A eleição maranhense de 2026 coloca frente a frente antigos aliados, um prefeito que construiu forte capital eleitoral na capital, representantes de grupos políticos tradicionais, um ex-senador e candidaturas partidárias que buscam ampliar espaço no debate estadual. Conheça a origem, a formação, os mandatos, as mudanças de partido, o desempenho eleitoral e o patrimônio declarado dos oito candidatos ao Governo do Maranhão.
Uma eleição que reorganiza mais de uma década da política maranhense
A disputa pelo Governo do Maranhão em 2026 representa mais do que a escolha do sucessor de Carlos Brandão. Ela marca uma profunda reorganização do sistema político que comandou o estado desde a vitória de Flávio Dino em 2014.
Durante anos, Flávio Dino e Carlos Brandão integraram o mesmo campo político. Brandão foi vice-governador nas duas gestões de Dino e assumiu definitivamente o governo em 2022, quando o então governador deixou o cargo para disputar o Senado. Naquele mesmo ano, já como governador, Brandão foi eleito em primeiro turno tendo Felipe Camarão como vice.
Quatro anos depois, os antigos aliados chegam à eleição em campos distintos. O grupo do governador Carlos Brandão lançou Orleans Brandão, seu sobrinho e ex-secretário estadual, enquanto o vice-governador Felipe Camarão, filiado ao PT, apresenta candidatura própria e mantém vínculos políticos com o campo construído por Flávio Dino. A divisão abriu um novo desenho eleitoral e ampliou o espaço ocupado pelo ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, que tenta transformar sua expressiva votação na capital em uma candidatura estadual competitiva.
Com cerca de 5,2 milhões de eleitores, o Maranhão possui o 11º maior eleitorado do país. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026. Caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.
Até as atualizações consultadas em 6 de setembro, oito candidaturas haviam sido registradas para o governo estadual. Seis já apareciam com registro deferido. Os pedidos de Dimas Cassimiro e Roberto Rocha ainda aguardavam julgamento nas bases consultadas; no caso de Rocha, existe ainda uma impugnação relacionada à regularidade de sua filiação partidária, questão que permanece submetida à Justiça Eleitoral e, portanto, não equivale a um indeferimento da candidatura.
| Candidato | Partido | Nº | Idade na eleição | Ocupação/formação destacada | Situação consultada |
|---|---|---|---|---|---|
| André Luis | MISSÃO | 14 | 42 | Empresário | Deferido |
| Dimas Cassimiro | PCO | 29 | 66 | Professor do ensino superior | Aguardando julgamento |
| Eduardo Braide | PSD | 55 | 50 | Advogado | Deferido |
| Felipe Camarão | PT | 13 | 44 | Procurador federal e professor | Deferido |
| Orleans Brandão | MDB | 15 | 31 | Administrador e empresário | Deferido |
| Reginaldo Lima | PCB | 21 | 43 | Radialista/comunicador | Deferido |
| Roberto Rocha | PRTB | 28 | 61 | Administrador e empresário | Aguardando julgamento |
| Saulo Arcangeli | PSTU | 16 | 54 | Professor do ensino superior | Deferido |
ANDRÉ LUIS — MISSÃO — 14
O estreante que representa um partido novo
André Luís Caetano dos Santos nasceu em 24 de setembro de 1984, em São Paulo, e chegou à eleição de 2026 aos 42 anos. É casado e declarou à Justiça Eleitoral a ocupação de empresário. Em seu cadastro eleitoral consta escolaridade superior incompleta.
André Luis chega à disputa pelo Palácio dos Leões sem ter exercido mandato eletivo e sem participação anterior como candidato em eleições. Trata-se, portanto, de sua estreia eleitoral.
Sua trajetória política está ligada à estruturação do Partido Missão, legenda surgida recentemente no cenário nacional e que procura se apresentar como alternativa às organizações políticas tradicionais. No Maranhão, André Luis exerce função de direção partidária e participa da construção estadual da sigla.
A candidatura ao governo foi oficializada pelo Missão em convenção estadual realizada em julho. Diferentemente dos principais postulantes, André chega à eleição sem uma máquina eleitoral construída a partir de mandatos anteriores e aposta sobretudo na presença nas redes sociais, na identidade de uma legenda nova e no discurso de renovação política.
Seu candidato a vice-governador é Carlos Eduardo Sousa Aguiar, o Professor Cadu, também do Missão.
Histórico eleitoral
2026 — Governo do Maranhão: primeira candidatura eleitoral.
Patrimônio declarado
André Luis não informou bens patrimoniais em sua declaração apresentada à Justiça Eleitoral para a eleição de 2026. A ausência de bens declarados no sistema eleitoral deve ser interpretada exclusivamente como informação constante do registro de candidatura e não, necessariamente, como inexistência absoluta de patrimônio econômico.
Seu registro de candidatura aparece como deferido nas atualizações consultadas.
DIMAS CASSIMIRO — PCO — 29
O professor que representa o programa do PCO
Dimas Cassimiro do Nascimento nasceu em 29 de novembro de 1959 e terá 66 anos no primeiro turno. No registro eleitoral de 2026 consta como natural de Teresina, no Piauí, divorciado, professor do ensino superior e com formação superior completa.
Sua participação eleitoral está associada ao Partido da Causa Operária (PCO), legenda de orientação socialista e que tradicionalmente apresenta candidaturas próprias nas eleições presidenciais e estaduais.
Dimas já participou de outras eleições maranhenses, embora ainda não tenha conquistado mandato. Em 2018, concorreu a deputado estadual pelo PCO e recebeu 46 votos. Em 2022, disputou uma vaga de deputado federal, também pelo PCO, recebendo 63 votos.
A eleição de 2026 representa sua primeira candidatura ao Governo do Maranhão nos registros eleitorais mais recentes. Seu nome integra o grupo de candidaturas que utilizam a eleição majoritária também como espaço para divulgação de um programa político e ideológico nacional da legenda.
Sua candidata a vice é Charlieth Viana, igualmente filiada ao PCO.
Histórico eleitoral recente
2018 — Deputado estadual — PCO: 46 votos, não eleito.
2022 — Deputado federal — PCO: 63 votos, não eleito.
2026 — Governador — PCO: primeira disputa pelo Executivo estadual.
Patrimônio declarado
Dimas Cassimiro não apresentou bens na declaração patrimonial associada ao registro de candidatura de 2026.
Até a atualização consultada de 5 de setembro, seu pedido de registro ainda aparecia como aguardando julgamento.
EDUARDO BRAIDE — PSD — 55
Da Assembleia Legislativa à votação recorde em São Luís
Eduardo Salim Braide nasceu em 12 de janeiro de 1976, em São Luís, e tem 50 anos. É advogado, formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão — UFMA, casado e possui uma das trajetórias eleitorais mais consolidadas entre os candidatos de 2026.
Sua história eleitoral começou em 2006, quando concorreu a deputado federal pelo PSB e recebeu 29.991 votos, sem conseguir a eleição. Dois anos depois, candidatou-se a vereador de São Luís e obteve 5.128 votos, ficando na suplência.
A primeira vitória veio em 2010, já pelo PMN, quando conquistou mandato de deputado estadual com 26.792 votos. Foi reeleito em 2014, aumentando sua votação para 47.519 votos.
Em 2016, Braide decidiu disputar pela primeira vez a Prefeitura de São Luís. Conseguiu chegar ao segundo turno e recebeu 243.591 votos na votação final, mas foi derrotado por Edivaldo Holanda Júnior.
Dois anos depois, em 2018, elegeu-se deputado federal pelo Maranhão com 189.843 votos, uma das maiores votações daquele pleito no estado.
Em 2020 voltou a disputar a Prefeitura de São Luís, dessa vez pelo Podemos. No segundo turno, conquistou 270.557 votos, equivalentes a 55,53% dos votos válidos, e tornou-se prefeito.
A consolidação de sua força eleitoral na capital ocorreu em 2024. Já filiado ao PSD, Braide foi reeleito prefeito no primeiro turno com 403.981 votos — 70,12% dos votos válidos. A diferença sobre os adversários transformou essa eleição municipal em seu principal ativo político para a disputa estadual.
Para concorrer ao Governo do Maranhão em 2026, deixou a Prefeitura de São Luís e passou a tentar transferir para o conjunto do estado a popularidade construída na capital.
Mudanças partidárias
A trajetória de Braide passou por PSB, PMN, Podemos e PSD. Apesar das mudanças de legenda, sua carreira desenvolveu-se inicialmente no Legislativo estadual, avançou para a Câmara dos Deputados e, posteriormente, consolidou-se no Executivo municipal.
Em 2026, sua chapa integra a coligação “Pra Transformar o Maranhão”, reunindo PSD e Novo. A candidata a vice-governadora é Elaine Carneiro, do PSD.
Linha do tempo eleitoral
2006 — Deputado federal — PSB: 29.991 votos, não eleito.
2008 — Vereador de São Luís — PSB: 5.128 votos, suplente.
2010 — Deputado estadual — PMN: 26.792 votos, eleito.
2014 — Deputado estadual — PMN: 47.519 votos, reeleito.
2016 — Prefeito de São Luís — PMN: 112.041 votos no primeiro turno e 243.591 no segundo; não eleito.
2018 — Deputado federal — PMN: 189.843 votos, eleito.
2020 — Prefeito de São Luís — Podemos: 193.578 votos no primeiro turno e 270.557 no segundo; eleito.
2024 — Prefeito de São Luís — PSD: 403.981 votos, 70,12%; reeleito em primeiro turno.
2026 — Governador — PSD.
Patrimônio declarado
Braide declarou patrimônio total de aproximadamente R$ 1,05 milhão à Justiça Eleitoral. Entre os bens aparecem imóveis, veículo, terreno e aplicações ou disponibilidades financeiras.
Seu registro para a eleição de 2026 consta como deferido.
FELIPE CAMARÃO — PT — 13
O vice-governador que saiu do mesmo grupo de Brandão e agora disputa sua sucessão
Felipe Costa Camarão nasceu em 31 de dezembro de 1981, no Rio de Janeiro, mas construiu sua vida pessoal e profissional no Maranhão. Tem 44 anos, é advogado, professor universitário e procurador federal. Graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Maranhão e possui formação acadêmica de pós-graduação, incluindo mestrado pela UFMA e doutorado.
Antes de chegar às urnas, Camarão construiu carreira principalmente na administração pública.
Foi diretor do Procon Maranhão, ocupou funções na administração estadual e comandou diferentes secretarias. Passou pelas pastas de Gestão e Previdência, Cultura e Governo e, em março de 2016, assumiu a Secretaria de Estado da Educação.
Foi justamente na Educação que passou a ganhar maior projeção política. Permaneceu aproximadamente seis anos à frente da pasta e esteve ligado à execução do programa Escola Digna, uma das principais vitrines das administrações de Flávio Dino.
Também ocupou funções na Fundação da Memória Republicana e no Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão — IEMA.
Camarão filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 2021.
Em 2022, foi escolhido como candidato a vice-governador na chapa de Carlos Brandão. A dupla venceu a eleição ainda no primeiro turno, com 1.769.187 votos, correspondentes a 51,29% dos votos válidos.
A parceria, entretanto, não permaneceu politicamente intacta até 2026.
À medida que a sucessão estadual se aproximou, o grupo do governador Brandão passou a trabalhar a candidatura de Orleans Brandão, enquanto Felipe Camarão manteve sua intenção de disputar o governo. O resultado foi a ruptura de um bloco político que havia permanecido unido em sucessivas eleições estaduais.
Assim, o vice-governador chega a 2026 como adversário do candidato apoiado pelo próprio governador com quem foi eleito quatro anos antes.
Sua chapa integra a coligação “Brasil Justo, Maranhão Grande”, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL e Rede. O candidato a vice é Ricardo Rodrigues, do PT.
Histórico eleitoral
Ao contrário de vários concorrentes, Felipe Camarão construiu longa trajetória administrativa antes da primeira eleição majoritária.
2022 — Vice-governador — PT: eleito na chapa de Carlos Brandão, que recebeu 1.769.187 votos e venceu em primeiro turno.
2026 — Governador — PT: primeira candidatura como cabeça de chapa.
Patrimônio declarado
Felipe Camarão declarou aproximadamente R$ 5,21 milhões em bens à Justiça Eleitoral, o maior patrimônio declarado entre os principais concorrentes examinados nesta reportagem. A relação apresentada inclui imóveis e outros ativos patrimoniais.
Seu registro de candidatura consta como deferido nas atualizações consultadas.
ORLEANS BRANDÃO — MDB — 15
O candidato da continuidade e a primeira eleição de sua carreira
Carlos Orleans Braide Brandão nasceu em 8 de dezembro de 1994, em São Luís, e tem 31 anos. Embora tenha nascido na capital, possui fortes vínculos políticos e familiares com o município de Colinas, no interior maranhense.
É administrador, empresário e sobrinho do governador Carlos Brandão, relação familiar que ganhou centralidade na construção de sua candidatura ao governo.
Antes de ingressar na administração pública, Orleans atuou no setor privado. Segundo perfis biográficos publicados sobre sua trajetória, começou a trabalhar ainda jovem no comércio e posteriormente desenvolveu atividades empresariais.
Sua graduação em Administração foi concluída em 2020.
A ascensão política ocorreu principalmente durante a gestão do tio. Em 2023, Orleans tornou-se secretário extraordinário de Assuntos Municipalistas do Maranhão, função criada com o objetivo de ampliar a interlocução do governo estadual com as prefeituras.
A passagem pela secretaria proporcionou contato direto com prefeitos e lideranças políticas de várias regiões do estado, tornando-o progressivamente um dos principais articuladores do grupo governista.
Em 2026, Orleans deixa de atuar somente nos bastidores e enfrenta a primeira eleição de sua carreira justamente disputando o cargo mais importante do Executivo estadual.
Sua candidatura representa a tentativa do grupo de Carlos Brandão de manter o comando do governo após o encerramento do atual mandato.
A escolha, porém, acelerou a ruptura com setores que integravam a antiga coalizão liderada por Flávio Dino e que defendiam a candidatura do vice-governador Felipe Camarão.
O episódio analisado pelo STF
A presença de familiares do governador em cargos estaduais também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Em outubro de 2024, o ministro Alexandre de Moraes determinou a suspensão de nomeações de parentes de Carlos Brandão, incluindo Orleans, durante a análise de questionamentos relacionados a eventual nepotismo.
A decisão ocorreu no âmbito da discussão judicial sobre as nomeações e não corresponde a condenação criminal de Orleans Brandão.
Histórico eleitoral
2026 — Governador — MDB: primeira candidatura eleitoral.
A chapa governista tem como candidato a vice o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Júnior, do Republicanos, político que já governou a capital durante dois mandatos.
A coligação utiliza o nome “Avanço por Todo Maranhão”.
Patrimônio declarado
Orleans Brandão declarou aproximadamente R$ 2,52 milhões em patrimônio. A relação inclui investimentos financeiros, participação em empresa ou holding, veículo, imóvel residencial e sala comercial, entre outros bens.
Seu registro de candidatura consta como deferido.
REGINALDO LIMA — PCB — 21
De Imperatriz para a primeira disputa estadual
Reginaldo Lima Brauno nasceu em 16 de fevereiro de 1983, em Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão. Tem 43 anos, é casado e atua profissionalmente na área de comunicação, sendo identificado no cadastro eleitoral como locutor, comentarista de rádio e televisão ou profissional de atividades correlatas.
Possui ensino médio completo.
Sua trajetória partidária está vinculada ao Partido Comunista Brasileiro — PCB, no qual também exerce atividade de organização política estadual.
Antes da candidatura ao governo, Reginaldo participou da eleição municipal de 2024 em Imperatriz, integrando como candidato a vice-prefeito a chapa encabeçada por Gabriel Araújo, também do PCB.
A chapa obteve 140 votos, correspondentes a aproximadamente 0,09% dos votos válidos, e não foi eleita.
Em 2026, Reginaldo dá um salto da disputa municipal para a eleição majoritária estadual e torna-se candidato ao Governo do Maranhão.
Sua candidatura procura representar no processo eleitoral as posições históricas do PCB, partido ligado à esquerda marxista e à defesa de transformações estruturais no modelo econômico.
O candidato a vice registrado na chapa é Bartolomeu, também do PCB.
Histórico eleitoral
2024 — Vice-prefeito de Imperatriz — PCB: chapa recebeu 140 votos, não eleita.
2026 — Governador — PCB: primeira candidatura estadual.
Patrimônio declarado
Reginaldo Lima não apresentou bens na relação patrimonial registrada para a eleição de 2026.
Seu registro aparece como deferido nas atualizações consultadas em 6 de setembro.
ROBERTO ROCHA — PRTB — 28
Quase quatro décadas de eleições e a carreira mais extensa entre os candidatos
Roberto Coelho Rocha nasceu em 4 de agosto de 1965, em São Luís, e tem 61 anos. É administrador e empresário.
É filho do ex-governador Luiz Rocha, que governou o Maranhão entre 1983 e 1987 e teve papel relevante na política estadual durante o processo de redemocratização.
Entre todos os candidatos de 2026, Roberto Rocha possui uma das trajetórias eleitorais mais longas.
Sua primeira eleição para cargo parlamentar ocorreu em 1990, quando conquistou mandato de deputado estadual pelo PL.
Quatro anos depois, em 1994, elegeu-se deputado federal pelo PMDB. Em 1998, já no PSDB, conquistou novo mandato na Câmara dos Deputados.
Em 2002 chegou a participar do processo eleitoral para o governo estadual, mas retirou sua candidatura antes da votação.
Voltou à Câmara dos Deputados na eleição de 2006, quando recebeu aproximadamente 139 mil votos.
Em 2010, tentou chegar ao Senado pelo PSDB e recebeu mais de 642 mil votos, mas não foi eleito.
Dois anos depois, sua carreira tomou novo rumo. Em 2012, integrou como candidato a vice-prefeito a chapa de Edivaldo Holanda Júnior em São Luís. A chapa venceu a eleição e Rocha tornou-se vice-prefeito da capital.
Em 2014, alcançou o ponto mais alto de sua trajetória eleitoral. Candidatou-se ao Senado pelo PSB e recebeu cerca de 1,48 milhão de votos, conquistando uma das cadeiras maranhenses na Casa.
Em 2018, já novamente no PSDB, candidatou-se ao Governo do Maranhão, mas teve desempenho bastante inferior ao obtido na disputa senatorial e terminou derrotado.
Em 2022, tentou a reeleição para o Senado pelo PTB. Recebeu 1.211.174 votos, ou 35,56% dos votos válidos, mas perdeu a eleição para Flávio Dino.
A candidatura de 2026 marca, portanto, seu retorno a uma eleição majoritária estadual.
Uma trajetória por diferentes partidos
Ao longo de mais de três décadas, Roberto Rocha passou por várias siglas, entre elas PL, PMDB, PSDB, PSB, PTB, Novo e, atualmente, PRTB.
Essa última movimentação partidária está justamente no centro da discussão jurídica envolvendo sua candidatura.
Uma ação de impugnação questiona a regularidade da filiação de Rocha ao PRTB diante de registros relacionados à sua passagem anterior pelo Novo. A controvérsia está submetida à Justiça Eleitoral. Até a consulta utilizada nesta reportagem, o registro ainda aparecia como aguardando julgamento, sem decisão definitiva de indeferimento.
Seu candidato a vice é Pastor Josias, do PRTB.
Linha do tempo eleitoral
1990 — Deputado estadual — PL: eleito.
1994 — Deputado federal — PMDB: eleito.
1998 — Deputado federal — PSDB: reeleito.
2006 — Deputado federal — PSDB: eleito.
2010 — Senador — PSDB: cerca de 642 mil votos, não eleito.
2012 — Vice-prefeito de São Luís: eleito na chapa de Edivaldo Holanda Júnior.
2014 — Senador — PSB: cerca de 1,48 milhão de votos, eleito.
2018 — Governador — PSDB: não eleito.
2022 — Senador — PTB: 1.211.174 votos, 35,56%, não eleito.
2026 — Governador — PRTB.
Patrimônio declarado
Roberto Rocha declarou aproximadamente R$ 3,56 milhões em patrimônio. Entre os itens informados aparecem imóveis, veículos, disponibilidades financeiras e ativos vinculados à atividade agropecuária.
SAULO ARCANGELI — PSTU — 16
Uma candidatura recorrente da esquerda socialista
Saulo Costa Arcangeli nasceu em 25 de outubro de 1971, em São Luís, e tem 54 anos. É professor do ensino superior, solteiro e possui formação superior completa.
Sua trajetória difere da dos candidatos ligados aos grandes grupos estaduais. Arcangeli construiu sua atuação principalmente no movimento sindical e na esquerda socialista e já disputou diversas eleições sem conquistar mandato.
Em 2010, concorreu pela primeira vez ao Governo do Maranhão, então pelo PSOL, recebendo 8.898 votos.
Em 2012, já pelo PSTU, candidatou-se a vereador de São Luís e recebeu 1.107 votos.
Dois anos depois voltou à disputa estadual. Na eleição de 2014, novamente candidato a governador, obteve 27.304 votos.
Em 2016 voltou a disputar uma vaga na Câmara Municipal de São Luís. Em 2018, concorreu ao Senado e recebeu cerca de 36 mil votos.
Arcangeli também participou das eleições municipais de 2020, das eleições para o Senado em 2022 e da disputa pela Prefeitura de São Luís em 2024.
Portanto, a candidatura de 2026 será a terceira tentativa de Saulo Arcangeli de chegar ao Governo do Maranhão.
Sua campanha procura representar o programa político do PSTU, legenda socialista que mantém posição crítica tanto aos governos de direita quanto às alianças realizadas pelos partidos de esquerda que chegaram ao poder.
A candidata a vice é Preta Lu, também do PSTU.
Linha do tempo eleitoral
2010 — Governador — PSOL: 8.898 votos.
2012 — Vereador de São Luís — PSTU: 1.107 votos.
2014 — Governador — PSTU: 27.304 votos.
2016 — Vereador de São Luís — PSTU: 1.086 votos.
2018 — Senador — PSTU: aproximadamente 36 mil votos.
2020 — Vereador de São Luís — PSTU: 592 votos.
2022 — Senador — PSTU: 10.206 votos.
2024 — Prefeito de São Luís — PSTU: 2.451 votos.
2026 — Governador — PSTU.
Patrimônio declarado
Saulo Arcangeli declarou aproximadamente R$ 656,4 mil em bens. A relação inclui imóvel financiado, veículos e investimentos financeiros.
Seu registro para a eleição de 2026 consta como deferido.
O QUE CADA CANDIDATURA REPRESENTA NA DISPUTA
A eleição maranhense pode ser compreendida a partir de diferentes trajetórias políticas.
Eduardo Braide procura transformar sua expressiva base eleitoral em São Luís em força estadual. É o candidato que chega à corrida depois de administrar diretamente o maior colégio eleitoral do Maranhão e de obter 70,12% dos votos na última eleição municipal.
Orleans Brandão representa mais claramente a continuidade do atual governo. Sua força política foi construída no interior da administração de Carlos Brandão e na articulação com prefeitos e lideranças municipais. O desafio é disputar sua primeira eleição já buscando o cargo de governador.
Felipe Camarão apresenta uma situação incomum: é o atual vice-governador, eleito com Carlos Brandão em 2022, mas concorre agora contra o candidato escolhido pelo grupo do governador. Sua trajetória na Educação e sua ligação com o campo político de Flávio Dino e com o PT constituem os elementos centrais de sua candidatura.
Roberto Rocha é o político eleitoralmente mais experiente entre os oito nomes. Já foi deputado estadual, deputado federal, vice-prefeito de São Luís e senador e tenta retornar ao centro da política estadual depois de derrotas nas últimas eleições majoritárias.
Saulo Arcangeli representa a candidatura mais persistente da esquerda socialista maranhense, acumulando participações em eleições para governador, Senado, Prefeitura e Câmara Municipal.
Dimas Cassimiro leva à eleição estadual o programa do PCO e busca ampliar a presença política de uma legenda historicamente minoritária nas urnas.
Reginaldo Lima parte de uma trajetória política construída em Imperatriz e no PCB para sua primeira candidatura majoritária em escala estadual.
André Luis, por sua vez, representa a novidade eleitoral da disputa: sem candidatura anterior, entra diretamente na corrida pelo Palácio dos Leões como representante do recém-criado Partido Missão.
UMA DISPUTA SEM A ANTIGA DIVISÃO ENTRE DOIS BLOCOS
A peculiaridade da eleição de 2026 está justamente no fato de que o Maranhão não chega às urnas reproduzindo integralmente a configuração política das eleições anteriores.
O grupo construído em torno de Flávio Dino, que venceu as eleições estaduais de 2014 e 2018 e ajudou a eleger Carlos Brandão em 2022, fragmentou-se.
Brandão tornou-se o principal patrocinador político da candidatura de Orleans. Felipe Camarão, seu vice, transformou-se em adversário eleitoral. E Eduardo Braide, que desenvolveu sua carreira política fora do núcleo central desse grupo, aparece como alternativa competitiva depois de duas vitórias consecutivas para a Prefeitura de São Luís.
Essa ruptura também produz uma disputa simbólica pela proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Setores ligados às candidaturas de Orleans e Felipe Camarão reivindicam participação no campo de apoio ao governo federal, e divergências sobre a utilização da imagem presidencial chegaram inclusive à Justiça Eleitoral.
As pesquisas divulgadas ao longo do período pré-eleitoral também apresentam variações importantes entre institutos. Levantamento Real Time Big Data realizado em julho mostrou Eduardo Braide à frente de Orleans Brandão, enquanto pesquisa Veritá divulgada em agosto apresentou Orleans à frente de Braide. Por isso, mais do que tratar qualquer fotografia isolada como definitiva, a leitura da eleição exige acompanhar a evolução das pesquisas registradas durante a campanha.
QUADRO COMPARATIVO DOS CANDIDATOS
| Candidato | Principal experiência política | Maior resultado eleitoral anterior | Partido atual | Patrimônio declarado |
|---|---|---|---|---|
| André Luis | Dirigente partidário | Estreante | MISSÃO | Sem bens declarados |
| Dimas Cassimiro | Candidato a deputado estadual e federal | 63 votos para deputado federal em 2022 | PCO | Sem bens declarados |
| Eduardo Braide | Prefeito, deputado federal e deputado estadual | 403.981 votos para prefeito em 2024 | PSD | R$ 1,05 milhão |
| Felipe Camarão | Vice-governador e ex-secretário de Educação | Eleito vice na chapa que recebeu 1,77 milhão de votos em 2022 | PT | R$ 5,21 milhões |
| Orleans Brandão | Ex-secretário de Assuntos Municipalistas | Estreante | MDB | R$ 2,52 milhões |
| Reginaldo Lima | Dirigente partidário e candidato a vice-prefeito | Chapa recebeu 140 votos em 2024 | PCB | Sem bens declarados |
| Roberto Rocha | Senador, deputado federal, deputado estadual e vice-prefeito | Cerca de 1,48 milhão de votos para senador em 2014 | PRTB | R$ 3,56 milhões |
| Saulo Arcangeli | Candidato a governador, senador e prefeito | 36 mil votos aproximadamente para Senado em 2018 | PSTU | R$ 656,4 mil |
Os valores patrimoniais correspondem às declarações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Patrimônio declarado não deve ser interpretado como renda, disponibilidade financeira ou avaliação de riqueza atual, e a ausência de bens declarados não significa necessariamente inexistência de patrimônio.
O MARANHÃO DIANTE DE UMA NOVA CONFIGURAÇÃO POLÍTICA
A eleição de 2026 pode determinar não apenas quem administrará o Maranhão a partir de janeiro de 2027, mas também qual grupo ocupará o espaço central da política estadual depois de mais de uma década de reorganização iniciada com a vitória de Flávio Dino em 2014.
Para Eduardo Braide, a eleição testa a capacidade de transformar domínio eleitoral na capital em liderança estadual.
Para Orleans Brandão, representa a tentativa de assegurar continuidade ao grupo que atualmente controla o Palácio dos Leões.
Para Felipe Camarão, significa disputar diretamente a sucessão de um governo do qual ele próprio fez parte como vice-governador.
Para Roberto Rocha, oferece a possibilidade de retorno ao protagonismo depois de uma longa carreira parlamentar e majoritária.
Para André Luis, Dimas Cassimiro, Reginaldo Lima e Saulo Arcangeli, a campanha oferece espaço para apresentar alternativas políticas, programáticas e ideológicas aos grupos que concentram maior estrutura eleitoral.
São oito trajetórias bastante diferentes disputando o mesmo destino: o comando do Palácio dos Leões pelos quatro anos seguintes.
E, talvez mais importante do que o número de candidatos, a eleição de 2026 mostrará qual será a nova linha divisória da política maranhense depois do rompimento da aliança que dominou o estado nas últimas três eleições para governador.