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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 NO RIO GRANDE DO NORTE: A força de Mossoró, a experiência de Natal e a sucessão petista – quem são, de onde vêm e o que propõem os nove candidatos ao Governo do RN

Allyson tenta transformar duas vitórias consecutivas em Mossoró em liderança estadual; Álvaro Dias chega à disputa com mais de quatro décadas de vida política e passagens pela Assembleia, Câmara Federal e Prefeitura de Natal; Cadu de Lula estreia nas urnas como candidato do grupo governista; Robério Paulino volta à corrida pelo Executivo 12 anos depois; enquanto Arinalda do MLB, Dário Barbosa, Carlos Jararaca, Henrique Lyra e Rodrigo de Bolsonaro completam uma eleição marcada por nove projetos distintos.

Reportagem especial | Atualizada em 6 de setembro de 2026

O Rio Grande do Norte chega às eleições de 2026 diante de uma situação que não ocorria nos dois pleitos estaduais anteriores: o cargo de governador está efetivamente aberto. Depois de dois mandatos consecutivos do grupo liderado por Fátima Bezerra, o eleitor escolherá um novo nome para comandar o Estado entre 2027 e 2030.

São 2.660.565 eleitores distribuídos pelos 167 municípios potiguares. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, se nenhum concorrente alcançar mais da metade dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.

Nove nomes constam na disputa: Allyson (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Arinalda do MLB (UP), Cadu de Lula (PT), Carlos Jararaca (DC), Dário Barbosa (PSTU), Henrique Lyra (PCO), Professor Robério Paulino (PSOL) e Rodrigo de Bolsonaro (Agir).

Há, porém, uma ressalva jurídica. Até o fechamento desta reportagem, sete registros já apareciam deferidos nas bases sincronizadas com o TSE. Carlos Jararaca teve o registro indeferido, recorreu e continua concorrendo enquanto o recurso é apreciado; Henrique Lyra ainda aparecia aguardando julgamento. No caso de Jararaca, o indeferimento ocorreu após a Justiça Eleitoral considerar não apresentada documentação exigida relacionada a processos que tramitam sob segredo de Justiça. A candidatura segue válida durante a fase recursal.

Politicamente, porém, as pesquisas mostram uma competição muito mais concentrada. Allyson, Álvaro Dias e Cadu de Lula formam, até o início de setembro, o primeiro pelotão da corrida estadual.


O retrato dos nove candidatos

CandidatoNascimento / naturalidadePartidoVicePrincipal experiênciaPatrimônio declarado
Allyson12/05/1992 — Mossoró/RNUnião – 44Hermano Morais (MDB)Deputado estadual e prefeito de Mossoró por dois mandatosR$ 748.869,84
Álvaro Dias04/09/1959 — Caicó/RNPL – 22Babá (PL)Vice-prefeito, deputado estadual, deputado federal e prefeito de NatalR$ 2.917.179,51
Arinalda do MLB28/06/1980 — Natal/RNUP – 80Francisco Dias (UP)Trabalhadora doméstica e militante do movimento de moradia; estreia eleitoralR$ 0,00
Cadu de Lula14/06/1978 — Rio de Janeiro/RJPT – 13Larissa Rosado (PSB)Auditor fiscal e ex-secretário estadual da Fazenda; estreia eleitoralR$ 100.000,00
Carlos Jararaca04/12/1963 — Acari/RNDC – 27Pastor Júlio (DC)Duas candidaturas anteriores a deputado estadualR$ 0,00
Dário Barbosa28/05/1953 — Recife/PEPSTU – 16Fernanda Soares (PSTU)Professor; 12 eleições anteriores desde 1994R$ 170.000,00
Henrique Lyra20/04/1985 — Natal/RNPCO – 29André Gustavo (PCO)Candidaturas a deputado estadual e vereadorR$ 228.000,00
Professor Robério Paulino29/05/1957 — Nilópolis/RJPSOL – 50Lenny Grilo (PSOL)Professor da UFRN, ex-vereador de Natal e ex-candidato a governadorR$ 2.194.367,82
Rodrigo de Bolsonaro17/07/1980 — Natal/RNAgir – 36Socorro Batista (Agir)Empresário; candidato a prefeito e a governadorR$ 420.000,00

Os nove candidatos declararam aproximadamente R$ 6,78 milhões em bens. Álvaro Dias aparece com o maior patrimônio, seguido por Robério Paulino e Allyson. Arinalda e Carlos Jararaca não informaram bens no registro de 2026. Isso significa apenas ausência de bens declarados ao TSE, não uma auditoria sobre a situação econômica de cada candidato.


ALLYSON

Da zona rural de Mossoró à liderança das pesquisas estaduais

Allyson Leandro Bezerra Silva nasceu em Mossoró em 12 de maio de 1992. Filho de agricultor e dona de casa, viveu parte da infância no Sítio Chafariz, zona rural do município, e estudou em escola pública.

Fez curso técnico em Edificações no IFRN e graduou-se em Ciência e Tecnologia e Engenharia Civil pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Também concluiu mestrado em Manejo de Solo e Água e tornou-se servidor concursado da Ufersa aos 20 anos. Antes da carreira eleitoral, presidiu o sindicato dos servidores técnico-administrativos da universidade.

Sua ascensão eleitoral foi extremamente rápida.

Em 2018, aos 26 anos, disputou pela primeira vez uma eleição. Recebeu 20.228 votos pelo Solidariedade e foi eleito deputado estadual.

Dois anos depois deixou a Assembleia para enfrentar a então prefeita Rosalba Ciarlini em Mossoró. Venceu com 65.297 votos.

Em 2024, já pelo União Brasil, obteve uma vitória ainda maior: 113.121 votos, garantindo o segundo mandato na prefeitura. Para disputar o governo, deixou antecipadamente o Executivo mossoroense em março de 2026.

Linha do tempo eleitoral de Allyson

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2018Deputado estadualSolidariedade20.228Eleito
2020Prefeito de MossoróSolidariedade65.297Eleito
2024Prefeito de MossoróUnião Brasil113.121Reeleito
2026GovernadorUnião BrasilEm disputa

Até 2026, portanto, Allyson possui um dado eleitoral singular: disputou três eleições e venceu as três.

Histórico partidário eleitoral

Solidariedade → União Brasil

Sua mudança ocorreu antes da eleição municipal de 2024.

Em 2026, lidera a coligação Esperança e Trabalho, que reúne União/PP, Republicanos, MDB, PSD, Avante e a Federação Renovação Solidária. O vice é Hermano Morais, do MDB.

Patrimônio

Allyson declarou R$ 748.869,84, distribuídos em 12 bens. O maior item é um apartamento financiado em Natal, informado por R$ 290.975. Também aparecem um trator agrícola de R$ 160 mil, participações empresariais, terreno, imóvel em Tibau e um automóvel.

EleiçãoPatrimônio nominal declarado
2018R$ 34.100,16
2020R$ 679.086,36
2024R$ 582.092,31
2026R$ 748.869,84

A comparação é nominal e não mede, isoladamente, enriquecimento real.


ÁLVARO DIAS

Mais de quatro décadas de política e a experiência da Prefeitura de Natal

Álvaro Costa Dias nasceu em Caicó em 4 de setembro de 1959. Médico formado pela UFRN, completou 67 anos exatamente um mês antes do primeiro turno.

É o candidato com a mais longa trajetória institucional entre os nove concorrentes.

Sua vida política começou ainda nos anos 1980. Filiou-se ao PMDB em 1983 e foi eleito vice-prefeito de Caicó. Posteriormente ocupou a Secretaria Municipal de Saúde.

Em 1990 chegou à Assembleia Legislativa, iniciando uma sequência de três mandatos estaduais consecutivos. Depois passou pela Câmara dos Deputados, retornou à Assembleia e, já como vice-prefeito de Natal, assumiu a Prefeitura da capital em abril de 2018, após a renúncia de Carlos Eduardo Alves.

Em 2020 foi eleito para permanecer no cargo, obtendo 194.764 votos, 56,58% dos válidos.

Linha do tempo eleitoral de Álvaro Dias

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
1988Vice-prefeito de CaicóPMDBVotação da chapaEleito
1990Deputado estadualPMDB10.871Eleito
1994Deputado estadualPMDB16.368Reeleito
1998Deputado estadualPMDB45.260Reeleito
2002Deputado federalPMDB138.241Eleito
2006Deputado estadualPDT40.040Eleito
2010Vice-governadorPDT160.828 votos da chapaNão eleito
2014Deputado estadualPMDB34.638Eleito
2016Vice-prefeito de NatalPMDB225.741 votos da chapaEleito
2020Prefeito de NatalPSDB194.764 – 56,58%Eleito
2026GovernadorPLEm disputa

Álvaro, portanto, já foi escolhido para cargos ou chapas vencedoras em oito eleições anteriores, além de acumular experiência nos Legislativos estadual e federal e no Executivo da capital.

Histórico partidário eleitoral

Considerando candidaturas e principais filiações:

PMDB/MDB → PDT → PMDB/MDB → PSDB → Republicanos → PL

Em 2026, concorre pelo PL com Babá como vice e lidera a coligação Endireita RN, integrada por PL, Podemos, Novo, Mobiliza e Federação PSDB/Cidadania.

Patrimônio

Álvaro declarou R$ 2.917.179,51, o maior patrimônio entre os candidatos.

São 14 bens, com predominância de propriedades rurais e imóveis, além de veículos e aplicações financeiras. A maior declaração individual é uma propriedade denominada Poço da Pedra, localizada entre Caicó e São João do Sabugi, informada por aproximadamente R$ 605,8 mil.


CADU DE LULA

O técnico da Fazenda que estreia nas urnas tentando suceder o ciclo governista

Carlos Eduardo Xavier, registrado eleitoralmente como Cadu de Lula, nasceu no Rio de Janeiro em 14 de junho de 1978, mas vive no Rio Grande do Norte desde a infância.

Engenheiro de Computação, mestre em Engenharia de Produção pela UFRN e auditor fiscal estadual desde 2005, desenvolveu praticamente toda a trajetória profissional no serviço público.

Foi secretário da Tributação e posteriormente da Fazenda durante os governos de Fátima Bezerra e também presidiu o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, o Comsefaz.

A eleição de 2026 é um salto político considerável: Cadu jamais disputou uma eleição anterior.

Sua candidatura representa a tentativa do PT de manter o Governo do Rio Grande do Norte depois dos dois mandatos consecutivos de Fátima Bezerra.

Linha do tempo eleitoral de Cadu

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2026GovernadorPTPrimeira candidatura

O vice é Larissa Rosado, do PSB, integrante de uma família tradicional da política mossoroense.

Histórico partidário eleitoral

PT

Como esta é sua primeira candidatura, não existe histórico anterior de siglas nas urnas.

Patrimônio

Cadu declarou R$ 100 mil, correspondentes a um único veículo utilitário esportivo compacto.


PROFESSOR ROBÉRIO PAULINO

Do terceiro lugar em 2014 à segunda candidatura ao governo

Robério Paulino Rodrigues nasceu em Nilópolis, no Rio de Janeiro, em 29 de maio de 1957, filho de pais potiguares. Viveu parte da infância e adolescência em Natal.

É economista formado pela USP, doutor em História Econômica pela mesma universidade, realizou pós-doutorado na School of Oriental and African Studies, em Londres, e é professor do Instituto de Políticas Públicas da UFRN.

Em 2014 protagonizou uma das melhores votações já obtidas pelo PSOL numa disputa estadual potiguar: recebeu 129.616 votos e terminou a eleição para governador em terceiro lugar.

Sua trajetória também inclui três disputas proporcionais e duas candidaturas à Prefeitura de Natal.

Linha do tempo eleitoral de Robério Paulino

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2012Prefeito de NatalPSOL13.552Não eleito
2014GovernadorPSOL129.616Não eleito
2016Prefeito de NatalPSOL24.422Não eleito
2018Deputado estadualPSOL18.550Primeiro suplente no resultado original
2020Vereador de NatalPSOL1.886Eleito
2024Vereador de NatalPSOL3.481Suplente
2026GovernadorPSOLEm disputa

O episódio de 2018 exige uma explicação. Robério ficou inicialmente como primeiro suplente do PSOL. Com a posterior cassação do mandato de Sandro Pimentel, algumas bases atuais do TSE passaram a classificá-lo como “eleito por média” após retotalizações. Robério, entretanto, optou pelo mandato de vereador conquistado em 2020 e não construiu sua trajetória política como deputado estadual.

Histórico partidário eleitoral

PSOL em todas as candidaturas registradas.

Patrimônio

Robério declarou R$ 2.194.367,82, o segundo maior patrimônio da corrida. São cinco apartamentos e dois veículos.


ARINALDA DO MLB

Uma trabalhadora doméstica e militante por moradia na primeira eleição

Arinalda Vasconcelos de Medeiros nasceu em Natal em 28 de junho de 1980. Trabalha como diarista e declarou ao TSE a ocupação de empregada doméstica e ensino fundamental incompleto.

Sua trajetória pública foi construída fora dos parlamentos.

Arinalda militou no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e relata ter conhecido a organização durante as mobilizações de ocupações urbanas em Natal. O déficit habitacional e o direito à moradia tornaram-se, por isso, temas centrais de sua candidatura.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2026GovernadoraUPPrimeira candidatura

O candidato a vice é Francisco Dias, também da Unidade Popular.

Histórico partidário eleitoral

UP

Patrimônio

Arinalda não declarou bens à Justiça Eleitoral. Isso corresponde a R$ 0 no cadastro de 2026, sem permitir conclusões adicionais sobre sua situação econômica.


DÁRIO BARBOSA

Doze eleições anteriores e mais de três décadas de presença nas urnas

Dário Barbosa de Melo nasceu no Recife em 28 de maio de 1953. Professor, militante socialista e dirigente histórico do PSTU, é o candidato mais velho da disputa, com 73 anos.

Nenhum concorrente do Rio Grande do Norte em 2026 possui tantas candidaturas anteriores quanto ele.

Sua primeira eleição registrada ocorreu em 1994, quando concorreu a deputado federal. Desde então, disputou Prefeitura de Natal quatro vezes, Governo do Estado duas vezes, Assembleia Legislativa, Câmara Municipal e Senado.

Em nenhuma dessas candidaturas conquistou mandato.

Linha do tempo eleitoral de Dário Barbosa

AnoCargoVotaçãoResultado
1994Deputado federal2.677Não eleito
1996Prefeito de Natal1.254Não eleito
1998Governador8.124Não eleito
2000Prefeito de Natal1.422Não eleito
2002Deputado estadual975Não eleito
2004Prefeito de Natal2.702Não eleito
2008Prefeito de Natal1.692Não eleito
2012Vice-prefeito de Natal13.552 votos da chapaNão eleito
2014Deputado estadual3.819Não eleito
2016Vereador de Natal848Não eleito
2018Governador3.379Não eleito
2022Senador3.072Não eleito
2026GovernadorEm disputa

Histórico partidário

Sua trajetória eleitoral é praticamente integralmente vinculada ao PSTU. Em 2012, aparece formalmente no registro da chapa de Robério Paulino, do PSOL, numa coligação PSOL-PSTU, circunstância que explica a referência ao PSOL em algumas bases eleitorais daquele pleito.

Patrimônio

Dário declarou R$ 170 mil, compostos por uma residência de R$ 120 mil e um veículo de R$ 50 mil.


CARLOS JARARACA

Duas candidaturas proporcionais e a primeira tentativa de ocupar um cargo executivo

Carlos Alberto de Almeida Cavalcante, o Carlos Jararaca, nasceu em Acari em 4 de dezembro de 1963.

Representante comercial e com ensino superior completo, participou de duas eleições anteriores.

Em 2010 concorreu a deputado estadual pelo então PSDC e recebeu 161 votos. Quatro anos depois repetiu a candidatura e alcançou 184 votos.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2010Deputado estadualPSDC161Suplente/não eleito
2014Deputado estadualPSDC184Suplente/não eleito
2026GovernadorDCSub judice

Histórico partidário

PSDC → DC

Nesse caso, não se trata propriamente de uma troca de organização: o Partido Social Democrata Cristão passou a utilizar o nome Democracia Cristã.

Patrimônio

Carlos Jararaca não declarou bens em 2026.

Situação jurídica

Em 3 de setembro, o registro foi indeferido pela Justiça Eleitoral em razão da falta de documentação considerada necessária para comprovar plenamente condição de registrabilidade diante de processos indicados nas certidões.

O candidato recorreu ou permanece dentro da fase recursal e, por isso, continua participando da eleição enquanto não houver decisão definitiva.


HENRIQUE LYRA

Da candidatura de 43 votos à disputa pelo Governo do Estado

Henrique Othon Costa de Lyra nasceu em Natal em 20 de abril de 1985. Engenheiro, possui ensino superior completo e é candidato pelo Partido da Causa Operária.

Sua primeira eleição ocorreu em 2018, quando concorreu a deputado estadual e recebeu 43 votos.

Em 2020 tentou uma cadeira de vereador em Parnamirim, obtendo 3 votos.

Agora entra pela primeira vez em uma eleição majoritária.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2018Deputado estadualPCO43Não eleito
2020Vereador de ParnamirimPCO3Não eleito
2026GovernadorPCOEm disputa

Histórico partidário

PCO em todas as candidaturas.

Patrimônio

Henrique declarou R$ 228 mil, incluindo R$ 200 mil em participação empresarial e dois veículos avaliados conjuntamente em R$ 28 mil.

No fechamento desta reportagem, seu registro ainda aparecia aguardando julgamento.


RODRIGO DE BOLSONARO

Um nome eleitoral conhecido, mas sem parentesco com a família Bolsonaro

Karlo Rodrigo Lucio Vieira, que concorre com o nome de urna Rodrigo de Bolsonaro, nasceu em Natal em 17 de julho de 1980.

Empresário, possui ensino médio completo. Apesar do nome utilizado na campanha, não é integrante nem parente da família do presidente Flávio Bolsonaro.

Sua primeira candidatura ocorreu em 2016, quando concorreu à Prefeitura de João Câmara pelo PSDB. Recebeu 45 votos.

Em 2022, já pelo Democracia Cristã e usando Rodrigo Vieira como nome de urna, concorreu ao Governo do RN e obteve 1.045 votos, cerca de 0,06% dos válidos.

Linha do tempo eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2016Prefeito de João CâmaraPSDB45Não eleito
2022GovernadorDC1.045 – 0,06%Não eleito
2026GovernadorAgirEm disputa

Histórico partidário

PSDB → DC → Agir

Patrimônio

Rodrigo declarou R$ 420 mil, integralmente representados por participações em três empresas.


Quem mudou mais de partido?

Para tornar a comparação objetiva, o quadro abaixo considera os partidos utilizados nas candidaturas eleitorais, acrescentando filiações intermediárias apenas quando são politicamente relevantes.

CandidatoTrajetória partidária eleitoral
AllysonSolidariedade → União Brasil
Álvaro DiasPMDB/MDB → PDT → PMDB/MDB → PSDB → PL
Arinalda do MLBUP
Cadu de LulaPT
Carlos JararacaPSDC → DC (mesma organização após mudança de nome)
Dário BarbosaPSTU
Henrique LyraPCO
Robério PaulinoPSOL
Rodrigo de BolsonaroPSDB → DC → Agir

Álvaro possui a carreira partidária mais diversificada entre os principais concorrentes. Allyson fez uma mudança. Robério, Dário e Henrique apresentam forte continuidade, enquanto Cadu e Arinalda disputam pela primeira vez.


Patrimônio: Álvaro e Robério concentram três quartos do total declarado

PosiçãoCandidatoPatrimônio declarado
Álvaro DiasR$ 2.917.179,51
Professor Robério PaulinoR$ 2.194.367,82
AllysonR$ 748.869,84
Rodrigo de BolsonaroR$ 420.000,00
Henrique LyraR$ 228.000,00
Dário BarbosaR$ 170.000,00
Cadu de LulaR$ 100.000,00
Arinalda do MLBR$ 0,00
Carlos JararacaR$ 0,00

Total declarado: aproximadamente R$ 6,78 milhões.


O QUE PROPÕEM OS NOVE CANDIDATOS

A leitura dos programas registrados no TSE mostra uma eleição muito mais diversa do que as pesquisas sugerem.

Os documentos variam radicalmente de extensão. O plano de Álvaro Dias supera 31 mil palavras; o de Cadu ultrapassa 20 mil; Carlos Jararaca tem mais de 16 mil; Allyson, pouco mais de 7 mil; Robério, 5,6 mil. No extremo oposto está Rodrigo de Bolsonaro, com apenas 461 palavras. O tamanho não mede qualidade, mas ajuda a dimensionar o grau formal de detalhamento apresentado.

Quadro comparativo das principais propostas

CandidatoEducaçãoSaúdeSegurança / infraestruturaEconomia e gestãoMarca predominante
AllysonMaterial e fardamento; reformas; ensino médio do futuro; tecnologia e pacto de aprendizagemRedução permanente das filas; cirurgias eletivas; regionalização; saúde digitalRodovias; terceira ponte de Natal; acesso a Pipa; portos, água e saneamentoGestão por resultados, equilíbrio fiscal e desenvolvimento regionalLevar ao Estado a lógica administrativa apresentada em Mossoró
Álvaro Dias100% do ensino médio estadual em tempo integral; formação profissional regionalSaúde sem Fila; consórcios regionais e rede credenciadaVideomonitoramento inteligente, reconhecimento facial e integração com guardasDesburocratização, redução de taxas e ajuste das contas públicasExperiência administrativa, segurança e reorganização fiscal
Cadu de LulaIntegral, técnica, ciência e tecnologia; valorização e permanênciaFortalecer SUS, regionalizar e reduzir filasInteligência, tecnologia e prevenção territorial da violênciaContinuidade do ciclo atual com indústria, energia, emprego e parceria federalContinuidade governista com perfil técnico
Robério PaulinoCombater analfabetismo, melhorar IDEB e valorizar professoresFortalecimento do serviço públicoInfraestrutura associada a um novo ciclo produtivoPlano acelerado de industrialização e substituição de importaçõesReindustrialização e Estado planejador
Arinalda do MLBConcursos e fortalecimento da educação públicaMais servidores e expansão direta da rede públicaDesmilitarização; inteligência financeira contra crime organizado; moradiaEmpresas públicas, reforma agrária e urbana, frentes de trabalhoPoder popular, habitação e ruptura econômica
Dário BarbosaEscola integralmente pública e valorização dos trabalhadoresSUS público e oposição à privatizaçãoSegurança vinculada a políticas sociais e desmilitarizaçãoReversão de privatizações e programa socialistaRuptura com o capitalismo e centralidade do trabalho
Carlos JararacaInfraestrutura escolar, inovação e qualificaçãoHumanização, gestão e redução de filasIntegração de segurança e modernização tecnológicaResponsabilidade fiscal, empreendedorismo e regionalizaçãoGestão administrativa e desenvolvimento regional
Henrique LyraDiretrizes gerais do programa nacional do PCOAmpliação estatal dos serviços públicosMudanças profundas no modelo policialEstatizações, reforma agrária e agenda trabalhista nacionalPrograma nacional do PCO aplicado ao RN
Rodrigo de Bolsonaro“Excelência na educação” em diretrizes geraisLaboratórios em polos regionais e expansão estruturalSegurança como um dos quatro eixos centraisIncentivos econômicos e parcerias estratégicasPrograma muito enxuto, organizado em quatro eixos

ALLYSON: regionalizar os serviços e reproduzir a lógica de Mossoró

O programa de Allyson reúne 167 propostas.

Na saúde, o candidato propõe criar um programa permanente de redução das filas, ampliar cirurgias eletivas, regionalizar consultas e exames, fortalecer consórcios intermunicipais e integrar prontuários, regulação, laboratórios e assistência farmacêutica numa plataforma estadual de saúde digital.

Na educação, aparecem fornecimento de material escolar, fardamento, tênis e mochila; programa contínuo de reformas das escolas; recomposição da aprendizagem; conectividade; inteligência artificial educacional e maior integração entre ensino médio, educação profissional e mercado de trabalho.

Na infraestrutura, o documento chama atenção por projetos concretos: terceira ponte sobre o Rio Potengi, duplicação e qualificação do acesso à Praia da Pipa, recuperação de rodovias, modernização do Porto de Natal e do Terminal Salineiro de Areia Branca, além de adutoras, barragens e expansão do saneamento.

Sua narrativa eleitoral é direta: o modelo de gestão que afirma ter utilizado em Mossoró pode ser levado aos 167 municípios.

O programa, entretanto, não apresenta orçamento individual, cronograma físico-financeiro nem uma hierarquia completa para todas as 167 medidas, uma limitação importante para quem pretende avaliar previamente o custo e a velocidade de execução.


ÁLVARO DIAS: 455 compromissos e a proposta de “endireitar” o RN

O documento de Álvaro é o mais detalhado formalmente entre os candidatos. São 455 compromissos, organizados em dezenas de áreas.

Na saúde, o principal programa é o Saúde sem Fila, que prevê consórcios intermunicipais e utilização de uma rede pública, filantrópica e privada credenciada para acelerar consultas, exames e cirurgias.

Na educação, o Escola que Transforma pretende levar o modelo de tempo integral a 100% das escolas estaduais de ensino médio, acompanhado por alimentação, esporte, cultura e formação profissional conectada às vocações econômicas regionais.

Na segurança, o plano propõe videomonitoramento inteligente, reconhecimento facial, integração com guardas municipais e investigação patrimonial e financeira do crime organizado.

Na economia, o projeto RN Livre para Crescer propõe desburocratização, dispensa de licenças para atividades consideradas de baixo risco e redução de taxas estaduais.

A lógica central é organizar primeiro as contas e a máquina pública para, depois, recuperar a capacidade de investimento estadual.


CADU: transformar continuidade em uma nova etapa

Cadu não tenta esconder que representa a continuidade.

O próprio programa afirma que pretende partir das realizações dos governos anteriores, manter a parceria com o governo federal e abrir aquilo que chama de uma nova etapa de desenvolvimento.

Na educação, combina tempo integral, formação técnica, ciência, tecnologia, UERN, Fapern, valorização profissional e permanência estudantil.

Na saúde, promete fortalecer o SUS, regionalizar atendimentos e fazer da redução das filas um indicador de efetividade do governo.

Na segurança, a proposta procura combinar firmeza contra o crime, inteligência, integração das instituições e prevenção territorializada das violências.

Na economia, energia renovável, indústria, turismo, agricultura familiar, fruticultura, economia do mar e inovação aparecem como vetores de desenvolvimento.

É a candidatura com maior dependência de uma pergunta eleitoral específica: o eleitor considera positivos os oito anos do ciclo iniciado em 2019 o suficiente para transferir o governo a um candidato que nunca esteve anteriormente nas urnas?


ROBÉRIO PAULINO: reindustrializar o Rio Grande do Norte

O programa de Robério possui uma proposta econômica particularmente identificável.

O candidato argumenta que o Rio Grande do Norte se desindustrializou e passou a importar de outros estados produtos que poderia fabricar localmente. Para enfrentar esse cenário, propõe um Grande Plano Estadual de Industrialização por Substituição de Importações.

A ideia é identificar produtos consumidos pelos potiguares e estimular sua fabricação dentro do próprio estado, usando planejamento público, financiamento, universidades e mão de obra local.

Na educação, coloca entre as prioridades o combate ao analfabetismo, melhoria dos indicadores de aprendizagem, valorização salarial e convocação de concursados.

Sua candidatura tenta ocupar um espaço específico: ser uma alternativa de esquerda ao PT, mas com grande ênfase numa política econômica industrializante e no Estado como planejador.


ARINALDA: moradia como ponto de partida de um projeto socialista

No programa de Arinalda, a experiência pessoal e política da candidata aparece com força.

Moradia é uma prioridade.

A UP defende utilização de imóveis abandonados para reduzir o déficit habitacional, reforma urbana, reforma agrária, fortalecimento da agricultura familiar e criação de uma empresa agrícola estatal.

Também propõe frentes emergenciais de trabalho para executar saneamento, escolas, hospitais, postos de saúde, pavimentação e infraestrutura em bairros pobres.

Na segurança, a candidatura defende desmilitarização, restrições a operações militares em comunidades, inteligência financeira contra organizações criminosas, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher funcionando 24 horas nas regiões e expansão das casas-abrigo.

Algumas propostas trabalhistas do documento — como duplicação geral do salário mínimo, fim da escala 6×1 para todos os trabalhadores e jornada de 30 horas no setor privado — extrapolam as competências constitucionais de um governador e dependeriam de legislação federal.


DÁRIO BARBOSA: uma candidatura explicitamente anticapitalista

O próprio título do programa deixa clara a proposta do PSTU:

“Romper o sistema capitalista — um RN socialista para a classe trabalhadora.”

O candidato defende reversão de privatizações, suspensão de políticas consideradas favoráveis a grandes empresas, expansão dos serviços públicos, valorização salarial, contratação direta de trabalhadores e investimento estatal.

Na saúde e educação, rejeita modelos privados ou terceirizados de administração e propõe ampliar concursos.

A eleição possui, para Dário, também função programática: utilizar o período eleitoral para defender um projeto socialista que apresenta como alternativa simultânea à direita e ao PT.


CARLOS JARARACA: administração moderna e tentativa de afastar-se da polarização

O programa de Carlos Jararaca é relativamente extenso, com mais de 16 mil palavras.

Logo na apresentação, afirma que o Estado deve superar a polarização política e concentrar-se em eficiência administrativa, responsabilidade fiscal e desenvolvimento econômico.

O documento se organiza a partir de cinco pilares: Estado eficiente, desenvolvimento econômico, justiça social, segurança e qualidade de vida e governança orientada por resultados.

Há propostas de modernização administrativa, atração de investimentos, fortalecimento do empreendedorismo, saúde regionalizada, melhoria da infraestrutura educacional e integração das forças de segurança.

Sua dificuldade eleitoral é dupla: ampliar um histórico anterior de votações inferiores a 200 votos e, simultaneamente, superar a questão judicial envolvendo seu registro.


HENRIQUE LYRA: um programa nacional do PCO

Assim como ocorreu com as candidaturas do PCO analisadas em outros estados, o documento de Henrique é essencialmente um programa nacional do partido, e não um planejamento produzido especificamente para os problemas administrativos do Rio Grande do Norte.

O texto possui aproximadamente 2,5 mil palavras e é compartilhado em grande medida com outras candidaturas estaduais do partido.

A agenda inclui estatizações, mudanças trabalhistas, reforma agrária e transformações profundas no sistema econômico e policial.

Parte significativa dessas medidas depende do Congresso Nacional, do governo federal ou de alterações constitucionais, estando fora da competência unilateral do governador.


RODRIGO DE BOLSONARO: o programa mais curto

Rodrigo apresentou o documento mais enxuto da disputa: apenas 461 palavras.

São quatro eixos:

saúde, segurança, desenvolvimento e excelência na educação.

Na saúde, aparece a implantação de laboratórios de análises clínicas nos polos regionais.

Na economia, o plano fala em incentivos, parcerias e investimentos.

Segurança e educação aparecem como diretrizes gerais, com nível de detalhamento significativamente menor que o encontrado nos documentos de Allyson, Álvaro, Cadu ou Carlos Jararaca.


EDUCAÇÃO: tempo integral e profissionalização aproximam os três principais candidatos

A educação produz uma convergência interessante.

Allyson quer conectar o ensino médio à educação profissional, melhorar infraestrutura, oferecer materiais e ampliar tecnologia.

Álvaro estabelece uma meta explícita: 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral.

Cadu associa integralidade, ensino técnico, ciência, inovação e permanência estudantil.

Robério enfatiza combate ao analfabetismo e valorização dos servidores.

Arinalda e Dário defendem expansão direta da escola pública e dos concursos.

Assim, os três candidatos que lideram as pesquisas chegam a um diagnóstico semelhante: a educação estadual precisa aumentar jornada, aprendizagem e ligação com qualificação profissional.

A divergência está em como administrar a rede e financiar essa expansão.


SAÚDE: todos falam em fila; o modelo de solução muda

Também existe um raro consenso sobre o principal problema a enfrentar: filas e concentração dos serviços especializados.

Allyson propõe regionalização permanente e consórcios.

Álvaro lança o Saúde sem Fila, inclusive com utilização da rede credenciada.

Cadu aposta na expansão e integração do SUS estadual.

Robério, Arinalda e Dário defendem maior capacidade pública direta.

Carlos Jararaca fala em gestão, regionalização e humanização.

Rodrigo propõe laboratórios em polos regionais.

A diferença central é semelhante à observada em outros estados: até que ponto o governo deve expandir sua própria estrutura e até que ponto pode contratar capacidade privada para atender rapidamente a população?


A CRISE FISCAL: O PROBLEMA QUE O PRÓXIMO GOVERNADOR NÃO PODERÁ EVITAR

No Rio Grande do Norte, há uma questão que atravessa praticamente todos os programas: a capacidade financeira do Estado.

Relatórios fiscais recentes apontam pressão sobre as contas e baixa margem para novos investimentos, situação reconhecida de formas diferentes pelos candidatos.

Allyson promete uma radiografia completa das contas e afirma que não pretende elevar impostos.

Álvaro coloca ajuste fiscal e reorganização da máquina no início de seu programa.

Cadu argumenta que o Estado já passou por um processo de reorganização financeira nos governos atuais e deve avançar com crescimento e investimentos.

Robério e os candidatos socialistas propõem enfrentar o problema por outra lógica — modificando prioridades, revendo benefícios econômicos ou alterando a estrutura de financiamento do Estado.

A questão é especialmente relevante porque promessas de novos hospitais, escolas, estradas, concursos e políticas sociais dependem diretamente da capacidade de investimento encontrada em janeiro de 2027.


TRÊS TRAJETÓRIAS COMPLETAMENTE DIFERENTES DOMINAM A DISPUTA

O primeiro pelotão apresenta três histórias políticas quase opostas.

Allyson é o candidato da ascensão rápida. Em oito anos, passou de uma primeira eleição para deputado estadual à liderança das pesquisas para governador.

Álvaro representa o extremo contrário: mais de quatro décadas de carreira, sucessivos mandatos legislativos, Câmara Federal, vice-prefeitura e Prefeitura de Natal.

Cadu nunca recebeu um único voto antes de 2026. Sua força não vem de um histórico eleitoral próprio, mas da experiência técnica, do PT, da associação ao governo Lula e da tentativa de continuidade da administração estadual.

Em outras palavras:

Allyson oferece renovação com experiência municipal.

Álvaro oferece experiência acumulada.

Cadu oferece continuidade administrativa sem carreira eleitoral anterior.

É essa diferença que ajuda a dar forma à eleição.


MOSSORÓ, NATAL E O GOVERNO DO ESTADO

Há também uma dimensão territorial.

Allyson construiu sua principal base em Mossoró, segundo maior município do estado, onde recebeu 113 mil votos em 2024.

Álvaro consolidou-se em Natal, onde foi prefeito e obteve quase 195 mil votos em 2020.

Cadu não possui reduto eleitoral próprio, mas parte da estrutura política de um grupo que governa os 167 municípios através do Executivo estadual e de alianças partidárias.

A eleição pode ser lida, portanto, como uma tentativa de responder a uma questão interessante:

Mossoró consegue produzir um governador? Natal recupera o comando estadual? Ou o grupo governista mantém sua presença por meio de um sucessor técnico?


O QUE MOSTRAM AS PESQUISAS NO INÍCIO DE SETEMBRO

O levantamento Exatus, divulgado em 4 de setembro, coloca Allyson na liderança.

CandidatoIntenção de voto
Allyson37,42%
Álvaro Dias20,56%
Cadu de Lula17,96%
Rodrigo de Bolsonaro1,35%
Professor Robério Paulino0,34%
Arinalda do MLB0,08%
Dário Barbosa0,08%
Henrique Lyra0,08%
Carlos Jararacanão citado

A pesquisa ouviu 1.500 eleitores em 55 municípios entre 31 de agosto e 3 de setembro. A margem de erro é de 2,53 pontos percentuais e o nível de confiança, 95%.

O resultado coloca Álvaro e Cadu com intervalos estatísticos sobrepostos, apesar da vantagem numérica do candidato do PL.

Há também uma tendência interessante dentro da própria série Exatus:

PesquisaAllysonÁlvaroCadu
Abril37,3%24,9%10,7%
Maio41,0%22,8%12,6%
Julho41,78%26,05%13,74%
Setembro37,42%20,56%17,96%

Na série, Allyson permanece líder; Cadu apresenta crescimento contínuo e Álvaro registra queda na rodada mais recente.


OUTROS INSTITUTOS CONFIRMAM A LIDERANÇA, MAS NÃO A MESMA DISTÂNCIA

Os levantamentos recentes apresentam diferenças relevantes.

A pesquisa Qualittá, divulgada no início de setembro, mostrou aproximadamente:

Allyson 40,1%
Cadu 19,4%
Álvaro 18,3%.

Já pesquisa Quaest realizada no fim de agosto encontrou uma disputa ainda mais apertada:

Allyson 25%
Cadu 21%
Álvaro 19%.

Nas simulações de segundo turno daquele levantamento, Allyson e Cadu chegaram a aparecer em empate técnico.

Os institutos, portanto, divergem bastante sobre a distância.

Mas há uma conclusão comum às pesquisas mais recentes: Allyson aparece na liderança, enquanto Cadu e Álvaro disputam intensamente a segunda posição.

Pesquisa eleitoral é retrato do período em que as entrevistas foram realizadas, não previsão do resultado de 4 de outubro.


A REJEIÇÃO ADICIONA OUTRA PEÇA AO TABULEIRO

Na pesquisa Exatus, a rejeição apresentou outra configuração:

CandidatoNão votaria de jeito nenhum
Cadu19,50%
Álvaro Dias16,73%
Allyson5,95%

Os intervalos de Cadu e Álvaro se sobrepõem dentro da margem de erro, enquanto Allyson apresenta rejeição numericamente bastante inferior.

Para uma eleição com possibilidade de segundo turno, esse dado pode tornar-se tão importante quanto a intenção de voto.


UMA ELEIÇÃO SEM GOVERNADOR CANDIDATO

O Rio Grande do Norte possui uma característica diferente de Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Bahia e Ceará.

Aqui, o atual ciclo governista precisa encontrar um sucessor.

Fátima Bezerra venceu em 2018 e foi reeleita em primeiro turno em 2022, quando recebeu 1.066.496 votos, 58,31% dos válidos. Depois de dois mandatos consecutivos, não poderia concorrer a um terceiro mandato seguido.

Isso muda completamente a natureza da eleição.

O eleitor não pode simplesmente escolher “reeleger” ou “trocar” a governadora.

Ele precisa decidir se transfere confiança ao sucessor apresentado pelo grupo governista ou entrega o Estado a uma liderança de oposição.

Cadu, portanto, precisa conquistar voto próprio ao mesmo tempo em que herda benefícios e desgastes de oito anos de governo.


NOVE NOMES, TRÊS ESCALAS ELEITORAIS

A diferença de experiência nas urnas é enorme.

Álvaro Dias participa de eleições desde os anos 1980.

Dário Barbosa acumula 12 candidaturas anteriores.

Robério Paulino chega à sétima disputa.

Allyson, embora tenha apenas três eleições anteriores, venceu todas e obteve 113 mil votos em sua última campanha municipal.

Rodrigo já disputou o governo.

Carlos Jararaca teve duas candidaturas proporcionais.

Henrique Lyra disputou duas eleições com 43 e 3 votos.

Arinalda estreia.

Cadu estreia.

Por isso, número de candidaturas anteriores e competitividade atual não caminham necessariamente juntos.

Allyson é justamente o melhor exemplo: possui uma das carreiras mais curtas e, ao mesmo tempo, lidera a maior parte das pesquisas deste início de campanha.


NOVE CANDIDATURAS, DIFERENTES CONCEPÇÕES DE ESTADO

Quando se retiram nomes, slogans e alianças, aparecem diferentes projetos.

Allyson combina gestão por resultados, infraestrutura, regionalização dos serviços e parcerias.

Álvaro Dias associa reorganização fiscal, ambiente de negócios, serviços integrados e uma política de segurança fortemente baseada em tecnologia.

Cadu oferece continuidade do ciclo petista, investimentos públicos, políticas sociais, articulação federal, energia e desenvolvimento territorial.

Robério Paulino defende planejamento público e um projeto explícito de reindustrialização.

Arinalda apresenta habitação, reforma agrária e urbana e ampliação das empresas públicas como instrumentos de transformação.

Dário Barbosa propõe ruptura socialista com o modelo econômico.

Carlos Jararaca oferece uma agenda de eficiência administrativa, inovação e regionalização.

Henrique Lyra apresenta o programa nacional de transformação socialista do PCO.

Rodrigo de Bolsonaro registra um programa muito resumido, centrado em desenvolvimento, saúde, segurança e educação.

São nove nomes, mas sobretudo nove respostas para a mesma pergunta: que Estado deve surgir depois do ciclo político iniciado em 2019?


A DECISÃO DE 4 DE OUTUBRO

No dia 4 de outubro, mais de 2,6 milhões de potiguares terão diante de si uma das eleições estaduais mais abertas do Nordeste.

Allyson tentará realizar um movimento que poucas lideranças políticas conseguem em tão pouco tempo: sair do comando de Mossoró diretamente para o Governo do Estado, apenas oito anos depois da primeira candidatura.

Álvaro Dias buscará coroar uma carreira iniciada há quatro décadas com o único grande cargo estadual que ainda não exerceu.

Cadu tentará transformar experiência técnica, apoio do PT e ligação com os governos estadual e federal em votos numa estreia eleitoral.

Robério Paulino buscará superar o desempenho expressivo de 2014 e voltar a colocar o PSOL no centro do debate estadual.

Arinalda tentará fazer de uma trajetória de luta por moradia uma candidatura de representação popular.

Dário levará às urnas, mais uma vez, o programa socialista do PSTU.

Carlos Jararaca precisará enfrentar simultaneamente a barreira eleitoral e o julgamento de seu registro.

Henrique Lyra tentará ampliar uma presença eleitoral até hoje muito pequena.

Rodrigo de Bolsonaro buscará crescer sobre os 1.045 votos alcançados quando disputou o mesmo cargo quatro anos atrás.

Mas a principal pergunta da eleição parece estar, neste momento, entre três caminhos.

O Rio Grande do Norte estadualiza a força política construída por Allyson em Mossoró?

Entrega o governo à experiência acumulada por Álvaro Dias em Caicó, na Assembleia, em Brasília e em Natal?

Ou mantém o ciclo iniciado com Fátima Bezerra, agora sob o comando de um sucessor técnico representado por Cadu?

A resposta definirá não apenas quem assumirá a Governadoria em 2027.

Definirá também qual força política passará a organizar o Rio Grande do Norte na segunda metade da década.


Nota

Esta reportagem foi fechada em 6 de setembro de 2026.

Foram consultados dados do Tribunal Superior Eleitoral, resultados históricos das eleições, registros de candidatura, declarações patrimoniais, biografias institucionais e documentos dos planos de governo.

A relação considera os nove candidatos que constam na disputa eleitoral. No fechamento, Carlos Jararaca estava com registro indeferido em fase recursal, enquanto Henrique Lyra ainda aparecia aguardando julgamento. As demais situações de registro podem continuar sendo atualizadas pela Justiça Eleitoral.

No caso de Robério Paulino em 2018, há diferença entre o resultado original — no qual ficou como primeiro suplente — e algumas bases atuais, que passaram a classificá-lo como “eleito por média” depois de decisões e retotalizações relacionadas à cassação de Sandro Pimentel. Por isso, a reportagem explica a situação em vez de simplesmente atribuir a Robério um mandato estadual que ele não exerceu como trajetória parlamentar regular.

Votações de candidatos que participaram como vice-prefeito ou vice-governador representam a votação da chapa, já que o vice não recebe votação nominal independente.

Os patrimônios são os valores informados pelos próprios candidatos ao TSE. Comparações entre eleições utilizam valores nominais e não constituem auditoria de patrimônio ou renda.

As propostas são apresentadas como compromissos eleitorais registrados. A matéria não presume viabilidade fiscal, jurídica ou operacional. Medidas que dependem de legislação federal ou alterações constitucionais não podem ser executadas unilateralmente por um governador.

As pesquisas citadas representam a opinião dos entrevistados no momento do trabalho de campo. Diferentes metodologias podem produzir resultados distintos e nenhum levantamento constitui previsão do resultado das urnas.

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