De um governador que tenta permanecer no cargo a um senador com mais de três décadas de Congresso; de estreantes nas urnas a uma médica que transforma a saúde em eixo de campanha. A eleição mato-grossense de 2026 reúne seis candidaturas e coloca frente a frente diferentes concepções sobre gestão pública, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico e políticas sociais.
Mato Grosso chega às eleições de 2026 com uma disputa pelo Palácio Paiaguás marcada pelo contraste entre experiência político-eleitoral e renovação. De acordo com os registros disponíveis na Justiça Eleitoral, seis candidatos estão inscritos na corrida estadual: Maurício Coelho (Mobiliza), Natasha Slhessarenko (PSD), Otaviano Pivetta (Republicanos), Rafaell Milas (Missão), Sargento Laudicério (Agir) e Wellington Fagundes (PL).
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026. Mato Grosso possui 2.638.230 eleitores aptos a votar, segundo dados consolidados divulgados pelo TRE-MT e pelo TSE.
Há uma peculiaridade importante na eleição deste ano. Otaviano Pivetta não é mais vice-governador: ele assumiu definitivamente o Governo de Mato Grosso em 31 de março de 2026, após a renúncia de Mauro Mendes, que deixou o cargo para disputar o Senado. Assim, Pivetta concorre em 2026 já sentado na cadeira de governador e busca permanecer no comando do Executivo no próximo mandato.
A DISPUTA EM NÚMEROS
| Candidato | Partido | Nascimento | Situação política | Vice | Patrimônio declarado em 2026 |
|---|---|---|---|---|---|
| Maurício Coelho | Mobiliza | 18/04/1994 — Itabira/MG | Empresário; estreia eleitoral | Dr. Wagner Malheiros | R$ 2.159.005,73 |
| Natasha Slhessarenko | PSD | 23/11/1967 — Cuiabá/MT | Médica e professora; estreia eleitoral | Diogo Botelho (PDT) | R$ 7.344.667,74 |
| Otaviano Pivetta | Republicanos | 10/05/1959 — Caiçara/RS | Governador; ex-vice, ex-prefeito e ex-deputado estadual | Gisela Simona (União) | R$ 575.680.870,95 |
| Rafaell Milas | Missão | 17/02/1983 — Umuarama/PR | Publicitário; estreia eleitoral | Thales Sartorelo | R$ 550.000,00 |
| Sargento Laudicério | Agir | 18/12/1978 — Cuiabá/MT | Policial militar; quatro eleições anteriores | Alex Pucineli | R$ 12.500,00 |
| Wellington Fagundes | PL | 01/06/1957 — Rondonópolis/MT | Senador; seis mandatos de deputado federal | Reinaldo Gomes de Morais (Novo) | R$ 13.132.463,00 |
Nota: os valores patrimoniais são aqueles autodeclarados pelos candidatos à Justiça Eleitoral no momento do registro. Não correspondem necessariamente ao valor atualizado de mercado dos bens e não devem, isoladamente, ser interpretados como indicação de aumento ou redução real de riqueza. O próprio conjunto de dados do TSE disponibiliza separadamente informações de candidatos, bens, coligações e propostas de governo.
1. MAURÍCIO COELHO — A APOSTA DO MOBILIZA NA RENOVAÇÃO
Empresário de 32 anos entra em sua primeira eleição defendendo redução da burocracia e maior espaço para a iniciativa privada
Maurício Coelho de Souza Junior nasceu em 18 de abril de 1994, em Itabira, Minas Gerais. Empresário, declarou ensino superior incompleto à Justiça Eleitoral. Aos 32 anos, é o candidato mais jovem entre os seis concorrentes ao Governo de Mato Grosso.
Embora seja estreante como candidato, Coelho não se apresenta como alguém estranho ao ambiente político. Segundo informações divulgadas durante sua candidatura, trabalhou por aproximadamente 15 anos com eleições, comunicação, consultoria, políticas públicas e gestão. É também escritor e analista político e chegou a 2026 como presidente estadual do Mobiliza em Mato Grosso.
O partido decidiu concentrar seus esforços na chapa majoritária. Maurício concorre com o médico pneumologista Wagner Marques Pereira Malheiros, o Dr. Wagner Malheiros, também do Mobiliza, como candidato a vice-governador.
Linha do tempo de Maurício Coelho
1994 — Nasce em Itabira, Minas Gerais.
Antes de 2026 — Desenvolve carreira empresarial e atuação profissional vinculada à comunicação, consultoria eleitoral, gestão e políticas públicas.
2026 — Assume protagonismo como presidente estadual do Mobiliza e é escolhido candidato ao Governo de Mato Grosso.
2026 — Registra sua primeira candidatura eleitoral. Não possui mandato eletivo anterior.
Histórico partidário
No histórico eleitoral disponível, Mobiliza é a única legenda associada a uma candidatura de Maurício Coelho. Não há registro de eleição anterior disputada por ele em outro partido.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador de Mato Grosso | Mobiliza | Eleição em andamento | Primeira candidatura |
Patrimônio declarado
Maurício declarou à Justiça Eleitoral R$ 2.159.005,73, distribuídos em quatro bens/direitos. A maior parcela está relacionada a créditos e aplicações financeiras.
O que propõe
O programa de Maurício Coelho coloca a desburocratização do Estado entre seus eixos principais. O candidato prega maior eficiência no uso do dinheiro público, inovação administrativa e criação de um ambiente no qual empresas possam crescer sem depender de contratos com o governo.
Seu discurso também incorpora a redução do custo de vida e a recuperação do poder de compra, além de melhoria dos serviços básicos e incentivo ao empreendedorismo.
2. NATASHA SLHESSARENKO — DA MEDICINA À PRIMEIRA DISPUTA NAS URNAS
Médica, professora da UFMT e empresária da saúde lidera ampla coalizão e aposta em saúde pública e políticas para mulheres
Natasha Slhessarenko Fraife Barreto, a Doutora Natasha, nasceu em 23 de novembro de 1967, em Cuiabá. Médica pediatra e patologista clínica, é filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, uma das figuras femininas mais conhecidas da política mato-grossense.
Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso em 1990. Fez residência em Pediatria e posteriormente em Patologia Clínica no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Em 2000 fundou o Laboratório Cedilab, em Cuiabá, e tornou-se professora da UFMT em 2002. Também representou Mato Grosso como conselheira titular do Conselho Federal de Medicina.
A candidatura de 2026 é sua primeira participação efetiva em uma eleição. Natasha já havia ingressado na política partidária em 2022, quando se filiou ao PSB e chegou a ser apresentada como pré-candidata ao Senado, mas o projeto não se converteu em candidatura registrada nas urnas.
Em abril de 2024, deixou o PSB e ingressou no PSD, partido pelo qual agora concorre ao Governo.
Sua chapa tem Diogo Botelho, do PDT, como candidato a vice e reúne PSD, PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — e Federação PSOL-Rede.
Linha do tempo de Natasha Slhessarenko
1967 — Nasce em Cuiabá.
1990 — Forma-se em Medicina pela UFMT.
1991–1995 — Realiza formação especializada e residências médicas em São Paulo.
2000 — Funda o Laboratório Cedilab em Cuiabá.
2002 — Torna-se professora da Universidade Federal de Mato Grosso.
2019 — Passa a integrar o Conselho Federal de Medicina representando Mato Grosso.
2022 — Filia-se ao PSB e é apresentada como pré-candidata ao Senado; não chega a disputar a eleição.
2024 — Deixa o PSB e filia-se ao PSD.
2026 — Registra sua primeira candidatura: governadora de Mato Grosso.
Histórico partidário
PSB — 2022 a 2024
PSD — desde abril de 2024
Não há candidatura eleitoral anterior registrada, razão pela qual 2026 representa a primeira oportunidade de medir Natasha diretamente nas urnas.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2022 | Pré-candidata ao Senado | PSB | Não disputou | Projeto não chegou às urnas |
| 2026 | Governadora | PSD | Eleição em andamento | Primeira candidatura registrada |
Patrimônio declarado
Natasha declarou R$ 7.344.667,74 em bens e direitos. Entre os itens aparecem apartamento, participações societárias e créditos de investimentos em empresas.
O que propõe
A saúde ocupa posição central em seu programa. Natasha propõe fila estadual única, pública e auditável para consultas, exames e cirurgias, com aplicativo para que o paciente acompanhe sua posição; integração da telessaúde; mutirões regionais; ampliação de centros de diálise e oncologia; mapeamento da capacidade dos hospitais e concursos públicos para profissionais da saúde.
Na educação, prevê concurso permanente para professores, cumprimento integral do piso nacional do magistério, recomposição da alfabetização, ampliação de creches e maior cooperação entre Estado e municípios.
Outra marca é a política para mulheres: o programa prevê a criação da Secretaria de Estado da Mulher, fortalecimento da rede de proteção e estruturas regionais de acolhimento.
No campo econômico e fiscal, aparece a proposta de reservar pelo menos 15% da Receita Corrente Líquida para investimentos e criar um sistema estadual de devolução de ICMS às famílias de menor renda inscritas no Cadastro Único, condicionado à avaliação de impacto fiscal.
3. OTAVIANO PIVETTA — O GOVERNADOR QUE BUSCA TRANSFORMAR SUCESSÃO EM CONTINUIDADE
Empresário do agronegócio reúne três passagens pela Prefeitura de Lucas do Rio Verde, mandato de deputado estadual e dois mandatos de vice-governador
Otaviano Olavo Pivetta nasceu em 10 de maio de 1959, em Caiçara, no Rio Grande do Sul. Mudou-se para Mato Grosso em 1982 e construiu sua trajetória empresarial principalmente no agronegócio.
Aos 67 anos, é o único dos seis candidatos que já ocupa o cargo em disputa. Assumiu definitivamente o Governo de Mato Grosso em 31 de março de 2026, quando Mauro Mendes renunciou.
Pivetta possui uma das trajetórias municipais mais extensas entre os concorrentes. Foi eleito prefeito de Lucas do Rio Verde em 1996, reeleito em 2000 e voltou ao cargo após vencer a eleição de 2012. Entre as administrações municipais, exerceu mandato de deputado estadual.
Em 2010, integrou como vice a chapa de Mauro Mendes ao Governo, derrotada naquele pleito. O reencontro eleitoral da dupla ocorreria em 2018, quando Mendes e Pivetta venceram no primeiro turno. Foram reeleitos em 2022.
Em 2026, Pivetta concorre pelo Republicanos, tendo Gisela Simona, do União Brasil, como vice.
Linha do tempo de Otaviano Pivetta
1959 — Nasce em Caiçara, Rio Grande do Sul.
1982 — Muda-se para Mato Grosso.
1996 — É eleito prefeito de Lucas do Rio Verde.
2000 — Reelege-se prefeito.
2006 — É eleito deputado estadual.
2010 — Disputa a vice-governadoria na chapa de Mauro Mendes; a chapa é derrotada.
2012 — Retorna à Prefeitura de Lucas do Rio Verde após nova vitória.
2016 — Tenta nova candidatura municipal; o registro é indeferido.
2018 — É eleito vice-governador na chapa de Mauro Mendes.
2022 — Reelege-se vice-governador.
31 de março de 2026 — Assume definitivamente o Governo de Mato Grosso após a renúncia de Mauro Mendes.
2026 — Disputa o mandato de governador para o período 2027–2030.
Histórico partidário eleitoral
A trajetória de Pivetta atravessou diferentes legendas:
PFL → PPS → PDT → PSB → PDT → Republicanos
Nas eleições documentadas, concorreu pelo PFL em 1996, PPS em 2000, PDT em 2006, 2010 e 2012, PSB em 2016, novamente PDT em 2018 e Republicanos em 2022 e 2026.
Desempenho em cada eleição
| Ano | Cargo | Partido | Votos da candidatura | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1996 | Prefeito de Lucas do Rio Verde | PFL | 3.105 | Eleito |
| 2000 | Prefeito de Lucas do Rio Verde | PPS | 6.102 | Eleito |
| 2006 | Deputado estadual | PDT | 35.901 | Eleito |
| 2010 | Vice-governador | PDT | 472.475 na chapa | Não eleito |
| 2012 | Prefeito de Lucas do Rio Verde | PDT | 13.587 | Eleito |
| 2016 | Prefeito de Lucas do Rio Verde | PSB | Sem votação válida consolidada | Registro indeferido |
| 2018 | Vice-governador | PDT | 840.094 na chapa — 58,69% | Eleito |
| 2022 | Vice-governador | Republicanos | 1.114.549 na chapa — 68,45% | Eleito |
| 2026 | Governador | Republicanos | Eleição em andamento | — |
Patrimônio declarado
Pivetta apresenta, com enorme distância, o maior patrimônio declarado entre os concorrentes: R$ 575.680.870,95.
Em 2022, havia declarado R$ 378.869.597,56. A diferença nominal para 2026 representa aproximadamente 51,95%, segundo levantamento feito a partir das declarações entregues ao TSE. A maior parte do patrimônio atual aparece vinculada a ações, fundos de investimento e participações empresariais.
O que propõe
O programa de Pivetta é o que mais explicitamente reivindica continuidade administrativa. Parte das políticas do governo Mauro Mendes/Pivetta e estabelece cinco grandes eixos.
Na saúde, propõe unificar a regulação pelo Regula MT, criar prontuário estadual integrado e implantar oito Centros Regionais de Diagnóstico, além de ampliar a rede hospitalar.
Na educação, prevê expansão da educação profissional, novos concursos e ampliação do modelo de escolas militares e cívico-militares.
Na habitação, estabelece meta de construção de mais 60 mil moradias populares.
Na segurança, prevê Batalhão Rural, reforço da vigilância de fronteira, uso de drones e cercamento eletrônico.
Na economia e infraestrutura, sustenta continuidade dos investimentos rodoviários, expansão ferroviária, industrialização da produção agropecuária, incentivos produtivos e manutenção do equilíbrio fiscal.
4. RAFAELL MILAS — DO MARKETING POLÍTICO À PRIMEIRA CANDIDATURA
Publicitário ligado ao MBL preside o Partido Missão em Mato Grosso e defende redução da máquina pública
Rafaell Milas de Oliveira nasceu em 17 de fevereiro de 1983, em Umuarama, Paraná. Publicitário, declarou ensino superior incompleto e vive em Mato Grosso desde meados dos anos 2000.
Sua trajetória profissional começou na comunicação. Trabalhou em rádio e audiovisual, mudou-se para Mato Grosso em 2005 e, desde 2008, participa profissionalmente de campanhas e assessorias políticas. Em 2016 aproximou-se do Movimento Brasil Livre — MBL.
É importante fazer a distinção: MBL é um movimento político, não um partido. A primeira legenda eleitoral de Milas é o Partido Missão, criado nacionalmente no ciclo político recente e do qual ele se tornou presidente estadual em Mato Grosso em 2026.
Linha do tempo de Rafaell Milas
1983 — Nasce em Umuarama, Paraná.
2002 — Inicia trajetória profissional em comunicação.
2005 — Muda-se para Mato Grosso.
2008 — Passa a trabalhar diretamente em campanhas eleitorais e assessorias políticas.
2016 — Passa a atuar politicamente no MBL.
2025 — Vincula-se ao Partido Missão.
2026 — Torna-se presidente estadual da legenda em Mato Grosso.
2026 — Registra sua primeira candidatura eleitoral, concorrendo ao Governo.
Histórico partidário
Missão — 2025/2026 até o presente
Não há registro de candidatura anterior em outra legenda. Sua atuação no MBL não configura filiação partidária.
Desempenho eleitoral
| Ano | Cargo | Partido | Votação | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | Governador | Missão | Eleição em andamento | Primeira candidatura |
Patrimônio declarado
Rafaell Milas declarou R$ 550.000,00, correspondente a um único bem declarado.
O que propõe
Milas apresenta uma agenda centrada na redução do tamanho do Estado, reforma administrativa, redução de despesas públicas e liberdade econômica.
Defende desregulamentação de setores produtivos, combate a privilégios, maior controle dos gastos, redução de impostos e medidas anticorrupção.
O plano registrado também dedica atenção ao combate ao crime organizado e ao controle territorial e das fronteiras, propondo reorganização do sistema penitenciário e endurecimento da resposta estatal às organizações criminosas.
5. SARGENTO LAUDICÉRIO — SEGURANÇA PÚBLICA COMO IDENTIDADE POLÍTICA
Policial militar chega à quinta disputa eleitoral após tentativas para Câmara, Assembleia e Câmara Municipal de Cuiabá
Laudicério Aguiar Machado, o Sargento Laudicério, nasceu em 18 de dezembro de 1978, em Cuiabá. Policial militar, possui nível superior e construiu sua projeção pública principalmente no associativismo das forças de segurança.
Laudicério é sargento da Polícia Militar e já presidiu a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso — ACS-PMBM/MT.
Diferentemente dos outros dois estreantes, ele acumula quatro candidaturas anteriores. Nenhuma resultou em mandato.
Linha do tempo de Sargento Laudicério
1978 — Nasce em Cuiabá.
2018 — Disputa vaga de deputado federal pelo DC.
2020 — Concorre a vereador de Cuiabá pelo PSB.
2022 — Disputa vaga de deputado estadual pelo PP.
2024 — Tenta novamente mandato de vereador, desta vez pelo União Brasil.
2026 — Migra para o Agir e disputa pela primeira vez o Governo de Mato Grosso.
Histórico partidário
A sequência eleitoral de Laudicério mostra cinco siglas em cinco eleições:
DC → PSB → PP → União Brasil → Agir
Desempenho em cada eleição
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | Deputado federal | DC | Votação nominal não consolidada na ficha consultada | Não eleito |
| 2020 | Vereador de Cuiabá | PSB | 329 | Suplente |
| 2022 | Deputado estadual | PP | 4.254 | Suplente |
| 2024 | Vereador de Cuiabá | União Brasil | 171 | Suplente |
| 2026 | Governador | Agir | Eleição em andamento | — |
Patrimônio declarado
Na ficha consolidada mais recente consultada, Laudicério declarou R$ 12.500,00, referentes a uma motocicleta de 150 cilindradas.
Nas candidaturas anteriores, declarou R$ 45.300 em 2018; R$ 40.500 em 2020; nenhum bem em 2022; e R$ 10.621 em 2024. São valores nominais informados em cada eleição.
O que propõe
A segurança pública é o eixo mais associado à candidatura. O plano prevê reforço do policiamento e da inteligência nas fronteiras, integração de dados entre forças, combate ao crime organizado, investigação patrimonial e financeira e utilização de tecnologia.
Mas o programa registrado é mais amplo. Na saúde, prevê fortalecimento dos hospitais regionais, ampliação de capacidade cirúrgica e diagnóstica, telessaúde e fortalecimento das unidades básicas.
Na educação e emprego, defende expansão da educação profissional, articulação entre escolas, Sistema S, universidades e empresas e políticas de transição entre escola, formação técnica e primeiro emprego.
Na infraestrutura, estabelece critérios para priorizar pavimentação e manutenção de rodovias e propõe ampliar saneamento, conectividade e infraestrutura regional.
6. WELLINGTON FAGUNDES — QUATRO DÉCADAS DE VIDA POLÍTICA E UMA NOVA TENTATIVA PELO PAIAGUÁS
Senador foi deputado federal por seis mandatos consecutivos, tentou duas vezes a Prefeitura de Rondonópolis e volta a concorrer ao Governo oito anos após a primeira disputa
Wellington Antonio Fagundes nasceu em 1º de junho de 1957, em Rondonópolis. É médico-veterinário formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e possui pós-graduação em Ciência Política pela Universidade de Brasília.
Sua trajetória política é, de longe, a mais extensa entre os candidatos de 2026. Antes de chegar ao Congresso, presidiu a Associação Comercial e Industrial de Rondonópolis e exerceu função na Secretaria Municipal de Planejamento.
Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1990 e conquistou seis mandatos consecutivos, permanecendo na Câmara até assumir uma vaga no Senado.
Em 2014, elegeu-se senador com 646.344 votos. Em 2018 deixou temporariamente a busca pela reeleição parlamentar para disputar o Governo de Mato Grosso, mas ficou fora do segundo turno/vitória, recebendo 280.055 votos. Em 2022 voltou às urnas para o Senado e foi reeleito com 825.229 votos, 63,54% dos votos válidos. Seu mandato atual vai até 2031.
Linha do tempo de Wellington Fagundes
1957 — Nasce em Rondonópolis.
1980 — Conclui Medicina Veterinária.
1983–1986 — Atua na presidência da Associação Comercial e Industrial de Rondonópolis.
Década de 1980 — Passa pela administração municipal de Rondonópolis.
1990 — É eleito deputado federal pela primeira vez.
1994 — Reelege-se deputado federal.
1998 — Conquista o terceiro mandato federal.
2000 — Disputa a Prefeitura de Rondonópolis e é derrotado.
2002 — É novamente eleito deputado federal.
2004 — Faz segunda tentativa de chegar à Prefeitura de Rondonópolis e perde.
2006 — Reelege-se deputado federal.
2010 — Obtém o sexto mandato consecutivo na Câmara.
2014 — É eleito senador.
2018 — Disputa pela primeira vez o Governo de Mato Grosso e é derrotado.
2022 — Reelege-se senador.
2026 — Volta a disputar o Governo do Estado.
Histórico partidário
Nas eleições mais bem documentadas, Wellington apresenta o seguinte percurso:
PL → PSDB → PL → PR → PL
Foi candidato pelo PL nas eleições federais de 1990, 1994 e 1998; concorreu à Prefeitura de Rondonópolis pelo PSDB em 2000; retornou ao PL em 2002 e permaneceu na sigla até 2006; disputou as eleições de 2010, 2014 e 2018 pelo PR; e aparece novamente pelo PL desde a eleição de 2022.
Registros biográficos anteriores indicam ainda passagens por PDS e PDT antes da consolidação de sua trajetória no antigo PL.
Desempenho em cada eleição
| Ano | Cargo | Partido | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 1990 | Deputado federal | PL | 22.595 | Eleito |
| 1994 | Deputado federal | PL | 30.023 | Eleito |
| 1998 | Deputado federal | PL | 81.625 | Eleito |
| 2000 | Prefeito de Rondonópolis | PSDB | 31.130 | Não eleito |
| 2002 | Deputado federal | PL | 114.098 | Eleito |
| 2004 | Prefeito de Rondonópolis | PL | 27.931 | Não eleito |
| 2006 | Deputado federal | PL | 78.215 | Eleito |
| 2010 | Deputado federal | PR | 145.460 | Eleito |
| 2014 | Senador | PR | 646.344 — 48,19% | Eleito |
| 2018 | Governador | PR | 280.055 — 19,56% | Não eleito |
| 2022 | Senador | PL | 825.229 — 63,54% | Eleito |
| 2026 | Governador | PL | Eleição em andamento | — |
Observação histórica: há registro secundário de uma tentativa de candidatura a deputado estadual em 1986, pelo PDT. Como esse pleito antecede a série histórica padronizada que serve de base principal à comparação eleitoral desta reportagem, ele não foi incorporado à soma das votações acima.
Patrimônio declarado
Wellington declarou R$ 13.132.463,00 em 2026, distribuídos em 28 bens. Entre eles aparecem participações empresariais, aplicações financeiras, imóveis, veículos e gado.
A série nominal de bens declarados mostra:
| Eleição | Patrimônio declarado |
|---|---|
| 2006 | R$ 681.428,03 |
| 2010 | R$ 7.255.285,56 |
| 2014 | R$ 8.666.604,04 |
| 2018 | R$ 8.984.864,52 |
| 2022 | R$ 9.070.350,18 |
| 2026 | R$ 13.132.463,00 |
Entre 2022 e 2026, a elevação nominal foi de aproximadamente 44,8%. Como em qualquer comparação patrimonial eleitoral, os valores não constituem, isoladamente, medida de enriquecimento real, pois são declarações independentes e não estão automaticamente atualizadas por inflação ou valor de mercado.
O que propõe
Wellington combina uma agenda de infraestrutura com saúde, segurança, municipalismo e políticas para mulheres.
Na saúde, prevê fortalecimento dos hospitais regionais, ampliação de consultas, exames e cirurgias, telemedicina, prontuário eletrônico integrado, aplicativo para marcação de consultas e uso de inteligência artificial.
Na infraestrutura, aposta na expansão e recuperação de rodovias, ferrovias e hidrovias, defendendo projetos de integração logística como instrumento de redução do custo de transporte da produção.
Na segurança, propõe inteligência contra organizações criminosas e fortalecimento da segurança rural.
O programa dedica um eixo próprio às mulheres, com fortalecimento da rede de atendimento, ampliação da estrutura especializada e políticas de autonomia econômica.
Na educação, propõe valorização profissional, conectividade, formação voltada ao trabalho e introdução de novas tecnologias, inclusive inteligência artificial.
O MAPA DOS PATRIMÔNIOS
As declarações de 2026 produzem uma diferença expressiva entre os candidatos.
| Posição | Candidato | Patrimônio declarado |
|---|---|---|
| 1º | Otaviano Pivetta | R$ 575.680.870,95 |
| 2º | Wellington Fagundes | R$ 13.132.463,00 |
| 3º | Natasha Slhessarenko | R$ 7.344.667,74 |
| 4º | Maurício Coelho | R$ 2.159.005,73 |
| 5º | Rafaell Milas | R$ 550.000,00 |
| 6º | Sargento Laudicério | R$ 12.500,00 |
O patrimônio declarado por Pivetta sozinho corresponde a mais de 95% da soma dos bens declarados pelos seis candidatos, evidenciando o peso de sua atividade empresarial e dos ativos financeiros em sua declaração.
QUADRO COMPARATIVO DAS PROPOSTAS DE GOVERNO
| Candidato | Gestão e economia | Saúde | Educação | Segurança | Infraestrutura e desenvolvimento | Políticas sociais/mulheres |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Maurício Coelho | Desburocratização, eficiência do gasto, inovação e empreendedorismo | Melhoria dos serviços básicos e eficiência da gestão | Modernização administrativa aplicada aos serviços | Diretrizes gerais de modernização | Ambiente favorável à iniciativa privada | Redução do custo de vida e aumento do poder de compra |
| Natasha Slhessarenko | Piso de 15% da RCL para investimento; cashback de ICMS; governo digital | Fila única auditável, aplicativo, telessaúde, mutirões, diálise e oncologia regional | Concurso para professores, piso do magistério, alfabetização e creches | Integração das forças e reforço do policiamento | Saneamento, planejamento técnico e diversificação econômica | Secretaria da Mulher, acolhimento e rede contra violência |
| Otaviano Pivetta | Continuidade da gestão, equilíbrio fiscal e ambiente produtivo | Regula MT, prontuário integrado e oito centros regionais de diagnóstico | Educação profissional, concursos e expansão de modelos cívico-militares | Batalhão Rural, fronteira digital, drones e inteligência | Rodovias, ferrovia estadual, industrialização e logística | 60 mil moradias e expansão de programas sociais |
| Rafaell Milas | Reforma administrativa, redução da máquina, impostos e gastos; liberdade econômica | Gestão enxuta e eficiência transversal | Ênfase em gestão e liberdade | Combate ao crime organizado e maior controle das fronteiras | Desregulamentação e incentivo privado | Combate a privilégios e renovação institucional |
| Sargento Laudicério | Apoio a pequenos negócios, emprego regional e gestão transparente | Hospitais regionais, capacidade cirúrgica, UBS e telessaúde | Ensino técnico, primeiro emprego e recuperação da aprendizagem | Principal bandeira: inteligência, fronteira, tecnologia e valorização das forças | Rodovias, saneamento e conectividade regional | Saúde dos servidores, proteção às mulheres e políticas territoriais |
| Wellington Fagundes | Municipalismo, equilíbrio fiscal, agregação de valor e desenvolvimento regional | Hospitais, telemedicina, aplicativo, prontuário e IA | Professores, inovação, conectividade e formação para o trabalho | Crime organizado, segurança rural e modernização policial | Rodovias, ferrovias, hidrovias e integração logística | Rede de proteção à mulher, creches e autonomia econômica |
AS GRANDES LINHAS QUE DIVIDEM A ELEIÇÃO
A comparação dos programas revela que a eleição de Mato Grosso não se limita a uma divisão convencional entre esquerda e direita. Há outras fraturas relevantes.
Continuidade ou mudança
Otaviano Pivetta é o candidato que representa de forma mais direta a continuidade administrativa do ciclo iniciado por Mauro Mendes em 2019. Sua candidatura parte da defesa dos resultados fiscais e dos investimentos já executados.
Wellington Fagundes apresenta-se como alternativa com forte experiência institucional e articulação federal, enquanto Natasha Slhessarenko procura construir uma mudança de prioridades, colocando saúde, educação e políticas de cuidado no centro do orçamento.
Maurício Coelho e Rafaell Milas transformam o fato de nunca terem exercido mandato em argumento de renovação, enquanto Laudicério procura fazer da experiência profissional na segurança a plataforma para chegar ao Executivo.
O tamanho e o papel do Estado
Outro contraste está na concepção de Estado.
Rafaell Milas e, em alguma medida, Maurício Coelho defendem estruturas mais enxutas, menos burocracia e maior protagonismo da iniciativa privada.
Natasha propõe expansão e fortalecimento da capacidade estatal em áreas como saúde, educação e políticas para mulheres, embora conjugada com metas fiscais e digitalização.
Pivetta defende um Estado fiscalmente organizado, mas investidor em grandes obras e programas estruturantes. Wellington aposta em parcerias, municipalismo e captação de investimentos, enquanto Laudicério procura combinar atuação direta do Estado em segurança e saúde com incentivo à atividade econômica regional.
Segurança pública ganha centralidade
Segurança é um tema presente nos seis programas, mas assume intensidade distinta.
Em Sargento Laudicério, é a própria identidade da candidatura.
Pivetta propõe ampliação do aparato tecnológico e policiamento rural. Wellington enfatiza organizações criminosas e segurança no campo. Rafaell defende maior controle de fronteiras e enfrentamento das estruturas financeiras do crime. Natasha relaciona segurança também à proteção das mulheres e à reorganização do efetivo.
Saúde se transforma em uma das principais arenas
Natasha coloca a saúde no centro de sua candidatura e constrói sua proposta a partir de sua trajetória médica.
Pivetta apresenta como vitrine a continuidade do Fila Zero e a descentralização dos diagnósticos.
Wellington aposta fortemente em tecnologia, telemedicina e regionalização.
Laudicério também apresenta uma proposta detalhada de fortalecimento dos hospitais regionais e integração com a atenção básica.
O tema, portanto, tende a ser uma das áreas em que o eleitor poderá comparar propostas com maior grau de objetividade.
EXPERIÊNCIA ELEITORAL: DO ESTREANTE AO VETERANO
A distância entre os currículos políticos talvez seja uma das características mais marcantes da eleição.
Maurício Coelho, Natasha Slhessarenko e Rafaell Milas jamais disputaram uma eleição antes de 2026.
Sargento Laudicério chega à quinta candidatura, ainda buscando o primeiro mandato.
Otaviano Pivetta já venceu eleições municipais, proporcionais e estaduais como integrante de chapa majoritária e atualmente ocupa o Governo.
No extremo oposto está Wellington Fagundes, cuja trajetória eleitoral atravessa mais de três décadas: seis eleições vitoriosas para deputado federal, duas vitórias para senador, duas tentativas de chegar à Prefeitura de Rondonópolis e uma candidatura anterior ao Governo.
Assim, o eleitor mato-grossense terá diante de si desde candidaturas que fazem da ausência de experiência eletiva um símbolo de renovação até nomes cuja principal credencial é justamente a experiência acumulada no poder público.
UM ESTADO RICO E A PERGUNTA QUE ATRAVESSA A CAMPANHA
Por trás das diferenças partidárias, a eleição de 2026 deverá responder a uma questão comum: como transformar a força econômica de Mato Grosso em serviços públicos, qualidade de vida e desenvolvimento distribuído pelo território?
O estado ocupa posição central na produção agropecuária brasileira e continua exigindo grandes investimentos em logística. Ao mesmo tempo, saúde regionalizada, segurança pública, habitação, saneamento, educação e desigualdades territoriais permanecem no centro da agenda.
Pivetta responde apostando na continuidade do modelo atual. Wellington oferece experiência parlamentar e articulação federativa. Natasha propõe redirecionar prioridades para políticas de cuidado e serviços públicos. Maurício reivindica eficiência e menor burocracia. Rafaell defende ruptura com estruturas tradicionais do Estado. Laudicério coloca segurança e presença territorial como pontos de partida.
São seis trajetórias diferentes e seis maneiras de apresentar ao eleitor uma mesma promessa: fazer com que a riqueza produzida em Mato Grosso se converta, em maior ou menor medida e por caminhos distintos, em desenvolvimento para sua população.
Em 4 de outubro, caberá ao eleitor decidir qual desses projetos deve comandar o Palácio Paiaguás a partir de 2027.
NOTA DE APURAÇÃO
Esta reportagem considera informações disponíveis e consultadas até 7 de setembro de 2026. Dados de registro de candidatura, patrimônio e propostas foram confrontados com bases do Tribunal Superior Eleitoral e plataformas que reproduzem os dados do DivulgaCandContas; informações de mandatos foram complementadas com registros institucionais do Senado, Câmara dos Deputados, Governo de Mato Grosso e Conselho Federal de Medicina. Como o processo eleitoral está em andamento, situações jurídicas das candidaturas e dados de campanha podem sofrer atualização até o pleito.