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ESPECIAL | ELEIÇÕES 2026 EM SÃO PAULO – Sete trajetórias, dois antigos adversários e projetos distintos para o maior estado do país: quem são os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes

De um governador que tenta a reeleição a um ex-prefeito e ex-ministro que busca uma revanche eleitoral, passando por professores, militantes socialistas, uma policial militar e candidaturas ligadas a movimentos populares, a disputa pelo Governo de São Paulo em 2026 reúne sete nomes. Reportagem especial apresenta a trajetória pessoal e política dos candidatos, mandatos, filiações partidárias, patrimônio declarado, desempenho em eleições anteriores e as principais propostas apresentadas ao eleitorado paulista.

São Paulo, 6 de setembro de 2026

São Paulo chega às eleições de 2026 com sete candidaturas apresentadas ao Governo do Estado: Tarcísio de Freitas, do Republicanos; Fernando Haddad, do PT; Vera Lúcia, do PSTU; Carlos Machado, do PCB; Vivian Mendes, da Unidade Popular; Izadora Dias, do PCO; e Policial Edjane, do Agir. A relação consta dos dados de candidaturas da Justiça Eleitoral.

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026 e, se nenhum concorrente obtiver maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

A eleição também reedita, em seu núcleo mais competitivo, o confronto de 2022. Naquele ano, Tarcísio de Freitas derrotou Fernando Haddad no segundo turno e se tornou governador. Quatro anos depois, os dois voltam a se enfrentar, agora com Tarcísio defendendo a continuidade de seu governo e Haddad apresentando uma plataforma em que segurança pública ganhou posição central. Uma pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de setembro mostra os dois muito à frente dos demais nomes pesquisados e Tarcísio liderando também numa simulação de segundo turno.


O RAIO-X DA DISPUTA

CandidatoPartido/númeroNascimentoNaturalidadePrincipal experiência políticaPatrimônio declarado em 2026
Tarcísio de FreitasRepublicanos – 1019/06/1975Rio de Janeiro/RJGovernador de SP; ex-ministro da InfraestruturaR$ 2.696.808,40
Fernando HaddadPT – 1325/01/1963São Paulo/SPEx-prefeito de SP; ex-ministro da Educação e da FazendaR$ 861.217,25
Vera LúciaPSTU – 1612/09/1967Inajá/PESindicalista; duas vezes candidata à PresidênciaNenhum bem declarado
Carlos MachadoPCB – 2102/03/1985Franca/SPProfessor; candidato a vice-prefeito em 2024R$ 27.000,00
Izadora DiasPCO – 2913/01/1995Barra Bonita/SPMilitante partidária; candidata a vereadora e deputada federalNenhum bem declarado
Policial EdjaneAgir – 3628/04/1977Surubim/PEPolicial militar; três candidaturas anterioresNenhum bem declarado no registro consultado
Vivian MendesUP – 8013/01/1981São Paulo/SPDirigente da UP; candidata ao Senado em 2022R$ 80.000,00

Os valores correspondem às declarações apresentadas pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral. Não constituem avaliação de mercado nem auditoria de patrimônio e, portanto, não devem ser interpretados automaticamente como patrimônio líquido atual.


1. TARCÍSIO DE FREITAS — REPUBLICANOS

Do Exército e da infraestrutura ao Palácio dos Bandeirantes

Tarcísio Gomes de Freitas, nascido em 19 de junho de 1975, no Rio de Janeiro, chegou à política eleitoral relativamente tarde. Engenheiro e militar da reserva, construiu antes disso uma extensa carreira técnica no setor público.

Formado pela Academia Militar das Agulhas Negras e pelo Instituto Militar de Engenharia, serviu ao Exército durante cerca de 17 anos. Também participou de missão de paz no Haiti e posteriormente ocupou funções técnicas na administração federal, inclusive no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, o DNIT.

Passou ainda pelo Programa de Parcerias de Investimentos e ganhou projeção nacional ao assumir o Ministério da Infraestrutura, no governo Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.

Sua estreia nas urnas ocorreu somente em 2022. Filiado ao Republicanos, disputou o Governo de São Paulo, chegou ao segundo turno contra Fernando Haddad e venceu. Em 2026, tenta conquistar um segundo mandato consecutivo.

O registro eleitoral mostra que o Republicanos foi sua primeira legenda numa disputa eletiva. Sua carreira anterior havia se desenvolvido essencialmente em funções técnicas e administrativas.

Linha do tempo

1975 — nasce no Rio de Janeiro.
Anos 1990/2000 — segue carreira no Exército e forma-se em engenharia.
2005–2006 — participa de missão brasileira de paz no Haiti.
Década de 2010 — assume funções técnicas no governo federal, inclusive no DNIT e em programas de infraestrutura e concessões.
2019–2022 — ministro da Infraestrutura.
2022 — filia-se ao Republicanos e disputa sua primeira eleição.
2022 — eleito governador de São Paulo.
2023 — assume o Palácio dos Bandeirantes.
2026 — candidato à reeleição.

Desempenho eleitoral

AnoCargoPartidoVotaçãoResultado
2022 – 1º turnoGovernador de SPRepublicanos9.881.995 – 42,32%Foi ao 2º turno
2022 – 2º turnoGovernador de SPRepublicanos13.480.643 – 55,27%Eleito
2026Governador de SPRepublicanosEm disputa

Os resultados de 2022 são registrados nas bases eleitorais do TSE.

Patrimônio

Tarcísio declarou em 2026 R$ 2.696.808,40, distribuídos em quatro bens/aplicações. O item de maior valor é um imóvel em Brasília, declarado por R$ 2.137.160. Há ainda cerca de R$ 525,6 mil em poupança, R$ 33,5 mil em renda fixa e pequeno saldo em outra caderneta.


2. FERNANDO HADDAD — PT

Professor, ex-prefeito e ministro retorna para a revanche de 2022

Fernando Haddad nasceu em 25 de janeiro de 1963, na cidade de São Paulo. É formado em Direito pela Universidade de São Paulo, mestre em Economia e doutor em Filosofia.

Sua relação com o Partido dos Trabalhadores remonta à juventude: Haddad está filiado ao PT desde 1983, legenda pela qual construiu toda a sua carreira eleitoral.

Antes de conquistar mandato, ocupou funções administrativas na Prefeitura de São Paulo e no governo federal. Foi secretário-executivo do Ministério da Educação e, em 2005, tornou-se ministro da Educação, permanecendo no cargo até 2012.

Naquele ano disputou sua primeira eleição para prefeito da capital paulista. Saiu do primeiro turno atrás de José Serra, mas virou a eleição e venceu no segundo turno com 55,57% dos votos válidos. Governou São Paulo entre 2013 e 2016.

Tentou a reeleição em 2016, mas foi derrotado ainda no primeiro turno por João Doria.

Em 2018, com a substituição de Luiz Inácio Lula da Silva na chapa presidencial, Haddad tornou-se candidato do PT à Presidência da República. Chegou ao segundo turno e perdeu para Jair Bolsonaro.

Em 2022, concorreu ao Governo de São Paulo. Liderou pesquisas durante parte daquela campanha, chegou ao segundo turno, mas terminou derrotado por Tarcísio.

Depois assumiu o Ministério da Fazenda no governo Lula, função que exerceu entre 2023 e 2025. Em 2026, retorna à disputa estadual.

Linha do tempo

1963 — nasce em São Paulo.
1983 — filia-se ao PT.
2001 — inicia trajetória em funções administrativas da Prefeitura de São Paulo.
2004 — torna-se secretário-executivo do Ministério da Educação.
2005–2012 — ministro da Educação.
2012 — eleito prefeito de São Paulo.
2013–2016 — exerce mandato de prefeito.
2016 — perde a tentativa de reeleição.
2018 — candidato à Presidência da República e chega ao segundo turno.
2022 — candidato ao Governo de São Paulo e chega ao segundo turno.
2023–2025 — ministro da Fazenda.
2026 — volta a disputar o Governo paulista.

Desempenho eleitoral

AnoCargoVotaçãoResultado
2012 – 1º turnoPrefeito de São Paulo1.776.317 – 28,98%2º turno
2012 – 2º turnoPrefeito3.387.720 – 55,57%Eleito
2016Prefeito967.190 – 16,70%Não eleito
2018 – 1º turnoPresidente31,34 milhões – cerca de 29%2º turno
2018 – 2º turnoPresidente47.040.906 – 44,87%Não eleito
2022 – 1º turnoGovernador de SP8.337.139 – 35,70%2º turno
2022 – 2º turnoGovernador10.909.371 – 44,73%Não eleito
2026GovernadorEm disputa

A eleição de 2012 terminou com a vitória de Haddad por 3.387.720 votos. O histórico consolidado do TSE registra ainda suas disputas posteriores para prefeito, presidente e governador.

Patrimônio

Em 2026, Haddad declarou R$ 861.217,25 em sete bens, incluindo aplicações financeiras, participação em imóvel e quotas empresariais. Em 2022, sua declaração havia somado R$ 595.059,29.


3. VERA LÚCIA — PSTU

Da fábrica e do sindicalismo à terceira disputa por um Executivo de grande projeção nacional

Vera Lúcia Pereira da Silva Salgado nasceu em 12 de setembro de 1967, em Inajá, Pernambuco. Mudou-se ainda jovem para Sergipe e teve sua formação política ligada ao movimento operário e sindical.

Trabalhou na indústria calçadista e participou de movimentos trabalhistas. Sua trajetória política remonta à esquerda do PT e à antiga Convergência Socialista. Com a ruptura dessa corrente com o Partido dos Trabalhadores no início dos anos 1990, participou posteriormente da construção do PSTU.

Entre todos os candidatos paulistas de 2026, Vera Lúcia é quem apresenta o maior número de participações em eleições anteriores.

Já concorreu a vice-governadora, prefeita, deputada federal, governadora e presidente da República. Apesar dessa longa trajetória eleitoral, nunca conquistou mandato eletivo.

Linha do tempo

1967 — nasce em Inajá, Pernambuco.
Década de 1980 — ingressa no movimento sindical e na militância de esquerda.
Início dos anos 1990 — rompe com o PT junto ao setor que daria origem ao PSTU.
1998 — primeira candidatura localizada no histórico do TSE, a vice-governadora de Sergipe.
2004–2016 — disputa quatro eleições para prefeita de Aracaju.
2010 — candidata ao Governo de Sergipe.
2018 — candidata à Presidência.
2020 — candidata à Prefeitura de São Paulo.
2022 — volta a concorrer à Presidência.
2026 — candidata ao Governo de São Paulo.

Histórico eleitoral completo

AnoCargoVotosResultado
1998Vice-governadora de Sergipe12.064Não eleita
2002Vice-governadora de Sergipe2.369Não eleita
2004Prefeita de Aracaju5.242Não eleita
2006Deputada federal/SE3.756Não eleita
2008Prefeita de Aracaju9.143Não eleita
2010Governadora de Sergipe8.567Não eleita
2012Prefeita de Aracaju20.241Não eleita
2014Deputada federal/SE15.193Não eleita
2016Prefeita de Aracaju4.278Não eleita
2018Presidente da República55.762Não eleita
2020Prefeita de São Paulo3.052Não eleita
2022Presidente da República25.625Não eleita
2026Governadora de São PauloEm disputa

O histórico é consolidado a partir dos registros da Justiça Eleitoral.

Patrimônio

No registro de 2026, Vera Lúcia aparece sem bens declarados à Justiça Eleitoral.


4. CARLOS MACHADO — PCB

Professor de Franca chega à primeira candidatura majoritária estadual

Carlos Alberto Machado nasceu em 2 de março de 1985, em Franca, no interior paulista.

Professor e historiador, é formado em História pela Universidade de Franca desde 2009 e atua na rede pública estadual desde 2014. Sua biografia política está vinculada ao movimento estudantil, à educação popular e posteriormente aos movimentos sociais.

Ainda jovem participou de grêmio estudantil e da União Municipal dos Estudantes Secundaristas. Durante a formação universitária aproximou-se do Movimento dos Trabalhadores Desempregados e da Consulta Popular. Também atua no Instituto Práxis de Educação e Cultura.

Ingressou no PCB em 2022.

Sua primeira presença numa chapa eleitoral ocorreu em 2024, quando foi candidato a vice-prefeito de Franca na chapa encabeçada por Tito Flávio. Como candidato a vice, não teve votação nominal separada: os 236 votos registrados foram atribuídos à chapa majoritária.

Linha do tempo

1985 — nasce em Franca.
Anos 2000 — atua no movimento estudantil secundarista.
2009 — conclui graduação em História.
2014 — passa a lecionar na rede estadual paulista.
2022 — ingressa no PCB.
2024 — candidato a vice-prefeito de Franca.
2026 — candidato ao Governo de São Paulo.

Patrimônio

Carlos Machado declarou R$ 27 mil: R$ 15 mil em participação numa empresa MEI e R$ 12 mil referentes a um veículo Honda Accord. Em 2024, havia declarado R$ 57 mil.


5. VIVIAN MENDES — UNIDADE POPULAR

Dos movimentos sociais à segunda eleição estadual

Vivian Mendes da Silva nasceu em 13 de janeiro de 1981, em São Paulo. É relações-públicas e possui ensino superior completo.

Sua trajetória é fortemente ligada aos movimentos sociais. É uma das dirigentes e fundadoras da Unidade Popular e participou também da formação do Movimento de Mulheres Olga Benário.

Em 2022 concorreu ao Senado por São Paulo. Recebeu 280.460 votos, equivalentes a aproximadamente 1,3% dos votos válidos, e não foi eleita. Foi sua primeira candidatura localizada nas bases eleitorais.

Em 2023, ganhou exposição ao participar dos protestos na Assembleia Legislativa contra o processo de privatização da Sabesp.

Linha do tempo

1981 — nasce em São Paulo.
Anos 2000/2010 — atuação em movimentos sociais e de mulheres.
Período de organização da UP — participa da construção da Unidade Popular.
2022 — candidata ao Senado por São Paulo.
2023 — participa das mobilizações contra a privatização da Sabesp.
2026 — candidata ao Governo paulista.

Desempenho eleitoral

AnoCargoPartidoVotosResultado
2022Senadora por SPUP280.460 – cerca de 1,3%Não eleita
2026Governadora de SPUPEm disputa

Patrimônio

Em 2026, Vivian declarou apenas uma residência, avaliada em R$ 80 mil. Em 2022, havia informado aproximadamente R$ 116,6 mil em bens.


6. IZADORA DIAS — PCO

A candidata mais jovem da disputa

Izadora Cristina Dias da Silva nasceu em 13 de janeiro de 1995, em Barra Bonita, interior paulista.

Aos 31 anos, é a candidata mais jovem ao Governo de São Paulo em 2026. Declarou à Justiça Eleitoral ensino superior incompleto e ocupação de estudante.

Sua militância no Partido da Causa Operária começou por volta de 2018. Desde então, suas participações eleitorais ocorreram exclusivamente pela legenda.

Sua primeira candidatura ocorreu em 2020, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal de Barra Bonita. Recebeu 16 votos.

Dois anos depois, concorreu a deputada federal por São Paulo e recebeu 237 votos.

Linha do tempo

1995 — nasce em Barra Bonita.
2018 — aproxima-se do PCO e passa a atuar na legenda.
2020 — candidata a vereadora.
2022 — candidata a deputada federal.
2026 — candidata ao Governo de São Paulo.

Histórico eleitoral

AnoCargoPartidoVotosResultado
2020Vereadora de Barra BonitaPCO16Não eleita
2022Deputada federal/SPPCO237Não eleita
2026Governadora/SPPCOEm disputa

Patrimônio

O registro eleitoral consultado apresenta nenhum bem declarado para Izadora em 2026. Também em 2022 não havia patrimônio informado na candidatura.


7. POLICIAL EDJANE — AGIR

A trajetória eleitoral que passou por quatro partidos em quatro eleições

Edjane Lima de Sousa, que utiliza o nome eleitoral Policial Edjane, nasceu em 28 de abril de 1977, em Surubim, Pernambuco.

É policial militar, tem ensino médio completo e chegou à eleição para o Governo de São Paulo depois de três tentativas de conquistar cargos legislativos.

Seu histórico partidário é o mais móvel entre os sete concorrentes. Em quatro eleições consecutivas aparece filiada a quatro legendas diferentes:

PTB em 2020 → PROS em 2022 → PL em 2024 → Agir em 2026.

Em 2020 concorreu a vereadora na capital paulista e obteve 220 votos, ficando como suplente. Dois anos depois disputou uma vaga de deputada federal pelo PROS, com 1.116 votos.

Em 2024 concorreu à Câmara de Poá pelo PL, conquistou 304 votos e novamente ficou na suplência.

Linha do tempo

1977 — nasce em Surubim, Pernambuco.
2020 — candidata a vereadora de São Paulo pelo PTB.
2022 — candidata a deputada federal pelo PROS.
2024 — candidata a vereadora de Poá pelo PL.
2026 — filia-se ao Agir e disputa o Governo paulista.

Histórico eleitoral

AnoCargoPartidoVotosResultado
2020Vereadora/São PauloPTB220Suplente
2022Deputada federal/SPPROS1.116Não eleita
2024Vereadora/PoáPL304Suplente
2026Governadora/SPAgirEm disputa

Patrimônio: uma ressalva necessária

Nos dados atuais da candidatura de 2026, Edjane aparece sem bens declarados, e alguns espelhos da base atribuem total de R$ 0,00. Entretanto, em 2024 ela havia declarado um imóvel residencial de R$ 480 mil.

Por isso, jornalisticamente, o correto é registrar que não há bens informados na declaração disponível de 2026, e não concluir que a candidata necessariamente deixou de possuir patrimônio.


HISTÓRICO PARTIDÁRIO COMPARADO

CandidatoTrajetória partidária documentada
Tarcísio de FreitasRepublicanos desde 2022; primeira legenda de sua carreira eleitoral
Fernando HaddadPT desde 1983; todas as candidaturas pelo PT
Vera LúciaMilitância anterior no PT/Convergência Socialista; posteriormente fundadora e dirigente do PSTU
Carlos MachadoPCB desde 2022; anteriormente atuava em movimentos sociais e populares
Vivian MendesUnidade Popular; fundadora/dirigente da legenda
Izadora DiasPCO desde aproximadamente 2018; todas as candidaturas pelo partido
Policial EdjanePTB (2020) → PROS (2022) → PL (2024) → Agir (2026)

OS PROGRAMAS DE GOVERNO: ONDE AS CANDIDATURAS MAIS SE DISTANCIAM

Os programas revelam uma eleição com diferenças substantivas na concepção do papel do Estado.

Tarcísio defende, em linhas gerais, continuidade da política de concessões, parcerias com a iniciativa privada, expansão da infraestrutura e aprofundamento de programas de sua gestão.

Haddad combina uma agenda de maior coordenação estatal com respeito aos contratos existentes e escolheu a segurança pública como prioridade formal de seu programa.

Na esquerda socialista, PSTU, PCB e UP propõem ampliar consideravelmente a presença direta do Estado. PSTU e PCB apresentam as posições mais explícitas de reestatização de empresas e serviços privatizados.


QUADRO COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS PROPOSTAS

CandidatoSegurançaEducaçãoSaúdeInfraestrutura, transporte e serviços públicos
TarcísioCentro integrado de inteligência SP CIN, ampliação do Muralha Paulista e uso intensivo de tecnologiaExpansão do ensino técnico e integral; ampliação de escolas cívico-militares; vouchers para creches onde faltar ofertaAmpliar SUS Paulista, saúde digital em cerca de 40% e políticas de saúde mentalContinuidade das concessões e PPPs; expansão de trens/metrô; universalização do saneamento na área da Sabesp até 2029
HaddadSP Protege, Agência Estadual Antifacção, integração de dados, IA, câmeras corporais com gravação contínuaAlfabetização na idade certa, ensino integral, Etecs/Fatecs e valorização docenteRedução das filas de exames e cirurgias, prontuário integrado e telessaúdeFiscalização/revisão de concessões e tarifas; respeito aos contratos; revisão de pedágios e maior transparência
Vera LúciaMudança estrutural do modelo de segurança e combate à violência policialRecuperar mínimo de 30% da receita de impostos para educação; concursos e valorização docente; fim das escolas cívico-militaresFim da gestão por organizações sociais e retorno à gestão pública diretaReestatizar Sabesp, Metrô, CPTM e serviços privatizados; Tarifa Zero; fim de pedágios/concessões
Carlos MachadoReforma das polícias e defesa da desmilitarização, que dependeria também de mudança constitucional federalExpansão do ensino integral público e valorização de trabalhadores da educaçãoReforço do SUS estadual e ampliação expressiva dos investimentosReestatização da Sabesp, fortalecimento da operação pública e implantação gradual da Tarifa Zero
Vivian MendesReforma policial e defesa da desmilitarização; combate à violência contra a mulherFim da militarização escolar, revisão das terceirizações/PPPs e concursos públicosFortalecimento dos serviços públicos e políticas de saúde mentalMaior participação direta do Estado, programa de habitação popular e revisão de privatizações/terceirizações
Izadora DiasPrograma apresenta diretrizes gerais e menos detalhamento estadual específicoRecursos públicos destinados à educação pública; maior investimento; proposta de ampliação radical do acesso universitárioAumento do financiamento público e ampliação da redeLinha política contrária às privatizações e de expansão direta dos serviços públicos
Policial EdjanePlano formal não identificado no espelho atualizado da base consultada em 6/9

As propostas de Tarcísio incluem aumento da oferta de ensino técnico, saúde digital, obras e serviços nas periferias, expansão da Tabela SUS Paulista e vouchers para creches; o programa mantém a orientação favorável às concessões e à atual estrutura do saneamento após a privatização da Sabesp.

O programa de Haddad estabelece como primeira prioridade o SP Protege com Impunidade Zero, incluindo Agência Estadual Antifacção, integração de inteligência, câmeras corporais com gravação contínua e políticas de rastreamento de celulares. Na educação, prevê alfabetização, ensino integral e formação profissional; em concessões, promete fiscalização e revisão das condições contratuais, mas não estabelece uma reestatização geral automática das empresas já privatizadas.

Vera Lúcia propõe uma ruptura mais ampla com o modelo vigente: reestatização do Metrô, CPTM e serviços estratégicos, Tarifa Zero, retomada de 30% da receita de impostos para a educação estadual, concursos públicos e fim da militarização escolar.

Carlos Machado também coloca a reestatização e a expansão dos serviços públicos no centro de seu programa, incluindo reestatização da Sabesp, Tarifa Zero progressiva e fortalecimento da prestação estatal direta, além de educação integral e maior investimento no SUS estadual.

Vivian Mendes propõe interromper a militarização e a privatização da gestão escolar, rever PPPs e terceirizações, realizar concursos para recomposição do quadro da educação e ampliar programas públicos de habitação. Na segurança, a candidatura defende a desmilitarização das polícias — matéria que, para implementação integral, depende também de mudança constitucional no plano federal.

Izadora Dias apresentou programa ao TSE, mas o documento possui caráter mais amplo e contém diversas propostas que ultrapassam a competência exclusiva de um governador, como mudanças nacionais na estrutura educacional. Entre as linhas apresentadas estão ampliação do financiamento público da saúde e da educação e defesa da educação pública.

No caso de Policial Edjane, o espelho atualizado da candidatura consultado em 6 de setembro ainda indicava “plano de governo não registrado”. Por essa razão, não é metodologicamente adequado atribuir à candidata, no mesmo quadro, propostas recolhidas apenas de entrevistas ou declarações isoladas.


DUAS VISÕES PRINCIPAIS E TRÊS PROJETOS MAIS ESTATIZANTES

Observados em conjunto, os programas revelam uma espécie de gradiente sobre o papel que o Estado deve exercer na economia e nos serviços públicos.

Tarcísio está no polo que mais aposta em concessões, capital privado e parcerias público-privadas, procurando apresentar a eleição como oportunidade de continuidade dos investimentos iniciados em seu primeiro mandato.

Haddad não propõe simplesmente desfazer contratos existentes. Seu documento fala em fiscalização, revisão de tarifas e exigência de cumprimento dos contratos, ao mesmo tempo em que amplia o papel do Estado na coordenação de políticas públicas. A principal mudança política de seu programa de 2026 é colocar segurança pública no topo das prioridades.

Vera Lúcia e Carlos Machado vão além: seus programas defendem explicitamente reestatizações e um Estado operador direto de serviços estratégicos.

Vivian Mendes também apresenta uma plataforma fortemente estatizante, especialmente em educação, habitação e serviços públicos, associada ao projeto socialista da Unidade Popular.

Izadora Dias, pelo PCO, apresenta uma plataforma também situada à esquerda, mas menos detalhada em mecanismos específicos de administração estadual.


QUEM JÁ GOVERNOU E QUEM NUNCA TEVE MANDATO?

Entre os sete candidatos, apenas dois já conquistaram mandatos executivos pelo voto.

Tarcísio de Freitas exerce atualmente seu primeiro mandato de governador de São Paulo.

Fernando Haddad governou a capital paulista entre 2013 e 2016.

Vera Lúcia, Vivian Mendes, Carlos Machado, Izadora Dias e Policial Edjane nunca exerceram mandato eletivo, apesar de alguns deles acumularem várias participações em eleições anteriores.

Isso cria uma disputa que reúne, de um lado, candidatos com experiência concreta na chefia de grandes estruturas administrativas — Estado e Prefeitura de São Paulo — e, de outro, candidaturas que buscam transformar atuação sindical, profissional, partidária ou em movimentos sociais em uma primeira experiência de governo.


O PATRIMÔNIO DOS SETE CANDIDATOS

Em valores declarados à Justiça Eleitoral em 2026, a diferença entre os concorrentes é expressiva:

PosiçãoCandidatoPatrimônio informado
1Tarcísio de FreitasR$ 2.696.808,40
2Fernando HaddadR$ 861.217,25
3Vivian MendesR$ 80.000,00
4Carlos MachadoR$ 27.000,00
5Vera LúciaNenhum bem declarado
5Izadora DiasNenhum bem declarado
5Policial EdjaneNenhum bem declarado no registro atual

A tabela não deve ser interpretada como um ranking de riqueza. Os valores declarados ao TSE podem refletir custo histórico de aquisição, participações parciais em imóveis, saldos financeiros em determinada data e outros critérios utilizados pelo próprio candidato na declaração eleitoral.


SITUAÇÃO DOS REGISTROS EM 6 DE SETEMBRO

A situação jurídica das candidaturas ainda estava sofrendo atualizações durante a elaboração desta reportagem.

Até a atualização consultada em 6 de setembro, estavam com julgamento deferido os registros de:

Tarcísio de Freitas, Fernando Haddad, Carlos Machado e Vivian Mendes.

Permaneciam aguardando julgamento:

Vera Lúcia, Izadora Dias e Policial Edjane.

“Aguardando julgamento” não significa candidatura irregular ou indeferida. Indica apenas que, naquela atualização, o pedido ainda não havia recebido decisão definitiva da Justiça Eleitoral.


DE 16 VOTOS A 13,4 MILHÕES: A DIMENSÃO DAS TRAJETÓRIAS ELEITORAIS

As carreiras dos sete postulantes também evidenciam dimensões eleitorais extremamente diferentes.

Tarcísio participou de apenas uma eleição antes de 2026 — e venceu, chegando a 13,48 milhões de votos no segundo turno de 2022.

Haddad possui cinco grandes ciclos eleitorais anteriores, incluindo uma vitória para prefeito da maior cidade brasileira, uma disputa presidencial e uma eleição estadual.

Vera Lúcia percorreu o caminho inverso: possui o histórico mais longo de candidaturas, iniciado em 1998, mas ainda sem eleição para mandato.

Vivian Mendes entrou diretamente numa eleição estadual para o Senado e conquistou 280 mil votos.

Carlos Machado participou anteriormente apenas de uma chapa municipal como candidato a vice.

Izadora Dias começou a carreira eleitoral com 16 votos para vereadora, subiu para 237 numa disputa para deputada federal e agora concorre ao governo do maior colégio eleitoral estadual do Brasil.

Policial Edjane passou por três disputas legislativas antes de assumir sua primeira candidatura majoritária.

É uma diferença que ajuda a explicar por que a eleição paulista de 2026 reúne nomes com graus muito distintos de reconhecimento, estrutura partidária e experiência administrativa.


UMA ELEIÇÃO QUE TAMBÉM JULGA O MODELO DE ESTADO

Mais do que uma repetição do confronto entre Tarcísio e Haddad, a eleição paulista de 2026 coloca em votação modelos bastante diferentes para o futuro do Estado.

Tarcísio chega defendendo o legado do primeiro mandato, concessões, investimentos privados, expansão da infraestrutura e programas implantados nos últimos quatro anos.

Haddad tenta transformar a eleição em julgamento dessa gestão, especialmente das concessões e da política de segurança, mas sem assumir uma plataforma de cancelamento generalizado dos contratos existentes.

À esquerda dos dois principais concorrentes, PCB, PSTU e UP procuram inserir na campanha uma discussão mais estrutural: propriedade pública, tarifa zero, reestatizações, moradia, relações de trabalho e redução da participação privada nos serviços estaduais.

PCO apresenta uma agenda de forte ampliação dos serviços públicos, enquanto o Agir chega à disputa com Policial Edjane e, até a data de corte desta reportagem, sem programa formal identificável no espelho atualizado consultado.

Assim, os paulistas não escolherão em outubro apenas quem ocupará o Palácio dos Bandeirantes pelos quatro anos seguintes. Escolherão também entre diferentes concepções sobre segurança, educação, saúde, privatização, transporte, saneamento, concessões e o tamanho da presença direta do Estado na economia.

E, num eleitorado de dimensão nacional, a decisão paulista continuará tendo efeitos muito além das fronteiras do estado.


NOTA METODOLÓGICA

Esta reportagem utiliza informações disponíveis até 6 de setembro de 2026, com prioridade para registros e bases da Justiça Eleitoral, histórico oficial de resultados e programas de governo apresentados nas eleições de 2026. O TSE mantém o DivulgaCandContas justamente como sistema público de informações sobre candidaturas, patrimônio e contas eleitorais.

Os números de patrimônio são valores declarados pelos próprios candidatos, não avaliações independentes.

Os resultados eleitorais históricos são apresentados em valores nominais de votos e, quando disponível e relevante, percentual dos votos válidos.

No caso de candidatos a vice, não existe votação nominal independente: o voto é dado à chapa encabeçada pelo candidato a prefeito ou governador.

As propostas foram resumidas a partir dos programas apresentados à Justiça Eleitoral, distinguindo-se essas diretrizes formais de declarações feitas apenas em entrevistas ou atos de campanha. Algumas propostas, especialmente mudanças na organização das polícias, legislação nacional, financiamento federal ou regras de abrangência nacional, não dependem exclusivamente de decisão do governador e exigiriam participação da União, Congresso, municípios ou outros órgãos.

Como registros, candidaturas, substituições de chapas, patrimônio e documentos eleitorais podem sofrer atualizações até o pleito, a situação retratada corresponde ao levantamento fechado em 6 de setembro de 2026.

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