administrativa, atração de investimentos, fortalecimento do empreendedorismo, saúde regionalizada, melhoria da infraestrutura educacional e integração das forças de segurança.
Sua dificuldade eleitoral é dupla: ampliar um histórico anterior de votações inferiores a 200 votos e, simultaneamente, superar a questão judicial envolvendo seu registro.
HENRIQUE LYRA: um programa nacional do PCO
Assim como ocorreu com as candidaturas do PCO analisadas em outros estados, o documento de Henrique é essencialmente um programa nacional do partido, e não um planejamento produzido especificamente para os problemas administrativos do Rio Grande do Norte.
O texto possui aproximadamente 2,5 mil palavras e é compartilhado em grande medida com outras candidaturas estaduais do partido.
A agenda inclui estatizações, mudanças trabalhistas, reforma agrária e transformações profundas no sistema econômico e policial.
Parte significativa dessas medidas depende do Congresso Nacional, do governo federal ou de alterações constitucionais, estando fora da competência unilateral do governador.
RODRIGO DE BOLSONARO: o programa mais curto
Rodrigo apresentou o documento mais enxuto da disputa: apenas 461 palavras.
São quatro eixos:
saúde, segurança, desenvolvimento e excelência na educação.
Na saúde, aparece a implantação de laboratórios de análises clínicas nos polos regionais.
Na economia, o plano fala em incentivos, parcerias e investimentos.
Segurança e educação aparecem como diretrizes gerais, com nível de detalhamento significativamente menor que o encontrado nos documentos de Allyson, Álvaro, Cadu ou Carlos Jararaca.
EDUCAÇÃO: tempo integral e profissionalização aproximam os três principais candidatos
A educação produz uma convergência interessante.
Allyson quer conectar o ensino médio à educação profissional, melhorar infraestrutura, oferecer materiais e ampliar tecnologia.
Álvaro estabelece uma meta explícita: 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral.
Cadu associa integralidade, ensino técnico, ciência, inovação e permanência estudantil.
Robério enfatiza combate ao analfabetismo e valorização dos servidores.
Arinalda e Dário defendem expansão direta da escola pública e dos concursos.
Assim, os três candidatos que lideram as pesquisas chegam a um diagnóstico semelhante: a educação estadual precisa aumentar jornada, aprendizagem e ligação com qualificação profissional.
A divergência está em como administrar a rede e financiar essa expansão.
SAÚDE: todos falam em fila; o modelo de solução muda
Também existe um raro consenso sobre o principal problema a enfrentar: filas e concentração dos serviços especializados.
Allyson propõe regionalização permanente e consórcios.
Álvaro lança o Saúde sem Fila, inclusive com utilização da rede credenciada.
Cadu aposta na expansão e integração do SUS estadual.
Robério, Arinalda e Dário defendem maior capacidade pública direta.
Carlos Jararaca fala em gestão, regionalização e humanização.
Rodrigo propõe laboratórios em polos regionais.
A diferença central é semelhante à observada em outros estados: até que ponto o governo deve expandir sua própria estrutura e até que ponto pode contratar capacidade privada para atender rapidamente a população?
A CRISE FISCAL: O PROBLEMA QUE O PRÓXIMO GOVERNADOR NÃO PODERÁ EVITAR
No Rio Grande do Norte, há uma questão que atravessa praticamente todos os programas: a capacidade financeira do Estado.
Relatórios fiscais recentes apontam pressão sobre as contas e baixa margem para novos investimentos, situação reconhecida de formas diferentes pelos candidatos.
Allyson promete uma radiografia completa das contas e afirma que não pretende elevar impostos.
Álvaro coloca ajuste fiscal e reorganização da máquina no início de seu programa.
Cadu argumenta que o Estado já passou por um processo de reorganização financeira nos governos atuais e deve avançar com crescimento e investimentos.
Robério e os candidatos socialistas propõem enfrentar o problema por outra lógica — modificando prioridades, revendo benefícios econômicos ou alterando a estrutura de financiamento do Estado.
A questão é especialmente relevante porque promessas de novos hospitais, escolas, estradas, concursos e políticas sociais dependem diretamente da capacidade de investimento encontrada em janeiro de 2027.
TRÊS TRAJETÓRIAS COMPLETAMENTE DIFERENTES DOMINAM A DISPUTA
O primeiro pelotão apresenta três histórias políticas quase opostas.
Allyson é o candidato da ascensão rápida. Em oito anos, passou de uma primeira eleição para deputado estadual à liderança das pesquisas para governador.
Álvaro representa o extremo contrário: mais de quatro décadas de carreira, sucessivos mandatos legislativos, Câmara Federal, vice-prefeitura e Prefeitura de Natal.
Cadu nunca recebeu um único voto antes de 2026. Sua força não vem de um histórico eleitoral próprio, mas da experiência técnica, do PT, da associação ao governo Lula e da tentativa de continuidade da administração estadual.
Em outras palavras:
Allyson oferece renovação com experiência municipal.
Álvaro oferece experiência acumulada.
Cadu oferece continuidade administrativa sem carreira eleitoral anterior.
É essa diferença que ajuda a dar forma à eleição.
MOSSORÓ, NATAL E O GOVERNO DO ESTADO
Há também uma dimensão territorial.
Allyson construiu sua principal base em Mossoró, segundo maior município do estado, onde recebeu 113 mil votos em 2024.
Álvaro consolidou-se em Natal, onde foi prefeito e obteve quase 195 mil votos em 2020.
Cadu não possui reduto eleitoral próprio, mas parte da estrutura política de um grupo que governa os 167 municípios através do Executivo estadual e de alianças partidárias.
A eleição pode ser lida, portanto, como uma tentativa de responder a uma questão interessante:
Mossoró consegue produzir um governador? Natal recupera o comando estadual? Ou o grupo governista mantém sua presença por meio de um sucessor técnico?
O QUE MOSTRAM AS PESQUISAS NO INÍCIO DE SETEMBRO
O levantamento Exatus, divulgado em 4 de setembro, coloca Allyson na liderança.
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Allyson | 37,42% |
| Álvaro Dias | 20,56% |
| Cadu de Lula | 17,96% |
| Rodrigo de Bolsonaro | 1,35% |
| Professor Robério Paulino | 0,34% |
| Arinalda do MLB | 0,08% |
| Dário Barbosa | 0,08% |
| Henrique Lyra | 0,08% |
| Carlos Jararaca | não citado |
A pesquisa ouviu 1.500 eleitores em 55 municípios entre 31 de agosto e 3 de setembro. A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais e o nível de confiança, 95%.
O resultado coloca Álvaro e Cadu com intervalos estatísticos sobrepostos, apesar da vantagem numérica do candidato do PL.
Há também uma tendência interessante dentro da própria série Exatus:
| Pesquisa | Allyson | Álvaro | Cadu |
|---|---|---|---|
| Abril | 37,3% | 24,9% | 10,7% |
| Maio | 41,0% | 22,8% | 12,6% |
| Julho | 41,78% | 26,05% | 13,74% |
| Setembro | 37,42% | 20,56% | 17,96% |
Na série, Allyson permanece líder; Cadu apresenta crescimento contínuo e Álvaro registra queda na rodada mais recente.
OUTROS INSTITUTOS CONFIRMAM A LIDERANÇA, MAS NÃO A MESMA DISTÂNCIA
Os levantamentos recentes apresentam diferenças relevantes.
A pesquisa Qualittá, divulgada no início de setembro, mostrou aproximadamente:
Allyson 40,1%
Cadu 19,4%
Álvaro 18,3%.
Já pesquisa Quaest realizada no fim de agosto encontrou uma disputa ainda mais apertada:
Allyson 25%
Cadu 21%
Álvaro 19%.
Nas simulações de segundo turno daquele levantamento, Allyson e Cadu chegaram a aparecer em empate técnico.
Os institutos, portanto, divergem bastante sobre a distância.
Mas há uma conclusão comum às pesquisas mais recentes: Allyson aparece na liderança, enquanto Cadu e Álvaro disputam intensamente a segunda posição.
Pesquisa eleitoral é retrato do período em que as entrevistas foram realizadas, não previsão do resultado de 4 de outubro.
A REJEIÇÃO ADICIONA OUTRA PEÇA AO TABULEIRO
Na pesquisa Exatus, a rejeição apresentou outra configuração:
| Candidato | Não votaria de jeito nenhum |
|---|---|
| Cadu | 19,50% |
| Álvaro Dias | 16,73% |
| Allyson | 5,95% |
Os intervalos de Cadu e Álvaro se sobrepõem dentro da margem de erro, enquanto Allyson apresenta rejeição numericamente bastante inferior.
Para uma eleição com possibilidade de segundo turno, esse dado pode tornar-se tão importante quanto a intenção de voto.
UMA ELEIÇÃO SEM GOVERNADOR CANDIDATO
O Rio Grande do Norte possui uma característica diferente de Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Bahia e Ceará.
Aqui, o atual ciclo governista precisa encontrar um sucessor.
Fátima Bezerra venceu em 2018 e foi reeleita em primeiro turno em 2022, quando recebeu 1.066.496 votos, 58,31% dos válidos. Depois de dois mandatos consecutivos, não poderia concorrer a um terceiro mandato seguido.
Isso muda completamente a natureza da eleição.
O eleitor não pode simplesmente escolher “reeleger” ou “trocar” a governadora.
Ele precisa decidir se transfere confiança ao sucessor apresentado pelo grupo governista ou entrega o Estado a uma liderança de oposição.
Cadu, portanto, precisa conquistar voto próprio ao mesmo tempo em que herda benefícios e desgastes de oito anos de governo.
NOVE NOMES, TRÊS ESCALAS ELEITORAIS
A diferença de experiência nas urnas é enorme.
Álvaro Dias participa de eleições desde os anos 1980.
Dário Barbosa acumula 12 candidaturas anteriores.
Robério Paulino chega à sétima disputa.
Allyson, embora tenha apenas três eleições anteriores, venceu todas e obteve 113 mil votos em sua última campanha municipal.
Rodrigo já disputou o governo.
Carlos Jararaca teve duas candidaturas proporcionais.
Henrique Lyra disputou duas eleições com 43 e 3 votos.
Arinalda estreia.
Cadu estreia.
Por isso, número de candidaturas anteriores e competitividade atual não caminham necessariamente juntos.
Allyson é justamente o melhor exemplo: possui uma das carreiras mais curtas e, ao mesmo tempo, lidera a maior parte das pesquisas deste início de campanha.
NOVE CANDIDATURAS, DIFERENTES CONCEPÇÕES DE ESTADO
Quando se retiram nomes, slogans e alianças, aparecem diferentes projetos.
Allyson combina gestão por resultados, infraestrutura, regionalização dos serviços e parcerias.
Álvaro Dias associa reorganização fiscal, ambiente de negócios, serviços integrados e uma política de segurança fortemente baseada em tecnologia.
Cadu oferece continuidade do ciclo petista, investimentos públicos, políticas sociais, articulação federal, energia e desenvolvimento territorial.
Robério Paulino defende planejamento público e um projeto explícito de reindustrialização.
Arinalda apresenta habitação, reforma agrária e urbana e ampliação das empresas públicas como instrumentos de transformação.
Dário Barbosa propõe ruptura socialista com o modelo econômico.
Carlos Jararaca oferece uma agenda de eficiência administrativa, inovação e regionalização.
Henrique Lyra apresenta o programa nacional de transformação socialista do PCO.
Rodrigo de Bolsonaro registra um programa muito resumido, centrado em desenvolvimento, saúde, segurança e educação.
São nove nomes, mas sobretudo nove respostas para a mesma pergunta: que Estado deve surgir depois do ciclo político iniciado em 2019?
A DECISÃO DE 4 DE OUTUBRO
No dia 4 de outubro, mais de 2,6 milhões de potiguares terão diante de si uma das eleições estaduais mais abertas do Nordeste.
Allyson tentará realizar um movimento que poucas lideranças políticas conseguem em tão pouco tempo: sair do comando de Mossoró diretamente para o Governo do Estado, apenas oito anos depois da primeira candidatura.
Álvaro Dias buscará coroar uma carreira iniciada há quatro décadas com o único grande cargo estadual que ainda não exerceu.
Cadu tentará transformar experiência técnica, apoio do PT e ligação com os governos estadual e federal em votos numa estreia eleitoral.
Robério Paulino buscará superar o desempenho expressivo de 2014 e voltar a colocar o PSOL no centro do debate estadual.
Arinalda tentará fazer de uma trajetória de luta por moradia uma candidatura de representação popular.
Dário levará às urnas, mais uma vez, o programa socialista do PSTU.
Carlos Jararaca precisará enfrentar simultaneamente a barreira eleitoral e o julgamento de seu registro.
Henrique Lyra tentará ampliar uma presença eleitoral até hoje muito pequena.
Rodrigo de Bolsonaro buscará crescer sobre os 1.045 votos alcançados quando disputou o mesmo cargo quatro anos atrás.
Mas a principal pergunta da eleição parece estar, neste momento, entre três caminhos.
O Rio Grande do Norte estadualiza a força política construída por Allyson em Mossoró?
Entrega o governo à experiência acumulada por Álvaro Dias em Caicó, na Assembleia, em Brasília e em Natal?
Ou mantém o ciclo iniciado com Fátima Bezerra, agora sob o comando de um sucessor técnico representado por Cadu?
A resposta definirá não apenas quem assumirá a Governadoria em 2027.
Definirá também qual força política passará a organizar o Rio Grande do Norte na segunda metade da década.
Nota
Esta reportagem foi fechada em 6 de setembro de 2026.
Foram consultados dados do Tribunal Superior Eleitoral, resultados históricos das eleições, registros de candidatura, declarações patrimoniais, biografias institucionais e documentos dos planos de governo.
A relação considera os nove candidatos que constam na disputa eleitoral. No fechamento, Carlos Jararaca estava com registro indeferido em fase recursal, enquanto Henrique Lyra ainda aparecia aguardando julgamento. As demais situações de registro podem continuar sendo atualizadas pela Justiça Eleitoral.
No caso de Robério Paulino em 2018, há diferença entre o resultado original — no qual ficou como primeiro suplente — e algumas bases atuais, que passaram a classificá-lo como “eleito por média” depois de decisões e retotalizações relacionadas à cassação de Sandro Pimentel. Por isso, a reportagem explica a situação em vez de simplesmente atribuir a Robério um mandato estadual que ele não exerceu como trajetória parlamentar regular.
Votações de candidatos que participaram como vice-prefeito ou vice-governador representam a votação da chapa, já que o vice não recebe votação nominal independente.
Os patrimônios são os valores informados pelos próprios candidatos ao TSE. Comparações entre eleições utilizam valores nominais e não constituem auditoria de patrimônio ou renda.
As propostas são apresentadas como compromissos eleitorais registrados. A matéria não presume viabilidade fiscal, jurídica ou operacional. Medidas que dependem de legislação federal ou alterações constitucionais não podem ser executadas unilateralmente por um governador.
As pesquisas citadas representam a opinião dos entrevistados no momento do trabalho de campo. Diferentes metodologias podem produzir resultados distintos e nenhum levantamento constitui previsão do resultado das urnas.