Ciro Gomes tenta voltar ao Governo do Ceará mais de três décadas depois de deixar o cargo; Elmano de Freitas busca um segundo mandato após ter sido eleito em primeiro turno em 2022; Delegado Huggo estreia diretamente em uma disputa majoritária; Vera Lúcia assume a candidatura do Novo depois de duas mudanças na cabeça da chapa; Danilo Soares entra pela primeira vez nas urnas; enquanto Serley Leal, Zé Batista e Ieri Braga apresentam projetos de esquerda com diferentes graus de ruptura econômica e institucional.
Reportagem especial | Atualizada em 6 de setembro de 2026
O Ceará chega ao primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026 com aproximadamente 6,998 milhões de eleitores aptos a votar e oito candidaturas ativas ao Governo do Estado. Caso ninguém obtenha maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Disputam o Palácio da Abolição Ciro Gomes (PSDB), Elmano de Freitas (PT), Delegado Huggo (Missão), Vera Lúcia (Novo), Danilo Soares (Democrata), Serley Leal (UP), Zé Batista (PSTU) e Ieri Braga (PCO). O sistema eleitoral ainda mantém o registro histórico de Pedro Brito, do Novo, mas sua candidatura foi objeto de renúncia e ele não integra mais a lista de concorrentes ativos.
É uma eleição singular porque reorganiza praticamente todo o tabuleiro político que dominou o Ceará nas últimas décadas.
Ciro, que governou o Estado entre 1991 e 1994, retorna ao PSDB e hoje está aliado a PL, União Brasil, PP, DC e Avante. Seu vice é o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, justamente o político que derrotou Elmano de Freitas na eleição municipal de 2012.
Elmano, por outro lado, chega apoiado por uma ampla coligação que reúne, entre outras legendas, PT, PSB, PSD, MDB, PDT, Republicanos e PSOL/Rede. O PDT, partido ao qual Ciro pertenceu durante uma década, está agora na coligação adversária, assim como o senador Cid Gomes, irmão de Ciro.
Não é apenas uma disputa entre situação e oposição. É também uma eleição em que antigos aliados estão em campos opostos e antigos adversários dividem a mesma chapa.
O retrato dos oito candidatos
| Candidato | Nascimento / naturalidade | Partido | Vice | Experiência política principal | Patrimônio declarado |
|---|---|---|---|---|---|
| Ciro Gomes | 06/11/1957 — Pindamonhangaba/SP | PSDB – 45 | Roberto Cláudio (União) | Deputado estadual, prefeito, governador, dois ministérios e deputado federal | R$ 1.756.648,94 |
| Elmano de Freitas | 12/04/1970 — Baturité/CE | PT – 13 | Gabriella Aguiar (PSD) | Deputado estadual por dois mandatos e governador | R$ 366.457,71 |
| Delegado Huggo | 23/02/1989 — Fortaleza/CE | Missão – 14 | Felipe Moreira | Delegado da Polícia Civil; estreia eleitoral | R$ 256.000,00 |
| Vera Lúcia | 31/10/1967 — Recife/PE | Novo – 30 | Cap. Amilton Gomes | Empresária; candidata a vereadora em 2020 | R$ 660.300,00 |
| Danilo Soares | 06/12/1994 — Crateús/CE | Democrata – 35 | Eryck Veloso | Advogado; estreia eleitoral | Não divulgado |
| Serley Leal | 07/12/1981 — Iguatu/CE | UP – 80 | Catherine Teles | Bancário; candidato ao governo em 2022 | R$ 88.094,69 |
| Zé Batista | 10/02/1974 — Iguatu/CE | PSTU – 16 | Ivonete | Operário e sindicalista; candidato ao governo em 2022 | R$ 157.000,00 |
| Ieri Braga | 28/03/1989 — Cuiabá/MT | PCO – 29 | Laerte Silva | Químico; candidato a deputado federal em 2022 | Não declarou bens |
Os valores patrimoniais são aqueles informados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Não constituem auditoria, renda anual nem necessariamente correspondem ao atual valor de mercado dos bens.
CIRO GOMES
Um ex-governador tentando voltar ao Palácio da Abolição 35 anos depois
Ciro Ferreira Gomes nasceu em Pindamonhangaba, São Paulo, em 6 de novembro de 1957, mas foi criado desde a infância em Sobral, no Ceará. Advogado formado pela Universidade Federal do Ceará, chega ao primeiro turno de 2026 com 68 anos e uma das trajetórias políticas mais extensas entre todos os candidatos a governador do país.
Sua carreira atravessa mais de quatro décadas e diferentes níveis de governo.
Foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, ministro da Integração Nacional no primeiro governo Lula e deputado federal. Também concorreu quatro vezes à Presidência da República.
A primeira eleição ocorreu em 1982, quando disputou vaga na Assembleia Legislativa. Posteriormente exerceu mandato. Em 1986, foi novamente eleito deputado estadual.
Em 1988, venceu a Prefeitura de Fortaleza.
Dois anos depois, concorreu ao Governo do Ceará e venceu. Assumiu o Estado em 1991, ainda com apenas 33 anos, permanecendo até 1994.
Depois disso, sua carreira se projetou nacionalmente.
Linha do tempo eleitoral de Ciro Gomes
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1982 | Deputado estadual | PDS | 17.841* | Suplente; posteriormente exerceu mandato |
| 1986 | Deputado estadual | PMDB | 17.602 | Eleito |
| 1988 | Prefeito de Fortaleza | PMDB | 179.274 | Eleito |
| 1990 | Governador do Ceará | PSDB | 1.279.492 | Eleito |
| 1998 | Presidente da República | PPS | 7.426.187 | Não eleito |
| 2002 | Presidente da República | PPS | 10.170.882 | Não eleito |
| 2006 | Deputado federal pelo Ceará | PSB | 667.830 | Eleito |
| 2018 | Presidente da República | PDT | 13.344.371 | 3º lugar |
| 2022 | Presidente da República | PDT | 3.599.287 | 4º lugar |
| 2026 | Governador do Ceará | PSDB | — | Em disputa |
*Os bancos históricos mais antigos apresentam diferenças de padronização para o pleito de 1982. O dado acima segue a série histórica consolidada baseada nos registros eleitorais disponíveis, enquanto a Câmara dos Deputados confirma o posterior exercício do mandato estadual.
Ciro é, entre os oito candidatos, aquele que disputou eleições com maior diversidade territorial: já pediu votos para vereador/deputado no Ceará, Prefeitura de Fortaleza, Governo do Estado, Câmara dos Deputados e Presidência da República.
O caminho partidário de Ciro
Sua trajetória também é a mais extensa em termos partidários:
PDS → PMDB → PSDB → PPS → PSB → PROS → PDT → PSDB
Depois de aproximadamente dez anos no PDT, Ciro deixou a legenda e retornou ao PSDB em outubro de 2025, partido pelo qual havia sido governador nos anos 1990.
A volta ao PSDB simboliza uma mudança política importante.
O candidato que foi ministro de Lula entre 2003 e 2006 chega a 2026 sustentado por uma aliança que inclui PL e União Brasil, enquanto PDT e setores historicamente próximos ao grupo Ferreira Gomes aparecem na coligação de Elmano.
Seu candidato a vice, Roberto Cláudio, também possui peso político próprio: foi prefeito de Fortaleza por dois mandatos e derrotou o próprio Elmano de Freitas na eleição municipal de 2012.
Patrimônio
Ciro declarou R$ 1.756.648,94 em bens em 2026, o maior patrimônio conhecido entre os oito concorrentes atualmente ativos.
A comparação histórica mostra oscilações:
| Eleição | Patrimônio declarado |
|---|---|
| 2006 | aproximadamente R$ 426,8 mil |
| 2018 | aproximadamente R$ 1,69 milhão |
| 2022 | aproximadamente R$ 3,04 milhões |
| 2026 | R$ 1,76 milhão |
A redução em relação a 2022 não significa automaticamente perda patrimonial real, pois declarações eleitorais podem refletir vendas, transferências, atualização — ou falta de atualização — de valores e mudanças na forma de classificar os bens.
ELMANO DE FREITAS
Do movimento popular à Assembleia Legislativa e ao governo em primeiro turno
Elmano de Freitas da Costa nasceu em Baturité em 12 de abril de 1970. Advogado formado pela Universidade Federal do Ceará, tem trajetória ligada aos movimentos sociais, às Comunidades Eclesiais de Base, à advocacia popular e ao Partido dos Trabalhadores.
Antes de conquistar mandato, trabalhou na assessoria jurídica de movimentos sociais, incluindo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, participou da Rede Nacional de Advogados Populares e ocupou funções na administração de Fortaleza durante governos petistas.
Sua primeira grande eleição ocorreu em 2012, quando concorreu à Prefeitura de Fortaleza.
No primeiro turno recebeu 318.262 votos e avançou para a disputa final contra Roberto Cláudio. No segundo, chegou a 576.435 votos, mas foi derrotado.
Dez anos depois, os caminhos voltariam a se cruzar: Roberto Cláudio disputou o Governo do Ceará em 2022 pelo PDT, enquanto Elmano foi lançado pelo PT.
E agora, em 2026, Roberto é justamente o candidato a vice de Ciro Gomes.
Linha do tempo eleitoral de Elmano
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2012 – 1º turno | Prefeito de Fortaleza | PT | 318.262 | Foi ao 2º turno |
| 2012 – 2º turno | Prefeito de Fortaleza | PT | 576.435 | Não eleito |
| 2014 | Deputado estadual | PT | 44.292 | Eleito |
| 2016 | Vice-prefeito de Fortaleza | PT | Votação da chapa | Não eleito |
| 2018 | Deputado estadual | PT | 68.594 | Reeleito |
| 2020 | Prefeito de Caucaia | PT | 13.018 | Não eleito |
| 2022 | Governador | PT | 2.808.300 – 54,02% | Eleito em 1º turno |
| 2026 | Governador | PT | — | Busca a reeleição |
O resultado de 2022 foi particularmente significativo. Elmano chegou àquela eleição sem nunca ter exercido um cargo executivo eletivo e venceu o governo já no primeiro turno, superando a marca de 2,8 milhões de votos.
O caminho partidário
Diferentemente de Ciro, Elmano possui uma trajetória de absoluta continuidade:
PT → PT → PT → PT → PT
É filiado ao Partido dos Trabalhadores desde o fim da década de 1980 e todas as suas candidaturas ocorreram pela mesma legenda.
Em 2026, lidera a coligação Ceará Forte do Lado Certo, que reúne um espectro partidário bastante amplo: PSB, PDT, Podemos, Mobiliza, PT, PCdoB, PV, Republicanos, PSD, MDB, PRD, Solidariedade, PSOL e Rede.
Sua candidata a vice é Gabriella Aguiar (PSD), atual vice-prefeita de Fortaleza.
Patrimônio
Elmano declarou R$ 366.457,71 em 2026.
Na eleição de 2022, havia declarado cerca de R$ 72,2 mil.
| Eleição | Patrimônio declarado |
|---|---|
| 2012 | R$ 73,6 mil |
| 2014 | R$ 122,2 mil |
| 2016 | R$ 33,5 mil |
| 2018 | R$ 21,7 mil |
| 2020 | R$ 20,2 mil |
| 2022 | R$ 72,2 mil |
| 2026 | R$ 366,5 mil |
Os valores são nominais e correspondem às declarações apresentadas em cada eleição, sem correção monetária.
DELEGADO HUGGO
A primeira eleição de um candidato que chega diretamente à disputa pelo governo
Huggo Leonardo de Lima Anastacio, conhecido eleitoralmente como Delegado Huggo, nasceu em Fortaleza em 23 de fevereiro de 1989.
É formado em Direito, possui especialização jurídica e integra a Polícia Civil do Ceará desde 2018. Antes, teve atuação na Polícia Militar e no Tribunal de Justiça do Ceará.
Sua candidatura pelo Partido Missão representa uma das maiores mudanças de escala política desta eleição: Huggo não possui mandato nem candidatura anterior registrada no histórico eleitoral e estreia diretamente na disputa pelo Governo do Estado.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador | Missão | — | Primeira candidatura |
O vice é Felipe Moreira, também do Missão.
Patrimônio
Huggo declarou R$ 256 mil:
- terreno no Trairi: R$ 170 mil;
- Volkswagen Polo Track: R$ 86 mil.
VERA LÚCIA
De candidata a vice a cabeça de chapa após uma sequência de substituições
Vera Lucia da Silva nasceu no Recife em 31 de outubro de 1967. Empresária e formada em Administração, será a única mulher entre os oito candidatos a governador do Ceará em 2026.
Sua história na eleição começou de maneira completamente diferente.
O Novo inicialmente trabalhava com a candidatura do senador Eduardo Girão. Girão deixou a corrida estadual ao aceitar disputar a Vice-Presidência da República na chapa de Romeu Zema.
O partido então lançou o advogado Pedro Brito ao governo, com Vera como vice.
Pedro posteriormente renunciou.
Vera passou de candidata a vice para candidata ao Governo do Estado, e o Novo escolheu Cap. Amilton Gomes para completar a chapa.
Sua única eleição anterior ocorreu em 2020.
Linha do tempo eleitoral de Vera Lúcia
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2020 | Vereadora de Fortaleza | Novo | 325 | Não eleita |
| 2026 | Governadora | Novo | — | Em disputa |
Histórico partidário
Nas eleições:
Novo → Novo
Patrimônio
Vera declarou R$ 660.300,00, o segundo maior valor patrimonial divulgado entre os concorrentes ativos.
DANILO SOARES
Aos 31 anos, um advogado de Crateús estreia diretamente numa eleição estadual
Danilo Soares Sousa nasceu em Crateús em 6 de dezembro de 1994.
Advogado trabalhista, concluiu a formação jurídica depois de passar por Sobral e Fortaleza. Filiou-se ao Democrata meses antes da eleição e foi escolhido pela legenda para disputar o Governo do Estado.
A candidatura representa sua primeira experiência eleitoral.
Seu vice é Eryck Veloso, administrador e integrante da mesma legenda.
Linha do tempo
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador | Democrata | — | Primeira candidatura |
Patrimônio
No cadastro eleitoral consultado, Danilo optou por não divulgar os bens, e por isso não é adequado classificá-lo como candidato de patrimônio zero. O valor aparece como “não divulgado”.
SERLEY LEAL
Do PT à Unidade Popular e a segunda tentativa de chegar ao governo
Serley de Souza Leal nasceu em Iguatu em 7 de dezembro de 1981. Bancário e economiário, possui ensino superior completo e participou da organização da Unidade Popular no Ceará.
Sua primeira candidatura ocorreu em 2012, quando disputou vaga de vereador em Fortaleza pelo PT e recebeu 460 votos.
Depois migrou para a Unidade Popular.
Em 2020 integrou como vice a chapa de Paula Colares à Prefeitura de Fortaleza. A candidatura recebeu 893 votos.
Dois anos depois, foi candidato ao Governo do Ceará e recebeu 1.881 votos.
Em 2026 volta à disputa, desta vez com Catherine Teles como vice.
Linha do tempo eleitoral de Serley Leal
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2012 | Vereador de Fortaleza | PT | 460 | Não eleito |
| 2020 | Vice-prefeito de Fortaleza | UP | 893 votos da chapa | Não eleito |
| 2022 | Governador | UP | 1.881 | Não eleito |
| 2026 | Governador | UP | — | Em disputa |
Histórico partidário
PT → UP
Patrimônio
Serley declarou R$ 88.094,69, distribuídos entre veículo, previdência privada, aplicações e outros ativos financeiros.
ZÉ BATISTA
O operário da construção civil que volta à disputa pelo Governo do Ceará
José Batista Neto, o Zé Batista, nasceu em Iguatu em 10 de fevereiro de 1974.
Trabalhador da construção civil e sindicalista, possui ensino fundamental incompleto e é filiado ao PSTU desde o fim dos anos 1990.
Sua primeira candidatura registrada ocorreu em 2020, para vereador de Fortaleza. Recebeu 156 votos.
Em 2022 disputou o Governo do Ceará, alcançando 1.507 votos.
Em 2024 tentou a Prefeitura de Fortaleza, quando recebeu 615 votos.
Agora retorna ao governo, tendo a professora Ivonete como vice.
Linha do tempo eleitoral de Zé Batista
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2020 | Vereador de Fortaleza | PSTU | 156 | Não eleito |
| 2022 | Governador | PSTU | 1.507 | Não eleito |
| 2024 | Prefeito de Fortaleza | PSTU | 615 | Não eleito |
| 2026 | Governador | PSTU | — | Em disputa |
Histórico partidário
PSTU em todas as candidaturas.
Patrimônio
Zé Batista declarou R$ 157 mil:
- casa: R$ 140 mil;
- veículo: R$ 17 mil.
IERI BRAGA
Um químico que deixa uma candidatura no Distrito Federal para disputar o Ceará
Ieri de Sousa Braga Junior nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, em 28 de março de 1989.
Químico, possui ensino superior completo e concorre pelo Partido da Causa Operária.
Sua única disputa anterior identificada ocorreu em 2022, quando foi candidato a deputado federal pelo PCO no Distrito Federal. Recebeu 53 votos.
Quatro anos depois, aparece como candidato ao Governo do Ceará, tendo Laerte Silva como vice.
Linha do tempo eleitoral
| Ano | Cargo | Estado | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|
| 2022 | Deputado federal | Distrito Federal | PCO | 53 | Não eleito |
| 2026 | Governador | Ceará | PCO | — | Em disputa |
Histórico partidário
PCO nas duas candidaturas.
Patrimônio
Ieri Braga não declarou bens à Justiça Eleitoral em 2026.
Quem mudou mais de partido?
A trajetória partidária oferece uma das comparações mais interessantes:
| Candidato | Histórico partidário eleitoral/político |
|---|---|
| Ciro Gomes | PDS → PMDB → PSDB → PPS → PSB → PROS → PDT → PSDB |
| Elmano de Freitas | PT |
| Delegado Huggo | Missão |
| Vera Lúcia | Novo |
| Danilo Soares | Democrata |
| Serley Leal | PT → UP |
| Zé Batista | PSTU |
| Ieri Braga | PCO |
Ciro é, de longe, o candidato com maior número de mudanças partidárias.
Elmano, Zé Batista e os candidatos do PCO apresentam o extremo oposto: forte continuidade de legenda.
Patrimônio: o que declararam à Justiça Eleitoral
| Posição* | Candidato | Patrimônio informado |
|---|---|---|
| 1º | Ciro Gomes | R$ 1.756.648,94 |
| 2º | Vera Lúcia | R$ 660.300,00 |
| 3º | Elmano de Freitas | R$ 366.457,71 |
| 4º | Delegado Huggo | R$ 256.000,00 |
| 5º | Zé Batista | R$ 157.000,00 |
| 6º | Serley Leal | R$ 88.094,69 |
| 7º | Ieri Braga | Nenhum bem declarado |
| — | Danilo Soares | Bens não divulgados |
*O ranking considera apenas candidatos com patrimônio divulgado.
Os sete candidatos cujos valores são conhecidos somam aproximadamente R$ 3,28 milhões em bens declarados. Danilo fica fora dessa soma porque seu patrimônio não está disponível para divulgação no registro consultado.
O QUE PROPÕEM OS OITO CANDIDATOS
O exame dos programas demonstra que a eleição possui uma polarização muito maior nas pesquisas do que nas propostas.
Há visões profundamente diferentes sobre segurança, tamanho do Estado, participação privada na prestação de serviços, educação, desenvolvimento industrial e proteção social.
Quadro comparativo das principais propostas
| Candidato | Educação | Saúde | Segurança | Economia e gestão | Marca do programa |
|---|---|---|---|---|---|
| Ciro Gomes | Ensino médio integrado ao técnico; formação digital e tecnológica | Regionalizar SUS, integrar policlínicas e hospitais e reduzir filas | Mais efetivos, delegacias nos municípios, inteligência, câmeras e investigação financeira das facções | Polos industriais e tecnológicos no interior; Pecém; logística; simplificação fiscal | Retomar protagonismo econômico com segurança e regionalização |
| Elmano | Continuidade do tempo integral/profissional, inclusão e políticas educacionais integradas | Ampliação do acesso e regionalização, tecnologia e continuidade da rede pública | Prevenção + inteligência + cidadania | Empreendedorismo inclusivo, transformação digital, sustentabilidade e proteção social | Continuidade com inovação e ampliação das políticas do primeiro mandato |
| Delegado Huggo | Recuperação da aprendizagem, ensino técnico territorializado e projetos cívicos | Regionalização, redução de filas e expansão especializada no interior | Reestruturação institucional, inteligência integrada e endurecimento contra facções | Reforma administrativa, agroindustrialização e metas | Gestão por resultados com segurança como eixo central |
| Vera Lúcia | Voucher para creches; escolas cívico-militares; cursos técnicos | Filas transparentes, telemedicina e gestão hospitalar técnica | Presídio de segurança máxima, Raio estadual e novas Delegacias da Mulher | Reduzir secretarias e ICMS; liberdade econômica e metas | Estado administrativo menor e forte agenda de segurança |
| Danilo Soares | Ensino técnico vinculado às vocações regionais e recomposição | Fixação de especialistas no interior; Telessaúde; fila transparente | Inteligência financeira contra facções e prevenção | Interiorização industrial e desenvolvimento das 14 regiões | Regionalização como eixo de governo |
| Serley Leal | Educação pública, valorização docente e maior participação popular | Fortalecimento público e redução de terceirizações | Câmeras corporais, prevenção e controle da força policial | Banco estadual, frentes públicas de trabalho e empresas estatais | Estado forte e participação popular |
| Zé Batista | Escola pública, tempo integral e oposição à militarização | SUS totalmente público e fim da gestão por OSs | Segurança associada a políticas sociais e mudanças estruturais | Reestatização, Tarifa Zero, emprego público e agenda trabalhista | Programa socialista centrado nos trabalhadores |
| Ieri Braga | Programa nacional pouco detalhado para a rede estadual | Programa não territorializado especificamente para o Ceará | Propõe dissolução das PMs no programa nacional | R$ 7,5 mil de salário mínimo, jornada de 35h e estatizações | Programa nacional do PCO aplicado à eleição estadual |
As propostas são compromissos eleitorais. Algumas — especialmente alterações trabalhistas nacionais, definição de salário mínimo federal ou mudanças constitucionais profundas na organização policial — não podem ser implementadas unilateralmente por um governador.
CIRO: segurança, desenvolvimento industrial e recuperação do protagonismo
O programa de Ciro possui cerca de 40 páginas e articula seis grandes eixos.
Na saúde, propõe fortalecer a regionalização do SUS, integrando atenção básica, policlínicas, hospitais regionais e unidades de alta complexidade. O objetivo declarado é diminuir filas de consultas, exames e cirurgias utilizando expansão da oferta, gestão por resultados e tecnologias digitais.
Na educação, o foco aparece na ampliação da integração entre ensino médio e formação técnica/profissional, especialmente para os jovens do interior.
Durante a campanha, Ciro também passou a defender uma espécie de revolução digital nas escolas, com maior presença de inteligência artificial, desenvolvimento de aplicativos e domínio tecnológico pelos estudantes.
Segurança ocupa posição central. O candidato propõe:
- ampliar efetivos da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Científica e Polícia Penal;
- integrar câmeras públicas e privadas;
- utilizar sistemas de reconhecimento e grandes bases de dados;
- instalar ou estruturar delegacias em todos os municípios;
- ampliar Delegacias da Mulher;
- fortalecer Patrulha Maria da Penha;
- aumentar inteligência policial;
- atacar lavagem de dinheiro, empresas de fachada e financiamento das facções.
Na economia, Ciro recupera um tema historicamente associado à sua atuação política: industrialização.
O plano fala em polos industriais e tecnológicos no interior, diversificação das cadeias produtivas, economia criativa, transição energética, fortalecimento do Pecém e integração entre rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
A promessa é recuperar aquilo que sua campanha chama de protagonismo econômico do Ceará, sem aumento da carga tributária.
ELMANO: continuidade, inclusão social e modernização do Estado
O programa de Elmano possui 56 páginas e é construído claramente como projeto de segundo mandato.
Seu argumento central é que os quatro primeiros anos criaram bases que agora devem ser ampliadas.
O documento combina:
continuidade de políticas sociais + investimentos em infraestrutura + digitalização + economia verde + desenvolvimento territorial.
Na segurança, propõe integrar prevenção da violência, inteligência policial e cidadania. A estratégia procura manter investimentos nas forças policiais, mas também associar segurança a políticas sociais, direitos humanos e prevenção.
Na economia, o plano destaca empreendedorismo inclusivo, microcrédito, capital semente e oportunidades específicas para jovens, mulheres, pescadores, trabalhadores autônomos e populações vulneráveis.
Também aparecem transição energética, Complexo do Pecém, infraestrutura logística, transformação digital e atração de setores intensivos em tecnologia.
Na educação, a candidatura pretende aprofundar o modelo de educação integral e profissional, associado às necessidades econômicas das diferentes regiões.
Na saúde, a linha predominante é ampliar a regionalização, a capacidade especializada e a integração tecnológica da rede pública.
A principal diferença política em relação a Ciro está justamente no argumento eleitoral:
Ciro pede mudança. Elmano pede continuidade com expansão.
DELEGADO HUGGO: segurança e cobrança por resultados
O programa de Huggo procura construir uma identidade de candidatura baseada em metas, responsabilização administrativa e segurança pública.
Na segurança, aparecem propostas de reorganização das estruturas estaduais, maior integração de inteligência, mudanças no modelo operacional das forças policiais, fortalecimento da Polícia Penal e ampliação da capacidade prisional.
O documento também defende maior integração entre ações policiais e combate financeiro às organizações criminosas.
Na educação, há propostas de recuperação da aprendizagem, ensino técnico conectado às regiões e projetos de disciplina e cidadania.
Na saúde, o candidato fala em regionalizar serviços, reduzir filas e expandir especialidades para fora de Fortaleza.
Na economia, o eixo é desenvolvimento produtivo regional, com destaque para agroindustrialização, infraestrutura e melhoria do ambiente administrativo.
VERA LÚCIA: menos secretarias, menor ICMS e segurança em primeiro lugar
Vera apresenta uma das propostas mais claramente identificáveis em termos administrativos.
O plano prevê reduzir em 50% o número de secretarias estaduais e diminuir, em média, a carga de ICMS de 20% para 18%.
A candidata também propõe gestão por metas, premiação por desempenho e seleção técnica para cargos de direção.
Na segurança, propõe:
- presídio estadual de segurança máxima;
- operações integradas contra territórios dominados por facções;
- metas regionais de redução de homicídios;
- expansão do Raio para todo o Ceará;
- oito novas Delegacias da Mulher.
Na saúde, defende uma fila pública e transparente para exames e cirurgias, teleconsulta, tele-UTI e seleção técnica para administrar hospitais.
Na educação estão algumas das propostas mais distintivas: voucher educacional para creches, escolas cívico-militares nas 14 macrorregiões e expansão de cursos técnicos, inclusive por instituições privadas credenciadas.
O projeto representa, entre os oito, uma das concepções mais claras de redução da estrutura administrativa e ampliação do papel de instrumentos privados e de mercado.
DANILO SOARES: governar a partir das regiões
Danilo tenta construir sua candidatura em torno de um conceito: o Ceará não deve ser administrado apenas a partir de Fortaleza.
Seu programa, chamado “O Ceará Inteiro”, utiliza as regiões de planejamento como base para políticas públicas.
Na saúde, propõe mecanismos para atrair e manter médicos especialistas no interior, ampliar residências regionais, Telessaúde e tornar a fila de regulação mais transparente.
Na educação, defende cursos técnicos ajustados às vocações econômicas de cada território, recomposição da aprendizagem e atenção à saúde mental no ambiente escolar.
Na segurança, prioriza investigação financeira das organizações criminosas, tecnologia e prevenção para jovens.
A economia também segue a lógica territorial: interiorização industrial, agroindústrias, infraestrutura hídrica e incentivos ligados às características de cada região.
SERLEY: emprego público, empresas estatais e participação popular
A candidatura da Unidade Popular apresenta um dos programas de maior intervenção econômica direta do Estado.
Serley defende frentes de trabalho capazes de gerar dezenas de milhares de empregos, criação ou fortalecimento de empresas públicas, um banco estadual de desenvolvimento e maior participação popular na definição do orçamento.
Na educação, propõe valorização profissional, redução da precarização dos contratos e fortalecimento da escola pública.
Na saúde, defende aumentar a participação direta do Estado e reduzir terceirizações.
Na segurança, apresenta uma abordagem diferente daquela de Ciro, Huggo e Vera: câmeras corporais, controle da letalidade policial, prevenção social e maior responsabilização das forças de segurança.
A mobilidade também aparece com propostas de redução progressiva do custo do transporte, chegando à gratuidade para determinados grupos.
ZÉ BATISTA: trabalho, transporte gratuito e fim das privatizações
O PSTU apresenta um programa explicitamente socialista.
Entre os principais pontos estão:
- aumento dos salários;
- criação de renda para desempregados;
- auditoria da dívida estadual;
- fim de benefícios fiscais a grandes empresas;
- reversão de privatizações;
- contratação direta de servidores;
- Tarifa Zero;
- fortalecimento dos serviços integralmente públicos.
Na educação, Zé Batista é contrário à militarização das escolas e defende expansão do tempo integral e da estrutura pública.
Na saúde, propõe eliminar modelos privados de gestão, incluindo Organizações Sociais, e realizar concursos para recompor as equipes do SUS.
Parte do programa inclui também alterações na legislação trabalhista e previdenciária nacional — medidas que dependem da União e do Congresso e não poderiam ser executadas exclusivamente pelo governo cearense.
IERI BRAGA: um programa nacional do PCO
O caso de Ieri é semelhante ao observado em candidaturas do PCO em outros estados.
O documento registrado é essencialmente um programa político nacional, e não um planejamento administrativo construído especificamente para o Ceará.
Defende, entre outras medidas:
- salário mínimo de R$ 7,5 mil;
- jornada de trabalho de 35 horas;
- estatização de setores considerados estratégicos;
- reforma agrária;
- mudanças estruturais no sistema financeiro;
- dissolução das Polícias Militares.
Boa parte dessas medidas está fora das competências constitucionais de um governador.
Assim, a candidatura funciona principalmente como instrumento de divulgação do programa nacional do partido e possui menor detalhamento sobre hospitais, estradas, escolas ou estruturas especificamente cearenses.
SEGURANÇA PÚBLICA: O GRANDE DIVISOR DA ELEIÇÃO
Segurança aparece com intensidade incomum nos programas de 2026.
Ciro, Huggo e Vera apresentam propostas de reforço operacional, inteligência e repressão às facções.
Elmano combina fortalecimento policial com prevenção e políticas de cidadania.
Danilo associa inteligência financeira, polícia territorial e prevenção.
Serley propõe maior controle sobre as forças policiais e prevenção social.
Zé Batista e Ieri vinculam a violência a uma crítica estrutural ao modelo econômico e à organização policial.
A diferença não está, portanto, em reconhecer o problema.
Todos reconhecem.
A divergência está em qual combinação de polícia, tecnologia, encarceramento, inteligência, políticas sociais e controle da atividade policial deve ser utilizada.
A própria campanha ocorre em um ambiente no qual autoridades eleitorais e policiais investigam tentativas de interferência de organizações criminosas no processo político em diferentes municípios do Ceará, o que aumenta ainda mais o peso do tema.
EDUCAÇÃO: DO ENSINO TÉCNICO À ESCOLA CÍVICO-MILITAR
Há convergência maior na defesa da educação profissional.
Ciro quer integrar ensino médio, formação técnica e economia regional.
Elmano procura ampliar uma estrutura estadual que já possui forte presença de escolas profissionais e de tempo integral.
Huggo e Danilo também associam formação técnica às vocações econômicas dos territórios.
Vera acrescenta vouchers para creches e escolas cívico-militares.
Serley e Zé Batista defendem maior presença direta do Estado, valorização profissional e rejeitam modelos de terceirização ou militarização.
Ieri apresenta propostas menos territorializadas para a rede estadual.
A palavra “educação profissional” é, portanto, quase um consenso.
O modelo de escola e de gestão não é.
SAÚDE: REGIONALIZAR É O PONTO DE MAIOR CONVERGÊNCIA
Praticamente todos os candidatos identificam um problema semelhante: a necessidade de reduzir deslocamentos de pacientes do interior para Fortaleza.
Ciro propõe integração entre policlínicas, hospitais regionais e alta complexidade.
Elmano promete ampliar a rede regional existente.
Huggo e Danilo enfatizam especialistas e capacidade hospitalar no interior.
Vera aposta em telemedicina, gestão técnica e filas transparentes.
Serley e Zé Batista acrescentam outra discussão: quem deve administrar esses serviços, defendendo maior presença direta do poder público e menor participação privada.
Assim, regionalizar aparece como consenso.
A disputa está em como fazer e quem deve prestar o serviço.
UMA ELEIÇÃO QUE REORGANIZA A HISTÓRIA POLÍTICA DO CEARÁ
Talvez a característica mais interessante da eleição de 2026 seja a reorganização das alianças.
Durante décadas, Ciro esteve associado a um bloco político que governou o Ceará direta ou indiretamente em diferentes períodos.
Hoje, parte desse antigo campo está fragmentada.
Ciro regressou ao PSDB e construiu uma aliança com partidos de centro e direita.
Roberto Cláudio, ex-PDT, tornou-se seu vice.
O PDT, por outro lado, integra a coligação de Elmano.
Cid Gomes está no campo de Elmano.
E o PT, que em outros momentos esteve aliado ao grupo Ferreira Gomes, agora enfrenta diretamente Ciro.
O Ceará chega a 2026, portanto, não apenas diante de uma disputa pelo governo.
Está diante de uma reorganização de um sistema político que atravessou várias décadas.
CIRO X ELMANO: EXPERIÊNCIA CONTRA CONTINUIDADE
Os dois líderes da corrida chegam às urnas de pontos quase opostos.
Ciro é o candidato com a carreira mais longa.
Governou o Ceará antes mesmo de Elmano disputar sua primeira eleição.
Foi ministro em dois governos federais diferentes.
Concorreu quatro vezes à Presidência.
Já Elmano possui uma carreira eleitoral muito mais curta, mas possui a vantagem que Ciro não tem atualmente: é o governador em exercício.
Ciro pode apontar para realizações históricas e para experiências nacionais.
Elmano pode ser julgado por obras, programas, indicadores e dificuldades concretas dos quatro anos mais recentes.
Ciro pergunta ao eleitor se o Ceará precisa de mudança e retomada de um modelo de desenvolvimento associado a sua trajetória.
Elmano pergunta se o Estado deve preservar e ampliar o ciclo iniciado em 2023.
O QUE MOSTRAM AS PESQUISAS DE SETEMBRO
As pesquisas mais recentes concordam que Ciro e Elmano concentram a disputa, mas discordam sobre o tamanho da diferença entre os dois.
Datafolha — 3 de setembro
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Ciro Gomes | 46% |
| Elmano de Freitas | 37% |
O instituto ouviu 1.204 eleitores entre 31 de agosto e 2 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Em eventual segundo turno:
Ciro 50% x Elmano 42%.
Quaest — 4 de setembro
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Ciro Gomes | 45% |
| Elmano de Freitas | 34% |
| Delegado Huggo | 1% |
| Demais candidatos | 0% |
Foram entrevistados 900 eleitores, com margem de erro de três pontos.
Atlas/Focus — 4 de setembro
O levantamento encontrou um cenário diferente:
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Ciro Gomes | 48,4% |
| Elmano de Freitas | 45,8% |
A diferença é de apenas 2,6 pontos percentuais, e o próprio levantamento classifica os dois como em empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos.
Foram ouvidos 1.834 eleitores entre 28 de agosto e 2 de setembro.
TRÊS PESQUISAS, DUAS LEITURAS
A comparação é jornalisticamente relevante.
Datafolha e Quaest mostram Ciro com vantagem clara.
Atlas/Focus aponta uma eleição praticamente empatada.
Isso não significa necessariamente que algum instituto esteja “errado”. Métodos de coleta, amostragem, período das entrevistas e modelagem estatística podem produzir resultados diferentes.
O ponto seguro neste início de setembro é outro:
a eleição está fortemente concentrada em Ciro e Elmano, enquanto as seis demais candidaturas ainda aparecem com participação muito pequena nas pesquisas estimuladas.
UMA DIFERENÇA GIGANTESCA DE ESCALA ELEITORAL
As trajetórias anteriores ajudam a dimensionar o desafio dos candidatos.
Ciro já recebeu 13,3 milhões de votos numa única eleição presidencial.
Elmano recebeu 2,8 milhões no Ceará em 2022.
Vera teve 325 votos em sua única eleição anterior.
Serley recebeu 1.881 quando concorreu ao governo.
Zé Batista recebeu 1.507.
Ieri Braga teve 53 votos em sua candidatura proporcional.
Huggo e Danilo nunca disputaram eleição.
Isso explica por que, embora existam oito nomes na urna, dois começam a campanha com níveis de conhecimento público, estrutura e experiência eleitoral incomparavelmente maiores.
OITO CANDIDATURAS, DIFERENTES IDEIAS DE ESTADO
Retirados os slogans, é possível organizar os projetos em diferentes concepções.
Ciro Gomes combina desenvolvimento industrial, Estado planejador, gestão técnica e política de segurança mais dura.
Elmano de Freitas oferece continuidade de políticas sociais e de investimentos, acompanhada de modernização digital e desenvolvimento sustentável.
Delegado Huggo aposta em gestão por metas, reorganização institucional e segurança.
Vera Lúcia propõe redução da máquina administrativa, menor tributação, parceria com o setor privado e forte endurecimento na segurança.
Danilo Soares coloca a regionalização no centro do planejamento.
Serley Leal defende ampliação da atuação econômica direta do Estado e participação popular.
Zé Batista apresenta um programa socialista centrado em trabalho, serviços inteiramente públicos e oposição às privatizações.
Ieri Braga utiliza a eleição para apresentar o programa nacional do PCO, com propostas de transformação estrutural do sistema econômico.
São oito nomes.
Mas são também oito respostas diferentes para uma pergunta comum: que tipo de Estado deve governar o Ceará entre 2027 e 2030?
A DECISÃO DE 4 DE OUTUBRO
Em 4 de outubro, quase sete milhões de eleitores cearenses poderão escolher entre continuidade, retorno, renovação e projetos de ruptura.
Ciro Gomes tentará fazer algo politicamente incomum: voltar ao Governo do Ceará mais de três décadas depois de tê-lo comandado.
Elmano de Freitas tentará demonstrar que a vitória em primeiro turno de 2022 não foi circunstancial e que seu governo merece mais quatro anos.
Delegado Huggo buscará transformar experiência policial em capital eleitoral.
Vera Lúcia tentará consolidar uma candidatura que nasceu após duas substituições dentro do Novo.
Danilo Soares buscará fazer de sua primeira eleição uma disputa estadual competitiva.
Serley e Zé Batista voltarão à urna quatro anos depois com projetos socialistas distintos.
Ieri Braga tentará ampliar no Ceará a presença eleitoral do PCO.
Mas a eleição possui ainda uma camada histórica.
Ela coloca frente a frente um ex-governador que simbolizou uma geração da política cearense e o governador que representa a configuração política que emergiu depois da ruptura daquele antigo grupo.
Por isso, a disputa de 2026 pode terminar significando muito mais do que a escolha de quem ocupará o Palácio da Abolição.
Ela poderá definir qual ciclo político terá força para organizar o Ceará na segunda metade desta década.
Nota
Esta reportagem foi fechada em 6 de setembro de 2026.
Foram consultados registros públicos do Tribunal Superior Eleitoral e do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, resultados históricos das eleições, biografias institucionais, planos de governo registrados na Justiça Eleitoral e cobertura jornalística atualizada.
A relação considera oito candidaturas ativas. Pedro Brito permanece em algumas bases históricas como registro apresentado pelo Novo, mas sua situação é de renúncia e sua candidatura foi sucedida por Vera Lúcia.
As situações processuais dos registros podem sofrer atualizações até o pleito.
Os patrimônios correspondem aos valores declarados pelos próprios candidatos. No caso de Danilo Soares, o cadastro consultado não disponibiliza a declaração patrimonial ao público; por isso, o correto é registrar “não divulgado”, e não patrimônio zero.
Votações de candidatos que concorreram a vice-prefeito ou vice-governador são apresentadas como votação da chapa, pois não existe votação nominal independente para o vice.
As propostas são compromissos eleitorais registrados pelas candidaturas. A inclusão de uma medida no programa não significa que ela seja automaticamente viável do ponto de vista fiscal, jurídico ou constitucional.
As pesquisas apresentadas são retratos do período em que os eleitores foram entrevistados e não constituem previsão do resultado da eleição.