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Foto: Laís Aranha

ELSA-Brasil lança boletim sobre cuidados com diabetes tipo 2

Publicação reúne resultados de 17 anos de pesquisas, com evidências produzidas pelos mais de 15 mil participantes acompanhados em seis centros de investigação no país.

O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) está lançando um boletim especial em referência ao Dia Mundial do Diabetes, celebrado anualmente em 14 de novembro. A publicação reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo com pessoas que vivem com a doença. São apresentados resultados de 17 anos de pesquisas sobre diabetes tipo 2, com evidências produzidas pelos mais de 15 mil participantes acompanhados em seis centros de investigação no país.

De acordo com a Federação Internacional de Diabetes, 589 milhões de adultos convivem com diabetes no mundo – número que pode chegar a 853 milhões até 2050. No Brasil, os dados do ELSA permitem entender a carga da doença na população e identificar fatores de risco, desigualdades de saúde, impactos sobre o bem-estar e oportunidades de intervenção.

A partir do tema do Dia Mundial do Diabetes deste ano, “Diabetes e bem-estar no ambiente de trabalho”, o informativo destaca que: 7 em cada 10 pessoas com diabetes estão em idade ativa; 3 em cada 4 podem apresentar ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde mental associados ao manejo da doença; 4 em cada 5 experimentam burnout relacionado ao diabetes. As descobertas reforçam a necessidade de ambientes laborais que favoreçam hábitos saudáveis, acolhimento e políticas institucionais de bem-estar.

Fatores alimentares e estilo de vida aumentam risco

Pesquisas recentes do ELSA-Brasil mostram que: o consumo elevado de ultraprocessados aumenta em 24% o risco de diabetes; carnes vermelhas e processadas são importantes impulsionadores de risco, especialmente entre homens; o sedentarismo está associado a maior prevalência de pré-diabetes e diabetes; por outro lado, praticar 150 minutos semanais de atividade física protege contra o declínio cognitivo relacionado à doença.

Análises realizadas com participantes do ELSA-Brasil nos centros de investigação de Belo Horizonte e Salvador mostram que as áreas com maior prevalência de diabetes concentram moradores em condições socioeconômicas mais vulneráveis. Nessas localidades, observou-se que aglomerados de maior ocorrência da doença tendem a estar situados em regiões onde os residentes são majoritariamente pardos ou negros e apresentam baixa escolaridade. Esses achados reforçam que o diabetes se distribui de forma desigual no território e que fatores sociais e estruturais têm papel central no risco e no manejo da doença.

O diabetes tipo 2 também traz consequências silenciosas, como envelhecimento arterial, perda muscular e declínio da saúde mental. Conforme as análises das equipes do ELSA-Brasil: marcadores glicêmicos elevados estão associados ao aumento da rigidez arterial, um indicador de aterosclerose subclínica; o diabetes tipo 2 eleva o risco de dinapenia (perda de força muscular) e sarcopenia (perda de massa, força e função muscular). Além disso, mulheres com diabetes apresentam risco 54% maior de desenvolver episódios depressivos. Tais dados ressaltam que a doença é uma condição de múltiplas faces, com impactos que vão além do controle da glicemia.

Por fim, o boletim indica que apenas 28,6% dos participantes da pesquisa atingem as metas principais do tratamento. Conforme o documento, a baixa adesão medicamentosa foi o principal comportamento associado ao controle glicêmico inadequado – um dado que salienta a necessidade de estratégias de educação em saúde e apoio ao autocuidado.

Inovações

O boletim apresenta duas iniciativas pioneiras derivadas do estudo: uma calculadora de risco de diabetes para dez anos, baseada em variáveis contínuas e mais precisa que ferramentas de rastreamento tradicionais; diagnóstico precoce, a partir de evidências que mostram que a glicose de uma hora no teste oral de tolerância detecta preliminarmente pessoas em alto risco de diabetes tipo 2.


Sobre o ELSA-Brasil

O ELSA-Brasil é o maior estudo longitudinal sobre saúde do adulto na América Latina. Criado em 2008, acompanha servidores públicos de seis instituições: UFRGS, USP, UFBA, UFMG, UERJ e UFES. Entre seus principais objetivos, está investigar determinantes do diabetes, doenças cardiovasculares, saúde mental e envelhecimento.

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